Quinta-feira, 12 de Março de 2020

Birds Are Indie - Black (or the art of letting go)

I am slowly learning the art of letting go, or at least I think so.... É desta forma que se inicia Black (or the art of letting go), o primeiro single revelado de Migrations – The Travel Diaries #1, o quinto álbum dos conimbricenses Birds Are Indie de Joana Corker, Ricardo Jerónimo e Henrique Toscano, um registo de dez canções abrigadas pela Lux Records e que celebram a mesma quantidade de anos de um dos projetos nacionais mais queridos nesta redação, porque transmitem com as suas composições sonoras um rol de emoções e sensações únicas, sempre com intensidade e minúcia, mas também misticismo e argúcia e geralmente com uma serenidade extraordinariamente melancólica e bastante contemplativa.

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Migrations – The Travel Diaries #1 terá a curiosidade de ver a luz do dia em duas edições distintas, uma em CD a editar em abril e outra em vinil, lá para setembro. Ambos os formatos contarão com a revisita de cinco canções da discografia anterior da banda, reinterpretadas e regravadas no estúdio Blue House, em Coimbra, mais cinco originais, ou seja, o álbum irá ser dado a conhecer em duas etapas distintas

Com mistura e masterização de João Rui, todos os temas de Migrations– The Travel Diaries #1 tiveram a participação no baixo e em algumas teclas do convidado especial Jorri (a Jigsaw), que também colaborou na gravação. Liderar esse processo, como habitualmente, ficou a cargo de um elemento da banda, Henrique Toscano e o mesmo aconteceu com o artwork e o design, feitos pela mão da Joana Corker, modus operandi muito semelhante a Local Affairs, o registo que os Birds Are Indie editaram há dois anos atrás.

Quanto ao single Black (or the art of letting go), chamo a atenção para o acerto da descrição feita no seu press release que refere ser uma canção que mostra uma determinação materializada num ritmo tenso e intenso, em guitarras sujas e teclados acutilantes. Depois, na letra adivinha-se de imediato uma ironia gerada pelo contraste, algo tão característico dos Birds Are Indie. No refrão e a terminar a música, ouve-se repetidamente: «I never said it's over, I'll never say I want you back». E é nesta decidida indecisão que se inicia mais uma viagem...

De acordo com a mesma fonte, o video do tema foi gravado no Teatro da Cerca de São Bernardo, em Coimbra, por Bruno Pires, com conceito e edição da própria banda. A música e os três Birds Are Indie movem-se entre o preto, o branco e a cor, entre a luz e a sombra, entre a contenção e a explosão, entre a protecção oferecida pela tela e a crueza da máxima exposição. Confere...

Facebook: www.facebook.com/BirdsAreIndie.music
Bandcamp: www.birdsareindie.bandcamp.com
Vimeo: www.vimeo.com/birdsareindie
Youtube: www.youtube.com/user/birdsareindie
Instagram: www.instagram.com/birdsareindie
Blog: http://birdsareindie.blogspot.com/


autor stipe07 às 21:35
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Quarta-feira, 11 de Março de 2020

King Krule – Man Alive!

Já está nos escaparates Man Alive!, o quarto e novo registo de originais do britânico Archy Marshall, que assina a sua inusitada música como King Krule e que nos oferece mais um alinhamento de catorze canções, gravadas entre os estúdios Shrunken Heads, em Nunhead, Londres e, mais tarde nos estúdios Eve, em Stockport, no norte de Inglaterra, para onde teve de se mudar após o nascimento da sua filha.  Co-produzido por Dilip Harris, Man Alive! sucedem ao intimista registo The Ooz (2017) e que fazendo, com a ajuda de Ignacio Salvadores (saxofone), George Bass (bateria), Jack Towell (vocoder) e James Wilson (baixo), interseções únicas entre o rock, a pop, o jazz, o rap, a eletrónica ambiental e o próprio punk lo-fi, proporciona-nos uma experiência sensorial única e até intrigante, já que cada audição é uma janela de oportunidade que se abre para descobrir mais um efeito, uma nuance, um flash, uma corda ou uma nota que ainda não tinha sido captada pelo nosso âmago.

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Guitarrista de formação, mas mestre na arte de sobrepôr a mais variada míriade instrumental que a sua profícua mente o induza a usar para adornar as composições sonoras que cria, King Krule revela-se, neste Man Alive!, também um exímio contador de histórias, tal é o travo de autenticidade poética das mesmas e que andam muito à volta do nascimento da sua filha, resultado da relação com a fotógrafa Charlotte Patmore e como esse evento o fez mudar de uma vida de bastantes períodos de bonomia, para uma realidade em que existe o foco concreto de ter de ser um bom pai e proporcionar à filha, material e emocionalmente, tudo aquilo que precisa. Assim, na cosmicidade boémia que abastece, na sobresposição entre guitarra e metais, Cellular, no cru minimalismo ecoante de Supermarché, no rap nebuloso e futurista de Stoned Again, na intrigante Comet Face, no rock experimental repleto de groove de Alone, Omen 3 ou no soturno blues de Perfecto Miserable, encontramos alguns dos melhores momentos de um alinhamento onde não falta luz, optimismo e preserverança, criado por uma das personagens mais queridas da indie britânica atual e que se expôe bem menos caótico e confuso do que antes e mais aprumado e organizado, fruto, certamente, de uma nova dinâmica existencial certamente mais feliz e que Man Alive! claramente exala. Espero que aprecies a sugestão...

King Krule - Man Alive!

01. Cellular
02. Supermaché
03. Stoned Again
04. Comet Face
05. The Dream
06. Perfecto Miserable
07. Alone Omen 3
08. Slinsky
09. Airport Antenatal Airplane
10. (Don’t Let The Dragon) Draag On
11. Theme for The Cross
12. Underclass
13. Energy Fleets
14. Please Complete Thee


autor stipe07 às 22:47
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Terça-feira, 10 de Março de 2020

bdrmm - If Not, When?

