Restos de Colecção: Aveiro F
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1 de abril de 2018

Nau “São Vicente”

A réplica da Nau "São Vicente", foi projectada pelo engenheiro naval Comandante Júlio David Ferreira, e começou a ser construída em 20 de Abril de 1956, nos "Estaleiros Mónica" na Gafanha da Nazaré, em Ílhavo no distrito de Aveiro. Seria lançada à água (sem a decoração interior e exterior e o seu aparelho) em 20 de Novembro de 1960, com a presença do Ministro da Marinha Almirante Quintanilha Mendonça Dias.

Com a sua construção autorizada em 1955, a Nau “São Vicente” era propriedade da firma “Sociedade Nau S.Vicente S.A.R.L.”, que para tal tinha sido constituída com um capital social de 6.000 contos (seis milhões de escudos), com sede na Rua Castilho, em Lisboa, e encabeçada pelo industrial Víctor Guedes Júnior.

Nau “São Vicente” após o bota-abaixo em 20 de Novembro de 1960

Planta e maqueta que seriam arrematadas num leilão, de 1989, por 1.900 contos (um milhão e novecentos mil escudos)

Em antevisão, o jornal “Diario de Lisbôa” noticiava em 13 de Novembro de 1960: «Em Aveiro, entretanto, trabalham febrilmente, para que no dia 20 aquela majestosa unidade, cujos planos de construção pertencem ao engenheiro naval Julio David Ferreira, tomar contacto pela primeira vez com a água, e para se entrara, seguidamente, nos trabalhos de decoração, um dos aspectos de maior interesse para a tarefa que está destinada á «Nau S. Vicente». Os seus três convés, o superior, médio e inferior, surgirão, depois de decorados, como verdadeiros salões de exposição do maior interesse para a economia de Portugal.»

1955 Nau S. Vicente (16-03).2 

1955 Nau S. Vicente (16-03)

Os “Estaleiros Mónica” foram fundados em 1887, por José Maria Bolais Mónica e tinham a sua sede em Ílhavo. Em 1889, José Mónica, grande construtor naval, transferiu os estaleiros navais de Ílhavo para a Gafanha da Nazaré. Esta unidade industrial terá sido a primeira indústria de vulto a implantar-se na Gafanha da Nazaré, e a grande impulsionadora do desenvolvimento da economia marítima da região.
Entre 1889 e 1911, os “Estaleiros Mónica” eram referenciados como a única instalação a exercer construção de embarcações de porte pesado, vocacionadas para o alto mar. Em 1911, José Mónica desloca a sua atividade para a Figueira da Foz, sendo o responsável pela construção daquele que seria considerado o melhor navio bacalhoeiro da Figueira da Foz, o lugre “Golfinho”. Depois de um interregno, retorna a atividade de construção de navios em madeira no Estaleiro da Gafanha da Nazaré, pela mão de Manuel Maria Bolais Mónica, em 1916. Os “Estaleiros Mónica” trabalharam com inúmeras empresas de armadores, como por exemplo: “Cunha e C.ª” ; “Boa Esperança” ; “Testa & Cunhas, Lda.” ; “Companhia Aveirense de Navegação e Pesca, Lda.” ; “Santos Moreira & C.ª” ; entre outras.

“Estaleiros Mónica” aquando da comemoração da recuperação do lugre “Gazela Primeiro”, na doca flutuante em 1959

Os “Estaleiros Mónica” foram aqueles que mais navios em madeira forneceram à frota bacalhoeira nacional, no âmbito dos programas de renovação da frota, conduzidos pela política do Estado Novo. Na segunda metade do século XX, assiste-se a um domínio, por parte dos estaleiros, na construção de embarcações em madeira. Mas, em 1953, a atividade da empresa reduz-se a reparações e construções de embarcações de pequena tonelagem e, assiste-se a uma escassez na atividade da empresa. No mesmo ano, é lançado à água o último navio tipo lugre-motor bacalhoeiro construído por Manuel Mónica.

Em 1956, é constituída a sociedade “Manuel Maria Bolais Mónica & Filhos, Lda.”, que seria responsável pela construção da Nau “São Vicente”, a partir desse ano, e que daria outro ânimo aos Estaleiros que lutavam com falta de trabalho.

