Dona-Redonda
"Quem tropeça é sempre alguém que se distrai a olhar para as estrelas" Vladimir Nabokov (nome do blogue veio do livro para crianças de Virgínia de Castro e Almeida)
sexta-feira, agosto 20, 2021
quinta-feira, agosto 19, 2021
quarta-feira, agosto 18, 2021
terça-feira, agosto 17, 2021
Post 8172 - CNEC 56/28 - 10/4 - Fidelidade
Estavam casados há quase dez anos.
Dez longos anos.
Não se davam mal, mas não havia paixão. Gastaram-na ou
desperdiçaram-na por a darem como certa.
Os dias sucediam-se iguais. Sabia do que ela gostava,
desde pratos de comida a programas na televisão. Sabia o que ela desaprovava,
as palavras que usava para o expressar. Do lado dela seria o mesmo. Também o
conhecia de cor.
Perto do seu aniversário começou a reparar na vizinha.
Encontravam-se no elevador, ela sempre sorridente, a desejar-lhe um bom dia, a
perguntar-lhe como estava. Parecia realmente interessada na resposta. Quando
ela lhe pediu ajuda para mudar uma lâmpada não podia recusar. O que se seguiu, surpreendeu-o. Ela desabotoara
o vestido, viu-lhe os seios redondos e sentiu-os quando ela o enlaçou. Não
pensou, apenas sentiu.
Simultaneamente vivo e culpado.
Continuou a ver a Eva. Primeiro tudo corria bem,
excepto a culpa. Pouco a pouco, à medida que se repetiam os encontros,
começaram a irritá-lo as suas queixas do marido. Ela suspeitava que ele a
traía. Não o disse, mas pensou para si próprio, não fazemos nós o mesmo?
A culpa fez com que reparasse mais na mulher. Queria
compensá-la, queria que ela o perdoasse ou compreendesse. A sua Lilite era
honesta, fiel, muito melhor que a Eva.
Chegou o dia do aniversário e decidiu fazer-lhe uma
surpresa, comprou flores e veio mais cedo para casa.
Subiu pelas escadas para ter a certeza que não ia
encontrar a Eva. Ia abrir a porta que dava acesso ao patamar quando ouviu
vozes. Escutou. Era a Lilite e o vizinho. Será que ele desconfiara da traição e
fora falar com ela?
O coração aos pulos, preparava-se para o negar, quando
percebeu que se beijavam.
Traidor e traído, manteve-se escondido.
Depois, deu-lhe na mesma as flores e pediu-lhe o
divórcio.
segunda-feira, agosto 16, 2021
Post 8171 - Receitas (quinta-feira, 12/8 e Domingo, 15/8)
domingo, agosto 15, 2021
Livros 2021 (19) Caroline Lee, Série Joias Sinclair, 2, o Regente Mackenzie
Caroline Lee, Série Joias Sinclair, 2, o Regente Mackenzie
sábado, agosto 14, 2021
sexta-feira, agosto 13, 2021
quinta-feira, agosto 12, 2021
quarta-feira, agosto 11, 2021
terça-feira, agosto 10, 2021
Post 8165 - Receitas
Pescada e salmão no forno com puré
- Frigideira com cebola e alho picado, manteiga, sal e pimenta cayennne, coramos quadrados de salmão e pescada antes temperados com sumo de limão e vão para pirex; à frigideira juntamos um pouco de sumo de limão e vinho branco;
- Cozemos batatas, reduzimos a puré, juntamos leite, manteiga e noz moscada e gemas de ovo, vai tudo para pirex, regamos com o conteúdo da frigideira, maionese em cima, forno a 170º por trinta minutos;
Soufflé de pescada
- Cebola e alho picados, manteiga, cenoura raspada, alho francês,
- Leite, manteiga e farinha Maizena, juntamos ao primeiro, a seguir pescada, sumo de limão, sal, pimenta, noz moscada, gemas de ovo;
- Batemos as claras em castelo com um pouco de sal, envolvemos e vai tudo para pirex untado com manteiga e forno pré-aquecido a 160º durante vinte minutos;
segunda-feira, agosto 09, 2021
Post 8165 - CNEC 56-28 - 3/10 - O primeiro caso
Fora
o seu primeiro caso nos Homicídios da Polícia Judiciária.
Ema
Pinto-Lebre sofrera o traumatismo craniano no escritório, um espaço aberto onde
na altura estavam mais dez pessoas. Levada para o Hospital com sinais de vida,
morrera ao chegar. Vira-a na Morgue. O cabelo louro na nuca com o sangue negro.
O Médico-legista falara sobre o ferimento. Fora causado por um objecto
metálico, retangular, 7 por 10 cm, ainda não encontrado.
Os
depoimentos não coincidiam. Estavam todos muito ocupados. A maior parte só se
apercebera depois que algo acontecera. Ema jazia no chão, a sua secretária
ligava para o INEM. Dois que estavam mais longe afirmaram tê-la visto a
escorregar e a cair para trás, mas nada no chão batia certo com a lesão apresentada.
