Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Não lhes cai a máscara (6)

por Pedro Correia, em 02.06.20

20200531_214324-1-1.jpg

 

Cardeal-patriarca de Lisboa

Terrorismo

por Maria Dulce Fernandes, em 02.06.20

21823860_WQZ3J.jpeg

 

Li hoje na imprensa internacional disponibilizada online que as pessoas aproveitam qualquer pretexto para se amotinar, saquear e pilhar, normalmente em nome da igualdade e da justiça.

A morte de um ser humano às mãos de um seu semelhante nunca é um “qualquer pretexto". É um acto de extrema barbárie, independentemente do contexto. Não tem desculpa nem justificação. É algo deontologicamente desprezível e totalmente inaceitável na cultura ocidental.

Dito isto, pergunto-me se amotinar-se, saquear e pilhar se justificam pelo sentimento de revolta, genuíno e esmagador, em crescendo contínuo na sequência da morte violenta e sem sentido de mais um ser humano às mãos de quem o devia ajudar e proteger. Mortes, violência sem justificação nem sentido acontecem infelizmente todos os dias e a todas as horas, por esse mundo fora, e a grande maioria nunca chega ao nosso conhecimento.

O que é que esta morte por brutalidade policial tem de diferente de todas as outras? Nada. Não tem nada de diferente. É mais um crime contra a humanidade, como tantos milhares de outros crimes. Apenas o mediatismo é extrapolado: apela à revolta, à instabilidade e ao terrorismo. Apela ao medo e à justiça sumária. Apela à selvajaria. Apela ao crime.

Não é possível apagar um crime hediondo praticando milhares de outros que tais, igualmente injustificáveis e desprezíveis.

Se moralmente poderão estes levantamentos populares na sua essência,  serem considerados actos de terrorismo? Podem, sim. Este "fim" não justifica os meios. De modo nenhum.

Falar menos e proceder melhor

por Pedro Correia, em 02.06.20

883a4f5dc1e062a757dd79182748af1b_N.jpg

 

O Presidente da República, na linha do que fizera dias antes a directora-geral da Saúde, lembrou-se este domingo, à entrada para a missa na Sé de Lisboa, de dar um ralhete aos jovens.

«Não faz sentido que os jovens estejam a organizar festas com centenas de pessoas e muito próximas, e sem a preocupação de distanciamento. As normas sanitárias devem valer para todos», declarou Marcelo, num esporádico regresso à sua anterior condição de professor. 

 

Creio que este ralhete presidencial chega um pouco tarde.

Devia ter-se ouvido um mês antes, e com outros destinatários, que funcionaram como péssimo exemplo para os jovens. Refiro-me aos dirigentes da CGTP, que - num claro incumprimento das normas sanitárias e do próprio estado de emergência então em vigor, que interditava a circulação interconcelhia - juntaram cerca de mil pessoas na Alameda D. Afonso Henriques, em Lisboa, num verdadeiro comício. Mobilizando para o efeito sindicalistas de concelhos limítrofes - incluindo Loures, Amadora e Seixal, que se encontram entre as áreas agora mais fustigadas pela progressão do Covid-19.

As fotografias na altura publicadas, também aqui, não deixaram lugar a dúvidas: foi um acto de inadmissível irresponsabilidade da central sindical. À qual o Presidente e a directora-geral da Saúde assistiram num respeitoso e resignado silêncio.

Esse mesmo mês de Maio chegou ao fim com números preocupantes: centenas de novas infecções diárias; a maioria dos novos casos ocorre na densa periferia de Lisboa, entre pessoas cujas idades oscilam entre os 20 e os 29 anos; e registamos pela primeira vez mais óbitos do que Espanha.

 

Agora, enquanto sustenta (e bem) que não faz sentido algum os jovens andarem por aí a organizar festas em tempo de pandemia, o Chefe do Estado mantém uma posição dúbia e timorata sobre a Festa do Avante!, que continua marcada para um dos epicentros do contágio - o concelho do Seixal.

Concedendo assim ao PCP o mesmo estatuto de inaceitável privilégio que já havia concedido à CGTP no decreto presidencial. Isto quando o PSD e o Bloco de Esquerda, responsavelmente, já cancelaram eventos similares. Isto quando o próprio partido do Governo tomou a iniciativa de adiar o congresso nacional e o processo de eleição do secretário-geral.

