°

O identificador do leitor está *temporáriamente* indisponível.
Loading

Por questões de funcionalidade, existem índices divididos em 2/3 colunas. > Os Fados de Coimbra bem como os Fados Humorísticos estão em colunas próprias.

Procure a letra do Fado * Pelo título correto * E veja aqui publicado * O seu Fado predileto.

Se não encontra o Fado preferido // Envie, por favor, o seu pedido.

5.980 Publicações <> 1.750.000 Visitas <> Maio 2020

---------------------------------------------------------------------------------------------------

Sombra triste de ninguém

António Calém / Carlos da Maia *4as*
Repertório de Maria Valejo

E partias num navio
Com jeito de naufragar
Sei que era noite e era frio
E eu nem sabia chorar

Quem te mandou para longe
P’ra lá de terra e de mim
Que voz trouxe não sei donde
Aquela palavra fim

Porque não quebras os laços
Dessa voz que te chamava
E não voltas aos meus braços
A sonhares o que eu sonhava

Ó meu fim, meu desespero
Minha voz não sei de quem
Noite negra qu’inda espero
Sombra triste de ninguém

Ruas do fado

Artur Ribeiro / José Maria Antunes
Repertório de Alberto Ribeiro

Ruas do fado nas ruas
Feitas de casas singelas
Onde há roupa nas janelas
Dando alegria à cidade
E em cujas paredes nuas
Poetas improvisados
Ecrevem rimas de fados
Para falar de saudade

Ruas do fado
Vielas de mil trapeiras
Com sardinheiras e guitarras a trinar
Ruas do fado
Onde a sombra da desgraça
Sempre que passa deixa um fado a soluçar

Um candeeiro apagado
Que entristece a noite escura
Alguém que canta e procura
Calar o filho que chora
Algures, um grito abafado
Sombras que passam unidas
A jogar às escondidas
Com quem passa áquela hora

Se há flores na primavera

António Calém / Francisco José Marques *fado zé negro*
Repertório de Maria Valejo

Eu já nada sei de mim
Se sou flor ou jardim
Ou sou um lago sem margem
Nem sei o lado do vento
Sei que o sonho é pensamento
E o pensamento é miragem

O que sei é divagar
Sei que o fim não é chegar
E o chegar é uma espera
À noite pelas vielas
Pergunto ao céu se há estrelas
Ou se há flores na primavera

Visto gestos que me cansam
Oiço vozes que me lançam
Num desespero sem fim
Sei de ti, de mais ninguém
Mas haverá mais alguém
Se eu própria nem sei de mim

Lisboa à meia noite

Artur Ribeiro / António Mestre
Repertório de Alberto Ribeiro
Este tema também foi gravado com o título *Lisboa às zero horas*

Quando a meia noite passa
E a boa gente adormece
É que Lisboa tem graça
E pelas ruas se esquece
De brincar pelas esquinas
Com ar de menina boa
Deixa o pregão dos ardinas
E das varinas da Madragoa

Gente a passar, os cinemas a fechar
E um casal a chamar por um táxi já tomado
E mais além, teatros fecham também
E lá vai a gente de bem para os retiros do fado
Que linda és, Lisboa dos cabarets
Das boates, dos cafés, sem basbaques no Chiado
Anda no ar uma voz triste a cantar
Uma guitarra a trinar num beco mal afamado
  


Passa um guarda de uniforme
Que desperta de seguida
Um vagabundo que dorme
Pelos bancos da avenida
Numa outra esquina desponta
Um grupinho a protestar
Porque bebeu mais que a conta
E agora a conta não quer pagar

Estive um dia sem te ver

Manuel Paião / Eduardo Damas
Repertório de Maria Valejo

Estive um dia sem te ver / Nesse dia não vivi
E o meu coração batia / Baixinho, a chamar por ti

Estive um dia sem te ver / Estive um dia sem te ver
Pareceu-me um dia sem fim
Meu amor, p’lo amor de Deus / P’lo amor de Deus
Nunca te afastes de mim

Eu sofro tanto por ti
É tão grande a minha dor
Que um dia, se estou sem ver-te
É como um ano de dor
Eu sofro tanto por ti
Que o meu coração assim
Quase nem sabe bater
Se não estás ao pé de mim

Eu sofro tanto por ti / Num dia em que te não veja
Que não te afastes de mim / Nem uma hora que seja

Estive um dia sem te ver / Estive um dia sem te ver
E a saudade sem fim
Bateu à porta e entrou / Bateu e entrou
E veio sentar-se ao pé de mim

