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| Zurique, Agosto - 2021 |
Sul Sereno
Rara Avis in Terris, JUVENAL, Sátiras, VI, 165
domingo, 15 de agosto de 2021
Quando desço...
Quando desço ao país dos lagos
encho o peito de sonhos,
de afagos,
do fulgor de um dia que finda.
E do halo que exala das florestas...
qual Ícaro que sobe vigoroso,
ainda,
sobre o glaciar dos ideais em flor,
subo
ou desço
nas arestas do Amor!
Ana
quarta-feira, 4 de agosto de 2021
A Luz que Vem das Pedras
| Alentejo, 2020 |
A luz que vem das pedras, do íntimo da pedra,
tu a colhes, mulher, a distribuis
tão generosa e à janela do mundo.
O sal do mar percorre a tua língua;
não são de mais em ti as coisas mais.
Melhor que tudo, o voo dos insectos,
o ritmo nocturno do girar dos bichos,
a chave do momento em que começa o canto
da ave ou da cigarra
— a mão que tal comanda no mesmo gesto fere
a corda do que em ti faz acordar
os olhos densos de cada dia um só.
Quem está salvando nesta respiração
boca a boca real com o universo?
Pedro Tamen, in Agora, Estar
quarta-feira, 28 de julho de 2021
Quando a sua existência pertence ao futuro
| Médio Oriente, 2019 |
Já andei por muitos lugares e não procurei neles o verniz retocado das agências de viagens. Assumo o gosto pela geografia que se banha no Mediterrânio. Talvez só esse seja o traço comum da minha busca de uma identidade feita de misturas e de incógnitas.
Vem isto a despropósito dos ataques sucessivos que este blogue tem sofrido, em longos comentários que me incitam também a longas bibliografias, feitos em nome de movimentos, ditos, pós-humanistas. O meu perfil de blogger assumido como humanista poderá ser o desafio...
Estes movimentos não são novos - configuram novos fascismos - e uma qualquer página wikipédia serve de alerta aos meus amigos que passem pelo mesmo.
AQUI: Pós-humano
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| Médio Oriente, 2019 |
A tecnologia e a inteligência artificial devem ter as dimensões do olhar humano, pois este as criou, ainda que nem sempre com a melhor das intenções - motivo supremo para eu continuar humanista e acreditar que os valores humanos, esses, é que não se poderão perder! A verdadeira revolução acontece na construção do homem, na sua dignidade, verdade, fraternidade e sentido de justiça.
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| Médio Oriente, 2019 |
Quando observava este cemitério destruído pela guerra, num território que três ou quatro povos reclamam como seu e com os montes Golã no horizonte, vi que o único túmulo preservado guardava um apelido português - «Dr. Martins». E, na distância, para lá das colinas, a Síria banhava-se (banha-se ainda) no sangue dos homens...
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| Médio Oriente, 2019 |
Quando, na manhã seguinte, observei melhor vi o túmulo do sábio cuja estátua enfeita, também, a cidade espanhola de Córdova (onde nasceu) - Maiomonides, sábio do Al Andaluz.
E, antes que sionistas e antissemitas resolvam plasmar aqui os seus ódios e crenças, sempre vos digo que me senti bem: sim, o humanismo é essa universal força dos valores e da sabedoria humana que nos irmana, fraternalmente!
O Homem é, ainda, a esperança do Homem!
Ana
sábado, 17 de julho de 2021
Velhos lugares
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| Alto Minho, Julho - 2021 |
Outra vez o Minho. Velhos lugares de um verde húmido e de um calor transpirado. Situações insolúveis mergulhadas numa beleza que nos distrai da realidade circundante. Daqui, partiram os jovens. Aqui permanecem alguns, todavia. Intemporais personagens de Agustina Bessa Luís...moldadas nas páginas de A Sibila.
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| Alto Minho, Julho - 2021 |
Talvez Zé do Telhado percorra estes caminhos, abrigado pelo manto da noite. Talvez mulheres solitárias lhe facultem a entrada e o abriguem. Partirá aos alvores da madrugada, como uma sombra que passa... Talvez Quina habite a velha casa de sobrado, agora, reconstruída!
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| Alto Minho, Julho - 2021 |
E, sendo tudo tão ilusório, amanhã o vento será nortada e o frio assolará o dia, gélido e granítico. Vacilarão ou gritarão os rumores da folhagem estival e os homens, acossados e medrosos, reinventarão reinícios que soam a desnortes...
Ana
domingo, 27 de junho de 2021
Junho
| Alto Alentejo, Junho 2021 |
Caminho e ouço o som dos meus próprios passos sobre a areia solta e quente. Terra ancestral, desde quando por aqui caminham humanos como eu? O calor chegou, sem que eu me tenha apercebido, respiração ofegante do Sul!
Os dias correm. O tempo foge. Preciso deste caminhar penoso sob um Sol inclemente que avermelha a minha pele excessivamente clara para ser este o meu lugar de origem - porém, assim é.
Quero apanhar este ritmo sereno que escorre dos dias longuíssimos de luz sem pudor.
Ana
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