Magnânimo seja o freixo e sua sombra
E os braços erguidos
Em oração muda.
Magnânima a margem das ribeiras
E as cascatas no silêncio das montanhas.
Magnânimas as pontes que não deslassam
E as pedras que ficam pelo caminho.
Magnânimo o toque das igrejas e os altares
No olhar compassivo dos incréus.
Magnânimo o voo das aves e a vertigem
Magnânima a Lua e as noites de Agosto
E a bebedeira dos sentidos
Assim colhidos.
Magnânimo seja o ar que respiramos
E o pão dos pobres.
E a sede de todos os proscritos.
Magnânimas as almas piedosas e o perdão
Na forca dos condenados.
E na dor dos vencidos.
Magnânimo o dia de ontem
E a gravidez do tempo no coração dos homens.
Magnânimo seja o final da tarde
E o piar do mocho. E rouco cântico do poeta
Em sua humanidade…