sábado, março 07, 2020

DULCÍSSIMA ...


Na indeterminação dos ácidos
Brevíssima fissura
E a fêmea…

Micro milionésima
E tanto basta
Para seres
Mulher

Agora divina
Dulcíssima
Criatura
Criada…

Por teus passos
Erguida.


Manuel Veiga





quinta-feira, março 05, 2020

MAGNÂNIMO O PÃO DOS POBRES...


Magnânimo seja o freixo e sua sombra
E os braços erguidos
Em oração muda.

Magnânima a margem das ribeiras
E as cascatas no silêncio das montanhas.

Magnânimas as pontes que não deslassam
E as pedras que ficam pelo caminho.

Magnânimo o toque das igrejas e os altares
No olhar compassivo dos incréus.

Magnânimo o voo das aves e a vertigem

Magnânima a Lua e as noites de Agosto
E a bebedeira dos sentidos
Assim colhidos.

Magnânimo seja o ar que respiramos
E o pão dos pobres.

E a sede de todos os proscritos.

Magnânimas as almas piedosas e o perdão
Na forca dos condenados.
E na dor dos vencidos.

Magnânimo o dia de ontem
E a gravidez do tempo no coração dos homens.

Magnânimo seja o final da tarde
E o piar do mocho. E rouco cântico do poeta
Em sua humanidade…


Manuel Veiga




quarta-feira, março 04, 2020

LUMINESCÊNCIA(S)

1.
Desliza a manhã fora do tempo
Nem sequer movimento
Desliza simplesmente
E o poeta dentro.

2.
Flui a palavra no silêncio
Mutismo de alma
Na orla do vento.

3.
Implode a tarde
E o poeta se diz e se desdiz
Intermitência de ser

4.
Mansamente a hora que passa.
Luminescência(s).


Manuel Veiga



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