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domingo, 8 de março de 2020

FLORES AOS MEUS AMORES

OBRA DE RODRGO DE HARO - meu particular amigo e confrade.

Hoje eu quero mandar flores
A todos os meus amores,
À Rainha de Sabá,
À dama de Calcutá,
Para a minha mãe também
Que me vela do além.
À minha mulher amada,
Já a trouxe à luz da alvorada,
A eleita rosa encarnada.
Flores para Gioconda
Que tanto me olha e sonda.
Flores para Salomé,
À Virgem de Nazaré,
Àquela linda menina,
Sheherazade, Messalina...
Flores para a matriarca,
Às súditas e à monarca.
Flores à índia guerreira,
Para a mulher benzedeira.
Flores, flor, flores e flor
Com afeto, com amor
Neste dia da mulher
Que homenagem é mister.
Dia de consagração
Por tamanha devoção
Que devoto ao ser querido.
Mulher faz todo o sentido
Da minha vida e  destino.
Mulher é o ente divino
Que tanto me faz sonhar...
Viva o seu dia! E um altar...

E viva o centenário da Academia catarinense de Letras!



quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

FESTAS FINDADAS, MÚSICOS A PÉ!


Lembro de um ditado antigo que dizia: “Festas findadas, músicos a pé!” Nós, de volta à cidade sede e ao lar depois das férias findadas. Casa de praia fechada e o reinício das jornadas do dia a dia dos dias dados por dias de “trampo”. Na bagagem o reconforto e um pouco de nostalgia com resquícios de tristeza vendo que tudo tem fim.
De seis irmãos, somos em dois, agora. Antônio, oitentão, depois da morte de sua esposa de oitenta anos, sentido pela perda, apegou-se arraigadamente à casa da Praia Alegre onde eles escolheram, na juventude, para veranear e, na velhice, para descansar. Mais que à casa, ora, apegado a uma determinada cadeira em que a esposa descansava sempre e compôs, a partir dela, letra de uma canção popular para homenagear memória da querida amada, procurando reanimar a alegria da Praia Alegre transformada em triste praia ao seu sentimento.
Para fixar à memória, Antônio afixou um quadrinho, com fotografia da esposa e letra da tal música sobreposta à foto, na parede da sala da referida casa, acima da cadeira posta em que ela repousava e cantava depois de dedilhar seu teclado eletrônico. Atualmente, em derredor da referida cadeira, ele canta a reviver momentos, tentando fazer mais feliz a sua viuvez. Fotografei um desses flagrantes e sensibilizado, compus um poeminha para a minha saudosa cunhada como se feito por ele.

TERESINHA

Venerável Teresinha,
Com Deus, tu estás no céu
E eu sozinho e ao léu
Cumpro ainda a sina minha

Como um inocente réu
Vendo que o fim se avizinha.
Em tua cadeira sozinha,
Sob diáfano véu,

Enxergo toda memória
Da saudosa trajetória
Nossa, meu saudoso amor!

Ela representa a história
Que lá no Reino da Glória
Findaremos, quando eu for!

LETRA DA MÚSICA AFIXADA À PAREDE 

ANTÔNIO TAVARES NETO JUNTO À CADEIRA COM O QUADRO DA MÚSICA ACIMA.

BODAS DO CASAMENTO DE ANTÔNIO TAVARES NETO 
E MARIA TERESINHA PEREIRA TAVARES 

NOTA DE RODAPÉ: VIVA O CENTENÁRIO DA ACADEMIA CATARINENSE DE LETRAS - ACL2020!

terça-feira, 31 de dezembro de 2019

FESTA DE SÃO SEBASTIÃO EM ARMAÇÃO DE ITAPOCORÓY



WEB

IMAGENS OBTIDAS NO BLOG ANOTAÇÕES DE CADERNOS DE MARIA DO CARMO
POSTADAS EM 15/01/2015:







Na nossa pequena praia de colonização portuguesa, Armação do Itapocoróy, há santos às devoções diversas. Entre os mais importantes se destacam São Pedro, patrono dos pescadores e São João Batista, padroeiro do lugar. Santo, também muito recorrido às graças era São Gonçalo do Amarante, santo português tocador de viola que as más-línguas diziam que ele tomava umas e outras para celebrar a vida.
Entre santos tantos, os festejos de São Sebastião dar-se-ão em janeiro e tem muita evidência dado ao ritual, principalmente relativo a seu mastro sincrético de outra religião, com uma enorme procissão católica. É interessante a celebração, por obedecer a ritos tradicionais, muitos dos quais se perderam no tempo. Inclusive o refrão do cântico principal "Minero Dô; Minero Dô!..” semelhante ao ritmo da congada africana que coroava o rei do Congo ou do moçambique, bailado guerreiro africano, não se sabendo ao certo a tradução literal que para aproximar religiões pelo sincretismo veio à festa do santo.
A procissão do mastro, como outras festividades religiosas, têm seus festeiros – devotos responsáveis principais pelo evento àquele ano. O festeiro ou promesseiro de 2020 a São Sebastião seria meu nobre Amigo Carlos Malburg, arquiteto carioca, que veio a falecer no transcurso deste ano de 2019 e seus familiares se responsabilizaram pela organização dos preparativos. Carlos era devoto de São Sebastião, Padroeiro da cidade do Rio de Janeiro, sua terra natal, também admirador da tradição do mastro trazida pelos portugueses e que se mantém viva em Armação.
       Muitos milagres são atribuídos a esse santo aos mais diversos tipos de enfermidade humana. É também tido como protetor dos animais, produzindo curas em rebanhos com algum tipo de doenças.
Para homenagear e contar história compus um pequeno poema narrativo em décimas do cancioneiro ibero-português:


