terça-feira, 24 de março de 2020

Mediação leitora à distância



Primeiro, há a vontade de fazer tudo. Queremos demonstrar que somos capazes de fazer o mesmo de modo diferente. Depois, experimentamos. Começamos a perceber a dinâmica. A seguir, temos os primeiros resultados. Simultaneamente, observamos que o mais é feito em nosso redor. E... pausamos.
A minha aprendizagem desta semana: é contraproducente a publicação diária de vídeos, principalmente numa semana de efemérides em que todas as instituições e todas as pessoas querem assinalar o facto. Então, a questão impõe-se: o que te/me diferencia?
Com esta questão em mente, vou apostar – esta semana - na criação de vídeos de Exercícios de Escrita Criativa e Sugestões de Leitura. Publica-los-ei dia sim, dia não. Mas não ficarei sem nada para fazer nesse entremeio. Vou estruturar informação para elaborar uma outra série de vídeos temáticos e dedicar-me a outras tarefas igualmente importantes e aliciantes.
Escusado será dizer que na próxima semana o plano poderá ser diferente. Afinal, estamos todos a aprender.

segunda-feira, 23 de março de 2020

Do ruído ao repositório


Sim, de certo modo, neste momento, somos todos ruído para o trabalho e para a visibilidade das competências uns dos outros. Mas pensemos a longo prazo... Todos os que não o tinham, ficam agora com um belo repertório on line.
E a internet – apesar de ser pródiga em ruído e excesso – é também um repositório cujo manancial emerge quando menos se espera. Por isso, mesmo que os resultados não sejam imediatos ou os desejados, é importante que se semeie. E aguardar serenamente o seu despertar. 

Eylul Aslan


sábado, 21 de março de 2020

O meu Teletrabalho


Estes dias trouxeram-nos diversas novas realidades e com elas aprendizagens nas quais estamos a dar os primeiros passos. E estamos ainda num período de ajustamento a uma realidade que muda a cada dia ou a cada par de horas.
Uma das mudanças é a nível profissional. Muitos de nós fomos impelidos a trabalhar a partir de casa e consoante a nossa área profissional, as nossas realidades familiar e doméstica, todos fomos obrigados a repensar o modo como trabalhamos.
Para quem trabalha sobretudo perante um público presencial, o desafio é enorme. Mesmo que a situação seja temporária, e aqui o temporário parece mudar a cada noticia e a cada declaração de estado, obriga-nos – aqui a agora – a pensar o que podemos fazer. Não necessariamente o que queremos, mas sim o que podemos.
Quem me conhece sabe que o que mais gosto no meu trabalho é a dinamização de actividades. Mesmo com tudo o que tenho sempre a aprender com colegas e participantes, considero que o faço minimamente bem e o resultado é a adesão às mesmas. Mas agora, como fazê-lo?
Estou a aprender. É o que vos posso dizer.
Numa primeira fase, achei que o mais simples de momento era a realização de pequenos vídeos que visem materializar algum do trabalho que faço não só de dinamização, como de mediação de leitura. Então, finalmente – e já me tinha sido sugerido tantas vezes – dei corpo a um canal de YouTube ( https://www.youtube.com/user/dinai ) onde tenho procurado publicar diariamente um pequeno vídeo. Devo também dizer-vos que isto não é nada simples. Há que:
  • seleccionar um tema e explora-lo de forma sucinta mas apelativa;
  • fazer a gravação propriamente dita e aqui entram condicionantes não só materiais mas domésticas. De repente descobres que a melhor luz é na cozinha, mas os teus azulejos... Na sala é mais bonito, mas tens os armários... no quarto, epá, no quarto não... de manhã é fixe, mas o resto do pessoal em teletrabalho está tudo ao telefone em VOZ MUITO ALTAAAA... à noite, ok, tudo se reflecte nos vidros que eram o teu pano de fundo... and so on...
  • perceber que devias editar o teu video, mas como não dominas, optas por não fazê-lo sob pena de destruir o teu computador à cacetada;
  • e depois, há as críticas, sugestões de como podias fazer, mas... mas... neste momento não consegues.
Nos próximos dias sei que haverá uma maior rotina, um maior domínio do fazer, uma outra clareza e outras ideias sobre como fazer. Mas, aqui e agora, calma... estamos todos a aprender.
(E isto se a net não falhar e o pc não empancar!)