Ryan Smith, Jordan Smith, Joe Vickers, Danny Hull e Luke Irvin são os brdmm, um projeto natural de Hull, em Inglaterra e que está a fazer furor com If Not, When?, um EP de seis canções que viu a luz do dia no passado outono à boleia da Sonic Cathedral Recordings e que foi gravado e masterizado por Alex Greaves.

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If Not, When? tem um alinhamento curto, mas intenso, assente num garage rock que dialoga incansavelmente com o punk rock e que incorpora, nessa trama, doses indiscretas de uma suja nostalgia, que nos conduz a um amigável confronto entre o rock alternativo de cariz mais lo fi e shoegaze com aquela psicadelia particularmente luminosa que atingiu o êxtase nas décadas finais do século passado, mas que se mantém mais atual do que nunca.

Assim, na suprema melancolia e na luminosidade vibrante da lindíssima Shame, no clima nostálgico da etérea The Way I Want, nas diversas camadas de guitarras que tingem a tonalidade progressiva e sentimentalmente crua de Question Mark e no rock efusiante de C: U, somos agraciados por um alinhamento em que sombra, rugosidade e monumentalidade se misturam entre si com intensidade e requinte superiores, através da crueza orgânica das guitarras, repletas de efeitos e distorções inebriantes e de um salutar experimentalismo percurssivo em que baixo e bateria atingem, juntos, um patamar interpretativo particularmente turtuoso.

Sendo este EP um ponto de partida na carreira dos bdrmm, que estarão no Hard Club no próximo dia vinte e três de maio, a base que ele firma no catálogo do projeto é tremendamente consistente e se a opção for permitir que a intuição tome as rédeas em posteriores lançamentos, este é já um belo ponto de partida rumo a sonoridades que poderão ser ainda mais abrangentes. Espero que aprecies a sugestão...

 

autor stipe07 às 17:56
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Segunda-feira, 9 de Março de 2020

Mystery Jets – Petty Drone

Mystery Jets - Petty Drone

Três anos depois do excelente Curve Of The Earth, os britânicos Mystery Jets de Blaine Harrison, William Rees, Kapil Trivedi e Kai Fish, já têm pronto A Billion Heartbeats, o sexto registo de estúdio desta banda oriunda de Eel Pie Island, nos arredores de Londres.

Supostamente A Billion Heartbeats já deveria ter visto a luz do dia, mas Blaine Harrison teve de se submeter uma intervenção cirurgica que obrigou ao reagendamento do lançamento dis deisco, estando agora previsto que chegue aos escaparates a três de abirl próximo e à boleia da Caroline International.

Seja como for, continuma a ser divulgados alguns singles de A Billion Heartbeats e Petty Drone é o mais recente, uma canção com uma forte vibe psicadélica e um excelente cartão de visitas de um disco que, como é hábito no cardápio dos Mystery Jets, abarcará algumas das referências inglesas fundamentais dos anos setenta, nomeadamente a atmosfera psicadélica (ora cá está) dos Pink Floyd e o ritmo e a melodia vocal de uns Fleetwood Mac. Confere...


autor stipe07 às 21:46
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Domingo, 8 de Março de 2020

Tindersticks – See My Girls EP

Na sequência do lançamento do registo No Treasure but Hope, um dos melhores álbuns de dois mil e dezanove, os Tindersticks de Stuart Staples acabam de editar um dos momentos altos desse trabalho e fazem-no em formato EP. Refiro-me ao single See My Girls, a sétima canção do alinhamento de No Treasure But Hope, que tem direito à companhia de uma versão dub experimental do tema e duas novas canções, A Street Walker’s Carol, um instrumental interpretado pelo pianista dos Tindersticks, David Boulter e Blood And Bone, tema que conta om a participação vocal de Sidonie Staples, filha de Stuart, que também foi responsável pelo artwork do EP e assinou a realização do vídeo da canção, juntamente com o pai.

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See My Girls é uma daquelas canções que capta na perfeição a essência filosófica e interpretativa de um projeto mítico do cenário indie contemporâneo. Nela, interseções sónicas das mais diversas proveniências, cordas de violinos e violas, teclas de um piano e metais imponentes, conjuram entre si para ampliar o habitual tom sentimental, frequentemente depressivo, da performance vocal de Stuart, num resultado final  denso e elaborado, rico em pequenos detalhes e muitos deles deliciosamente hipnóticos, que evidenciam este charme muito próprio e esta matriz identitária bastante vincada.

De facto, os Tindersticks sempre nos habituaram a arranjos sofisticados, que depois ainda obtêm uma maior notoriedade devido à consciente pose teatral e dramática que exalam, quase sempre personificada na voz do lider da banda, resultando numa sonoridade global bastante jazzística e complexa. See My Girls não foge a este conjunto de permissas, com o solo de violino de A Street Walker’s Carol a aprofundar este modus operandi eminentemente nebuloso, que revela superior mestria e classe, em Blood And Bone, à boleia da participação vocal esplendorosamente grave de Sidonie. O resultado final do EP, é uma pequena, mas inegavelmente rica amostra do inigualável bom gosto desta banda única no panorama alternativo atual. Espero que aprecies a sugestão...Tindersticks - See My Girls

01. See My Girls (Edit)
02. A Street Walker’s Carol
03. Blood And Bone
04. See My Girls (Le Chien Version)


autor stipe07 às 14:50
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Sábado, 7 de Março de 2020

From Atomic - Heartbeat

Nascidos em Coimbra há quase dois anos, os From Atomic nasceram da mente de Alberto Ferraz, que desafiou Sofia Leonor a fazerem algo em conjunto. Mais tarde juntou-se Márcio Paranhos e tomou assim forma um projeto que tem nomes tão proeminentes como os Yeah Yeah Yeahs, The Jesus & Mary Chain, Cocteau Twins, The Cure, DIIV, Siouxsie & The Banshees, Joy Division, The Raveonettes ou Sonic Youth, como influências declaradas, na busca de uma mescla entre o post punk britânico da década de oitenta e o indie noise da década seguinte.