  
SÃO SEBASTIÃO

Que bom que o falo pagão,
Marco da fertilidade,
Serviu como identidade
A que São Sebastião
Fosse símbolo cristão,
Devido ser amarrado
A um tronco e transpassado
Por flechadas de arqueiros,
Para dar seus derradeiros
Suspiros de infiel soldado.

Ele, soldado romano,
Foi um pagão convertido
E não fazia sentido
Ao imperador soberano
Ver seu herói noutro plano
Que não fosse planos seus,
Porém, os planos de Deus
Eram outros e o soldado
Depois de preso e flechado
Ainda pregou aos ateus.

Porque foi tido por morto,
Com o corpo todo ferido
Sem exalar um gemido
Mas, por um caminho torto
Conduziram-no ao conforto
De um lar. E o santo soldado
Com o seu corpo mutilado,
Por obra divina e plano,
Fez o sagrado e o  humano
Suplantarem àquele estado.

Curado, saiu pregando
E convertendo pagãos
Para os preceitos cristãos
Ensinados desde quando
Cristo pregou e a Seu mando,
Dizia o doutrinador.
Estava ali dando o Amor
Trazido por Deus Menino.
E ia levando esse ensino
De Jesus Nosso Senhor.

O imperador, ao saber
De Sebastião estar vivo,
Sentenciou incisivo  
Do alto de seu poder,
Que matassem aquele ser
Nefasto ao imperador.
E com cão farejador
Atrás da sua pegada,
Ele foi morto à paulada,
Enquanto pregava o amor.

Na Praia da Armação,
Os devotos fazem a festa
Com um tronco da floresta,
Um mastro, por tradição
Em honra a São Sebastião,
Sob um grande festival,
Expressão tradicional
De festejos a esse santo,
Com versos livres de canto
Ao tambor, tal ao ritual.

Para imitar o soldado,

Os homens põem um casquete 
Como um elmo que remete 
A estar uniformizado. 
Com mais um saiote atado 
Sobre a calça o faz conforme
Peça do antigo uniforme 
Que o soldado romano 
Usava. E sem ser profano, 
Faz-se à semelhança enorme.

Do rito, o mais importante
É o enfeite do pau,
Colocado em um jirau,
Tendo flores, o bastante,
Que as mulheres, com barbante
Atam-nas ao mastro e vão
Enfeitando com uma porção
De ramagens e de flores
Cantando versos de amores
Para São Sebastião.

E pedem fecundo o amor,
Rogam luzes a dar à luz,
Com batuque que as conduz
À alegria; e ao sabor
Da consertada, um licor
Feito à base de aguardente
E gengibre. O povo crente
Com vontade que sobeja
 Conduzem até a igreja,
O mastro aos ombros da gente.

Assim, com o mastro enfeitado,
 É feita a grande puxada
Ao longo da extensa estrada
Em que o tronco é levado 
Ao lugar determinado,
Sob aplausos e cantigas.
Rapazes e raparigas
Oferecem consertada,
Broa, bolacha, cocada,
Conforme às festas antigas.

E ao MINEIRO DÔ, cantando
Chegam à igreja, no local
Para um novo ritual.
Tange o sino em toque brando
Com a cantoria, até quando
O mastro ter sido erguido
Com corda, bambu, gemido,
Grito, palma, aplauso, até
O mastro ficar de pé,
Dando ao rito outro sentido.

Vem reza, vem brincadeira,
Abraço, conversa, canto,
Salva de palmas ao santo
Até hastearem a bandeira
Que lá no mastro altaneira
Leva São Sebastião
Mostrando ao povo cristão
Para que de longe veja
Que haverá festa de Igreja
Na Paróquia de Armação.

Dias depois logo vem
A missa e ao fim, um leilão
De pães de massa que são
Representações que têm
A ver com milagre a alguém.
Há pés, como pés curados,
Braços, corações... são dados
Que apontam ao órgão, à graça.
E os pães levados à praça
Da igreja são arrematados.

NOTA DE RODAPÉ: VIVA O CENTENÁRIO DA ACADEMIA CATARINENSE DE LETRAS - ACL2020