

Dias antes de começarem os europeus de atletismo em pista coberta, a imprensa vaticinava uma presença modesta de Portugal em Paris. Medalhas, nem pensar!
Sara Moreira tinha sido mal inscrita e ia correr numa prova que não era a sua especialidade. (O presidente da Federação de Atletismo reconheceu o erro e, dignamente, demitiu-se).
Naide Gomes vinha de uma lesão que a forçara a uma longa paragem e havia mesmo quem duvidasse que ela conseguisse o apuramento para a final.
Francis Obikwelu estivera fora da competição durante mais de um ano e o seu regresso era visto com cepticismo porque- afirmava alguma imprensa- estava velho.
Ontem, Naide Gomes trouxe a medalha de prata no salto em comprimento ( apenas a um centímetro da russa que venceu a prova) e Obikwelu venceu categoricamente os 60 metros, arrancando uma medalha de ouro.
Dois exemplos de jovens que reagiram, com personalidade e garra, às previsões dos velhos do Restelo. Jovens que tiveram vida difícil, comeram o pão que o diabo amassou, mas sempre lutaram com galhardia para honrar o nome de Potugal além fronteiras.
Gostaria que os jovens portugueses da "geração à rasca" se revissem nestes exemplos de luta e tenacidade, em vez de almejarem equiparar-se aos ídolos do facilitismo, gerados em “reality shows”, com o nível mental e intelectual dos “ Morangos com Açúcar”. Mas pedir aos jovens portugueses, abonados com a algibeira dos pais e o conforto de cama mesa e roupa lavada até aos 40, que vão à luta, é pedir demasiado.
Parabéns e obrigado, Naide e Francis.