Cingiu-me pela cintura e saltitante saiu comigo por aí. E com ela eu saltei poças, rios e mares. Saltei barrancos, passarelas, lagos e pontes. Lembrei Hermes e as botas aladas atravessando ruas, caminhos e estradas.
Do alto vi picadas no emaranhado de cipós, como vi trechos perigosos em beira de precipícios. Também vi e como me fez melhor ver passarinhos cantando naquele dia. Ah, e como cantava em revoada o coral. Era lindo, mas tão lindo que sem escolher os acordes me dispus a dançar.
E dancei as valsas que entoavam como se fora um bom bailarino ou um simples passista de uma escola de samba, mas foi nos seus braços que eu me identifiquei.
Entre eles eu dancei apertado junto ao seu corpo colado; cara com cara, olho no olho sem dar bola pros pingos frios da chuva que nos lambiam.
Com ela eu dancei clássico, jazz, sapateado e flamenco.
Dancei tango, stiletto, salsa e dança africana.
Depois, já cansado e faminto, fui à barraca do beijo tomar sorvete, e antes de descansar sob o céu de estrelas, banhei-me com água e sabonete na praça de alimentação.
Na madrugada acordei com dores nos olhos, nas pernas e braços.
Mas como podia doer o meu corpo se eu tinha dormido a maior parte daqueles momentos?
Na verdade doía-me o peito.
Sim, porque é dentro do peito que a mantenho apertada, mas tão apertada que acabei sufocando o meu coração.
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