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Seja como for, basta escutar Heartbeat, o primeiro single divulgado de Deliverance, o disco que o trio se prepara para lançar na reta final deste mês, à boleia da Lux Records, gravado e produzido nos estúdios da Blue House por Henrique Toscano e João Silva, misturado e masterizado por João Rui e que será cuidadosamente dissecado por cá, para se perceber que os From Atomic já têm um som identitário definido, eminentemente orgânico e negro, mas sem deixar de soar orelhudo apelativo e luminoso, uma simbiose nem sempre fácil de encontrar e que merece todo o destaque quando é bem sucedida, como é o caso. 

Já agora, importa acrescentar que Heartbeat, de acordo com o press release de lançamento do tema, fala da relação metafísica de uma personagem com a realidade. O diálogo lírico da faixa expressa o jogo entre a inevitável materialização do corpo e a subjectividade da mente. Ao mesclar estas duas dimensões, a certa altura não se sabe a que plano a música se refere. Ainda mais porque a letra reflecte o desejo profundo da personagem em afirmar que se sente viva, apesar de, no seu íntimo, lhe parecer que já não está. Confere...

https://www.facebook.com/From-Atomic-188655538613600/

https://www.instagram.com/from_atomic/


autor stipe07 às 18:00
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Sexta-feira, 6 de Março de 2020

The National – Never Tear Us Apart

The National - Never Tear Us Apart

Ainda não tem um ano nos escaparates I Am Easy To Find, o oitavo registo de originais dos norte-americanos The National, mas a banda de Matt Berninger e dos irmãos Dessner e Devendorf mantém-se ativa e acaba de divulgar uma versão espetacular de Never Tear Us Apart, um clássico dos anos noventa do século passado, assinado pelos australianos INXS de Michael Hutchence.

O objetivo deste lançamento dos The National, numa revisitação que soube manter a grandiosidade do clássico, entalhando nele aquela sombra e rugosidade típicas da banda nova iorquina, é ajudar as vítimas dos incêndios na Austrália, fazendo a canção parte do alinhamento de Songs for Australia, uma complição que junta uma série de artistas com a mesma missão. Confere...


autor stipe07 às 18:43
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Quinta-feira, 5 de Março de 2020

Real Estate - The Main Thing

Já viu a luz do dia e à boleia da Domino Records, The Main Thing, o quarto e novo registo de originais dos Real Estate, sucessor do excelente In Mind, editado em dois mil e dezassete e que estava repleto de canções feitas com guitarras levemente distorcidas e harmoniosas, banhadas pelo sol dos subúrbios, repletas de arranjos luminosos e com um certo toque psicadélico, nuances que ajudaram o projeto a assumir-se definitivamente como um dos mais interessantes e inovadores do cenário indie atual. Este The Main Thing é o primeiro disco do coletivo natural de Rodgewood, em Nova Jersey, sem a presença de Matt Mondanile, a contas com a justiça devido a várias acusações de abuso sexual. Mondanile foi substituido pelo multi-instrumentista Julian Lynch, que se junta a Martin Courtney, Alex Bleeker, Matt Kallman e Jackson Pollis, uma mudança na formação que não alterou decisivamente o som que típifica o adn dos Real Estate, mas que o aprimorou.

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Produzido pelo multi-instrumentista Kevin McMahon (Titus Andronicus, Swans, The Walkmen), The Main Thing é, claramente, o momento maior da catálogo discográfico de uma banda que teve sempre em ponto de mira bandas como os conterrâneos Birds, Wilco, R.E.M., ou Yo La Tengo, entre outras. para a criação de canções acessíveis e com um elevada luminosidade, canções que no fundo, fizessem o ouvinte sorrir sem razão aparente, digamos assim, apenas e só porque o conteúdo sonoro que absorve lhe prova tal reação física. E o novo disco da carreira dos Real Estate tem, de facto, belíssimas canções, assentes num rock que não tem medo de se espandir com o requinte e a majestosidade que a temática do registo, muito focada nas questões do amor e outras miudezas quotidianas, exige, fazendo-o com intenso charme e bom gosto.

Canções como Friday, intrigante e típica canção de início de alinhamento, com uma alma e um encanto profundos, a sedutora November, composição que na sobreposição de diferentes timbres e arranjos de cordas capta na perfeição a essência atual dos Real Estate, as mais psicadélicas e orgânicas You e Gone, a inebriante Shallow Sun e o single Paper Cup, um tema em que piano, cordas e uma vasta míriade de arranjos de elevada luminosidade e com um indisfarçável travo tropical, conjuram entre si intimamente, num resultado final bastante charmoso e sensorial, são momentos belíssimos de um alinhamento que, tendo a fabulosa voz de Courtney como a cereja no topo do bolo, é bem pensado e melhor executado, recompensado largamente quem se predispuser a descobrir os múltiplos encantos de uma das melhores bandas do rock alternativo atual. Espero que aprecies a sugestão...

Real Estate - The Main Thing

01. Friday
02. Paper Cup (Feat. Sylvan Esso)
03. Gone
04. You
05. November
06. Falling Down
07. Also A But
08. The Main Thing
09. Shallow Sun
10. Sting
11. Silent World
12. Procession
13. Brother


autor stipe07 às 21:11
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Vundabar – Montage Music

Oriundos de Boston, no Massachusetts, os Vundabar são uma dupla formada por Brandon Hagen e Drew McDonald e um caso sério no panorama alternativo da costa leste dos Estados Unidos da América. Algo desconhecidos do lado de cá do atlântico, têm, no entanto, já três excelentes álbuns em carteira. A saga discográfica iniciou-se em dois mil e treze com o  registo Antics. Dois anos depois viu a luz do dia Gawk e, no dealbar de dois mil e dezoitoSmell Smoke, um trabalho que já tem sucessor pronto, um disco chamado Either Light, que irá chegar aos escaparates a três de março, através da Gawk Records.

