22/03/20

Coronavírus: como funciona a exponencial



Um texto do Tiago Monteiro Henriques, investigador no CITAB - Centro de Investigação e Tecnologias Agroambientais e Biológicas, que ajuda a perceber o que é a "exponencial" de que tanto se fala em relação ao crescimento do número de infectados pelo coronavírus.

Fiz este texto, para ajudar a perceber (ou a relembrar) o que é a exponencial e por que razão os países estão a repetir as mesmas medidas, mas desfasados no tempo.
Por favor, leiam com muita calma, muita atenção e partilhem.
Uma exponencial que cresça a 20% por dia significa que o número de casos sobe 20% a cada dia que passa.
Exemplificando, para um crescimento de 20% por dia e começando com 10 casos infetados (por hipótese, chegados de avião a uma dada região), temos:
dia 0: 10 infetados
dia 1: 12 infetados (10 + 20%)
dia 2: aproximadamente 14 infetados (12 + 20%)
(...)
dia 10: aproximadamente 62 infetados
(...)
dia 20: aproximadamente 383 infetados
(...)
dia 30: aprox. 2373 infetados
(...)
dia 40: aprox. 14 698 infetados
dia 41: aprox. 17 637 infetados
dia 42: aprox. 21 164 infetados
(...)
Como se pode observar, nos primeiros dias o número de novos casos é muito baixo, mas mais à frente no tempo, é muito alto (fator surpresa).
O que é que define a taxa do crescimento exponencial? Ou seja, o que é que faz com que haja mais 20% de casos a cada dia que passa, ou então 25%, ou até 30%?
Várias coisas: se o vírus for mais contagioso as taxas serão maiores, mas não é só isto. Quantas mais possibilidades dermos ao vírus de passar a outra pessoa durante um dia, também maiores vão ser aquelas taxas. Fatores como a elevada densidade populacional (onde muitas pessoas se cruzam na rua, nos transportes públicos, nas escolas, trabalhos etc.) aumentam a taxa da exponencial. Fatores culturais como o modo como as pessoas se cumprimentam (beijinhos, aperto de mão ou vénia) são particularmente importantes nesta doença (porque os vírus estão na saliva e no pingo do nariz e, quando nos tocamos ou coçamos o nariz, como normalmente fazemos, estes ficam na cara e nas mãos). Há outros fatores que poderão ser importantes (por exemplo o estado do tempo meteorológico), mas os que referi antes parecem ser os mais importantes neste caso (COVID-19).
Outros dois aspetos muito importantes são: o período de incubação e os casos assintomáticos. O período de incubação faz com que só descubramos aqueles números, que apresentei, cerca de 7 a 10 dias depois de as pessoas já estarem infetadas. Os casos assintomáticos fazem com que, na verdade, só uma parte daqueles números sejam conhecidos e fazem também com que a contenção falhe sucessivamente.
Façamos agora um outro raciocínio. Vamos assumir que as cidades do mundo são todas muito parecidas (têm autocarros, metros, pessoas que se cruzam nos passeios etc.). Vamos também assumir que as práticas culturais são semelhantes (por exemplo, pensando em Portugal e Espanha). Se assim for, a taxa de crescimento diário é igual nos dois casos. Vamos supor que é o valor de 20% outra vez.
Imaginemos agora que, nos primeiros dias da epidemia, Portugal recebeu 10 pessoas infetadas (que, por exemplo, chegaram de avião de Itália) e que começam a contagiar outras pessoas. E imaginemos que, na mesma semana, Espanha recebeu cerca de 62 infetados. Se olharem para os valores que apresentei no início, Portugal estaria no dia 0, mas Espanha estaria no dia 10!
Ou seja: receber mais ou menos infetados nos primeiros momentos, é exatamente como viajar no tempo! Passados 30 dias, Portugal teria 2373 infetados (dia 30) e Espanha 14 698 (dia 40).
Mas atenção! Não se deixem enganar pela exponencial! Para este exemplo que criei, a taxa de crescimento é a mesma nos dois países! Espanha pode ter mais casos por dia (em absoluto), mas, em termos relativos, os dois países estariam a crescer a 20% e Portugal atingirá os valores de Espanha passados 10 dias.
É por esta razão que os países estão a repetir as mesmas medidas, mas desfasados no tempo. É desesperante não podermos avisá-los! Mas a exponencial é muito enganadora (fator surpresa) e o medo (legítimo!) de arruinar a economia faz com que pouco se aprenda com os nossos vizinhos que estão avançados no tempo.
Países muito populosos e mais pobres causam-me uma sensação de impotência e tristeza muito grandes.
RECADOS PARA LEVAR CONSIGO:
Confiem na administração pública, nos órgãos de soberania e no nosso sistema nacional de saúde. Eles sabem disto tudo e têm muito mais informação nas mãos do que nós.
Façam a vossa parte para reduzir a taxa de aumento diário (que em Portugal tem sido maior do que 20%), diminuindo os contactos ao mínimo indispensável (ou a zero), estando conscientes que quando alteramos os nossos comportamentos hoje, só daqui a 7 a 10 dias veremos resultados.
Isolem os mais idosos dos mais novos. Se puderem, trabalhem e continuem a produzir. Não entrem em pânico. Sejam amigos e solidários com os que vos estão próximos. Força!

