16 de março de 2020

AS "100 CARTAS A FERREIRA DE CASTRO" E A SESSÃO QUE NÃO SE REALIZARÁ

Daí eu propor a realização de uma sessão virtual ao longo das próximas semanas. O livro está muito bem organizado: as cartas, as notas com referências biográficas e bibliográficas, a indicação da existência de livros e documentos do correspondente no acervo do Museu Ferreira de Castro.
Refiro-me hoje a Judith Navarro e à sua carta de 21 de Junho de 1966 cujo conteúdo gira em torno deste livrinho (1ª edição de 1958)
que consegui requisitar na biblioteca municipal de Vila Franca de Xira antes do seu encerramento. É literatura juvenil com boas ilustrações de Martins da Costa. O nosso Ferreira de Castro é explicado aos jovens a partir da sua aventura no Amazonas, tendo como guia A Selva e, como fontes para a autora, as biografias feitas por Jaime Brasil e Alexandre Cabral. Acho-o um trabalho interessante, de utilidade para a "promoção" do autor de Ossela junto do público juvenil.
Não tive possibilidade de investigar como surgiu a ideia do livro e qual foi o seu acolhimento crítico, bem assim como a que «recorte» se refere Judith Navarro na sua carta. A verdade é que teve uma 2ª edição em 1967. O Ricardo dirá certamente alguma coisa. A Cristina também, penso seu.

14 de fevereiro de 2020

EPHEMERIDES

13 DE FEVEREIRO DE 1906 (114 ANOS)
AGOSTINHO DA SILVA






"Toda a grande obra supõe um sacrifício; e no próprio sacrifício se encontra a mais bela e a mais valiosa das recompensas"

10 de fevereiro de 2020

EPHEMERIDES

10 DE FEVEREIRO DE 1898 (122 ANOS)
BERTOLT BRECHT





"Perante um obstáculo, a linha mais curta pode ser a curva" 

o início de ATÉ AO FIM

«Que horas são? a manhã vem já aí.» Vergílio Ferreira, Até ao Fim [1987], 8.ª ed., Lisboa, Bertrand Editora, 200, p. 13.   

7 de fevereiro de 2020

Jaime Cortesão, gostei de o conhecer

Depois de uma sessão intensa sobre as Memórias da Grande Guerra do médico escritor, em que muito ficou ainda por dizer, subiu o desejo de conhecer melhor o Homem.

Partilho dois documentos que descobri e apreciei:


Talvez fiquemos a entender um pouco melhor o que lemos e discutimos.
Em qualquer caso, é um extraordinário livro-documento. Dos que fica.

31 de janeiro de 2020

EPHEMERIDES

28 DE JANEIRO DE 1916 (104 ANOS)
VERGÍLIO FERREIRA

(com 3 dias de atraso, mas o homem de Melo merece)




 "Tenho ainda um bocado de vida a cumprir.
Foi-me guardado pelo destino."

26 de janeiro de 2020

EPHEMERIDES

25 DE JANEIRO DE 1882 (138 ANOS)
VIRGINIA WOOLF





"É muito mais difícil matar um fantasma do que matar uma realidade"

19 de janeiro de 2020

EPHEMERIDES

19 DE JANEIRO DE 1923 (97 ANOS)
EUGÉNIO DE ANDRADE




"Levar-te à boca
beber a água
mais funda do teu ser

se a luz é tanta
como se pode morrer?"

18 de janeiro de 2020

EPHEMERIDES

18 DE JANEIRO DE 1689 (331 ANOS)
MONTESQUIEU





"As leis inúteis enfraquecem as necessárias"

13 de janeiro de 2020

Duas miradas às trincheiras da GRANDE GUERRA

O livro de Jaime Cortesão tem-me feito imaginar, espevitado pelas descrições de pormenor rigoroso.
Mas, para além de imaginar, neste caso concreto, quis apontar a mira.
Partilho: https://pt.wikipedia.org/wiki/Cristo_das_Trincheiras
https://osaldahistoria.blogs.sapo.pt/14-instantaneos-o-cristo-das-9919

10 de janeiro de 2020

FREI AGOSTINHO DA CRUZ POR D. JOSÉ TOLENTINO

Para desfrute de eventuais interessados, aqui deixo o vídeo da conferência proferida em Setúbal, no passado dia 3 de Janeiro, pelo poeta e ensaísta José Tolentino Mendonça, no âmbito do 4º centenário da morte do também poeta e arrábido, Frei Agostinho da Cruz.  





