
A Prateleira Mais Alta
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- Comunidades de Leitores: Reflexões sobre organização e dinamização
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- Comunidade de Leitores Biblioteca Palácio Galveias
- As "minhas" Comunidades de Leitores
- Escrita Criativa (Público Adulto)
- Português para Estrangeiros
- Página inicial
domingo, 15 de março de 2020
quinta-feira, 5 de março de 2020
Ernestina, J. Rentes de Carvalho
Há muito que andava para me dedicar à leitura de Rentes de
Carvalho e perceber o que a torna apelativa, quer no estrangeiro, onde primeiro
granjeou uma horda de fãs, e em Portugal.
Gostei muito desta leitura, por diversos motivos, sendo que
o equilibro resultante dos mesmos é em si mesmo um dos motivos. Através de uma
autobiografia ficcionada, o autor revisita a sua infância e juventude até ao momento
em que visita pela última vez a terra transmontana de origem da família. Essa revisitação
resulta numa história em que o autor explora as fronteiras entre realidade e
ficção; o processo de construção da memória; o retrato burilado
da sociedade das primeiras décadas do século passado, a evolução das grandes cidades e a dureza da
vida rural; o divagar do tempo e de outros tempos; um certo realismo que o
autor torna mágico pela sua visão da infância; e o magistral uso da
linguagem e do tom.
Este retrato e
esta viagem ao passado tem a mais valia de permitir a identificação de uma
grande parte da população nacional o que possibilita a sua adesão à obra e de funcionar
como um registo de um passado e de um modo de vida que já não existe e que o presente
e a tecnologia tornam exótico, o que também o torna apelativo.
Terei de regressar
à obra de Rentes no futuro, pois parece-me que o seu modo peculiar e binocular
de observar a realidade o tornar realmente uma voz única no panorama das nossas
letras.
Editora: Quetzal | Colecção: língua comum | Local: LX |
Edição/Ano: 5º, Jul 2014 | Impressão: Bloco Gráfico, Lda. | Págs.: 280 |
Capa: … | ISBN: 978-972-0-14699-4| DL: 382502/15 | Localização: BLX BECCE
808.1/CAR (80374311)
quarta-feira, 4 de março de 2020
sábado, 29 de fevereiro de 2020
Leituras nos Transportes Públicos #02.20
Fevereiro
|
|
3
|
As
vitimas de salazar
|
4
|
Uma
mãe como tu, Sally Hepworth
|
5
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14
|
Sapiens,
Yuval HArari
|
16
|
Todos
os dias são meus, Ana Saragoça
|
18
|
A
sexta extinção, James Rollins
|
19
|
Sapiens,
Yuval HArari
|
1Q84,
Haruki Murakami
|
|
Amor
entre guerras, Sofia Ferros
|
|
Como
é linda a puta da vida, Miguel Esteves Cardoso
|
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20
|
Essa
Gente, Chico Buarque
|
21
|
|
Casei
com um beduíno, Marguerite van Geldermalsen
|
|
Os
ensinamentos de Don Juan, Carlos Castaneda
|
|
24
|
|
27
|
Happy
Memory
|
28
|
O
nosso reino, valter hugo mãe
|
terça-feira, 25 de fevereiro de 2020
Sabrina, Nick Drnaso
O ano transacto foi pródigo em apreciações
positivas a este livro, cujo género não faz parte dos meus hábitos
de leitura, mas no qual já tive muito boas surpresas. Esta é uma
elas. E porquê? Primeiro, porque nos parece levar num sentido.
Depois, porque, gradualmente, à sua história base vai acrescentando
diversas camadas e transversalidades que permitem várias abordagens
e identificações.
Sabrina é uma jovem – como tantas outras –
que vive o seu quotidiano de pequenos planos intercalados com a sua
vida profissional e as relações amorosa, familiar e de amizade. Um
dia desaparece no seu caminho habitual. Passa-se quase um mês sem
qualquer pista, qualquer resposta. A família reage de um modo, o
namorado de outro, ambos tentando acomodar esse vazio nas suas vidas
e perceber razões e hipóteses. Inesperadamente, um vídeo – que
se torna viral - apresenta detalhes da sua morte. Violenta, às mãos
de um qualquer inadaptado social que se faz ouvir através do
massacres de inocentes aleatórios. Uma vez mais, família e namorado
processam a situação de modo diferente. Este, recorre à ajuda de
um antigo amigo – a lidar com os seus próprios problemas – e que
acaba por ver-se envolvido numa teoria da conspiração em que media
e alguns sedentos de protagonismo transformam a tragédia.