O pior era que não faltavam suspeitos com
motivos. Estava a divorciar-se e despedira o próprio marido. Naquele dia ele estivera
lá para receber um último cheque e tinham discutido. No entanto, já teria
saído. Os subordinados pareciam aliviados com o seu desaparecimento. Os colegas
e superiores referiram primeiro que ela vivia para o trabalho, admitiram depois
que ela seria capaz de vender a própria mãe para ficar por cima.
Era
uma pessoa competitiva, egoísta, tratava mal todos os que não lhe interessavam
e os outros receavam o momento em que ela os pudesse ver como antagonistas
porque os apunhalaria sem piedade.
Seria
possível que os dez subordinados e colegas estivessem juntos no seu homicídio?
Foi
ao local uma última vez, antes da limpeza. Olhou com atenção para a sua secretária,
um pesa-papéis, um furador, o computador e o Iphone. Faltaria algo?
Pensou
nos últimos momentos antes da sua morte, a urgência nos actos do Paramédico e
Médico.
Alargou
a busca e encontrou-o. Atrás de uma secretária a cinco metros, escondia‑se contrito,
o agrafador homicida.
domingo, agosto 08, 2021
sábado, agosto 07, 2021
Post 8162 - Sexta-feira, 6.8.21

O Esquadrão Suicida (The Suicide Squad) de James Gunn, com Margot Robbie, Daniela Melchior, Idris Elba

sexta-feira, agosto 06, 2021
quinta-feira, agosto 05, 2021
Post 8160 - CNEC 55-27 - 10/10 Um teste
Dois anos juntos, nem sequer poderia ser a crise dos três anos.
Tinham namorado muito
tempo, à volta de cinco anos, mas foi numa altura em que viviam com os seus pais
e estavam a estudar em faculdades de cidades diferentes. Viam‑se ao
fim-de-semana, e nem todos, e nas férias.
Começaram a trabalhar,
ele arranjou um apartamento e juntaram-se. Primeiro, foram felizes. De certeza
que sim. Achava que sim. Teria sido ela a pressionar mais por aquele passo? Mas
ele não se opusera.
Talvez fossem os
problemas, o gerir do dia-a-dia, as contas para pagar.
As coisas entre eles não
estavam bem. Ela via a forma como outros casais se davam, mesmo quando a paixão
passava havia algo que os unia.
Quando saiam com outros
era quando ela se sentia mais sozinha. Não via entre os dois cumplicidade, por
qualquer coisa discutiam. Ele parecia mais animado e feliz a conversar com
amigos, o homem por quem se apaixonara. Mal voltavam a ser só os dois ele
mudava, ficava mais calado e sério.
Às vezes parecia-lhe que
ele nem a via. Foi ao pensar nisso que lhe surgiu a ideia. Seria uma espécie de
teste. Mudaria algo em si sem avisar, algo drástico e manifesto e veria depois
se ele reparava. Esperava que sim, mesmo que fosse para a criticar pela
mudança. Nos velhos tempos ele dizia-lhe muitas vezes de como gostava do cabelo
dela, comprido e forte. Foi ao Cabeleireiro e cortou-o. Bem curto, esticado e
com madeixas claras. Um choque quando se viu ao espelho. Depois até gostou.
Parecia mais nova.
Nessa noite tiveram um
jantar calmo.
Ele olhou para ela, mas
não a viu.
Enquanto fazia a mala percebeu que não fora ele a chumbar o teste, mas ela que o passara. E foi-se embora.
quarta-feira, agosto 04, 2021
terça-feira, agosto 03, 2021
Post 8158 (post em construção)
segunda-feira, agosto 02, 2021
Post 8157 - CNEC 56/28 - 2/10 - O Esquilo vermelho
O Esquilo vermelho (imagem do Google)
O
esquilo-vermelho extinguiu-se em Portugal no século XVI, mas desde a década de
1980 que se tem expandido novamente por processos naturais e em projectos de
reintrodução.
Vivendo
no interior do Pais, no meio rural, seria de esperar que pelo menos tivesse
visto um.
Soube
do desafio já não sei bem como, se saiu no jornal local ou alguém me falou dele.
Só tínhamos de encontrar um e conseguir fotografá-lo. Aquele que conseguisse a
melhor fotografia iria receber um prémio.
Na
Vila ficaram todos animados. Encheram-se os caminhos com homens, mulheres e
crianças, munidos de telemóveis e máquinas fotográficas.
Também
eu resolvi tentar. Esperava que por sorte um se me atravessasse pela frente,
mas nem avistei fosse o que fosse.
Soube
que já havia resultados. Vi algumas das fotografias a grande distância onde pouco
ou nada se distinguia.
Mais
insistentemente procurei-o. Sempre em vão.
Senti-me
então tentado, qual ideia tenebrosa, mas irresistível a prosseguir para o
impensável.
