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24 de abril de 2018

Técnica do disco riscado



Há discursos que se adivinham, respostas que se conhecem ainda antes de se formularem as perguntas.
Como diria Octávio Machado, “vocês sabem de quem estou a falar”.
E também há relatórios que seguem a mesma técnica do disco riscado cada vez mais utilizada nas mais variadas situações.
O relatório sobre os direitos humanos do Departamento de Estado norte-americano é um dos melhores exemplos desta realidade.
Todos os anos, com o pólen da Primavera, aparecem as alergias dos norte-americanos, muito pouco preocupados com a sua cada vez mais patética situação interna mas sempre muito atentos a realidades externas.
O relatório do Departamento de Estado norte-americano é cada vez mais um copy-paste do ano anterior.
E Macau sabe isso muito bem.
A mesma sensaboria, as mesmas críticas, por certo as mesmas fontes.
E um momento que até podia ser importante para fazer reflectir quem tem responsabilidades na Região Administrativa Especial de Macau, e quem observa a mesma de fora, perde toda a sua credibilidade num emaranhado de críticas repetitivas, enfadonhas, hipócritas.
O presidente norte-americano adora a expressão fake news.
Olhando para o relatório do Departamento de Estado norte-americano, especialmente na parte que se refere a Macau, é essa a sensação que fica – entre algumas verdades, um montão de fake news.

7 de março de 2017

Vira o disco e toca o mesmo


Já vem sendo um hábito - todos os anos, por esta altura, o Departamento de Estado norte-americano expressa grandes preocupações relativamente ao respeito pelos direitos humanos em Macau. 
Se estas preocupações e estes relatórios não são novidade, o conteúdo dos mesmos também não o é.
Ausência de sufrágio directo e universal, liberdade de imprensa seriamente ameaçada, constrangimentos à participação cívica e política, o diagnóstico é sempre o mesmo, o disco parece riscado e repete incessantemente a mesma melodia.
Não há novidades nos relatórios apresentados, no timing para apresentação dos mesmos, nos conteúdos tratados.
E fica sempre a forte suspeita que também não haverá novidades nas "fontes" de onde provém a informação que é vertida nestes relatórios.
Sem grande esforço até é bem possível colocar nomes e rostos nessas mesmas "fontes".
Também sempre os mesmos nomes e os mesmos rostos, curiosamente.
Macau não é um paraíso, como todos sabemos.
Tem defeitos como qualquer outro ponto do Globo, aspectos que merecem atenção e correcção.
Sendo isto verdade, também é necessário dizer que os relatórios do Departamento de Estado também são repetitivos noutro aspecto - exageram (deliberadamente ou por ignorância?) os aspectos negativos que apontam e confiam cegamente na informação que lhes é oferecida pelas tais "fontes" sem qualquer preocupação de investigação séria e aprofundada, sem qualquer atenção ao contraditório.
Com tanta imprecisão, tanta repetibilidade, estes relatórios do Departamento de Estado não merecem grande credibilidade, não são para ser levados muito a sério. 

9 de fevereiro de 2011

O ministro Rui Pereira dá-se mal com as novas tecnologias


Rui Pereira, ministro da Administração Interna, dá-se mal com as novas tecnologias.
Depois dos microfones direccionais, que captaram os comentários libidinosos acerca de Carla Bruni, e depreciativos acerca de Sarkozy (o tal que tem "ar seboso"), Rui Pereira foi agora traído pelo sistema informático que deveria auxiliar o Ministério no processo eleitoral do passado dia 23 de Janeiro.
Conhecidas as conclusões do relatório elaborado por especialistas da Universidade do Minho, fica-se agora com a certeza que o diagnóstico avançado por Paulo Machado, o director-geral da Administração Interna, que entretanto se demitiu, estava correcto -  "sobrecarga de afluxos" (é grave!).
Simplificando, o sistema informático funciona muito bem.
Mas só com poucos pedidos de informação.
Quando lhe começam a perguntar muita coisa ao mesmo tempo, passa-se.
Mais ou menos como o primeiro-ministro...
Rui Pereira, que é um homem viajado, com grande visão, e que domina a língua inglesa e tudo, decidiu que era tempo de se responsabilizar o culpado pela barracada.
"Accountability", como se diz em inglês.
Como não podia demitir o software, empurrou Paulo Machado borda fora.
Mas segurou Jorge Miguéis, de quem se diz ser o maior especialista nesta área de processos eleitorais (a notícia aqui).
O ministro?
O ministro mantém-se no cargo, claro.
Sim que esta coisa de "accountability"só vai até director-geral.
 Daí não passa.
E só mesmo quem não sabe nadinha da língua inglesa é que não percebe isto.