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domingo, 15 de agosto de 2021

ADALCINDA MAGNO CAMARÃO LUXARDO


Espaço-tempo
Quero-te mesmo, amor, na ausência ou na presença,
com rumores de sombra, alarde ou desafios.
―Dormir num chão de luar à sombra de roseiras
ou sob os pirisais na baixada dos rios...

Assim te amo e te sei amando dia-a-dia,
acordada ou dormindo o germinal segredo.
E te abraço sem ter teu corpo ao meu, beijando
a saudade sem ser de quem se tem sem medo.

Amo-te mesmo, amor, no madrigal do tempo,
derrubando androceus e gineceus se amando
nas pálpebras do estio que o sono não acorda.

No teu dorso eu descanso a caminhada enorme
que fiz pra te encontrar ― lábios ardendo em busca
da tua noite azul onde minh'alma dorme.

Amo-te mesmo, amor. Se me vens ou te vais.
Sinto-te à flor da pele e à superfície da água
que dessedenta o bem que nos lava o mal.

Amo-te e não sei quem és ― teu nome nem origem.
Só sei que és homem são e me sabes mulher.
Que beleza este amor sem pranto nem vertigem,
sem princípio nem fim, nem dimensão sequer!


- Adalcinda Camarão, em "Antologia Poética". Belém: CEJUP, 1995.


Biografia AQUI

terça-feira, 3 de agosto de 2021

EULÁLIA MARIA RADTKE



As elegias

(1)

É meio dia em minha
vida,
meu sonho
meu sol,
minha dança alucinada
no horto.

Para quem fui,
gotas ficaram pendentes
nas espigas.
Para quem sou,
canto humilde e ave
partida.

É meio dia em minha
vida,
este relógio  de hastes
singulares e plurais
ceifando o tempo,
trazendo à luz
banquetes fartos e limpos
- irreais




- Eulália Maria Radtke, em "O sermão das sete palavras". Florianópolis SC: FCC Edições; Brasília: Thesaurus, 1985.

Biografia AQUI

postagem programada

quinta-feira, 22 de julho de 2021

LIZETE SITOE



Globalização


Já não basta o sangue nosso derramado?
Sou a voz que clama no deserto,
Libertem o meu povo.
Não queremos as asas que nos cortaram,
Nem o limbo que nos trouxeram;

Testa por testa se quiserem,
Deixem-nos curvados aos nossos ancestrais,
Dançando Mapico,
Saboreando a deliciosa Nyangana;

Mesmo sem as asas que nos cortaram,
Com o limbo que nos trouxeram;
Depois chamam-nos pretos,
E esquecem que somos pretos, sim.
Somos pretos.

Pretos da cor do carvão,
Do carvão da nossa terra,
Terra rica de cultura;
Somos pretos.

Pretos da cor do povo,
Povo preto da minha terra,
Terra rica de cultura;

Sou a voz que clama no deserto,
Libertem o meu povo;
Não nos matem com o samba e o bacalhau...
Não nos corrompem com as vossas vestes. Pobre capulana.
Já não basta o sangue nosso derramado?
Agora a moda, o som, o paladar?




Biografia

Lizete António Sitoe, nasceu na capital de Moçambique, cidade de Maputo, antiga Lourenço Marques aos 26 de janeiro de 1998. É estudante de técnico aduaneiro, poetisa, declamadora, amante da psicologia, professora nas escolas dominicais da igreja evangélica assembleia de Deus, onde tornou-se Cristã e foi baptizada.


Escrevia poemas desde a sua infância e começou a declamar no ano 2015 especialmente para a sua Mãe, em seguida na sua instituição e com o tempo foi se expondo nos saraus de poesia, nas Rádio e tv's e foi vencedora em vários concursos de poesia na sua instituição. Em 2016 participou em certos eventos de moda, como estátua humana e em 2017 tornou-se membro da associação Nkaringana Arte e coordenadora de eventos na associação Fénix e iniciou um movimento "pequeninos de Jesus " em seu centro dominical.

sexta-feira, 9 de julho de 2021

CELINA SHEILA MACOME




Amo um ser que não existe


Viajei num mundo imaginário
Encantei-me aos olhos do poeta
Procurei um lugar que não existe
Mergulhei no mar, ao encontro da poesia

Escrevi um poema entre as nuvens
Entre versos, beijei o poeta
No luar, fizemos tercetos
Andei atrás, de uma carta que não existia

Sonhei, num barco de palavras poéticas
Lancei-me no mar, ao encontro do meu ser
Escrevi um romance , nos olhos de um poeta

Celina Sheila

 AQUI  podem conhecer melhor a autora