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Depois de na reta final de janeiro termos ficado a conhecer o tema Burned Off, o primeiro avanço divulgado de Either Light e algumas semanas depois Petty Crime, agora chega a vez de conferir Montage Music, mais um carrossel sonoro, burilado a guitarra, baixo e bateria,  com um travo festivo em que sobressai a luminosidade do timbre metálico das cordas e o já mítico ecoante efeito vocal dos Vundabar, ingredientes que conferem à canção uma indesmentível toada pop. Será, certamente, mais um dos momentos altos de um disco bastante inspirado pela personagem Tony Soprano, da série Os Sopranos. Confere...

Vundabar - Montage Music


autor stipe07 às 13:07
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Quarta-feira, 4 de Março de 2020

Grutera - Fica Entre Nós

Será a quatro de maio e à boleia da Planalto Records que irá ver a luz do dia Aconteceu, o quarto disco do projeto Grutera, assinado por Guilherme Efe, um músico nascido em pleno verão de mil novecentos e noventa e um e que, segundo reza à lenda, chegou ao nosso mundo todo nu, careca, sem dentes e cheio de sangue da barriga de sua mãe. As más línguas também referem que na altura o músico ainda não sabia tocar guitarra, porque não tinha unhas, mas provavelmente já sabia que era isso que faria o resto da sua vida, ainda que paralelamente tivesse qualquer outra atividade, mais ou menos lícita, mais ou menos nobre, com que fizesse mais ou menos dinheiro.

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Guilherme começou a sua carreira artística a tocar guitarra em bandas de metal, depois descobriu os recônditos prazeres da guitarra clássica e percebeu que seria por aí que iria conseguir alcançar a tão almejada fama, riqueza e sucesso, que tanto ambicionava desde o ventre materno, ou pelo menos, fazer música que o emocionasse e que melhorasse alguns minutos da vida de alguém que a ouvisse.

O percurso discográfico de Guilherme começou há cerca de oito anos com Palavras Gastas, no ano seguinte chegou aos escaparates o registo Sempre e dois anos depois viu a luz do dia Sur Lie, o antecessor deste Aconteceu, que foi gravado numa pequena adega, em casa dos pais do músico e que quebra um hiato de meia década, tendo começado a ser incubado em Braga desde dois mil e dezassete, com a ajuda de Tiago e Diogo Simão, que já tinham tido um papel preponderante nos três trabalhos anteriores deste projeto Grutera.

Fica Entre Nós é o primeiro single divulgado de Aconteceu, uma instrumental dedilhado divinamente à guitarra e que versa sobre a cumplicidade, um sentimento que pode ser entre duas pessoas como entre pessoas e as suas tradições. O próprio vídeo da canção tem essa faceta bem impressa, ao mostrar uma necessidade cada vez mais premente de conservar costumes e preservar espaços e gentes locais. Gentes que, muitas vezes, se vêm expulsas das suas raízes pela força do turismo e dos interesses económicos, que tanto podem ter de bom como de mau, se não existir um equilíbrio. Confere...

CONCERTOS

5 de Abril/ Festival Santos da Casa, Coimbra

4 de Junho/ Maus, Hábitos, Porto

5 de Junho/ Clav Sessions, Vermil

13 de Junho/ CAE Sever do Vouga

25 de Setembro/ Casa da Cultura, Setúbal

https://m.facebook.com/grutera1

https://grutera1.bandcamp.com/ 

https://soundcloud.com/grutera1


autor stipe07 às 13:09
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Terça-feira, 3 de Março de 2020

Throwing Muses – Dark Blue

Throwing Muses - Dark Blue

O excelente registo Purgatory/Paradise de dois mil e treze, da autoria do mítico projeto Throwing Muses de Kristin Hersh, David Narcizo e Bernard Georges, já tem finalmente sucessor, para gaúdio dos fiéis seguidores desta mítica banda norte-americana. Sun Racket é o título do novo trabalho discográfico do trio de Rhode Island e irá ver a luz do dia a vinte e dois de maio próximo, à boleia da Fire Records.

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Dark Blue é o primeiro single divulgado do alinhamento de Sun Racket, o décimo disco dos Throwing Muses, uma composição entalhada por um vigoroso indie rock de forte cariz lo fi, coberta por uma aúrea de aspereza e rugosidade únicas, nuances facultadas por guitarras plenas de poder e fúria, mas também de subtileza e charme, num resultado final inebriante. Confere Dark Blue e o alinhamento de Sun Racket, já forte candidato a um dos discos de eleição de dois mil e vinte...

01 Dark Blue
02 Bywater
03 Maria Laguna
04 Bo Diddley Bridge
05 Milk At McDonald’s
06 Upstairs Dan
07 St. Charles
08 Frosting
09 Kay Catherine
10 Sue’s


autor stipe07 às 15:53
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Segunda-feira, 2 de Março de 2020

STRFKR – Never The Same

STRFKR - Never The Same

Não é assim tão incomum quanto isso encontrar quem ache que os STRFKR de Josh Hodges são a maior banda de todos os tempos. De facto, esta banda norte-americana, natural de Portland, no Oregon, é mestre a transmitir boas vibrações e tem uma inclinação para a beleza que é, quanto a mim, inquestionável. É impressionante a sua capacidade de criar composições que oferecem êxtase às pistas de dança, mas também de proporcionar instantes sonoros contemplativos que, escutados, por exemplo, numa estufa de plantas, tornam-se no adubo ideal para as fazer crescer. Aliás, não será assim tão absurdo quanto isso, acreditar que aquela new wave de forte intensidade e que num misto de nostalgia e contemporaneidade, baliza o catálogo dos STRFKR, foi pensada por Hodges, o grande cérebro criativo do projeto, para o cultivo de sementes.