 

Marcelo, que muito antes de ser Presidente já era um académico de mérito reconhecido, é o primeiro a saber que a melhor pedagogia não se faz pela palavra, mas pelo exemplo. 

Menos falatório e melhores exemplos: só assim os jovens levarão a sério as gerações dos seus pais e seus avós.

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 02.06.20

250x.jpg

 

À Beira do Mar de Junho, de João Miguel Fernandes Jorge

Poesia

(edição Relógio d'Água, 2019)

Tags:

Pensamento da semana

por João Pedro Pimenta, em 02.06.20

Por mais que nos digam que o medo é pior que a própria doença, não há possibilidade de o ultrapassar quando pelas ruas circula uma sociedade mascarada e desfigurada. A imagem sugere-nos logo a ideia de pestilência, como que relembrando os trajes dos médicos da peste. E para se vencer o medo, são precisos pontos de apoio e de confiança. Enquanto uma certa imagem de peste perambular, não é possível, salvo por inconsciência, vencê-lo de todo.

 

Este pensamento acompanha o DELITO durante toda a semana

DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 02.06.20

21523202_SMAuI.jpeg

 

João Carvalho: «Nos tempos difíceis que correm, adivinhava-se que não iam demorar a aparecer aqueles que defendem a redução do número de deputados — e apareceram. O tema é velho e cíclico, mas qualquer discussão séria foi sempre sucessivamente adiada. Agora, em período de dramática austeridade, com visível falta de exemplos nas áreas políticas e de cortes decididos nos orçamentos institucionais, perante medidas que começaram hoje a espremer ainda mais uma fatia cada vez maior da população já seriamente afectada por este atoleiro nacional, o tema tinha de regressar. Em vão. Ainda não é desta que o assunto segue em frente.»

 

Sérgio de Almeida Correia: «Uma campanha destas custa seguramente muitos milhares de euros. Duvido que essa seja a melhor forma da Galp promover o apoio à selecção nacional e melhorar a sua imagem. E como já prevejo o calvário que aí vem até ao final do mundial de futebol, o ideal era que os portugueses se fossem todos plantar à porta dos responsáveis da Galp e os azoassem de manhã à noite com as vuvuzelas. Começa a não haver pachorra para a estupidez de algumas empresas e dos seus responsáveis.»

 

Teresa Ribeiro: «A má qualidade das leis em Portugal custa 7,5 mil milhões de euros ao país, valor que se aproxima da metade do défice do subsector do Estado – notícia divulgada em Janeiro por uma técnica da Presidência do Conselho de Ministros.»

 

Eu: «Só escutei alguns minutos [na Antena 1]. Mas foi o bastante para ter ouvido proclamações carregadas de ódio racial, reles exclamações xenófobas, frases negacionistas pretendendo "desculpabilizar" o nazismo e até instigações abertas ao genocídio. Tudo a pretexto das lamentáveis mortes ocorridas a bordo do navio turco ao largo de Gaza, imputáveis ao Governo e às forças armadas de Israel. Há quem possa chamar a isto serviço público. Eu não.»

Canções do século XXI (1156)

por Pedro Correia, em 02.06.20

Táctica + Estratégia = Agora é que é!

por Paulo Sousa, em 01.06.20

A aterragem do paraquedista António Costa da Silva no nosso espaço público foi o mais parecido com o envio dos dois astronautas para a Estação Espacial Internacional que o nosso governo nos conseguiu oferecer.

Dizem que o senhor é que vai delinear a estratégia do país. Agora é que vai ser! Se calhar o que tínhamos até agora era apenas uma táctica, o que no fundo é a estratégia dos pobres.

Um bêbado letrado da minha terra dizia que a táctica era delineada com vinho branco e a estratégia com vinho tinto e, vendo bem, essa lógica pode explicar os ziguezaguiantes sucessos do nosso país.

Depois existem aquelas tretas chamadas formalidades democráticas. Para se ser ministro não é necessário ser-se eleito, mas é necessário ir ao palácio do PR tomar posse e assinar uns papéis.

O António Costa II O Estratego, que foi convidado pelo António Costa I O Táctico, foi dispensado de tudo isso porque o nosso regime não prevê ter estratégia alguma. Por omissão então aceita-se sem sobressaltos que o PM angarie alguém, sem esclarecer quem lhe remunera as horas gastas, se há acumulação de funções ou conflito de interesses.

E isto é normal, porque estamos em Portugal.