6 de janeiro de 2020

TOP 2019

 
As leituras preferidas de quem votou:


1. Crónica do Rei Pasmado, de Gonzalo Torrente Ballester
    Persépolis, de Marjane Satrapi - 5 votos


3. A Ordem do Dia, de Éric Vuillard
    O Instinto Supremo, de Ferreira de Castro - 4 votos


Seguem-se  A Mancha Humana, de Philip Roth, Até ao Fim, de Vergílio Ferreira e  Estrada Nacional, de Rui Lage (3 votos); Os Loucos da Rua Mazur, de João Pinto Coelho e Serões da Província, de Júlio Dinis (2); Elogio da Infertilidade, de Victória F. e O Último Cabalista de Lisboa, de Richard Zimler (1 voto).






5 de janeiro de 2020

EPHEMERIDES

5 DE JANEIRO DE 1932 (88 ANOS)

UMBERTO ECO






"... quando desabaram os muros externos das construções mais belas, e a igreja, enrolando-se quase sobre si mesma, engoliu a sua torre, naquela altura faltou a todos a vontade de combater contra o castigo divino"
(O Nome da Rosa)

3 de janeiro de 2020

EPHEMERIDES

3 DE JANEIRO DE 106 aC (2126 ANOS)

MARCO TÚLIO CÍCERO






"Como os vinhos são os homens; a idade azeda os maus e apura os bons" 

sobre PERSÉPOLIS

Autobiografia de Marjane Satrapi (Rasht, Irão, 1969). até ao início da idade adulta, no seio duma família desafogada do Irão contemporâneo; trecho de vida que assistirá à revolução islâmica, à carnificina da Guerra Irão-Iraque e à normalização da repressão. História pessoal, história duma família, história dum país, Persépolis (quatro tomos, 2000-2003) é um bom exemplo de como a novela gráfica elevou a BD a outro patamar, tema a desenvolver noutra ocasião.
Um livro especial, que traz ao proscénio uma criança de dez anos Marjane Ebihamis, que se tornará 'Satrapi' (nome nada casual), figura real que se transporta para o mundo da BD, enquanto personagem, espécie de mistura feliz da Mafalda de Quino com a Esther de Riad Sattouf. Família especial, moderna e cultivada, classe alta, pais comunistas, ele descendente do xá Nasser Aldim, da dinastia Kadjar, que governou o país entre 1794 e 1925; aristocratas e marxistas num estado cujo tirano foi substituído pela não menos brutal teocracia dos aiatolas. Um país especial, o Irão (os gregos antigos chamaram-lhe Pérsia), berço duma grande civilização, encerrando todas as contradições em que se confrontam tradição e modernidade. Aspirações, refúgio no Ocidente, depressão, até à tomada de consciência de si, numa sociedade esquisofrénica.
Uma observação a propósito do desenho minimalista de Satrapi: reparem nos olhos das personagens e comparem-nos com os dos arqueiros do friso do palácio de Dario III (em exposição no Louvre), cuja capital era... Persépolis.
Persépolis
texto e desenhos: Marjane Satrapi
edição: Bertrand, 2015
(também aqui e aqui)


30 de dezembro de 2019

EPHEMERIDES

29 DE DEZEMBRO DE 1911 (108 ANOS)

ALVES REDOL




"O comboio penetrou na noite. Uma luz ou outra ao longe. 
Vozes a cantarem em coro a música da gaita de beiços.
Como em chicotadas, a chuva batia nos vidros da carruagem, instando o comboio à marcha.
Vinha aí o inverno."
(Gaibéus)

21 de dezembro de 2019

EPHEMERIDES

19 DE DEZEMBRO DE 1924 (95 ANOS) (com um pequeno atraso)
ALEXANDRE O'NEIL





"A vida não é de escolhos.
É de escolhas.