Manuel Bolais Mónica discursando por ocasião do bota-abaixo do lugre “Inácio Cunha” em 1945

                                               1943                                                                                          1955

 

Lembro que os “Estaleiros Mónica” já tinham sido responsáveis pela construção da famigerada Nau “Portugal”, construída para a Exposição do Mundo Português de 1940, em Lisboa. Acerca da dramática e atribulada história ilustrada desta Nau, consultar neste blog o seguinte link: Nau “Portugal”

Nau “Portugal” no seu dramático bota-abaixo em 7 de Junho de 1940

Apesar do presidente do conselho de administração da "Sociedade Nau São Vicente S.A.R.L.", o comandante Gouveia Spínola, ter afirmado no seu discurso do bota-abaixo em 20 de Novembro de 1960, que «Vai esta nau sulcar todos os mares, que outras semelhantes descobriram e devassaram, e não podíamos ter melhor lembrança das riquezas da nossa História, do que a mensagem de que será portadora a Nau S. Vicente através das suas visitas aos diversos países.», tal nunca viria a acontecer.

Fotogramas retirados de um documentário da RTP de 1965, acerca da construção da Nau “São Vicente”

 

 

Peças e acessórios para a decoração interior e exterior

 

 

 

Quanto à história da Nau “São Vicente”, pós bota-abaixo, o blog “Marintimidades” relatava, em 14 de Outubro de 2012:

«Na sua pujança (comprimento, 65 metros, boca no bojo, 13,80 m,pontal ao convés, 7,70 m, deslocação de 3000 toneladas, motor de 840 CV e três grandes mastros), chegou a ser considerado o maior navio de madeira, até então construído em estaleiros navais, que honraria todos os que se empenharam no projecto e construção da obra.
«Sonhos dourados» para os destinos da embarcação - missão de propaganda de Portugal e dos seus produtos, começando por terras do Brasil - que ficaram em «águas de bacalhau».
Temos conhecimento de que, em frente aos Estaleiros Mónica, o «futuro veículo de propaganda comercial», permanecera durante quase cinco anos; só em 1964 foi levada a reboque para Lisboa.
Com docagem marcada para os Estaleiros da Lisnave, não passou disso mesmo, da marcação.
Com sorte idêntica à sua antecessora, a nau S. Vicente, ancorada no Mar da Palha, acabou ingloriamente no seu ancoradouro. Em 1965, dez anos após o início do seu processo de construção, a Nau S. Vicente já havia sido esquecida.

Brochura com explicação pormenorizada acerca da Nau “São Vicente” (clicar para ampliar)

Quanto aos “Estaleiros Mónica”… A 27 de Dezembro de 1977, os “Estaleiros de São Jacinto, S.A.R.L.”, e os “Estaleiros Navais - Manuel Maria Bolais Mónica, S.A.R.L.”, em conjunto com alguns armadores de pesca do bacalhau, fundaram a empresa “Navalria - Docas, Construções e Reparações Navais, S.A.R.L.”, para exploração do estaleiro naval JAPA e da doca flutuante. Em 1978, os “Estaleiros de S. Jacinto, S.A.R.L.”, mostram intenção de tomar posse de todas as ações dos “Estaleiros Navais - Manuel Maria Bolais Mónica, S.A.R.L.”. No dia 7 de Outubro de 1981, é ditado o fim dos “Estaleiros Navais - Manuel Maria Bolais Mónica, S.A.R.L.”, ficando decidida a fusão dos Estaleiros.

Bibliografia: Site “Ílhavo Câmara Municipal” - artigo “Estaleiros Mónica”, de 2013
                    Blog “Marintimidades” - artigo “Bota-Abaixo da Nau S. Vicente” de 14 de Outubro de 2012

fotos in: Marintimidades, Hemeroteca Municipal de Lisboa, RTP Memória

20 de novembro de 2015

Cine-Teatro Avenida em Aveiro

O “Cine-Teatro Avenida”, localizado na cidade de Aveiro e projectado pelo arquitecto Raúl Rodrigues Lima (1909-1979), foi inaugurado em 29 de Janeiro de 1949. Na sua inauguração foi exibido o o filme português «Não Há Rapazes Maus...”, realizado por Eduardo Maroto, inspirado na obra do Padre Américo.