Um imperfeito anti-herói

por Pedro Correia, em 01.06.20

columbo400[1][1].jpg

 

Uma das imagens mais iconográficas da história da ficção televisiva é a de um indivíduo mal vestido, com uma gabardina encardida, de andar trôpego e um eterno charuto apagado ao canto da boca, fazendo perguntas aparentemente sem nexo e aludindo muito à mulher que jamais nos é apresentada. Se o víssemos por aí na rua nada daríamos por ele. Mas tornou-se num dos mais inesquecíveis detectives da televisão: Columbo, magistral criação de Peter Falk, marcou todos os telespectadores da década de 70.

Produzida pela NBC entre 1971 e 1978, esta série americana dessacralizou a figura do detective, equiparando-o a um homem comum. Quase ninguém o associava à imagem de polícia: aquele homenzinho semicurvado que chegava à cena do crime ao volante de um Peugeot 403 descapotável muito fora de moda não inspirava qualquer receio aos delinquentes, convictos da sua impunidade. Todos, aliás, pertencentes à chamada elite: ricos, poderosos, bem-parecidos e aureolados com êxito profissional. Pecam por ganância, soberba, inveja e luxúria: quanto mais têm, mais ambicionam.

Não há aqui um só assassino oriundo da classe média, confirmando a lógica dos folhetins de antanho: o interesse da história é proporcional à conta bancária dos protagonistas. O facto de na ficha artística figurarem estrelas dos anos de ouro de Hollywood - muitas vezes deslocadas do seu registo tradicional - contribuía para condimentar a série. Nomes como Don Ameche, Eddie Albert, Ida Lupino, Kim Hunter, Ray Milland, Anne Francis, Roddy McDowall e Suzanne Pleshette destacam-se nos episódios iniciais.

 

Columbo - com o aliciante suplementar de incluir cenas decisivas quase sempre rodadas em cenários naturais - tinha um verdadeiro achado como chave de argumento: desde o início, o espectador sabia quem cometia os homicídios, invertendo-se assim o estereótipo do género policial. Todo o suspense centrava-se na insólita actuação deste detective sem garbo, involuntário paladino do direito criminal que quase até ao fim parecia baralhado com o labirinto de indícios que lhe surgia pela frente. Descurando por completo as evidências colhidas pela chamada "polícia científica" que viria a estar muito em voga três décadas mais tarde, com o C. S. I. e franquias quejandas.

Tudo se resolvia com base na dedução - isto é, graças ao bom e velho intelecto.

 

20200526_230955.jpg

 

Tive a grata surpresa, faz hoje oito dias, de voltar a ver esta série de que tanto gostei na adolescência. Está a ser exibida na RTP Memória. E o primeiro episódio - que recomendo vivamente - é realizado por um tal Steven Spielberg, então com apenas 24 anos, num fulgurante início de carreira que logo o fez transitar da televisão para o cinema.

Este episódio-piloto, com a duração de um filme médio, intitula-se Murder By the Book e ocupa o 16.º posto na lista dos cem melhores de todos os tempos, organizada pela revista TV Guide.

 

imagesBP3CDEX7.jpg

 

Cada episódio terminava com Columbo partindo na noite, sempre de gabardina surrada e charuto sem chama.

Cumpria o dever de polícia como se fosse o primeiro a espantar-se afinal com as suas espantosas capacidade dedutivas. Um perfeito exemplo de imperfeito anti-herói.

Tags:

Paraministro

por José Meireles Graça, em 01.06.20

A primeira vez que ouvi falar num paraministro foi numa notícia em que Catarina se aliviava de umas banalidades a armar ao sentido de Estado mas não liguei – coisas lá do aquário da politiquice lisboeta e das trincas e mincas da Geringonça.

Que um ministro, ou o Primeiro, ou o Presidente, tenham uns amigos ignotos com os quais trocam umas impressões está no arranjo ordinário das coisas. E que esses interlocutores tenham um café em Freamunde ou sejam empresários do ramo dos petróleos não deve surpreender ninguém. A comunicação social tem até fórmulas consagradas para estes encontros fortuitos, se os topar ou receber encomenda para os noticiar: no primeiro caso trata-se de auscultar a sociedade civil e no segundo inteirar-se dos problemas do sector.

Mas, afinal, o tal paraministro não é mais um gambozino que a Tina da Companhia de Teatro das Visões (In)úteis inventou para o Bloco fingir importância: existe mesmo, fala, e tem opiniões.

