quinta-feira, 19 de agosto de 2021

Da série 'afinal como é'?

A notícia:

""Queimódromo do Porto só reabre após fim do inquérito aos problemas detectados""

Os considerandos cá do rapaz:

À direita, que no início da pandemia afiançava que o Serviço Nacional de Saúde não tinha capacidade para assumir a hercúlea missão de vacinar um país inteiro e que para tal era necessário privatizar a vacinação, cabe agora a tarefa de explicar ao país inteiro porque é que da única vez que a vacinação foi privatizada deu merda.

quarta-feira, 18 de agosto de 2021

Que tal um pouco de história?

Há milénios habitada, esta terra era um dos grandes cruzamentos das rotas da seda. Fez parte da história de grandes impérios: Alexandre o Grande, os Árabes Muçulmanos, os Mongóis, e os Impérios Russo e Britânico. Mas sempre foi, tal como o seu nome indica a terra dos Afegãos, e por isso ganhou as alcunhas do “Inconquistável” ou de “o cemitério dos impérios” porque vários o tentaram controlar e nunca conseguiram, como a história recente o comprova.

No séc. XIX torna-se um “estado tampão” entre os gigantes impérios Russo e Britânico, neste confronto épico a que se chamava o “Great Game”. Várias foram as tentativas dos ingleses de tomar Kabul, mas sofreram invariavelmente duras humilhações militares, o que os fez criar a “linha de Durant” que dividia o Afeganistão da Índia Britânica. Mas perigosamente esta linha divide também os Pashtun que são o povo dominante do Afeganistão e daí a relação tão íntima entre um grande pedaço do actual Paquistão, por serem o mesmo povo com o mesmo idioma.

Assim se explica também a curiosa língua de terreno que se vê desenhada no mapa do Afeganistão em direcção à China servindo o propósito de não deixar tocar o gigante Russo e o gigante Britânico.

Durante a monarquia do Rei Shah (1933-1973) o Afeganistão era um país aberto ao mundo e um destino muito procurado por todos os viajantes pela sua história, cultura e beleza natural.

Golpes de estado atrás de golpes de estado, levaram os russos a entrar na política do Afeganistão para que se mantivesse à esquerda, e com isto a ocupação soviética e a guerra que tanta coisa mudou (1979).

Os Afegãos são o típico povo que não se governa e não se deixa governar, e por isso montaram uma resistência de guerrilha por parte de diferentes grupos de Mujahideen (guerrilheiros do Islão) que por todo o país se opuseram ferozmente ao domínio militar russo.

Vários estados árabes patrocinaram esta resistência por não admitirem perder território muçulmano para “infiéis” e os americanos aproveitaram para alimentar mais uma frente da sua Guerra Fria. É nesta altura que o saudita/iemenita Osama Bin Laden entra no Afeganistão como um de muitos que faziam a ponte entre o dinheiro árabe e a Jihad no terreno.

Quando em 1992 os russos compreendem que nunca conseguirão dominar este país regressam a casa, e de imediato 7 grupos de Mujahideen se viram uns contra os outros num dos períodos mais sangrentos e destrutivos da história do Afeganistão, que só termina quando os Taliban ganham controlo do território, em 1996. Este grupo de fundamentalistas islâmicos chega ao poder por pregar um discurso radical que une as fragilidades deste povo, a religião. Apesar das conhecidas atrocidades, execuções, apedrejamentos, crimes contra a humanidade e retrocesso civilizacional chocante é um período de franca estabilidade e paz relativa no país, que só é interrompida pela invasão dos americanos e aliados, em 2001.

Os Taliban decidiram não entregar Osaba Bin Laden, e então todo o mundo invadiu o Afeganistão numa guerra que durou até há dias, onde os portugueses, à sua escala, também estiveram envolvidos. Já matou mais de 500.000 pessoas e veio agravar a pobreza extrema daquele que é um dos povos mais pobres e mais sofredores do mundo.

O resto já sabemos. Mais de 20 anos de guerra com EUA e aliados, mais um império que cai aos pés do caracter Afegão, e para dor das nossas almas, um país incrivel que fica entregue ao fanatismo religioso dos Taliban, que farão com que a idade das trevas volte a habitar no nosso planeta nos nossos dias.

 

Em política não há vácuo de poder. A China já ocupa o espaço deixado pelos EUA após vitória do Talibã.

“A retirada precipitada das tropas norte-americanas do Afeganistão teve um sério impacto negativo sobre o país, apontou hoje o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, ressalvando estar disposto a dialogar com Washington para gerir a situação.

O comunicado emitido pelo ministério cita uma conversa por telefone entre o ministro dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, e o secretário de Estado norte-americano, Anthony Blinken.

 

De acordo com o texto, Wang frisou que a China está "disposta a comunicar e dialogar com os Estados Unidos para promover uma abordagem suave na questão afegã, visando evitar nova guerra civil ou um desastre humanitário, e para que o país não se converta num viveiro e refúgio para o terrorismo".

E o que tem a dizer ‘o resto do mundo’?

terça-feira, 17 de agosto de 2021

Indignação minha

Uma mulher afegã em Kabul: "Agora, tenho que queimar tudo o que consegui nos 24 anos da minha vida. Chegaram os homens que odeiam as mulheres!"

Quer dizer: mais não fizeram os EUA senão adiar por 20 anos o problema que os afegãos há muito já teriam resolvido. E agora estariam noutra situação.

O amigo americano, fugindo outra vez (?) de rabo entre as pernas, depois de criar graves atrasos e entraves no mundo.



segunda-feira, 16 de agosto de 2021

Poesia à Segunda

Escuto mas não sei se o que oiço é silêncio ou Deus.

Escuto sem saber se estou ouvindo o ressoar das planícies do vazio ou a consciência atenta que nos confins do universo me decifra e fita.

Apenas sei que caminho como quem é olhado, amado e conhecido. E por isso em cada gesto, ponho solenidade e risco.

Sophia de Mello Breyner Andresen foi uma das mais importantes poetisas portuguesas do século XX. Foi a primeira mulher portuguesa a receber o mais importante galardão literário da língua portuguesa, o Prémio Camões, em 1999. O seu corpo está no Panteão Nacional desde 2014 e tem uma biblioteca com o seu nome em Loulé.
Boa semana!