Procurei
o Teddy e encontrei-o. Desprezado pela minha neta mais nova, repousava numa
caixa no sótão. Com uma gola de pele antiga da minha mulher cosi-lhe uma cauda
e tingi-o de vermelho. Levei-o para longe e montei a cena. Coloquei-o junto a
uma árvore, meio coberto por ramos e ervas. Afastei-me para o fotografar, e foi
então, que ao seu lado, inacreditavelmente, a poucos passos, vi que aparecera
um real. A alegria foi de tal ordem que não vi mais nada. Tê-lo-ei fotografado
talvez dez vezes antes que fugisse. Corri para a vila e em casa fui ver as
fotografias para escolher a melhor.
Infelizmente tinha-me esquecido do Teddy. Em todas as fotografias, bem mais visível que o real, lá aparecia ele, e se aumentava a fotografia para que se visse o esquilo, percebia-se que o Teddy era um peluche…
domingo, agosto 01, 2021
Post 8156 - Desafio dos Pássaros 03 - Tema 7
Um negacionista, um padre e o Gustavo Santos entram num bar...
Não se conhecem, mas o Gustavo Santos não resiste a exibir-se, oferecendo-se para lhes dar um autógrafo. Como não sabiam quem ele era, vê-se obrigado a apresentar-se num pequeno discurso de quinze minutos.
Gustavo Santos tenta convertê-los ao seu modo de pensar, sublinhando o que têm em comum.
O Negacionista revela-se muito negativo, e não quer sequer ouvi-lo.
O Padre está a passar por uma pequena crise de fé. De início fingiu que tinha ido ao Bar à procura de um fiel a passar por um mau momento. Acaba por assumir que é ele que anda a beber demais. O Gustava Santos aponta-lhe o exemplo do Padre que pratica exercício físico e vai à televisão, de que agora não me lembro o nome.
Enquanto a noite passa e vão emborcando uns finos ficam os três convencidos que têm algo em comum.
Na manhã seguinte já não se lembram bem do que seria e sobre se realmente se terão encontrado...
Post 8155 - 1 de Agosto de 2021
Breve saída em dia de frio e chuva. Saí equipada, notei as ruas mais vazias e algumas pessoas surpreendidas pelo tempo, de mangas curtas, pernas descobertas, e sem guarda-chuva (nota positiva - chuva lavou carrinho que estava a precisar depois de ataque de pombas e/ou gaivotas)
sábado, julho 31, 2021
sexta-feira, julho 30, 2021
Post 8153 - Divulgação - livros
Colecção Mil Folhas de regresso:
Os interessantes de
Meg Wolitzer
Némesis de Philip
Roth
O Pianista de Hotel
de Rodrigo Guedes de Carvalho
Correcções de
Jonathan Franzen
Um Cavalo entra num
bar de David Grossman
Sputnik, meu amor de
Haruki Murakami
Pequena Abelha de
Chris Cleave
O último acto em
Lisboa de Robert Wilson
Versículos Satânicos
de Salman Rushdie
O Planalto e a Estepe
de Pepetela
Perguntem a Sarah
Gross de João Pinto Coelho
quinta-feira, julho 29, 2021
quarta-feira, julho 28, 2021
Post 8151 - CNEC 55/27 - 9/10 - Festa
Eramos
poucos e por isso a sua presença foi logo notada. Como uma nuvem a tapar o sol e
a temperatura a descer subitamente.
A
festa era no jardim, buffet de salgados e churrasco,
Seria
da empresa de catering? Fora eu que recebera os funcionários e conhecia-os.
Quando
a vi agarrar um croquete e sentar-se perto da piscina, deduzi que não o seria.
Olhámos
uns para os outros com a mesma interrogação. Quem a trouxera? Era convidada de
algum de nós? Mesmo parecendo-me pouco provável admiti que o meu cunhado Jaime
pudesse ter trazido uma nova namorada. Ela não parecia encaixar nessa categoria
Roupa escura, rosto fechado, mesmo enquanto comia o croquete, embrulhada em
silêncio. E o Jaime também estava perplexo.
Escolheram-me
a mim para “falar com ela”.
Mas
o que é que eu lhe digo?
Primeiro
vou beber mais um gin para pensar nisto.
Enquanto
o bebia, olhei disfarçadamente na sua direcção. Estava bem vestida. Entretanto
agarrara mais um croquete e reposicionara-se perto do grelhador. Não parecia
nada incomodada por não nos conhecer. Ter-se-ia enganado na casa? Arranjei mais
um gin. Se calhar ela devia estar a ir para uma festa ao lado. Olhei à volta,
tentei ouvir música, ou vozes, algo que indicasse que um dos nossos vizinhos
também festejava.
Mais
um gin e fui ao seu encontro. Pesava-me a cabeça. Talvez tivesse exagerado nos
gins.
Ia
para falar quando ela tomou a iniciativa:
-
Quando começam com o churrasco?
Balbuciei:
“você errada festa”, mas posso ter omitido alguns dos sons que compunham as
palavras, nem eu percebi bem o que dizia.
-
Ela acenou e começou a grelhar a carne.
Saiu-se
muito bem e adiámos confrontá-la.
Desapareceu
como chegara. Nunca chegámos a saber quem era.
Ficámos
com alguma esperança que voltasse para o esclarecer num novo churrasco.