Receita de Pão de Vinho (Especial quarentena)



Receita de Pão de Vinho (Especial quarentena)

Ingredientes:

1 garrafa de bom vinho
250g de farinha de trigo, tipo 65
200g de água fria
10g de fermento padeiro
5g de sal fino
10g de açúcar


Preparação:

Uma boa ideia para quando se acabar o pão em casa em tempos de quarentena, é meter as mãos na massa. Abundam receitas na internet, aqui fica mais uma. Para começar, abra-se uma garrafa de um bom vinho para o deixar respirar. Depois, numa taça média, dissolva-se o fermento na água, junte-se o açúcar e misture-se bem. Encha-se um copo com vinho, pode ser aquele copo que usa habitualmente. Não tanto que venha por fora, mas não tão pouco que vos deixe um travo a racionamento de II GG. Deixe-se o copo ao alcance da mão, na banca, durante uns minutos para libertar todos os aromas. Noutra taça, misture-se bem a farinha com o sal. Deitem-se estes ingredientes na primeira taça e envolvam-se com a ajuda de um vara de arames. Cubra-se depois o recipiente com película aderente ou pano lavado e deixe-se a descansar ao abrigo de correntes de ar. Aproveite-se agora para provar o vinho escolhido. Aspire, prove. Que tal? Satisfeito? Se não estiver, é a altura de ir buscar outra garrafa e substituir. Se a pinga for do seu agrado, beba mais um gole, encha de novo o copo e prepare-se para uma deliciosa espera de uma hora enquanto o pão leveda, acompanhando o vinho com uma boa leitura. Finda a espera, tenda-se o pão com a ajuda de farinha. Moldem-se algumas bolas, alonguem-se e deixem-se a descansar na banca sobre farinha. Com uma faca, faça-se um corte em diagonal não profundo em cada bola. Pré-aqueça-se o forno a 200º, enfarinhe-se um tabuleiro e levem-se as bolas ao forno até ficarem douradas a gosto. Aproveite-se para encher o copo a cada vez que se for à cozinha para controlar a cozedura do pão de vinho. Consuma-se ao singelo ou acompanhe-se com manteiga, queijo, compotas, patés ou fumados, regado com o líquido restante. Não se esqueça de seguir o protocolo de higiene Covid-19 durante a preparação. Bom apetite.

(Nota: receita nunca testada. Se fizer o pão de vinho, diga-me como correu. Se conseguir.)

19/03/20

And the people stayed home, by Kitty O'Meará



And the people stayed home. And they read books, and listened, and rested, and exercised, and made art, and played games, and learned new ways of being, and were still. And they listened more deeply. Some meditated, some prayed, some danced. Some met their shadows. And the people began to think differently.

And the people healed. And, in the absence of people living in ignorant, dangerous, mindless, and heartless ways, the earth began to heal.

And when the danger passed, and the people joined together again, they grieved their losses, and made new choices, and dreamed new images, and created new ways to live, and they healed the earth fully, as they had been healed.

18/03/20

Lavagem correcta das mãos durante 20 segundos: para imprimir e afixar no WC


A OMS recomenda lavar as mãos com água e sabão, esfregando-as pelos menos durante 20 segundos. A duração na lavagem e o cuidado na lavagem são decisivos para a eliminação do coronavírus.  

Sobretudo importa reter que se devem lavar as mãos várias vezes  sempre que precisar de: tocar na cara, comer, após tossir ou espirrar, após tocar em superfícies metálicas ou outras, madeira, plástico, etc,  após ter estado em locais públicos, depois de ir ao WC, depois de mudar fraldas, etc. Também antes de preparar comida se devem lavar as mãos.

A OMS também sugere a desinfecção com gel de base alcoólica a 70º . Também a sua eficácia depende da utilização, ou seja, exactamente como se estivesse a lavar com água e sabão, percorrendo todos os locais indicados nas imagens. Essas indicações da DGS e da entidade congénere americana CDC, devem-se ao facto de apenas o álcool a 70% matar todos os coronavírus que actualmente se conhecem. Quando são excretados pelos doentes, os coronavírus vêm envolvidos numa fina película protectora, que o vírus "roubou" ao tecido da célula infectada para se poder proteger. Essa camada permite-lhe manter-se vivo por várias horas. Ora, o sabão - e o desinfectante também - tem o poder de romper esta película protectora. E, sem ela, o vírus morre.

Quanto mais álcool melhor é para matar os vírus? Não. A 100% o álcool evapora depressa demais. O ideal é haver alguma água incorporada na solução alcoólica.