Enquanto
esperamos
o
ressoar dos beijos nus de Verão
e que
a procissão se faça ao mar
ao
som de concertinas,
és
pássaro de fogo em trinados de saudade,
onde
a tua seiva, mordoma da minha,
se vai
acrescentar às mãos da sombra acesa
na
cachoeira da noite.
Do
casulo da tua alma de seda,
universo
lavrado nos teus seios
em
filigrana de fios dourados pelos deuses,
vai
renascer a borboleta
num
traje de cores vivas pintada,
qual
lavradeira na Senhora d’Agonia,
numa
viagem onde só crescem flores
a
ladear o caminho para a Serenata.
Vamos
dançar nos tapetes da Ribeira
que
nos prendem separados,
para
devolver o brilho ao olhar embuçado
da tua
alma furtiva,
porque
desejo sorver o teu riso e deitar-me
à
luz da liberdade das tuas palavras
na
ponte estralejante do fogo da Romaria.
PS: o vídeo abaixo é uma obra de arte; vale a pena vê-lo do princípio ao fim.