Um tipo que navega na massa escura do crude sabe da logística do produto, dos offshores por onde se movimenta o arame, que costas é preciso afagar, quais os números de telefone que convém ter, onde estão os bons restaurantes, e que tudo isso deve estar rodeado de grande discrição. Deve também perceber alguma coisa de relações internacionais e de economia, no que umas e outra podem afectar o ramo, pelo que convém não ter formação naquelas áreas, para não ter o trabalho suplementar de se despir de preconceitos académicos.

O tal Costa Silva parece preencher o quadro. Infelizmente, logo na primeira entrevista, expele uma quantidade prodigiosa de tolices.

Vejamos primeiro o problema, depois a solução, e, finalmente, o que diz o preclaro.

Uma doença nova, comprovadamente benigna, provocou uma sobre-reacção mundial, baseada no medo induzido pela ignorância dos seus verdadeiros contornos, por alguns serviços de saúde terem sido submergidos, pelo facto de afectar sobretudo pessoas de idade, por ser muito contagiosa, por assintomáticos também poderem contagiar, e por parecer ter sido contida por medidas radicais do governo ditatorial de uma superpotência opaca, que as democracias tentaram emular.

As burocracias mundiais ou regionais (OMS ou EU, p. ex.) abraçaram com gosto o reforço da sua importância; os governos cederam às opiniões públicas em pânico, pilotado por uma comunicação social geralmente acéfala que se especializou na facilidade do drama sem perspectiva nem trabalho de contextualização; e as economias afundaram, mesmo para aqueles que adoptaram abordagens menos penalizadoras, por causa das interdependências internacionais.

No nosso caso, o consagrado Ronaldo das Finanças fala numa quebra de 7%, portanto deverá ser entre 10-15%.

Este o problema. Agravado no caso português pelo abismo entre a propaganda dos apoios e a realidade: ninguém sabe ao certo, nem é possível saber porque a informação não é de confiança, que parte do apoio ao layoff é que já foi paga; e até mesmo o reembolso do IRS (resultante em si de uma pilhagem) o próprio ministro reconhece, sem vestígios de vergonha porque não a tem, que está a ser atrasado.

A solução vem de um prodigioso bolo europeu de 750 mil milhões de Euros, dos quais nos tocariam à volta de 26 mil milhões (15 dados e o resto emprestado) se, no complicado processo decisório da EU, o número não levasse um corte de cabelo, como possivelmente levará.

Quem tiver curiosidade pode ler as minúcias da coisa, p.ex. neste texto de um especialista nestas tranquibérnias, no caso o Prof. Doutor Paulo Trigo Pereira (trato-o assim, com os títulos todos, porque o homem é comicamente cioso destes penachos).

Muito dinheiro, em suma: de volta os pacotes Delors, o comboio europeu, o agora-é-que-vai-ser. Não estivesse a expressão tingida da abominação cavaquista, e corríamos o risco de ver ressuscitado o famoso pelotão da frente que aquele grande estadista consagrou, conjuntamente com outros memoráveis disparates.

Não vai ser. Desde logo porque a UE fala de prioridade aos investimentos nas áreas da transformação ecológica e digital, além de outras piedades, que traduzidas para Portugal querem dizer torrar montes de dinheiro em investimentos não reprodutivos e fantasias promovidas por visionários e vigaristas sortidos, que vêm ocupar o lugar deixado vago pelos engenheiros do progresso - na encarnação anterior estavam mais virados para a formação profissional. Depois porque todo o pacote se destina a ser reembolsado com impostos europeus, a começar a cobrar de 2028 em diante, e que se virão juntar aos que já existem. E finalmente porque em lado nenhum, em momento nenhum, se fala de reforma do Estado, o que quer dizer que a economia, logo que recupere com ajuda algum fôlego, continuará a carregar o fardo da classe média. Aquela que, se não fosse o Estado onde se acolhe, segundo o intelectual Pacheco, não existiria; e aquela que é mal paga porque a economia não é eficiente, dada a fatalidade de os empresários não serem dinamarqueses.

Deixemos isto. Que diz ao certo o mago do Plano de Recuperação Económica, que o elaborou em dois dias? A julgar pela entrevista, é um documento de grande arrebatamento, que não deixará decerto, quando vir a luz do dia, de provocar nuns cólicas, noutros gargalhadas, e nos socialistas aplausos.