O processo da construção do “Cine-Teatro Avenida”  teve início em 1944, depois de em hasta pública ter sido vendida uma parte do terreno, propriedade da Câmara Municipal, pela quantia de 56.700$00 e mais tarde  vendido o restante terreno, propriedade de um privado, Bolais Mónica, que cedeu a sua parte por 45.360$00 tendo logo começado o arquitecto Raúl Rodrigues Lima a conceber o projecto.

Arquitecto Raúl Rodrigues Lima (1909-1979)

Recordo que o arquitecto Raúl Rodrigues Lima foi responsável pelos projectos dos seguintes Cinemas e Cine-Teatros em Portugal:

- Cinema Cinearte, em Lisboa - inaugurado em 14 de Março de 1940
- Cinema-Teatro Monumental, em Lisboa - inaugurado em 24 de Março de 1943
- Cine-Teatro Avenida, em Aveiro - inaugurado em 29 de Janeiro de 1949
- Cine-Teatro Messias, na Mealhada - inaugurado em 18 de Janeiro de 1950
- Cine-Teatro de Estarreja - inaugurado em 12 de Março de 1950
-
Teatro Micaelense, em São Miguel, Açores - inaugurado em 31 de Março de 1951
-
Cine-Teatro da Covilhã, na Covilhã - inaugurado em 11 de Janeiro de 1954
- Cinema Império, em Lagos - inaugurado em 1946

Nota: na lista anterior, para aceder aos artigos acerca da história destas salas de espectáculos, neste blog, clicar nos títulos a amarelo.

Para a construção deste edifício foi constituída uma sociedade, a "Empresa Cinematográfica Aveirense, Lda.” - que também encomendaria o projecto do “Cine-Teatro de Estarreja” igualmente ao arquitecto Raúl Rodrigues Lima e que seria inaugurado em 12 de Março de 1950 -  com um capital social inicial de 1.500 contos, dinheiro que foi todo gasto nas complicadas fundações, tendo sido aumentado por diversas vezes, fazendo parte dessa sociedade Augusto Fernandes, Joaquim Henriques, Severim Duarte, João da Costa Belo, José André da Paula Dias, Fernando Henrique Vieira Pinto Bagão, Henrique Alves Calado, Luís Francisco Cristiano, Manuel Bento, José Cândido Rodrigues Pereira, Carlos Marques Mendes e Vicente Alcântara, que na altura se revelou uma peça chave para a concessão do alvará, que estava altamente condicionada, pois possuía já esse alvará.

Sob a orientação do engenheiro Ângelo Ramalheira começaram as obras, algo atribuladas pois o subsolo alagadiço obrigou a que se procedesse à extracção das lamas e levasse injecções de areia, até uma profundidade de cerca de 20 metros, tendo a sua construção durado quatro anos.

O “Cine-Teatro Avenida” em construção

A sua sala de espectáculos possuía uma capacidade para 1.370 espectadores -  sendo por isso, considerada uma das maiores do país - distribuídas por uma plateia, dois balcões e quatro frisas, dispondo de uma central eléctrica privada, de 60 Kws, com refrigeração e aquecimento, uma central telefónica com 9 linhas e três máquinas de projectar.

Nas páginas do jornal "O Democrata" podia-se ler:

«A sala de espectáculos comporta 1400 pessoas que podem distribuir-se pela plateia, 1º e 2º balcão e quatro camarotes. É toda em linhas modernas de avantajado pé direito, luz indirecta, havendo vários salões entre os quais se distingue o salão de festas no 1º andar, primorosamente decorado, sobressaindo no meio uma escultura (...) e um lustre e portão monumental onde se pode admirara a feliz combinação de arte de ferro forjado com motivos cerâmicos das Fábricas Aleluia (...) Há vários bars e numerosos lustres em cristal de fabrico de Alcobaça. As passadeiras e carpetes são riquíssimas. O mobiliário estofado inexcedível de comodidade».