Despedida (saudades)

Carlos Conde / Alfredo Duarte *fado cravo*
Repertório de Alfredo Marceneiro 
Este poema está publicado no livro de Carlos Conde com o titulo *Saudades*

É sempre tristonha e ingrata
Que se torna a despedida
De quem temos amizade
Mas se a saudade nos mata
Eu quero ter muita vida
Para morrer de saudade

Dizem que a saudade fere
Que importa? quem for prudente / Chora vivendo encantado
É bom que a saudade impere
Para termos no presente / Recordações do passado

É certo que se resiste
À saudade mais austera / Que à ternura nos renega
Mas não há nada mais triste
Que andar-se uma vida à espera / Dum dia que nunca chega

Só lembranças, ansidades / O meu coração contém
Tornando-me a vida assim
Por serem tantas as saudades / Eu dou saudades a alguém
P’ra ter saudades de mim

Esta ultima sextilha consta do poema original
É pobre a filosofia
Daquele que neste mundo / Nem uma saudade inspira
Só nela vê fantasia
Pois num desprezo profundo / Diz que a saudade é mentira

Eu vivo a vida perdida

Amália Rodrigues / Amélia Muge
Repertório de Amélia Muge

Viver é estar-se perdido
Não sei se o terei ouvido
Se o li ou inventei
Desta ou daquela maneira
Não sou menos verdadeira
Nesta verdade que achei

Eu vivo a vida perdida
Sem esperança de me encontrar
Nesta verdade que achei;
Cantai-me o último fado
Que eu vivo e vai-se-me a vida
Que eu vivo e vai-se-me a vida

Sem esperança de me encontrar
A tentar compreender
Eu vivo e vai-se-me a vida
Sem conseguir entender
Porque me sinto perdida
Porque me sinto viver

Eu já vou a enterrar
Peço flores dai-me flores
Já me mataram as dores
Do sol que eu tinha no olhar
Ficou-me a noite tão escura
Talvez fosse de chorar

Chama da vida

Conde Sobral / Joaquim Campos *fado puxavante*
Repertório de António Rocha

Soprei apagou-se a chama
Disse-te adeus em seguida
Quem diz adeus a quem ama
Diz adeus à própria vida


Foi uma zanga sem jeito / Mas não tem reparação
Tu julgavas ter razão / Eu tinha-a dentro do peito

Com o coração desfeito / Mas a alma decidida
Num gesto joguei a vida / Desse amor que te deu fama
Soprei apagou-se a chama
Disse-te adeus em seguida

Nunca mais soube de ti / Nem o procurei saber
Não me quero arrepender / Daquilo que decidi

Mas sei bem quanto perdi / Na hora da despedida
Sou como folha caída / Sou como fio sem chama
Quem diz adeus a quem ama
Diz adeus à própria vida

Quadras soltas

Amália Rodrigues / Amélia Muge
Repertório de Amélia Muge

Joguei às cinco pedrinhas
Perdi todas as jogadas
Quando vi que tu não vinhas
Pedrinhas eram pedradas

Papoila grito de cor / Tanto trigo te quer bem
Mais quero eu ao meu amor / Amor que amor não me tem

Abri-te o meu coração / Tu fechas-me a tua casa
E não te vejo senão / Com um grãozinho na asa

Tenho um lindo namorado / Que me ama perdidamente
Tem um defeito coitado / Ama assm a toda a gente

Quem o seu amor perdeu / E não queria ter perdido
Anda a chorar como eu / Que trago o meu no sentido

José Guimarães

Tributo do poeta Fernando Campos de Castro

Poeta que andaste pela rua
Que chamaste noiva à lua 
E irmão ao vento agreste
Neste dia em que te canto
Rimo alegria com pranto 
Nos poemas que me deste

Poeta amigo... amante das coisas belas
Que soubeste ler nas estrelas 
Mistérios que ninguém lê
Poeta amigo... que chamaste mãe à cidade
Só tu viste a claridade
Num mundo que ninguém vê

Poeta que viste longe e mais alto
Fazendo dum sobressalto
O teu mar de calmaria
Em cada noite perdida
Fizeste da própria vida
Uma loucura sadia

Poeta amigo... que fizeste da madrugada
A tua casa encantada
Onde não posso morar
Poeta amigo... que fecundaste a esperança
Nos teus olhos de criança
É que aprendi a sonhar
 
Dá-me os teus versos, t
eus mundos de fantasia
E toda a melancolia dos teus sentidos dispersos
Dá-me os teus versos, a tua vida secreta
Essa alma de poeta feita de mil universos

