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sexta-feira, 22 de março de 2019

Primavera!

Viva a Primavera!






Para MR com os meus agradecimentos.


No nevoeiro leve da manhã de meia-primavera

No nevoeiro leve da manhã de meia-primavera, a Baixa desperta entorpecida e o sol nasce como que lento. Há uma alegria sossegada no ar com metade de frio, e a vida, ao sopro leve da brisa que não há, tirita vagamente do frio que já passou, pela lembrança do frio mais que pelo frio, pela comparação com o verão próximo, mais que pelo tempo que está fazendo.
(...)


Bernardo Soares, Livro do Desassossego, Vol.I. (Recolha e transcrição dos textos de Maria Aliete Galhoz e Teresa Sobral Cunha. Prefácio e Organização de Jacinto do Prado Coelho.) Lisboa: Ática, 1982.
(Arquivo Fernando Pessoa)



terça-feira, 20 de março de 2018

Viva a Primavera!

 Edward Cucuel - (1875-1954)


Primavera
A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.
Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.
Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.
Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.
Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.
Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.
Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.
Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.
Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.

Cecília Meireles - Obra em Prosa - Volume 1. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira, 1998, pág. 366.
(http://www.releituras.com/cmeireles_primavera.asp)

Feliz Primavera!


quarta-feira, 21 de junho de 2017

Marcadores de livros - 744

Fim da primavera, início do verão:

Eugène Grasset - Primavera, Verão.
Pormenores de biombo das Quatro estações.
Paris, Petit Palais

terça-feira, 9 de maio de 2017

Marcadores de livros - 703

Giuseppe Archimboldo - A Primavera (pormenor), 1573.
Paris, Louvre

Hoje desapareceu a Primavera e dizem que estará ausente por uns dias.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Dias de Sol em Abril

O povo diz: em Abril águas mil!
Mas não tem sido verdade. Embora os dias comecem e acabem frios têm estado com bastante Sol! Os jardins provam-no, encontrando-se todos floridos.

Hoje passei pelo da Gulbenkian, até apetecia ficar a ler um livro!
 

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Um quadro por dia


Dawson Dawson Watson ( 1864-1939 ), Last Day of Spring , 1929, óleo sobre tela .

Despedimo-nos da Primavera com uma tela deste neo-impressionista de origem britânica que viveu a maior parte da sua vida em França e depois nos EUA, onde morreu e onde pintou a tão diferente paisagem do Oeste americano ..

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Primavera

Julio Romero de Torres - A Primavera, 1925
Col. particular

Vi na exposição da coleção Masaveu um quadro de Julio Romero de Torres intitulado A Primavera que queria postar no blogue. Não o encontrei, mas vi este. 

Esta semana não tem sido nada primaveril...

segunda-feira, 21 de março de 2016

Primavera (?)

As tulipas foram o prenúncio da Primavera mas parece-me que a Natureza esqueceu-se de a vestir.
Lisboa vestiu-se de branco granizo.

Feliz Primavera!:))

domingo, 20 de março de 2016

Alegoria à Primavera

Domingos Costa

Canção de primavera

Eu, dar flor, já não dou. Mas vós, ó flores,
Pois que Maio chegou,
Revesti-o de clâmides de cores!
Que eu, dar, flor, já não dou.

Eu, cantar, já não canto. Mas vós, aves,
Acordai desse azul, calado há tanto,
As infinitas naves!
Que eu, cantar, já não canto.

Eu, invernos e outonos recalcados
Regelaram meu ser neste arrepio...
Aquece tu, ó sol, jardins e prados!
Que eu, é de mim o frio.

Eu, Maio, já não tenho.
Mas tu, Maio, Vem com tua paixão,
Prostrar a terra em cálido desmaio!
Que eu, ter Maio, já não.

Que eu, dar flor, já não dou; cantar, não canto;
Ter sol, não tenho; e amar...
Mas, se não amo,
Como é que, Maio em flor, te chamo tanto,
E não por mim assim te chamo?

José Régio - Filho do Homem

terça-feira, 5 de maio de 2015

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Flores do campo e da cidade

Flor de cerejeira de jardim


Malmequeres / Bem-me-queres do campo


Papoilas do campo


"Spring has returned. The earth is like a child that knows poems.

 Rainer Maria Rilke (cortesia do Google)

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Da Outra Banda

 - Não sei o nome destas, mas têm um " ritmo " curioso : fecham ao cair do dia, abrem novamente de manhã.
 - Também não sei o nome desta, pode ser que a M.R. ou a Ana ajudem, nasceram espontaneamente estes dois pés num canteiro, crescem rapidamente embora mais em altura como se vê.

- E já há morangos, saborosos por sinal.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Hino ao Sol

Hino ao Sol, nesta manhã de Primavera, com um passeio pelo campo. Só a Natureza é perfeita. 

A primeira papoila

Bela, agreste e sem nome porque desconheço.

O orvalho da manhã

Dente-de-leão


(...) sítios amenos e deleitosos em que as plantas, o ar, a situação, tudo está numa harmonia suavíssima e perfeita: não há ali nada grandioso nem sublime, mas há uma como simetria de cores, de tons, de disposição em tudo quanto se vê e se sente, que não parece senão que a paz, a saúde, o sossego do espírito e o repouso do coração devem viver ali, reinar ali um reinado de amor e benevolência.

Almeida Garret, As Viagens na Minha Terra, cap. 10, em pdf.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Equinócio da Primavera

Alma-Tadema - Primavera, 1894
Óleo sobre tela.
Los Angeles, J. Paul Getty Museum, Los Angeles, The Bridgeman Art Library
Pormenor.

Hoje o dia amanheceu tristonho e tristonho permaneceu...

Spring Quiet

Gone were but the Winter,
Come were but the Spring,
I would go to a covert
Where the birds sing;

[...]

Christina Rossetti