Minimizando-a, apagando-a da memória pública. Mas a memória
privada é mais duradoura e tem que lidar com o impacto deste
desaparecimento e desta violência no seu estado mais puro. Sem
diluições, sem filtros.
O interessante neste livro é este mesclar de
domínio privado e domínio público, tão sem ou com tão ténues
fronteiras no mundo actual. Bem como o modo como no apresenta estas
realidades e nos aponta caminhos de reflexão, caminhos que devemos
percorrer, embora o autor não siga connosco. Ele diz-nos: esta é a
realidade. A nós cabe perceber como queremos que ela continue. E é
esta mescla e ponto de reflexão que tornam esta história tão rica
e que permita que permaneça connosco muito depois da sua leitura.
Mesmo que este género não vos seja habitual ou
até estranho, Sabrina é um bom motivo para saírem da vossa zona de
conforto. Saiam!
Título
Original: Sabrina | Tradução: José Lima | Editora: Porto Editora |
Local: Porto | Edição/Ano: 1ª, 2018 | Impressão: Bloco Gráfico |
Págs.: 204 | ISBN: 978-972-0-03168-6 | DL: 452393/19 |
Localização: BLX Oli/BD 82 BD NT/DRN (80422034)
sábado, 22 de fevereiro de 2020
Escrita Criativa: Dicionário Esquecido
Uma das características que
me atrai na Escrita Criativa é o seu manancial de possibilidades de (re)aprendizagem.
Uma delas é o voltar a palavras esquecidas ou em desuso no nosso quotidiano,
seja porque pertencem a áreas especificas do saber, seja porque fazem parte de
outros tempos, usos e costumes. O nosso dicionário esquecido. Que melhor forma
de celebrar o Dia Internacional da Língua Materna, que se celebrou ontem, 21 de
Fevereiro, do que trazer de novo para o conhecimento de uma dúzia de
interessados algumas dessas palavras?
Foi assim que, hoje, (re)descobrimos as
seguintes:

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020
retratos com erro, eucanaã ferraz
Não me é fácil escrever sobre poesia. Correcção. Não me é
fácil escrever sobre livros de poesia. Há poemas que nos conquistam. Muitos que
não encontram em nós qualquer ressonância. Alguns roubam-nos um sorriso passageiro.
Gostei de descobrir o trabalho deste autor brasileiro e
apreciei como em certos poemas dialoga com Portugal, através dos seus autores,
da sua história, da sua cultura. Partilharei aqui alguns desses poemas e
deixarei que vos falem por si.
Editora: tinta da China |
Coord. Colecção: Pedro Mexia | Local: LX | Edição/Ano: 1ª Maio, 2019 |
Impressão: Rainho e Neves, AG | Págs.: 112 | Capa: Vera Tavares | ISBN: 978-989-671-489-5
| DL: 454607/19 | Localização: BLX PG 82P(81)-1/FER (80431731)
quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020
Não te rendas, Mario Benedetti
Não te rendas, ainda estás a tempo
de alcançar e começar de novo,
aceitar as tuas sombras
enterrar os teus medos,
largar o lastro,
retomar o voo.
de alcançar e começar de novo,
aceitar as tuas sombras
enterrar os teus medos,
largar o lastro,
retomar o voo.
Não te rendas que a vida é isso,
continuar a viagem,
perseguir os teus sonhos,
destravar os tempos,
arrumar os escombros,
e destapar o céu.
continuar a viagem,
perseguir os teus sonhos,
destravar os tempos,
arrumar os escombros,
e destapar o céu.
Não te rendas, por favor, não cedas,
ainda que o frio queime,
ainda que o medo morda,
ainda que o sol se esconda,
e se cale o vento:
ainda há fogo na tua alma
ainda existe vida nos teus sonhos.
ainda que o frio queime,
ainda que o medo morda,
ainda que o sol se esconda,
e se cale o vento:
ainda há fogo na tua alma
ainda existe vida nos teus sonhos.
![]() |
| @ Cultura Inquieta |
terça-feira, 18 de fevereiro de 2020
Comunidade de Leitores da Biblioteca Palácio Galveias: o que orientou a escolha de leituras?
Uma das questões inerentes
às primeiras sessões da CL é a inevitável (e as suas variantes): como é que
chegou a estes livros?