 

   

A curiosidade e o requinte fizeram com que o público trocasse o velho “Teatro Aveirense” pela moderna e recém-inaugurada sala de espectáculos, na principal avenida da cidade.

Mesmo limitada, a concorrência era o suficiente para que o “Teatro Aveirense” passasse por algumas dificuldades ao nível das receitas. É que a cidade era pequena para comportar duas salas de cinema e as contrariedades não se fizeram esperar. Por tal motivo, nos anos cinquenta, as administrações das duas casas, para minimizarem o prejuízo, tiveram de se reunir e acordarem esquemas de gestão. A primeira ideia foi acordarem em exibições alternadas de espectáculos, o que implicava que nenhum deles apresentasse dois espectáculos seguidos. Depois, ainda se tentou dividir os dias da semana em que cada casa apresentava sessões de cinema e/ou teatro: terças, sábados e domingos, no “Teatro Aveirense”, quartas, quintas e domingos, no “Cine-Teatro Avenida”.

“Theatro Aveirense”

Em 1949, ano da sua inauguração o “Cine-Teatro Avenida” apresentou um espectáculo de Carnaval, com cinema, variedades e baile, estes abrilhantados por uma Orquestra de Variedades acompanhada pelo cantor José Segarra.

A acústica do novo “Cine-Teatro Avenida” não era aconselhada para representações teatrais. Três meses depois da sua inauguração, os periódicos aludem ao desconforto da sala, sentindo-se muito calor e, em alguns sectores, não se conseguia ouvir nada. Em Maio, o jornal “O Democrata” recorda quais as imperfeições desta sala: «as paredes muito nuas de ornatos, um palco muito pequeno e falta de acústica para os espectáculos declamados.»

Este dissabor, levou a que os seus administradores depressa se vissem obrigados a optar, apenas, por sessões cinematográficas, havendo, por isso, registo de poucos espectáculos.

No ano de 1984, a “Empresa Cinematográfica Aveirense, Lda.” e a “Sociedade Figueira Praia” formaram a “Aveitur- Sociedade de Empreendimentos Turísticos de Aveiro”, e que veio transformar por completo o Interior do edifício, mantendo o aspecto original exterior. No renomeado “Edifício Avenida”, viria a instalar-se um Bingo, agência bancária, um estúdio de cinema para 350 espectadores, e, no antigo Salão Nobre, que mantém a traça original, ficou a funcionar uma sala de exposições.

Actualmente, no “Edifício Avenida”  funciona uma megastore de uma conhecida marca de roupa e ocasionalmente recebe exposições e espetáculos no Salão Nobre.

 

fotos in: Memórias de Aveiro, Opsis, Sipa

10 de maio de 2015

Nau “Portugal”

A ideia da nau “Portugal”, lançada à água em 7 de Junho de 1940, partiu do, dramaturgo, cenógrafo,  e jornalista Leitão de Barros, que foi o Secretário-Geral da Exposição do Mundo Português de 1940 . Foi também  responsável pela organização da primeira  ‘’Feira Popular de Lisboa’’ inaugurada em 10 de Junho de 1943, director da “Sociedade Nacional de Belas-Artese foi o principal animador da construção dos estúdios da Tobis Portuguesa”, concluídos em 1933. Recordo, que foi Leitão de Barros quem realizou o filme  “A Severa ” (1931), o primeiro fono-filme português.

A nau “Portugal” foi construída nos estaleiros de Mestre Manuel Maria Bolais Mónica, na Gafanha da Nazaré, perto de Aveiro, segundo projecto elaborado por Quirino da Fonseca um oficial da Armada, com base num estudo profundo em desenhos antigos, para fazer parte integrante da “Exposição do Mundo Português de 1940”.