A fazer o melhor possível!

quinta-feira, 19 de março de 2020

A Sexta Extinção, Elizabeth Kolbert


Este livro venceu o Prémio Pulitzer não ficção 2015 e ganhou diversos prémios internacionais na área da divulgação cientifica. Em Portugal, integra o Plano Nacional de Leitura (PNL) 20/27 na área das Ciências e Tecnologias em diversas faixas etárias, deste os 12-14 anos aos maiores de 18 anos.
Nele, a autora relata a história da fauna e flora do planeta Terra pela perspetiva da extinção das suas espécies, com incidência para o períodos de extinção em massa. Ao tentar compreender quais as razões de cada uma dessas principais extinções a autora pretende sobretudo compreender a mais recente e que está actualmente a ser levada a cabo.
A conclusão não é abonatória para o ser humano, pois é já consensual que enquanto espécie temos levado a cabo a maior extinção em massa do nosso planeta. Mas este livro, sendo alarmista, é catastrófico e pretende sobretudo alertar para a necessária mudança de comportamentos de modo a evitar um declínio sem retorno.
Este livro é interessante para quem leu A História Breve da humanidade, de Yuval Harari, pois encontrará aqui explicações mais pormenorizadas para alguns dos temas aí abordados. É igualmente um ótimo livro para aprender sobre alguns dos inúmeros seres que habitam e e ainda habitam este ponto azul perdido na imensidão do espaço. É também um voto de esperança no engenho humano para reverter um caminho que se apresenta sem retorno.
Tradução: Susana Valdez | Editora: Elsinore | Colecção: Não ficção | Local: LX | Edição/Ano: Junho 2018 | Impressão: Publiot | Págs.: 390 | ISBN: 978-989-8864-53-6 | DL: 450386/18 | Localização: BLX Bel 57.07/KOL (80427740)

terça-feira, 17 de março de 2020

Exercício de Escrita Criativa - Dicionário Perdido





A partir de 5 palavras que lhe são dadas, escreve um pequeno texto ou a sua intenção. Mas atenção, não consulte o significado das mesmas, que não fazem parte do nosso uso quotidiano. São de uma área técnica. Só após a escrito do texto é que deverá consultar o seu significado. Com esta nova informação poderá reescrever o seu texto ou escrever um novo.
As palavras que sugiro são: nandu - psicrófilo - rela - anambé - urutau.
Deixem as vossas impressões na caixa de comentário.
Obrigada e divirtam-se.

quinta-feira, 5 de março de 2020

Ernestina, J. Rentes de Carvalho


Há muito que andava para me dedicar à leitura de Rentes de Carvalho e perceber o que a torna apelativa, quer no estrangeiro, onde primeiro granjeou uma horda de fãs, e em Portugal.
Gostei muito desta leitura, por diversos motivos, sendo que o equilibro resultante dos mesmos é em si mesmo um dos motivos. Através de uma autobiografia ficcionada, o autor revisita a sua infância e juventude até ao momento em que visita pela última vez a terra transmontana de origem da família. Essa revisitação resulta numa história em que o autor explora as fronteiras entre realidade e ficção; o processo de construção da memória; o retrato burilado da sociedade das primeiras décadas do século passado, a evolução das grandes cidades e a dureza da vida rural; o divagar do tempo e de outros tempos; um certo realismo que o autor torna mágico pela sua visão da infância; e o magistral uso da linguagem e do tom.
Este retrato e esta viagem ao passado tem a mais valia de permitir a identificação de uma grande parte da população nacional o que possibilita a sua adesão à obra e de funcionar como um registo de um passado e de um modo de vida que já não existe e que o presente e a tecnologia tornam exótico, o que também o torna apelativo.
Terei de regressar à obra de Rentes no futuro, pois parece-me que o seu modo peculiar e binocular de observar a realidade o tornar realmente uma voz única no panorama das nossas letras.
Editora: Quetzal | Colecção: língua comum | Local: LX | Edição/Ano: 5º, Jul 2014  | Impressão: Bloco Gráfico, Lda. | Págs.: 280 | Capa: … | ISBN: 978-972-0-14699-4| DL: 382502/15 | Localização: BLX BECCE 808.1/CAR (80374311)

sábado, 29 de fevereiro de 2020

Leituras nos Transportes Públicos #02.20

Fevereiro
3
As vitimas de salazar
4
Uma mãe como tu, Sally Hepworth
5
14
Sapiens, Yuval HArari
16
Todos os dias são meus, Ana Saragoça
18
A sexta extinção, James Rollins
19
Sapiens, Yuval HArari

1Q84, Haruki Murakami

Amor entre guerras, Sofia Ferros

Como é linda a puta da vida, Miguel Esteves Cardoso
20
Essa Gente, Chico Buarque
21
Retratos com erro, Eucanaã Ferraz

Casei com um beduíno, Marguerite van Geldermalsen

Os ensinamentos de Don Juan, Carlos Castaneda
24
27
Happy Memory
28
O nosso reino, valter hugo mãe