A principal linha
orientadora tem origem no espaço físico da Biblioteca, mais propriamente na
Sala Saramago e na homenagem que a mesma procura fazer a um dos seus
utilizadores mais distintos e que sempre valorizou a importância desta no seu
percurso profissional e pessoal. Então, a primeira ideia foi homenagear e
revisitar a obra de Saramago. Mas como faze-lo quando na cidade existe a
Fundação Saramago, que por sua vez já teve uma comunidade que revisitou toda a
sua obra. Este facto obrigava a uma tónica diferente. Qual?
Pareceu-me natural que a
homenagem andasse lado a lado com outros autores com os quais poderíamos
estabelecer uma relação de diálogo entre as suas obras. A primeira relação
seria inevitavelmente com os autores premiados com o Prémio José Saramago. Mas não
poderíamos ficar por ai. A determinada altura seria redutor. Então, foram incluídos,
mas era necessário ir mais além. Que além é esse?
Após algumas pesquisas, peguei
então em alguns dos temas abrangentes que Saramago tão bem explora e pensei em
livros e/ou autores que também se poderiam enquadrar nos mesmos. As grandes temáticas
são: utopias & distopias (reflexão social),
desterritorialização (migrações), inquietação existencial (reflexão sobre a
condição humana), lusofonia e inovação da linguagem (espaço de diálogo,
enriquecimento e influência da Língua Portuguesa). Depois, importava começar.
Por onde?
Apesar da relutância
religiosa do autor, ou talvez por essa ironia, vinha-me à mente a frase: no princípio
era o verbo. O verbo. A palavra. O nome. A primeira palavra que nos é dada. Todos os
nomes. A importância do nome na definição da identidade. Estava então
encontrada a linha orientadora para este primeiro ciclo da Comunidade: O nome.
A partir dai, foi relativamente fácil alinhar títulos cujo diálogo – por vezes,
mais óbvio e profundo, outras, mais ligeiro - com a obra de Saramago passasse
por este prisma.
Em Setembro, o
prisma será diferente, mas a lógica subjacente será a mesma. A proposta está a
ser alinhavada e está a compor-se. Mas calma, ainda é cedo. Por agora, relembro
apenas a selecção de títulos deste semestre para poderem ler e, se possível,
participar no diálogo. In loco ou à
distância.
Boas leituras!
Programa 2020 (1º Semestre)
13 de janeiro: Todos os Nomes, José Saramago
10 de fevereiro: Autobiografia, José Luís Peixoto
9 de março: Ernestina, J. Rentes de Carvalho
13 de abril: Os Malaquias, Andrea del Fuego
18 de maio: As primeiras coisas, Bruno Vieira Amaral
8 de junho: Eliete, Dulce Maria Cardoso
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020
A poesia, Nuno Júdice
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020
Sou um crime, Trevor Noah
Leiam, leiam, leiam! É a primeira e
quase única coisa que vos posso dizer. Leiam para aprender, leiam para
compreender, leiam para aceitar, leiam para perceber o vosso lugar no mundo. Esta
é uma daquelas leituras que vai permanecer comigo durante muito tempo. Pelo momento,
pela perspectiva, pela partilha.
Através de uma escrita fluida, Trevor
Noah leva-nos numa viagem pela sua infância e juventude e, de uma forma muito
desassombrada, transmite-nos e faz-nos reflectir sobre racismo, totalitarismo,
patriarquismo, religião, cultura, língua, circunstância, história, opressão,
educação, transformação, pobreza e privilégio e de como tudo isto combinado destrói
e condiciona a vida de todos nós, neste planeta plantado à beira sol. Foi e
será uma aprendizagem, porque há muito que ainda estou a processar. E creio
que, nos próximos dias, farei mais algumas partilhas especificas, mas, por
agora, só posso dizer: Leiam! Leiam! Leiam!
Subtítulo: Nascer e crescer
no apartheid| Título Original: Born a crime: Stories from a South African
Childhood |Tradução: Eugénia Antunes | Editora: Tinta da China | Edição/Ano: 1ª,
Nov 2018 | Local: Lisboa | Impressão: Rainho e Neves | Capa: Tinta da China |
Págs.: 278 | ISBN: 978-989-671-464-2| D.L.: 447525/18 |Localização: BLX It 791 NOA/NOA (80421636)
domingo, 2 de fevereiro de 2020
O poeta, Nuno Júdice
Trabalha agora na importação
e exportação. Importa
metáforas, exporta alegorias.
Podia ser um trabalhador
por conta própria,
um desses que preenche
cadernos de folha azul com
números
de deve e haver. De facto, o que
deve são palavras; e o que tem
é esse vazio de frases que lhe
acontece quando se encosta
ao vidro, no inverno, e a chuva cai
do outro lado. Então, pensa
que poderia importar o sol
e exportar as nuvens.
