Ontem ao jantar estava a falar com um amigo de duas pinturas de Leonardo perante as quais tive uma reação diversa: a Gioconda foi uma desilusão e a Ceia foi um maravilhamento. Ele então contou-me o que aconteceu à Ceia com o coronavírus... :-))
Um bolo (a que faltam as velas) e o livro de aforismos de Heinlein:
Anyone who cannot cope with mathematics is not fully human. At best he is a tolerable subhuman who has learned to wear shoes, bathe, and not make messes in the house.
O Palais de la Porte Dorée (Paris) apresenta até 26 de julho uma exposição consagrada à obra e ao imaginário de Christian Louboutin, criador de sapatos e figura incontornável no mundo da moda.
Concebida como um convite para mergulhar no universo de Christian Louboutin, a exposição explora todas as facetas de uma inspiração com várias referências, num lugar que é querido ao criador e que viu o nascimento de sua vocação.
Christian Louboutin imprime nas suas criações uma grande variedade de padrões e cores, inspirados no seu amor pelas artes e por outras culturas. Extravagante, ousado, aberto ao mundo, o universo do criador é alimentado pela sua paixão por viagens, pelo mundo da cultura pop, pela dança, literatura e cinema.
Apesar dos sapatos Louboutin não serem 'a minha chávena de chá', esta deve uma bela exposição (pelo espetáculo que os seus sapatos são) e seria uma boa ocasião para visitar o Palais de la Porte Dorée, onde nunca entrei.
O último Nouvel Obs dedica um caderno de 42 páginas ao seu fundador «Notre Jean Daniel», recentemente falecido, em que colaboram, entre outros, Robert Badinter, Claude Perdriel (o outro fundador da revista), Bernard-Henri Lévy e Jacques Julliard.
«Jean Daniel s’en est allé. Il est mort comme il a vécu. Debout. Son départ est pour chacun d’entre nous un déchirement, tant notre titre est attaché à son nom. Le numéro de cette semaine retrace – par la voix de ses compagnons de route – l’itinéraire d’un homme hors du commun : à la fois journaliste, penseur et écrivain. Il restera "notre Jean Daniel", notre père en journalisme, la figure tutélaire de la rédaction, l’âme de l’Obs ».(Do editorial de Dominique Nora, p. 5)
No corpo da revista há duas páginas em que L'Obs dá voz ao testemunho dos seus leitores. Entre eles, está José Luís Porfírio: «Na minha adolescência, lia e admirava le Nouvel Observateur, que chegava a minha casa, em Portugal, debaixo do casaco. Jean Daniel vai-me fazer muita falta, quer esteja eu em acordo ou desacordo com ele, como exemplo de liberdade de pensamento fora das modas e de fidelidade às suas origens. Uma figura exemplar e uma vida rica e bem preenchida. Que repouse em paz!» (trad. minha, p. 7)
O texto de Bernard-Henri Lévy refere as relações de Jean Daniel com Portugal e son ami Soares e o apoio que deu (com a sua plume) à consolidação da democracia em Portugal, numa época em muitos estrangeiros olhavam para o nosso país como um caso perdido, uma «nova Cuba».
«A última peça de vestuário genuinamente árabe - o bioco - persistiu até aos nossos dias e só há poucos anos deixou de ser usado na província. Era uma capa comprida, com capuz que cobria o corpo e disfarçava o rosto, e daí dizer-se das mulheres discretas que tinham um ar embiocado.»
Adalberto Alves - «Outro voo de pássaro sobre o Crescente». In: Resgatados da gaveta. Albufeira: Arandis, 2019, p. 64