Assim, alegremo-nos todos e acreditemos piamente que a paz será de novo restaurada nos vales, as vacas voltarão a ser felizes e as águas serão purificadas, porque os STRFKR acabam de nos garantir um futuro mais feliz com o lançamento de uma nova canção intitulada Never the Same, o primeiro sinal de vida do grupo depois do fabuloso Being No One, Going Nowhere (2016).

Esta nova canção dos STRFKR não traz a companhia de anúncio de um novo álbum do grupo para dois mil e vinte, mas já é um maravilhoso bálsamo retemperador para todos aqueles que, como eu, ressacavam por novidades do projeto, um tema que prova, uma vez mais, que Hodges tem um talento especial para criar composições de forte índole pessoal e reflexivo, conseguindo, aqui, esse efeito, à boleia de uma batida hipnótica, um delicioso efeito planante, cordas vibrantes e sintetizações cósmicas, de forma surpreendente e mágica, enquanto fala de um indivíduo com olhos castanhos iguais aos olhos da sua mãe. Confere...


autor stipe07 às 12:08
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Domingo, 1 de Março de 2020

Luke Sital-Singh – Almost Home

Depois da edição, em dezembro último, de uma cover do clássico Strange & Beautiful (I’ll Put A Spell On You), um original de dois mil e dois do projeto Aqualung, e que sucedeu aos EPs Just A Song Before I Go e Weight Of Love e ao disco A Golden State, o britânico Luke Sital-Singh, agora radicado na costa oeste do outro lado do Atlântico, prepara-se para lançar um EP recheado de colaborações, intitulado New Haze, e que chegará aos escaparates a três de abril, através da etiqueta The Orchard.

Almost Home é o primeiro tema divulgado desse EP, uma composição cujos créditos Sital-Singh divide com o amigo Steve Aeillo (Lana Del Ray, Mumford & Sons, Thirty Seconds To Mars) e na qual o músico se debruça sobre os normais dilemas de quem fez uma mudança de residência e de vida transatlântica e de como isso pode redifinir aquele conceito de casa que todos temos e que pode variar imenso de pessoa para pessoa.

Sonoramente, Almost Home oferece-nos pouco mais de três minutos luminosos e vibrantes, aviados com cordas e outros arranjos eletrificados impregnados de uma pegada folk eminentemente melancólica, num resultado final tremendamente fiel ao espírito intimista e profundamente reflexivo do músico britânico e ao misticismo a à inocência que a sua filosofia sonora, na génese, transborda. Confere...


autor stipe07 às 20:48
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Sexta-feira, 28 de Fevereiro de 2020

Indoor Voices - Animal

Foi há já quase uma década, em 2011, com Nevers e um ano depois com um EP intitulado S/T, que o projeto Indoor Voices de Jonathan Relph, chamou a atenção da crítica com um naipe de canções iluminadas por uma fragilidade incrivelmente sedutora, que tiveram sequência há cerca de quatro anos com um outro EP, intitulado Auratic, que viu sucessor o ano passado, um registo de oito canções intitulado Gaslight Ephemera, que contou com as participações especiais vocais de Sandra Vu em Breathe, Barely, Kate Rogers em I'm Sorry, Maja Thunberg em Punch Me in the FaceAlways the Same e Shit World e ainda Alisha Erao em You're My. Agora, cerca de um ano depois dess registo, os Indoor Voices já têm um novo disco intitulado Animal, um alinhamento de dez composições masterizado por Simon Scott (Slowdive) e disponível no bandcamp do projeto.

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À semelhança da anterior discografia criada por Jonathan Relph, Animal flui, como se percebe logo em He Won't Fight, algures entre um aditivo intimismo e uma indisfarçável epicidade de forte cariz lo fi, carateristicas marcantes do adn de um projeto que tem como principais permissas uma elevada fluidez nas guitarras, sempre acompanhadas por um baixo vigoroso, uma bateria encorpada e uma vasta miríade de entalhes sintéticos, um cardápio sonoro que sustenta a dinâmica natural de temas que não receiam assumir uma faceta algo negra e obscura, para criar um cenário musical implicitamente rock, que em Less Problems Of Joy toca nas bordas do krautrock e em No One, num espetro mais punk, tudo esculpido com cordas ligas à eletricidade, mas com uma certa timidez que não é mais do que um assomo de elegância contida, uma exibição consciente de uma sapiência melódica.

Este desígnio é logo audível, como referi, no primeiro tema do registo, um enleante instrumental, mas também na intrigante atmosfera nublosa do tema homónimo e burilado com louvável sensibilidade no clima etéreo de Better, uma composição de forte cariz orquestral, onde deliciosos acordes e melodias minusiosamente construídas com diversas camadas de instrumentos, carregam uma sobriedade sentimental esplendorosa e única. Depois, o clima mais progressivo de Heart é outro exemplo feliz do modo como nestes Indoor Voices conseguem, através do sintetizador, uma simbiose entre shoegaze e post rock, sensação amplificada com superior requinte na cosmicidade pop de I'm Just Fine e feita, neste caso, sem excesso de ruído ou de modo demasiado experimental, apesar do cariz pouco imediato e radiofónico não só desta, mas também das restantes composições do registo.

Na verdade, todos os temas de Animal têm uma toada eminentemente tranquila e algo de épico e sedutor. Há uma sonoridade muito implícita em relação à herança da melhor pop dos anos setenta e oitenta e destacam-se os belos instantes sonoros em que a instrumentação é colocada em camadas e a voz manipulada como uma espécie de eco, criando uma atmosfera geral contemplativa e que atinge um elevado pico de magnificiência em Always All Ways, o meu destaque maior do trabalho, uma sinuosa e eloquente canção, difícil de desbravar, mas tremendamente narcótica. 