“… no caso da TAP, o Estado também deve intervir – com o objetivo claro de evitar que ‘empresas rentáveis se afundem e entrem em estado de coma”. E a intervenção terá de contemplar a “preservação dos postos de trabalho” ou a “qualificação dos trabalhadores”.

Ahem, a TAP é uma empresa rentável?! E vai recuperar sem adequar os seus quadros à procura que tiver, e tendo ainda o enternecedor cuidado de dar formação às meninas do balcão das reclamações?

“A médio e longo prazo, o plano é composto por ‘dois eixos estratégicos’ que, realça o gestor, estão ‘limitados aos recursos financeiros’ disponíveis. Num primeiro momento, a aposta é na modernização das estruturas físicas do país, como seja ‘qualificar a rede viária’ ou intervir nas estruturas portuárias, ou de ‘energia’”, fundamentais para alavancar as exportações do país”.

Nós, de eixos, aprendemos alguma coisa durante a crise da Covid, por causa de tanto gráfico com que fomos mimoseados. E isto nos dá a lucidez para adiantar timidamente que mais autoestradas, mais dinheiro em Sines, e mais corrupios no alto dos montes, não nos parece assim muito bem. Da última vez, a receita, em vez de incentivar o desenvolvimento, provocou o risco de calotes e uma demorada penitência.

“Ao mesmo tempo, é preciso ‘acelerar a transição digital’ na administração pública e, em especial, no tecido empresarial das pequenas e médias empresas – um dos pontos do segundo eixo, mais virado para as infraestruturas digitais. E antecipa o ‘enorme impacto na economia’ que o aumento das competências digitais possa vir a ter”.

Isso da transição digital sabemos o que é. Em vez de termos um bilhete de identidade barato temos um cartão de cidadão caro; e em vez de nos zangarmos com funcionários mal-encarados enfurecemo-nos com o computador e os sites do Governo. Quanto ao tecido empresarial das PMEs, Costa, deixa lá isso: as empresas aceitam tudo o que lhes quiseres dar, em troca de fingirem que têm um grande respeito por gurus da gestão de aviário; menos conselhos e apoios para fazerem o que não lhes sirva para nada.

“Costa Silva fala, ainda, em ‘estender a fibra ótica a todo o território nacional’, depois do recurso às tecnologias, durante a pandemia, ter espelhado as desigualdades sociais entre os alunos”.

Parece razoável. Tanto que é legítimo duvidar que se faça. Acontece muito, quanto se está sobrecarregado a fazer uma quantidade de inutilidades, escassear o tempo para o que é preciso.

“À RTP, o gestor garantiu que o Serviço Nacional de Saúde, depois de ter respondido à pressão da Covid-19, vai ver o ‘investimento reforçado’, numa clara aposta em ‘equipamentos e recursos humanos’, concluiu Costa Silva”.

É o que se chama fechar com chave de ouro. Mas não são necessárias pressas: já tanto utente esticou o pernil por causa de consultas, tratamentos e operações adiadas que durante algum tempo a pressão deve diminuir.

Em suma: Dizem deste homem que irá substituir Siza Vieira, que irá substituir Centeno, que irá substituir o Governador do BdP.

Tudo leva a crer que quem o convidou não irá ser substituído. Daqui a uns anos, acontecerá ao glorioso PM que descobre estas pérolas o mesmo que ao malogrado Sócrates: nunca ninguém votou nele.

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 01.06.20

250x.jpg

 

Todos Para a Cama, de Álvaro Bilbao

Tradução de Rita Custódio e Àlex Taradellas

Puericultura

(edição Planeta, 2019)

Tags:

DELITO há dez anos

por Pedro Correia, em 01.06.20

21523202_SMAuI.jpeg

 

Ana Margarida Craveiro: «Estamos a falar de fechar escolas em zonas onde as moderníssimas auto-estradas não chegam, nem sequer aparece o alcatrão necessário para remendar estradas com mais de 60 anos, zonas onde o progressista TGV e o novo aeroporto não entram nas conversas. Esse país, esse Portugal ainda tão parecido com 1950, ainda existe. E o governo - qualquer governo - tem a obrigação de governar também para esses portugueses. Fechar-lhes as poucas manifestações de administração central que têm não é a melhor maneira de manter o país habitado - agora já tão escassamente. Empurrar ainda mais esta gente para os subúrbios de Lisboa é a nossa escolha?»

