Gostava
de celebrar-te
Num
poema pleno de “interditos”
Em
que todas as palavras seriam abolidas
E,
em lugar delas, apenas o debruar dos sentidos
Numa
dança de improvisados gestos
Como
quem ama e cuida e se diverte
A
misturar cores do dia, num bouquet
De
emoções pagãs, tão intensas como
Outras
não houvera e, aquelas ali inventadas,
Fossem,
em desfrute de favo, plenitude de mel
E
baixariam todos os decretos e todas as leis
E
as instituições seriam um amontoado de inutilidades
Donde
apenas sobressaiam a pegada
Dos
colossos…
E
o amor? Ah, o amor seria tudo e coisa nenhuma
Fluiria
como brisa em noite cálida. E entraria
Sem
licença em todas as casas,
Como
uma chávena de chá de mão em mão
Ou
como o pão repartido dos famintos-
E,
por vezes, o amor poderia ser uma gota de fogo
A
desprender-se e a elevar-se em frémito
Como se fora teu corpo no enlace
De meus braços
Manuel
Veiga