Além de manter intacta a aura melancólica e mágica de um projeto cada vez mais sedutor e de um Jonathan Relph cada vez mais sábio e abrangente, Animal exala o contínuo processo de transformação de uns Indoor Voices que procuram sempre mostrar, com a marca do indie shoegaze muito presente e com uma dose de experimentalismo equilibrada, uma rara sensibilidade e uma explícita habilidade para conceber texturas e atmosferas sonoras que transitam, muitas vezes, entre a euforia e o sossego, de modo quase sempre impercetível, mas que inquietam todos os poros do nosso lado mais sentimental e espiritual. Espero que aprecies a sugestão...

Indoor Voices - Animal

01. He Won’t Fight
02. Better
03. I’m Just Fine
04. Heart
05. Wrong Wrong Wrong
06. Always All Ways
07. They Hang Around
08. Animal
09. Less Problems Of Joy
10. No One


autor stipe07 às 11:52
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Quinta-feira, 27 de Fevereiro de 2020

Mush - 3D Routine

3D Routine marca a estreia em formato longa duração dos britânicos Mush, uma banda oriunda de Leeds e liderada por Dan Hyndman, ao qual se juntam Nick Grant (baixo), Tyson (guitarra) e Phil Porter (bateria). É um registo de doze canções que sucede ao aclamado EP Induction Party, editado em maio do ano passado e que, abrigado pela chancela da insuspeita Memphis Industries, nos oferece um indie rock de primeira água, com aquele travo genuíno e sincero que quase sempre podemos saborear em discos de estreia criados por grupos com uma sede enorme de mostrarem que merecem uma posição de relevo no universo sonoro em que pretendem gravitar e que, neste caso, assenta na melhor herança do rock alternativo que marcou as duas décadas finais do século passado, com os Pavement como referência assumidamente fundamental do quarteto.

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Cruzando linhas entre a crítica social, o existencialismo banal e um certo surrealismo abstrato, apimentado com uma interessante dose de ironia, 3D Routine é um disco que tem na guitarra a personagem principal, assumindo-se como o arquétipo maior de canções que têm, no seu todo, aquele travo indie clássico, mas que se forem analisadas à lupa, contêm uma notável abrangência; Do blues ao rock progressivo, passando pelo garage, o grunge e o punk lo fi, tudo cabe.

Logo em Revising My Fee, na batida das baquetas, na distorção da guitarra e no tom deliciosamente desleixado da voz, percebemos esta opção estilística, num tema tenso e progressivo que serve na perfeição para abrir um alinhamento que será um constante jogo do empurra entre banda e ouvinte, que tem de estar em permanente alerta e firme para perceber e opinar acerca daquilo que os Mush têm a dizer, geralmente de punho cerrado e sem riscar a azul partes de vocabulário.

A partir desse prometedor e imperial início de alinhamento, somos constantemente bombardeados com canções onde, sempre sob domínio das guitarras, o baixo e a bateria conjuram entre si, em conjunto ou à vez, para criar um som que pode parecer à primeira vista caótico, mas que é sempre um agregado de ruídos e arranjos calculado. Do alinhamento sobressai pela diferença, além do tema inicial já referido, o falso intimismo saloio de Existential Dread e o mais jingão de Fruits Of The Happening, o clima festivo de Eat The Etiquette, o travo boémio e enfumarado de Coronation Chicken e a intensidade musculada de Island Mentality.

Gravado com a ajuda de Andy Savours (Dream Wife, Our Girl, My Bloody Valentine), nos estúdios Green Mount, em Leeds, 3D Routine é uma estreia em cheio dos Mush, muito por culpa de um som simultaneamente poderoso e agressivo, mas também franco e honesto, com uma positividade contagiante e uma postura anti-sistema que impressiona pela objetividade e, principalmente, pelo grau de proximidade que se estabelece, ao longo do alinhamento, entre grupo e ouvintes. Espero que aprecies a sugestão...

 


autor stipe07 às 18:45
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Quarta-feira, 26 de Fevereiro de 2020

Clock Opera - Carousel

Já chegou aos escaparates Carousel, o terceiro e novo disco dos Clock Opera,  sucessor do muito recomendável registo Venn, lançado há quase dois anos. Carousel foi gravado nos próprios estúdios da banda em Londres, sendo um compêndio de pop futurística inspirado em autores de bandas sonoras de filmes de ficção científica, como Jerry Goldsmith ou Mica Levi.

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Esta banda britânica liderada por Guy Connelly olha com uma certa gula para a herança da pop da década de oitenta do século passado, aquela pop burilada com sintetizadores repletos de cosmicidade, cercados por guitarras planantes e repletas de eco e baixos rugosos e cerrados. Com esta receita arquitetam canções diretas, com pouco mais de três minutos e que se esfumam com uma velocidade estonteante, rematadas por um falsete que lembra Chaplin dos Keane, a nostalgia dos Coldplay e uma densidade sonora muito próxima do shoegaze.

Carousel contém, de facto, esta mistura louvável, deliciosa e aditiva, como se percbe logo em Be Somebody Else, composição onde uma bateria marcante e vários efeitos eletrónicos, ajudaram a criar um tema viciante e particularmente luminoso. Depois, o eslendoroso piano que afaga a batida minimalista que conduz o melancólico tema homónimo, a inquietude permanente a que sabem os flashes sintetizados e as teclas insinuantes de Run, o curioso travo R&B de I Surrender e o modo intenso como em Imaginary Nation os samples eletrónicos são processados e recortados numa frequência absurda e com o registo em falsete da voz de Guy Connelly a atingir uma elevada bitola, num belíssimo momento sonoro que nos envolve num turbilhão contagiante de emoções, são peças fundamentais de um álbum verdadeiramente intenso e vertiginoso, nuances que garantem o tal clima cinematográfico algo retro que sustentou a filosofia estilística de Carousel. O travo negro e intimista inicial de Algorithm e que acaba por resvalar para um portento de rugosidade sintética e a sumptuosa nuvem de efeitos e que definem Last Thing First, rematam com enorme fulgor e realismo esta intensão declarada de um registo único no panorama musical deste primeiro terço de dois mil e vinte, criado por uns Clock Opera que levam uma década de existência, sem mostrarem sinal de desgaste ou de déficit criativo. Aliás, Carousel acaba por deixar pistas bastante interessantes sobre o possível futuro artístico do projeto. Espero que aprecies a sugestão...

