Passos Coelho reconheceu
hoje e
aqui que este corte do rating, em quatro níveis, foi, um
“murro no estômago”, mas aqui foi considerado mais um
"pontapé nos tomates".
Também se bateram novos máximos nos juros da dívida e as taxas a três anos já superam os 19%, pode-se ler
aqui e
aqui.
Ao contrário que o governo chegou a declarar, as medidas de austeridade anunciadas por Passos Coelho já tinham sido tomadas em conta.
Disse aqui o vice-presidente da agência Moody's.
Cavaco Silva
disse “não haver mínima justificação” para
"este" corte de rating feito a Portugal
Mas João Galamba no
Jugular recordou que
“Cavaco critica as agências de rating, depois de ter dito que não se devia criticar as agências de rating, e diz que é necessário uma resposta europeia, depois de, no discurso da tomada de posse, ter dito que a crise era portuguesa e não ter referido, por uma única vez, a Europa e a crise financeira”.
Anteriormente o PR já tinha afiramado no
JN que
"A retórica de ataque aos mercados internacionais não cria um único emprego, nós devemos fazer o trabalho que nos compete por forma a reduzir a nossa dependência do financiamento externo sempre com uma grande preocupação de distribuir com justiça os sacrifícios que são pedidos aos portugueses".
A 23 de Março, Manuela Ferreira Leite,
afirmava que o problema do país não estava nas medidas do PEC, mas na falta de credibilidade e de confiança no então governo, em especial no Primeiro-Ministro, José Sócrates, e no Ministro das Finanças, Teixeira dos Santos.
Gabriel Silva do Blasfémias, classificou tudo isto de uma
Tremenda desilusão e escreveu que:
"Dizer que «em outubro vamos anunciar cortes» é o mesmo que os não fazer. E este choradinho sobre os ratings, é tão ridículo, tão socrático. Um país anda 3 décadas a gastar mais do que tem. Para pagar dívidas, contrai novas dívidas. E o primeiro sinal que o governo dá, não é o de cortar despesa, mas sacar mais dinheiro para manter a coisa assim".
"Queriam que a reacção fosse o quê?"
"Agora a reacção dos media e dos apoiantes do actual governo é de repúdio pelas agências de rating e atribuem as culpas à crise internacional e à Grécia. Mas qual a posição dos mesmos comentadores há quatro meses?"
Mas sejamos construtivos.
A realidade é que as “promessas” realizadas aos portugueses consistiam em cortes na despesa, sobretudo na despesa intermédia do Estado (assim ninguém percebia do que estavam a falar), uma descida substancial na TSU e que só em último caso é que alguns bens teriam o IVA alterado.
Foi “vendido e comprado” que teríamos um governo de figuras de peso político e com elevada capacidade de gestão.
Mas os investidores (nacionais e estrangeiros), não acreditaram nisso. Algumas famílias portuguesas bem conhecidas até terão andado nos últimos meses a vender os seus activos e terão transferido para o estrangeiro mais de 5 mil milhões de euros.
O que nos foi entregue, como prémio de termos oferecido uma maioria PSD/CDS, foi um governo notoriamente fraco, com muitos convites recusados e até alterações de última hora impostas pelos “lobbys” do costume. Um governo desorganizado e com um programa bastante extenso (132 páginas), mas vago e sem conteúdo.
E como primeira medida recebemos um corte de 800 milhões de euros nos nossos de rendimentos de trabalho, porque ninguém tocou nos rendimentos do capital.
Recomendo a Pedro Passos Coelho ir de férias, ler uns livros de Economia, perceber como é que os americanos e os alemães venceram a crise de 1928, e ter a coragem de alterar totalmente as suas políticas.
Mas, e principalmente, conseguir uma grande coligação dos principais partidos portugueses, e realizar o mais depressa possível uma grande remodelação do seu governo.
E, já agora, mudar-se para a Residência Oficial do Primeiro-Ministro .