 

Ana Vidal: «Hoje, em vez de dizermos em posts como as crianças são bonitinhas e engraçadas, em vez de lamentarmos as que sofrem e passam fome, as que não têm acesso ao mais básico conforto, as que vivem em cenários de guerra ou são vítimas de todo o género de abusos, façamos alguma coisa de concreto. Se não podemos acudir a todas elas, tratemos de ajudar UMA. Hoje, parece-me um bom dia para divulgar esta notável campanha da Diocese de São Tomé e Príncipe: dando a uma criança uma oportunidade de desenvolver-se mais harmoniosamente, estaremos a melhorar também todas as vidas que ela vier a tocar, no futuro, com os instrumentos que lhe demos.»

 

João Carvalho: «O jovem Clint [Eastwood] fez ontem 80 anos. Esta lembrança está atrasada? Também a da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas está, que ainda só lhe deu quatro Óscares: dois de Melhor Realizador e dois de Melhor Filme, entre oito nomeações. Há-de ser sempre pouco, para este cineasta e autor cuja obra já entrou na História da Sétima Arte. Com uma carreira brilhante e multifacetada, gasta menos do que os orçamentos, filma com rapidez e perfeição e tem fama de só dizer três palavras em trabalho: okayaction e cut

 

Sérgio de Almeida Correia: «As razões que são agora invocadas para [o PS] apoiar Manuel Alegre já eram válidas em 2005. Por isso, aquilo que eu gostaria de ter lido ou ouvido Mário Soares explicar era por que razão o erro grave e fatal é o que o PS comete agora e não foi aquele que atirou Cavaco Silva para Belém e que o deixou, a ele Mário Soares, na história das presidenciais com uma votação típica do Bloco de Esquerda. Depois de ter vencido por duas vezes as presidenciais essa votação foi obra. Eu teria vergonha desse resultado e da falta de visão política que essa candidatura representou. Porém, admito que a memória já não dê para tudo.»

 

Teresa Ribeiro: «Hoje a justiça é pior do que há quatro anos. Esta evidência está a pôr em risco o Estado de Direito.»

 

Tomás Vasques: «Os dados estavam lançados há muito tempo e o PS amarrado a Alegre, desde há muito tempo, nas presidenciais. José Sócrates teve o mérito de impedir uma profunda clivagem no interior do partido, ao apoiar o poeta, sem deixar de se distanciar do apoio concedido. A partir de agora, a batata quente passou para as mãos do candidato que tanto se empenhou na "frente popular" entre a extrema-esquerda e o socialismo democrático, uma quimera provavelmente ainda de origem argelina. Durante os próximos seis meses, Manuel Alegre vai andar num rodopio, em bolandas entre os apelos de Louçã contra os "banqueiros e os capitalistas sanguessugas" e as medidas de austeridade do governo a atingirem também os desempregados. Será um autêntico cata-vento, sem coerência, sem estratégia, sem rumo.»

 

Eu: «Desafia-me o Pedro Lomba a mencionar exemplos concretos de leitura minimalista dos poderes constitucionais [por Cavaco Silva]. Já aqui deixei alguns, relacionados com a representação externa do Estado português, o défice de comunicação do Presidente com os portugueses e uma preocupante dissonância entre as prioridades que Cavaco foi enunciando e a realidade. E aqui vai outro: recentemente, o Chefe do Estado orgulhava-se de nunca ter vetado um diploma do Executivo, o que o torna no maior avalista da prática governativa de José Sócrates. Será mesmo motivo de orgulho?»

Canções do século XXI (1155)

por Pedro Correia, em 01.06.20

Blogue da semana

por Alexandre Guerra, em 31.05.20

A sociedade americana vive tempos particularmente complexos e turbulentos. A pandemia veio exponenciar graves problemas sociais e laborais, assim como acentuar desigualdades económicas. O blogue Working Economics Blog do Economic Policy Institute é uma excelente ferramenta que ajudará a uma compreensão mais sólida das questões económicas e laborais enquadradas nas dinâmicas sociais e de classe.

Torres Vedras de Nuno Rebelo

por jpt, em 31.05.20

Esta atividade integra o programa Emergência Cultural Torres Vedras 2020, organizado pelo Teatro-Cine de Torres Vedras, nisso cruzando esta era Covid-19. 