Clock Opera - Carousel

01. Be Somebody Else
02. Carousel
03. Run
04. Imaginary Nation
05. Howling At The Moon
06. I Surrender
07. Algorhythm
08. Snake Oil
09. Super Blue Blood Moon
10. Last Things First


autor stipe07 às 17:40
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Terça-feira, 25 de Fevereiro de 2020

Anibal Zola - Vida de Cão

Nascido na Invicta cidade do Porto há trinta e sete anos, Aníbal Zola apaixonou-se pela música e pela interpretação muito cedo. Ainda criança já tocava piano, mas no início da juventude ingressou na Valentim de Carvalho onde estudou guitarra clássica. Começou a tocar baixo eléctrico de forma autodidacta aos dezasseis anos tendo começado a ter aulas aos dezoito com o professor Helder Mendonça e um ano mais tarde, na Escola de Jazz do Porto com o professor João André Piedade durante três anos. Neste período, estudou engenharia civil na FEUP e fez parte do projecto musical Pay Per View?.

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No final da década passada, motivado pelo crescente interesse na improvisação e na composição baseada na escrita de canções, regressa à Escola de Jazz do Porto desta vez para estudar contrabaixo com o professor João André Piedade e Pedro Barreiros. Fez parte de um combo que participou na Festa do Jazz do S.Luiz em dois mil e onze, ano em que é admitido na ESMAE no curso de Jazz. Terminou a licenciatura em Contrabaixo/Jazz em Julho de dois mil e catorze na ESMAE onde teve a oportunidade de aprender e trabalhar com António Augusto Aguiar, José Carlos Barbosa, Florian Pertzborn, Nuno Ferreira, Michael Lauren, Mário Santos, Carlos Azevedo, Pedro Guedes, Abe Rabade, Telmo Marques, Jeffrey Davis, entre outros.

Actualmente faz parte dos projectos Palankalama, Les Saint Armand, Projecto Ferver e Carol Mello, além do seu projeto a solo Aníbal Zola, que se estreou nos discos há dois anos com Baiumbadaiumbé, um registo com um som muito particular onde se podem sentir influências da música brasileira nordestina, elementos plásticos que remetem à música de Tom Zé e ao tropicalismo brasileiro, algum rock e alguma folk anglo saxónica.

Agora, em dois mil e vinte, Aníbal Zola regressa aos discos com Amortempo, dez canções sobre o amor, a morte e o tempo, um registo escrito em português e com uma abordagem musical de busca de identidade. De acordo com o press release de lançamento, é um trabalho que resulta do desejo de juntar o contrabaixo e a voz a um conjunto generoso de participações de outros músicos extremamente talentosos que têm vindo a cruzar-se com Aníbal Zola. Procura essencialmente fundir música portuguesa com música latino americana e dá, com frequência, espaço para a improvisação. As letras não são mais do que as próprias inquietações do artista que se espelharam em temas já muito explorados pela humanidade, e que, em Aníbal Zola, surgiram através de um processo bastante inocente.

De amortempo acaba de ser revelado o single Vida de Cão, uma música frenética tal como é a vida da maior parte de nós. A letra é fundamentalmente instintiva e pouco pensada, tentando misturar os sentidos da visão, olfato e audição de uma forma nervosa e desequilibrada,  representando o comportamento selvagem de um cão. Além disso fala de tudo e não fala de nada. Há quem diga que é o chico fininho dos cães. No vídeo da canção, o cão de Aníbal Zola é protagonista numa viagem em alvoroço pela cidade e a filmagem, tal como a música, também é descomplexada. Confere Vida de Cão e os próximos concertos do artista...

29 Fevereiro/ Porto, CCOP – Apresentação do disco com presença de todos os participantes 13 Março/ Vermil, Centro e laboratório artístico Clav Live Sessions – Concerto a solo

14 Março/ Amarante, 3 Mini Festival de Artes – Concerto a solo

19 Março/ Lisboa, Clube Ferroviário – Concerto em trio

30 Maio/ Ciclo Fora de Portas na Adega Cooperativa, Arruda dos Vinhos

12 Junho/ Setúbal, Casa da Cultura – Concerto em trio

Facebook https://www.facebook.com/anibalcbvoz/

Instagram https://www.instagram.com/anibalzola/

Bandcamp https://anibalcbvoz.bandcamp.com

YouTube https://www.youtube.com/user/zenibeirao

Spotify https://open.spotify.com/artist/5YN3Sf9fbfdaRG1NSouCIL?si=KkrguNuVTFuseqxJXt8D2A


autor stipe07 às 17:21
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Segunda-feira, 24 de Fevereiro de 2020

Foreign Fields – Don’t Give Up

Eric Hillman e Brian Holl são os Foreign Fields, uma dupla norte americana, natural de Nashville, que se tem notabilizado desde dois mil e doze, quando se estrearam com o registo Anywhere But Where Am I, uma consistente coleção de treze canções construídas com fino recorte e indesmentível bom gosto. Take Cover, o segundo longa duração do projeto, lançado no final de dois mil e dezasseis, assumiu-se como o lógico passo em frente desse glorioso percurso inicial, um disco assente em canções bastante emotivas e incisivo a expôr os dilemas e as agruras da vida comum à maioria dos mortais, mas também as alegrias e as recompensas que a existência terrena nos pode proporcionar.

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Agora, quando ainda se abrem as cortinas de dois mil e vinte, Take Cover tem finalmente sucessor anunciado. The Beauty Of Survival será o terceiro álbum da dupla, um trabalho que tem em Don't Give Up, um dos temas já divulgados, uma composição que assenta num rugoso dedilhar acústico da guitarra, em redor da qual diferentes texturas e arranjos, proporcionados por teclas e diversos elementos percurssivos,de sopros e um agridoce registo vocal, no qual se inclui uma belíssima segunda voz, plena de emotividade e nostalgia. Uma sedutora e pueril canção, ideal para contrabalançar estes dias mais negros e conturbados em que vivemos. Confere...