Poderia ser
um trabalhador do tempo. Mas,
de certo modo, a sua
prática confunde-se com a de um
escultor do movimento. Fere,
com a pedra do instante, o que
passa a caminho
da eternidade;
suspende o gesto que sonha o céu;
e fixa, na dureza da noite,
o bater de asas, o azul, a sábia
interrupção da morte.
e exportação. Importa
metáforas, exporta alegorias.
Podia ser um trabalhador
por conta própria,
um desses que preenche
cadernos de folha azul com
números
de deve e haver. De facto, o que
deve são palavras; e o que tem
é esse vazio de frases que lhe
acontece quando se encosta
ao vidro, no inverno, e a chuva cai
do outro lado. Então, pensa
que poderia importar o sol
e exportar as nuvens.
Poderia ser
um trabalhador do tempo. Mas,
de certo modo, a sua
prática confunde-se com a de um
escultor do movimento. Fere,
com a pedra do instante, o que
passa a caminho
da eternidade;
suspende o gesto que sonha o céu;
e fixa, na dureza da noite,
o bater de asas, o azul, a sábia
interrupção da morte.
sexta-feira, 31 de janeiro de 2020
Leituras nos Transportes Públicos #01.20
|
Janeiro
|
||
|
4
|
||
|
8
|
||
|
|
Portugal
visto pela CIA, Eric Frattini e Luís Naves
|
|
|
9
|
A
arte subtil de saber dizer que de f*da, Mark MAnson
|
|
|
|
Pense
e fique rico, Napoleon Hill
|
|
|
|
Os
maias, Eça de Queiroz
|
|
|
13
|
A
fórmula do ambiente, Alex Shimo-Barry
|
|
|
16
|
Volta
a Portugal, Álvaro Domingues
|
|
|
|
A
utopia, Tomas morus
|
|
|
21
|
A
insustentável leveza do ser, Milan Kundera
|
|
|
24
|
O
vestido vermelho, Stig Dagerman
|
|
|
|
Cultura,
Dietrich Schwanitz
|
|
|
25
|
Autobiografia,
José Luís Peixoto
|
|
|
26
|
|
|
|
31
|
|
|
domingo, 26 de janeiro de 2020
querida ÿeawele, Chimamanda Ngozi Adichie
Por estes dias,
ao cruzar-me com este pequeno livro, voltei a Chimamanda e ao tema do
feminismo. Um tema a que urge voltar regularmente e pensa-lo através das nossas
circunstâncias, percurso, opções, e, sobretudo, pelo que ainda não conseguimos.
Porque ainda há muito que batalhar, aqui, agora, algures e a qualquer momento. Porque
o caminho conquistado se pode facilmente perder, porque podemos perder-nos
nesse mesmo caminho.
Neste pequeno volume,
a autora apresenta-nos 2 premissas e 15 sugestões para uma educação baseada na
igualdade entre seres, independentemente de género. Porque embora a palavra
feminismo possa induzir em erro, é de igualdade que se fala, independentemente
de tudo. E Chimamamda chama a atenção para vários aspectos de como caminhar
nesse sentido, sendo um deles, exactamente, a linguagem que utilizamos. E, por
vezes, questiono-me se a palavra feminismo será a mais adequada para esta mesma
vontade de igualdade. Mas talvez a nossa circunstância ainda não permita que se
opte por uma nova palavra, talvez esta ainda seja a palavra necessária para chamar a atenção para este
desequilíbrio.
O caminho para o equilíbrio
faz-se de forma sistemática e verdadeira nos actos do quotidiano, nas relações
que estabelecemos e mantemos, no modo como as vivemos. Seria bom que todos gastássemos
um pouco a ler este livro e o triplo do tempo a pensar em como actuamos perante
cada uma das sugestões da autora. Este bem
pode ser o desafio de todos nós para 2020. Aceitam? Pensem nisto…
Subtítulo: como educar para o feminismo |
T.O.: dear Ijeawele, A feminist Manifesto in fifteen suggestions | Tradução: Ana
Saldanha |Revisão: nuno Pereira de Sousa | Editora: Dom Quixote/Leya|
Edição/Ano: 1ª, fev 2018 | Local: LX | Impressão: Eigal | Capa: Rui Rosa |
Págs.: 94 | ISBN: 978-972-20-6430-9 | D.L.: 435675/17 | Localização: BLX Mar
316.346-055.2 ADI (80410386)
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