27
Mar20
MARIA ESTELA GUEDES - TECNOLOGIAS DA ESCRITA
Já risquei folhas de Opuntia maxima
Para escrever o nome do Salvador
Já usei giz sobre ardósia
Bics de todas as cores
E Rotring, que bom que é
Desenhar as letras com tinta-da-china!
Borra de negro os dedos
Mas até a escrita por vir adivinha.
É tão difícil o manuscrito
É o papel que não presta, deixa trespassar a tinta
É a esferográfica que escorrega
E a letra fica desengonçada
O lápis é bom se for preto e macio
Para o apagar bem com a borracha.
Excelente foi também teclar num brinquedo
Ultrassofisticado como este iPad
Da sétima geração
Último modelo
120 gigas
(O brutinho leva a noite inteira a carregar)
Não tenho jeito
Para andar na rua
A mostrar às gentes
O que guardo atrás da braguilha.
E bom vai ser também ir à medina
Comprar pigmentos, um pincel
E assinar assim os últimos arabescos.
De «Esta noite dormimos em Tânger», em publicação na Urutau.