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

Sabrina, Nick Drnaso


O ano transacto foi pródigo em apreciações positivas a este livro, cujo género não faz parte dos meus hábitos de leitura, mas no qual já tive muito boas surpresas. Esta é uma elas. E porquê? Primeiro, porque nos parece levar num sentido. Depois, porque, gradualmente, à sua história base vai acrescentando diversas camadas e transversalidades que permitem várias abordagens e identificações.
Sabrina é uma jovem – como tantas outras – que vive o seu quotidiano de pequenos planos intercalados com a sua vida profissional e as relações amorosa, familiar e de amizade. Um dia desaparece no seu caminho habitual. Passa-se quase um mês sem qualquer pista, qualquer resposta. A família reage de um modo, o namorado de outro, ambos tentando acomodar esse vazio nas suas vidas e perceber razões e hipóteses. Inesperadamente, um vídeo – que se torna viral - apresenta detalhes da sua morte. Violenta, às mãos de um qualquer inadaptado social que se faz ouvir através do massacres de inocentes aleatórios. Uma vez mais, família e namorado processam a situação de modo diferente. Este, recorre à ajuda de um antigo amigo – a lidar com os seus próprios problemas – e que acaba por ver-se envolvido numa teoria da conspiração em que media e alguns sedentos de protagonismo transformam a tragédia. Minimizando-a, apagando-a da memória pública. Mas a memória privada é mais duradoura e tem que lidar com o impacto deste desaparecimento e desta violência no seu estado mais puro. Sem diluições, sem filtros.
O interessante neste livro é este mesclar de domínio privado e domínio público, tão sem ou com tão ténues fronteiras no mundo actual. Bem como o modo como no apresenta estas realidades e nos aponta caminhos de reflexão, caminhos que devemos percorrer, embora o autor não siga connosco. Ele diz-nos: esta é a realidade. A nós cabe perceber como queremos que ela continue. E é esta mescla e ponto de reflexão que tornam esta história tão rica e que permita que permaneça connosco muito depois da sua leitura.
Mesmo que este género não vos seja habitual ou até estranho, Sabrina é um bom motivo para saírem da vossa zona de conforto. Saiam!
Título Original: Sabrina | Tradução: José Lima | Editora: Porto Editora | Local: Porto | Edição/Ano: 1ª, 2018 | Impressão: Bloco Gráfico | Págs.: 204 | ISBN: 978-972-0-03168-6 | DL: 452393/19 | Localização: BLX Oli/BD 82 BD NT/DRN (80422034)

sábado, 22 de fevereiro de 2020

Escrita Criativa: Dicionário Esquecido


Uma das características que me atrai na Escrita Criativa é o seu manancial de possibilidades de (re)aprendizagem. Uma delas é o voltar a palavras esquecidas ou em desuso no nosso quotidiano, seja porque pertencem a áreas especificas do saber, seja porque fazem parte de outros tempos, usos e costumes. O nosso dicionário esquecido. Que melhor forma de celebrar o Dia Internacional da Língua Materna, que se celebrou ontem, 21 de Fevereiro, do que trazer de novo para o conhecimento de uma dúzia de interessados algumas dessas palavras?
Foi assim que, hoje, (re)descobrimos as seguintes:
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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

retratos com erro, eucanaã ferraz


Não me é fácil escrever sobre poesia. Correcção. Não me é fácil escrever sobre livros de poesia. Há poemas que nos conquistam. Muitos que não encontram em nós qualquer ressonância. Alguns roubam-nos um sorriso passageiro.
Gostei de descobrir o trabalho deste autor brasileiro e apreciei como em certos poemas dialoga com Portugal, através dos seus autores, da sua história, da sua cultura. Partilharei aqui alguns desses poemas e deixarei que vos falem por si.
Editora: tinta da China | Coord. Colecção: Pedro Mexia | Local: LX | Edição/Ano: 1ª Maio, 2019  | Impressão: Rainho e Neves, AG | Págs.: 112 | Capa: Vera Tavares | ISBN: 978-989-671-489-5 | DL: 454607/19 | Localização: BLX PG 82P(81)-1/FER (80431731)

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Não te rendas, Mario Benedetti

Não te rendas, ainda estás a tempo
de alcançar e começar de novo,
aceitar as tuas sombras
enterrar os teus medos,
largar o lastro,
retomar o voo.
Não te rendas que a vida é isso,
continuar a viagem,
perseguir os teus sonhos,
destravar os tempos,
arrumar os escombros,
e destapar o céu.
Não te rendas, por favor, não cedas,
ainda que o frio queime,
ainda que o medo morda,
ainda que o sol se esconda,
e se cale o vento:
ainda há fogo na tua alma
ainda existe vida nos teus sonhos.
@ Cultura Inquieta