É um trabalho do Nuno Rebelo (Texto, video, música, sonoplastia e grafismo) - que alguns conhecerão por via do grupo musical Mler Ife Dada - em colaboração com o seu filho Igor Brncic Rebelo (voz e desenhos). Diz o Nuno: "Agora mesmo é aqui que estou é um vídeo autobiográfico da minha vida em Torres, onde nasci em 1960 e onde vivi até 1975. Faço-o a partir dos meus atuais 59 anos e do sítio em que me encontro, confinado como todos por causa do vírus, no meu caso em Barcelona."

É uma pérola. Rara. Linda. Que me encantou. Vede, que decerto gostareis.

 

Leituras

por Pedro Correia, em 31.05.20

250x[1].jpg

 

«Costumava julgar os rostos consoante a sua capacidade de reterem a luz. Era a falta de luminosidade num rosto - até mesmo a ausência de uma promessa de luz - que lhe lembrava, tristemente, a desumanidade do homem para com o homem.»

John Cheever, Parece Mesmo o Paraíso (1982)pp. 90-91

Ed. Relógio d'Água, 2009. Tradução de Maria Carlota Pracana. Colecção Ficções

Uma aritmética muito peculiar

por Pedro Correia, em 31.05.20

20200531_143554-1.jpg

20200531_143450-1.jpg

 

Informa-me o Primeiro Jornal da SIC que a Direcção-Geral de Saúde «aprovou 17 estádios» para o recomeço (ou "novo começo", sejamos rigorosos) do campeonato nacional de futebol. Ora havendo 18 equipas neste campeonato e duas deles «não jogarem em casa», como revela o mesmo telediário à mesmíssima hora (13.54 de hoje), causa-me alguma perplexidade esta aritmética tão peculiar.

 

Assim intrigado, deixo algumas questões:

- Qual terá sido o único estádio, em 18 possíveis, que não mereceu o visto prévio da DGS?

- Se 17 em 18 obtiveram luz verde, qual foi o clube que, vendo o seu estádio apto para a competição, recusou usá-lo?

- Como reagirão os adeptos a tal opção, que desconsidera as instalações do próprio clube?

- Dezoito menos dois ainda serão dezasseis ou poderão tornar-se dezassete na aritmética "pós-moderna"?

- Será falha de memória minha ou o "código de conduta" elaborado pela DGS e tornado público a 19 de Maio (apenas há 12 dias) estipulava, em termos categóricos, que «deve ser utilizado o menor número possível de estádios» neste regresso às competições desportivas?

- Dezassete em dezoito será mesmo «o menor número possível»?

 

Responda quem souber. O meu ábaco não dá para mais.

Opiniões

por Maria Dulce Fernandes, em 31.05.20

Opiniões são como se sabe e cada um tem a sua.

Nem sempre concordo na totalidade com o que MST escreve.

Revejo a minha opnião nesta publicação do Expresso, que leio cá em casa em suporte de papel, e que encontrei online na íntegra.

Bom domingo.

https://estatuadesal.com/2020/05/30/ricos-pobres-e-mal-agradecidos/

Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 31.05.20

500_9789722067317_eu_sou_a_minha_poesia.jpg

 

Eu Sou a Minha Poesia, de Maria Teresa Horta

Antologia pessoal

(edição D. Quixote, 2019)

Tags:

Pensamento da semana

por João Sousa, em 31.05.20

Depois de meses a ouvir constantes apelos ao "distanciamento social" nas homilias de pivots de telejornais, nas intervenções de especialistas, nas sessões de propaganda política e nos infindáveis directos jornalísticos onde se gastaram horas a repetir em alvoroço todos os nadas que já tinham sido relatados em directos anteriores, muitos ficarão durante longo tempo prisioneiros de uma debilitante "desconfiança social".

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana


O nosso livro



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.




Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2020
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2019
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2018
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2017
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2016
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2015
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2014
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2013
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2012
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D
    118. 2011
    119. J
    120. F
    121. M
    122. A
    123. M
    124. J
    125. J
    126. A
    127. S
    128. O
    129. N
    130. D
    131. 2010
    132. J
    133. F
    134. M
    135. A
    136. M
    137. J
    138. J
    139. A
    140. S
    141. O
    142. N
    143. D
    144. 2009
    145. J
    146. F
    147. M
    148. A
    149. M
    150. J
    151. J
    152. A
    153. S
    154. O
    155. N
    156. D