Avozinha

Henrique Rego / Alfredo Duarte *marcha do marceneiro*
Repertório de Alfredo Marceneiro

Ainda me lembro bem
Dessas noites invernosas / Em que o vento sibilava
E das lendas amorosas
Que a minha avó que Deus tem / Junto à lareira contava

Quando a feroz inverneira
Como se até nos infernos / Rugia lá pelos montes
Ela aquecia os invernos
Que lhe pesavam nas frontes / Indo sentar-se à lareira

Meiguices e seduções
P’ra minha avó se alegrar / Eram certas como prendas
E tinha que me contar
As maravilhosas lendas / Das mouriscas tradições

Então ela me contava
Contos feitos de paixões / Com princesinhas formosas
Encantamentos de moiras
E de fontes preciosas / Que davam ledos quebrantos
Enquanto que embevecido
Eu escutava os encantos / Dessas lendas amorosas

Mas o conto mais dileto
E que mais beleza tinha / P’ra meus sonhos joviais
Era o da terna avozinha
Que com beijos maternais / Fora criando o seu neto

Tinha o conto semelhança
Ao acrisolado afeto / Que minha alma gozava
Que eu, de gozo radiante
Solenemente escutava / E hoje vivo sem desdém
Era o conto mais sentido
Que a minha avó que Deus tem / Junto à lareira contava

Oh águia

Henrique Rego / Alfredo Duarte *fado cravo*
Repertório de Alfredo Marceneiro

Oh águia que vais tão alta
Num voar vertiginoso
Por essas serras de além
Leva-me ao céu, onde tenho
A estrela da minha vida
A alma da minha mãe

Loucos sonhos juvenis / Fervilham na minha mente
Que me fazem ficar chorando
Quando tu, águia imponente / Te vejo transpor, voando
As serras e os alcantis

Quando te vejo voar / Pelo vasto firmamento
Sobre as campinas desertas
Com profundo sentimento / Tu, em meu peito despertas
Sonhos que fazem chorar

Oh velha águia altaneira / Vem aliviar-me, vem
Do mal que me veio ferir
Vê se ao céu me transportas / Para de beijos cobrir
A alma da minha mãe

Perguntas-me

Linda Leonardo / Popular *fado das horas*
Repertório da autora

Perguntas-me o que é o fado
Perguntas-me de onde vem
É o caminho traçado
Que cada um de nós tem

Cantar o fado é juntar / Guitarras com poesia
É saber entrelaçar / A tristeza e a alegria

É trazer à flor da pele / As emoções desta vida
É força que nos impele; / Confissão apetecida

Ser fadista é ser maior / É sentir como ninguém
Aquele desgosto de amor / Que foi desgosto d’alguém

Fado, é mais do que uma prece / Fado, é voz do coração
Fado, que nos enternece / Fado é reza, é oração

A voz do meu coração

Fernando Alves / Armando Machado *fado Maria Rita*
Reportório de Jorge César

Sou ave que já não canta
Sou fadista sem garganta
Tenho fado nos meus dedos
Nos momentos mais sofridos
Eu sinto nos meus sentidos
Desvendar os seus segredos

Nos meus versos canto um fado
Neste tom bem magoado / Com tristonha melodia
E na voz do coração
Eu canto a solidão / A saudade e nostalgia

No meu fado há outros fados
Destinos desencontrados / Amores, desilusões
Retalho de muitas vidas
Recordações esquecidas / E momentos de emoções

Quando o meu fado acabar
Meus dedos vão-se calar / No silêncio bem profundo
Termina a solidão
E a voz do meu coração / Já não canta neste mundo

Águas passadas

Henrique Rego / Miguel Ramos *fado alberto*
Repertório de Alfredo Duarte Jnr.

Não me importam loucuras que fizeste
Num desatino torpe e desvairado
Esqueci os desgostos que me deste
Sepultei para sempre o teu passado

Não me importa que exista quem se gabe
De outrora ter fruído os teus carinhos
Se todo o mundo abertamente sabe
Que águas passadas não movem moinhos

Se alguém nos bate à porta, nós devemos
Só perguntar quem é e não quem foi
Porque o presente com os dons supremos
As manchas do pretérito destrói

O teu passado, visto de relance
Foi um romance de tragédia viva
Mas hoje a tua vida é um romance
De ternura que nos prende e nos cativa

Se um demente ou qualquer ser imperfeito
É respeitado esteja onde estiver
Assim deve também haver respeito
P’lo passado infeliz duma mulher