As suas principais dimensões e características eram as seguintes:

Comprimento: 42,2m;
Boca máxima na linha de água, carregada 11,4m;
Pontal contado do fundo da querena recta ao vaus do pavimento superior 7,5m;
Calados: avante 3,12m, à ré 4,52m;
Mastros 3;
Canhões 48

    

A nau “Portugal”, depois de pronta, seria lançada à água, a 7 de Junho de 1940, com milhares de pessoas assistindo ao "bota-a-baixo", mas quase com a certeza que iria virar, como infelizmente sucedeu, perante a tristeza daquela enorme multidão, que não escondia as lágrimas. Tombou tal como Mestre Manuel Maria pensara. Sempre pusera em dúvida que ao entrar na água se pudesse estabilizar. Sempre o disse desde o princípio que o projecto não lhe oferecia a garantia necessária para a sua navegabilidade.

 

 

E tanta certeza tinha no que dizia que impediu que o Bispo de Aveiro, D. João Evangelista de Lima Vidal, que a benzeu e visitou interiormente, se mantivesse na Nau durante a sua descida pela carreira da água … pelos vistos ainda bem, senão … pelo menos de um banho não se livrava.

Excerto de artigo na publicação do “Arquivo do Distrito de Aveiro” acerca da nau “Portugal”

Nau Portugal.6

Interior da nau “Portugal”

No interior da Nau, em ambiente da época, figuraram a "Exposição do Ouro", sob auspício do "Banco de Portugal", com espécimes numismáticos dos anos setecentos; mostruários do "Instituto do Vinho do Porto", da "Companhia dos Diamantes", da "Companhia Colonial de Navegação", etc. Na coberta principal, a "Ala dos Mercadores"; no castelo da proa, o restaurante; nos porões, as adegas de vinhos regionais. No terceiro pavimento a "Casa da Capitania".

«A nau, navegável mesmo para rotas oceânicas, tem local para motores e é artilhada com 48 peças fundidas, sob os modelos autênticos, na "Fábrica de Material de Guerra de Braço de Prata”. Talhas de mestre Abrahão de carvalho.» in Revista dos Centenários.

         Representação da Comissão dos Vinhos Verdes              Sala da “CNN - Companhia Colonial de Navegação”

    

      Arca do ouro na câmara do Comandante                                                  Sala de refeições

 

                Anúncio em 28 de Setembro de 1940                                     Anúncio em 13 de Outubro de 1940

 

Chegou a estar presente na referida “Exposição do Mundo Português de 1940”. Mas, para lá chegar, tiveram que ser utilizados métodos pouco próprios e ortodoxos. Para a sua navegação, iniciada em Aveiro no dia 11 de Agosto de 1940… «Ás dezoito horas e dez minutos largou para Lisboa esta original esquadra assim formada: o "Cabo Espichel" rebocava a nau, que tinha à pôpa, qual leme auxiliar, a draga, e o "Cabo da Roca" rebocava a cábrea.»

Chegada da nau “Portugal” à doca de Belém em Lisboa

 

A nau “Portugal”, viria a ter um fim diferente daquele para que fora concebida, - exposição dos nossos melhores produtos, viajando pelos diversos países, em especial para o Brasil  - pois acabou os dias como simples barcaça de seu nome: “Nazaré”, após o ciclone de 16 de Fevereiro de 1941 que a destruiu, como se pode ver na foto seguinte …

Depois de  vendida à “CNN-Companhia Colonial de Navegação” que a converteu em 1942 no batelão costeiro “Nazaré” para transportes ao longo da costa continental tendo aparentemente a sua reconstrução sido entregue ao seu construtor naval inicial Manuel Maria Bolais Mónica, da Gafanha da Nazaré.

Barcaça “Nazaré”

Passados cerca de dez anos, em 1952,  a barcaça “Nazaré” foi novamente vendida e desmantelada em Xabregas.

Mais tarde, em 20 de Novembro de 1960, nos mesmos estaleiros de Mestre Manuel Maria Bolais Mónica, foi lançada à água a “Nau S. Vicente”, projectada pelo engenheiro naval Júlio David Ferreira e construída durante o período compreendido entre 1955 e 1960. A “Nau S. Vicente” foi considerada a maior embarcação de madeira do mundo, com 65 metros de comprimento e deslocando 3.000 toneladas. Estava equipada com um motor de 840 cv.

Fotos in: Arquivo Municipal de LisboaBiblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian, Navegar é Preciso, Fernando de Morais Sarmento