Foreign Fields - Don't Give Up


autor stipe07 às 14:01
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Sexta-feira, 21 de Fevereiro de 2020

The Strokes – Bad Decisions

The Strokes - Bad Decisions

Finalmente já tem sucessor anunciado Comedown Machine, o álbum com atitude e cheio de melodias rock com riffs imparáveis, que em dois mil e treze colocou os The Strokes de Julian Casablancas, Nick Valensi, Nikolai Fraiture, Albert Hammond Jr. e Fabrizio Moretti novamente no caminho certo rumo ao pódio do indie rock  e ao espantoso legado sonoro que ajudaram a criar a partir do longínquo ano de dois mil e um com o memorável Is This It.

The New Abnormal é o título do sexto e novo disco deste coletivo nova iorquino ainda fundamental, portanto, no universo musical indie punk rock, um alinhamento de nove canções produzido por Rick Rubin e que irá ver a luz do dia a nove de abril próximo, à boleia da Cult Records.

Depois de há poucos dias termos tido a possibilidade de contemplar pela primeira vez At The Door , uma longa canção, algo anormal nos The Strokes, assente numa melodia sintetizada de forte cariz retro e que casava bem com a voz de Casablancas, que volta a evidenciar elasticidade e a capacidade de reproduzir diferentes registos e dessa forma atingir um elevado plano performativo, agora chega a vez de nos deliciarmo-nos com Bad Decisions, o segundo single retirado de The New Abnormal, um exuberante tratado de indie rock, festivo, luminoso e dançante, mais consentâneo com a herança do grupo, já que assenta no famoso efeito metálico metálico das guitarras, que é uma imagem de marca inconfundível dos The Strokes. 

Destaque também para o vídeo do tema, um filme assinado por Andrew Donoho e que nos oferece uma visão bastante curiosa do quinteto, numa versão retro. Confere Bad Decisions...


autor stipe07 às 13:59
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Quinta-feira, 20 de Fevereiro de 2020

Tame Impala – The Slow Rush

Quase cinco anos após Currents e a testar os limites da nossa paciência devido a tão prolongado hiato, eis que os australianos Tame Impala de Kevin Parker voltam, finalmente, aos discos com The Slow Rush, o novo registo de originais do projeto, um alinhamento com doze músicas gravadas, produzidas e misturadas pelo próprio Parker entre Los Angeles e o estúdio do artista em Fremantle, na Austrália, onde reside. The Slow Rush viu a luz do dia à boleia da Modular Records, a habitual etiqueta do grupo.

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Banda fundamental daquele prisma sonoro em que eletrónica e psicadelia se juntam de modo a descobrir novos sons, dentro de um espetro eminentemente pop, há mais de uma década que os Tame Impala refletem essa permissa para a exploração de um universo muito pessoal e privado de Kevin Parker, o grande mentor do projeto. E fazem-no situando-se na vanguarda das propostas musicais dessa área, mas também com um forte pendor nostálgico, também uma das inconfundíveis pedras de toque da discografia dos Tame Impala, nuance que começou por olhar com gula para o período setentista, mas que mais recentemente tem apontado baterias à década seguinte.

Ora, este último travo amplifica-se em The Slow Rush, um trabalho que se mantém, portanto, na peugada eminentemente oitocentista que marcou o antecessor Currents, uma filosofia estilística idealizada, como já disse, quase única e exclusivamente por Parker e que, mais do que nunca, é hoje feita de constantes encaixes eletrónicos durante a construção melódica, aos quais se juntam um almofadado conjunto de vozes em eco e guitarras mágicas que se manifestam com uma mestria instrumental única.

Excelentes exemplos dessa guinagem profunda oitocentista estão bem audíveis no vistoso e exuberante jogo entre o orgânico e o sintético que é possível contemplar em Gilmmer, no cósmico charme de Breathe Deeper e na daftpunkiana Is It True, com o apontar de novas pistas futuras, burilado em temas como Lost In Yesterday, canção sobre as nossas memórias, principalmente as menos felizes e a dificuldade natural que todos sentimos para exorcizar alguns demónios que nos atormentam por causa de eventos passados, ou Phostumous Forgiveness, longa e estratosférica canção, uma junção daquilo que eram inicialmente duas composições distintas e que flui de modo homogéneo e no universo próprio da banda e da sonoridade em que se insere, rebocada pela mestria vocal de Parker e pela multiplicidade de efeitos que cria com a guitarra elétrica, assim como o groove que oferece ao tema o baixo e uma habilidade inata do grupo no manuseamento dos sintetizadores e da percussão.

Conhecidos por nos transportar até aos dias em que os homens eram homens, as raparigas eram girl-groups e a vida revolvia em torno da ideia de expandir os pensamentos através de clássicos de blues rock, com os Cream ou Jimmy Hendrix à cabeça, em The Slow Rush os Tame Impala não fogem à regra deste modus operandi, replicando e aprimorando a fórmula dos recentes antecessores, através de doze canções impecavelmente estruturadas, algumas com uma vibração excitante e onde, no fundo, mais guinadela menos guinadela por alguns dos fundamentos da história da pop contemporânea, mantém-se a temática de revisão da psicadelia que busca pontos de encontro com o rock clássico, proposto há mais de quatro décadas por gigantes que se entregaram ao flutuar sonoro da lisergia. Espero que aprecies a sugestão...

Tame Impala - The Slow Rush

01. One More Year
02. Instant Destiny
03. Borderline
04. Posthumous Forgiveness
05. Breathe Deeper
06. Tomorrow’s Dust
07. On Track
08. Lost In Yesterday
09. Is It True
10. It Might Be Time
11. Glimmer
12. One More Hour


autor stipe07 às 13:11
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