Carlos Fuentes é um dos escritores latino-americanos da minha eleição. Se escolhi para esta lista "O Velho Gringo", foi por me lembrar como este livro me fez sonhar quando o li e, hoje em dia, me parece tão real.
Mas há dois outros livros de Carlos Fuentes que não poderia deixar de destacar: "Constância e Outras Novelas para Virgens" ( o primeiro que li) e "Cristóvao Nonato".quarta-feira, 14 de agosto de 2013
Aproveitem o tempo da Cinderella
Vá, aproveitem esta onda de euforia. Do crescimento, da recuperação económica, da diminuição do desemprego, dos sinais de luz ao fundo do túnel.
Aproveitem, porque no dia 30 de Setembro, contados os votos, a luz volta a apagar-se.
Voltaremos a cair na realidade, a ser pobrezinhos e abóboras. Tudo porque somos uns grandes nabos, mas isso é outra história...
Uma profissão com futuro, segundo Sócrates
(Um post com bolinha vermelha, apesar de não contar com a colaboração dos Ena Pá 2000)
Já muito se escreveu acerca da reportagem de Paulo Moura no Público de domingo sobre os call centers.
“ Não pode estar de pé. É do regulamento” ( disse-lhe o “capataz”)
2- “ Cala a boca”
“Não podes tratar-me assim”
“Se não estás satisfeito, a porta da rua é ali”
3- “Tínhamos de dar a entender às pessoas que, se não comprassem o serviço MEO, ficavam sem televisão, o que era mentira”- diz um ex-trabalhador do call center da PT em Coimbra.
4- Competências em línguas estrangeiras, boa infra-estrutura tecnológica, salários baixos. É melhor do que a Índia ou o Norte de África, consideram as grandes multinacionais.
5- O call center da PT em Coimbra é descrito, por muitos, como um inferno
Devo dizer-vos que não me surpreendi com a reportagem, pois conheço há muito como funcionam os call centers e há situações ainda piores do que as relatadas nesta reportagem. Foi por isso que no dia seguinte a Sócrates ter dito, na inauguração de um call center em Santo Tirso onde tinham sido criados 1200 postos de trabalho, que era um “emprego bom e com futuro” ( 18 de Agosto de 2008) escrevi :
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| Fotos da Net ( sem créditos) |
Já muito se escreveu acerca da reportagem de Paulo Moura no Público de domingo sobre os call centers.
Como o Público não permite fazer links do texto, deixo aqui alguns excertos antes de entrar no assunto que motivou este post:
1- O sistema tinha caído e Maria levantou-se para esticar as pernas“ Não pode estar de pé. É do regulamento” ( disse-lhe o “capataz”)
2- “ Cala a boca”
“Não podes tratar-me assim”
“Se não estás satisfeito, a porta da rua é ali”
3- “Tínhamos de dar a entender às pessoas que, se não comprassem o serviço MEO, ficavam sem televisão, o que era mentira”- diz um ex-trabalhador do call center da PT em Coimbra.
4- Competências em línguas estrangeiras, boa infra-estrutura tecnológica, salários baixos. É melhor do que a Índia ou o Norte de África, consideram as grandes multinacionais.
5- O call center da PT em Coimbra é descrito, por muitos, como um inferno
Devo dizer-vos que não me surpreendi com a reportagem, pois conheço há muito como funcionam os call centers e há situações ainda piores do que as relatadas nesta reportagem. Foi por isso que no dia seguinte a Sócrates ter dito, na inauguração de um call center em Santo Tirso onde tinham sido criados 1200 postos de trabalho, que era um “emprego bom e com futuro” ( 18 de Agosto de 2008) escrevi :
“Não posso embandeirar em arco e aplaudir o PM, quando proclama que um “call center” é um emprego “bom e de futuro”.
Aceitar como verdade esta afirmação, é pactuar com a ideia de que o futuro está no trabalho temporário, em condições por vezes degradantes, tão severas e injustas são as regras que o pautam.
Um emprego num call center significa apenas adiar um problema e não resolvê-lo. Anunciar 1200 postos de trabalho precário, mal pago e praticado em condições de insalubridade psíco-fisiológica, como uma medida de grande impacto no combate ao desemprego, é anunciar uma grande desgraça ao país.
O que os portugueses precisam não é de empregos de circunstância, que sirvam de panaceia aos seus problemas económicos, mas sim de uma política de emprego, assente em estruturas sólidas e impactantes.
Vivemos uma era de grandes mudanças na estrutura e regras da empregabilidade. Não podemos continuar a pensar em “empregos para a vida”. No entanto, também não é desejável que transformemos a mobilidade dos postos de trabalho num cenário pós II Revolução Industrial, onde campeie a incerteza e só alguns possam organizar a sua vida em bases sólidas.
Um país com futuro precisa de criar postos de trabalho “de futuro” e os “call centers” não podem ser encarados nessa perspectiva”.
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| Assim se trabalha num call center. Neste caso, é na Índia, mas podia ser cá |
Nesse longínquo ano de 2008 os empregados dos call centers já eram tratados em condições degradantes, mas ainda eram pagos a 500€. Hoje, em alguns desses paraísos de empregos com futuro, os trabalhadores são pagos à peça.
“ Temos que fazer um número mínimo de chamadas todos os dias, mas nem todas contam para a produtividade. Se não conseguirmos aguentar uma chamada durante três minutos não é contabilizada. É por isso que às vezes temos de ser chatos, estamos a tentar aguentar as pessoas do lado de lá até aos três minutos”- confidenciou-me há cerca de um ano um trabalhador de call center
A remuneração e as condições de trabalho têm vindo a degradar-se nos call centers, mas a ACT ( Autoridade para as Condições de Trabalho) parece que está apenas preocupada em saber se os trabalhadores e as empresas respeitam a proibição de fumar.
Quando os operadores começam a trocar a Índia, Cabo Verde e outros países africanos por Portugal, para instalarem os call centers a nível mundial, pelas vantagens que Portugal oferece, fica muito claro o que esta escumalha pretende fazer deste país: um paraíso para o trabalho escravo.
É certo que nos call centers não poderão coser a boca a quem lá trabalha, como eu vi numa multinacional do vestuário na Índia; talvez os capatazes destas galés da modernidade laboral não possam ( por enquanto!)agredir os trabalhadores, como vi noutra multinacional do vestuário na China; admito mesmo que os trabalhadores dos call centers não sejam mantidos como reféns dentro das instalações da empresa, como vi em Guam; nem sejam transportados em voos clandestinos entre a China e aquela base militar americana no Pacífico.
Seria no entanto aconselhável que a ACT olhasse para as condições de trabalho nos call centers e agisse em conformidade, antes de Portugal se transformar no paraíso europeu da escravatura.
Para nos infernizar a vida, já chega o cheiro a caganitas de coelho que empesta o ar, misturado com os perfumes de contrafacção da Marilú.
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