Porque me olhas e m'olhas?
Porque me forras a alma
com o relento de um sentimento?

Serei eu a tua escolha?

Abre os olhos e olha,
que eu já me escolhi em ti!"

15 de dezembro de 2019

Jiro Taniguchi - O Diário do Meu Pai

Para quem gostou das viagens ao mundo das novelas gráficas aqui deixo mais uma que vale a pena visitar.

Para saberem mais sobre o autor, cliquem aqui: As leituras do Pedro
Sem título

Resultado de imagem para o diário do meu pai, jiro

12 de dezembro de 2019

EPHEMERIDES

12 DE DEZEMBRO DE 1821 (198 ANOS)

GUSTAV FLAUBERT





"O sucesso é uma consequência e não um objectivo"

9 de dezembro de 2019

EPHEMERIDES

8 DE DEZEMBRO DE 1894 (125 ANOS)
FLORBELA ESPANCA





"Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!"

4 de dezembro de 2019

PERSÉPOLIS



Nunca li livro tão pesadamente leve...
Profundamente humano,
escrito em sangue, amor e raiva... 

29 de novembro de 2019

o início de O INSTINTO SUPREMO

«Com os remos a chapejarem surdamente, cautelosos como os dos ladrões, nas proas um ruído fino, menor ainda que o dos botos cortando a tona da água, as canoas meteram a terra.» Ferreira de Castro, O Instinto Supremo [1968], 6.ª ed., Lisboa, Guimarães Editores, 1988, p. 21.

28 de novembro de 2019

EPHEMERIDES

28 DE NOVEMBRO DE 1881 (138 ANOS)

STEFAN ZWEIG






"Toda a beleza do ser humano consiste em se tornar algo melhor do que se foi"

21 de novembro de 2019

EPHEMERIDES

21 DE NOVEMBRO DE 1694 (325 ANOS)

François Marie Arouet (VOLTAIRE)






"Devemos julgar um homem mais pelas suas perguntas que pelas respostas"


18 de novembro de 2019

EPHEMERIDES

18 DE NOVEMBRO DE 1943 (76 ANOS)

MANUEL ANTÓNIO PINA






"Vamos então os dois outra vez
ao longo de certas ruas sombrias e de certos dias
e sorris e falas alto; está calor mas tens as mãos frias,
compramos coisas, visitamos
talvez algum último amigo
sem sabermos que já não estou vivo"

16 de novembro de 2019

EPHEMERIDES

16 DE NOVEMBRO DE 1922 (97 ANOS)
JOSÉ SARAMAGO

(Prémio Nobel l998)



"Não tenham pressa; mas não percam tempo"

12 de novembro de 2019

A propósito de ATÉ AO FIM

Na sessão de dia 8 de novembro, induzido pelo livro de Virgílio Ferreira, foi lido o texto (poema?) que transcrevo:

CONDENAÇÃO? MISSÃO?


Largam-me, na Terra, como farrapo em sangue,
Condenado a morrer, tão só por ter nascido.
Clamo, grito; no primeiro hausto, protesto…
E sem respeito algum, apenas sorrisos satisfeitos.
Como ousam?! Não veem quanto sofro,
Saído de uma asfixia martirizante,
Para um mundo glacial que não desejo?
Que cobardia! Que egoísmo atroz!
Não sou coisa; queria ser nada, mas sou gente.
Onde está o meu livre-arbítrio que apregoam?
Onde as leis e decretos que arquitectam a bel-prazer?
Rasguem-nos; queimem-nos; não os quero agora:
Para quê agora, se me condenaram antes?
Cínicos! Mil vezes e hediondamente cínicos.
A lei única, com justiça, era a exigência de ser ouvido…
Quando alguém decidiu que queria um filho,
Alguém me questionou se eu queria pais?
Não, sabichões, não me trapaceiem; não se enganem,
Nem me venham com a dádiva da vida,
Porque não passa de um preâmbulo fútil para a morte.
Grito de novo, e mais sorrisos: «o fedelho tem bofes!»
Ah! Se eu pudesse, partia já…
Condenado a morrer, porque condenado a viver.
Nu.