Loucura de amor

Henrique Rego / Pedro Rodrigues *fado primavera*
Repertório de Carlos Anjos

Chamaste-me louco um dia
E mal, então, eu sabia
Como o amor nos sorri
Foi feita a tua vontade
Hoje sou louco, é verdade
Mas louco apenas por ti

Não é loucura de louco
Esta loucura que há pouco / Roubou-me a voz da razão
Mas é loucura maior
Eu ando louco de amor / Sou louco do coração

Vivendo assim sem ter cura
Esta amorosa loucura / Que te acabo de contar
Só te peço, minha vida
Que não me negues guarida / No louco do teu olhar

Sou andorinha ferida

António Carvalho da Costa / Casimiro Ramos *fado freira*
Repertório de Fernanda Meireles

Sou andorinha ferida
Ave com asa partida
Que não pode mais voar
Minhas penas são a vida
São a esperança já perdida
Que ainda me venhas a amar

O meu ninho de beiral
Feito de lama e de sal / De paz, amor e ventura
Não há remédio ideal
Para a cura deste mal / Deste mal que não tem cura

As penas perdem beleza
São negras, mas de tristeza / De viver penosa espera
Nesta dor, nesta incerteza
De já não seres com certeza / Para mim, a primavera

Os velhinhos

Henrique Rego / Alfredo Duarte *lembro-me de ti*
Repertório de Alfredo Marceneiro

Sentados nos degraus musgosos duma ermida
Dois velhos aldeões mortinhos de saudade
Com palavras de amor cândidas como as rosas
Lembravam com ternura a morta mocidade

Nos olhos do velhinho e com doce lembrança
Transparecia o amor do tempo já passado
E da velhinha, a voz, imersa em confiança
Lembrava um par gentil em dia de noivado

Eu tenho uma ambição, um grande e vasto sonho
Diz o velhinho em voz de estática doçura
Já que Deus nos uniu neste mesmo lar risonho
Só peço que nos dê a mesma sepultura

A festa do fado

Letra e música de Alice Pimenta
Repertório da autora

Eu sonhei em tempos idos
E aspirei ser feliz
Ninguém matou meus sentidos
E eu tenho aquilo que quis

Fiz um tapete d’esperança
Que de mansinho pisei
Já deixei de ser criança
Mas p’ra mim o sonho é rei

Versos ao fado, eu canto
P’ra não sofrer de amor
Com este encanto a vida é melhor
P’ra não ter dissabores
Pois por enquanto meu mal é d’amores

Vou cantando uma cantiga
E ao vento que passa, digo
O teu conforto me abriga
Quero ir passando contigo

Ao sol belo e majestoso
Peço que deixe brilhar
Aquele ser já idoso
Que teima em se enamorar

Mocidade perdida

Henrique Rego / última estrofe de Linhares Barbosa / Popular *fado menor*
Dueto de Alfredo Marceneiro e Alfredo Duarte Jnr

Amar demais é doidice
Amar de menos maldade
Rosto enrugado é velhice
Cabelo branco é saudade

Saudades são pombas mansas / A quem nós damos guarida
Paraíso de lembranças / Da mocidade perdida

Se a neve cai ao de leve / Sem mesmo haver tempestade
O cabelo cor da neve / Às vezes não é da idade
       
Pior que o tempo em nos pôr / A cabeça encanecida
São as loucuras de amor / São os desgostos da vida

Para o passado não olhes / Quando chegares a velhinho
Porque é tarde, já não podes / Voltar atrás ao caminho

É como a lenha queimada / Dos velhos, o coração
As cinzas são as saudades / Dos tempos que já lá vão

É tão bom ser pequenino
Ter pai, ter mãe, ter avós
Ter esperança no destino
E ter quem goste de nós

Passei ao lado

Letra e música de João Fernando
Repertório de Afonso Oliveira

Quando olho para trás
Sinto a dor de quem trabalha
Sem nada poder escolher
Nem mesmo a voz que o comanda;
O sentido da palavra
O mal de ter ou não ter

Passei ao lado da canção que não cantava
Dos fados que me ensinaram
E por amor estou aqui
Passei ao lado das coisas que eu sonhava
Quando ninguém me afirmava
Deves seguir por aí
Nasci num porto que me deu a aventura
E consentiu a ternura
Dum novo amanhecer
E eu falava com a margem do meu Tejo
Pedindo que desse um beijo
À força do meu querer

Olho a luz que me rodeia
No acender da candeia
Que me faz continuar;
Então agora é verdade,
Aquilo que se semeia
Pode ser o meu cantar