Engordam-me; criam-me; educam-me; moldam-me.
«Há de fazer-se um homem!»
Atafulham-me de regras, sabichonices, tiradas pomposas,
Ambições, roteiros e caminhos, experiências alheias,
Fitos, habilidades, competições, mil sugestões repetidas…
E quando fizeram de mim um boneco de fantocheiro,
Disseram-me que era livre e estava pronto a ganhar a vida.
Mas a vida?! Mas não foi isso que me impuseram,
Quando me expeliram, num espasmo?!
Eis o homem”! Oferecido como escravo, ao mercado, à engrenagem.
Para a vida que não quis, vendo pedaços de vida.
«Tens de comer, beber, vestir-te, abrigar-te, ganhares conforto
E… e… prevenir para a doença.»
Doença… sim, porque a vida, na bandeja dourada,
É afinal um livro corroído por traças persistentes.
Se isto é um homem.”

Terá sido este o pecado em que Adão foi engodado?
Mas os frutos de Eva são frutos da mesma morte.
Ah Deus! Ah Criador, porque misturas no homem instinto e razão?
Que faço, agora, comigo, enquanto a gadanha não aparece,
Envolta em trapos hediondos, para tentar assustar-me?
Recuso sacrificar mais nascituros ao holocausto:
Basta! Não mais reses para a matança.
E amar: amar estes tontos que se aturdem
Na vaidade de máscaras de eternidade.
Ajudar: ajudar perguntando sempre,
Implorando ao juízo o que a tontaria escamoteia.
Apontar a Terra, Água e Céu, inquirindo, duro:
Que fazeis, loucos, que vos devorais em orgia?
E se houver um só que escute e pense,
Terei deixado melhor o universo que encontrei,
E na hora em que Ela baixar a espada sobre mim,
Possa sorrir, em desafio, mas duvidando:
Tudo vale a pena, se a alma não é pequena”.
Depois, aniquilo-me na chama que consome e purifica.
Nu.
.

6 de novembro de 2019

EPHEMERIDES

6 DE NOVEMBRO DE 1919 (100 ANOS!)
SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN



(infelizmente,
 não consegui inserir
 uma imagem da 
POETISA)



"Pelas tuas mãos medi o mundo

E na balança pura dos teus ombros

Pesei o ouro do Sol e a palidez da Lua"

5 de novembro de 2019

ATÉ AO FIM

(V.F. QUE ME DESCULPE, MAS NÃO ESPERAVA TÃO BOM...)


"Vamos então a um café. Desculpe, o seu nome? Não sei se disse.
- Cláudio.
Atravessámos o jardim em frente, havia pássaros nas árvores. Mas não tinham razão contra o tráfego. Flora não era alta, mas eu tinha dificuldade, pela intensidade do seu corpo, em ser mais alto do que ela. Um vestido cor de - de que cor? devia ser claro para o teu esplendor, mas da cor dele ficou-me só na memória a firmeza flexível do seu andar. Direita ondeada tensa. Abruptamente sinto-a na minha posse por levá-la ao meu lado e haver gente a ver. Escolheu um café ali perto, sentou-se perpendicular, chamou ela o criado. Da malinha tirou uma boquilha e acendeu um cigarro. E por entre uma baforada
- Diga lá então.
- Ora bem. A doutora sabe...
- Ah, não. «Doutora» não.
Não ríspida, seca. Só como se me admoestasse. Tratei-a por Flora. Era um nome pagão."


(De como em meia dúzia de linhas se resume o "romance" impossível ou fracassado entre duas personagens tão miscíveis como o azeite e o vinagre)

FF

2 de novembro de 2019

EPHEMERIDES

2 DE NOVEMBRO DE 2019 (100 ANOS!)
JORGE DE SENA 








"Nasceu-te um filho. Não conhecerás,
jamais, a extrema solidão da vida."