Com um enorme obrigada por me terem acompanhado no ano que ora termina, desejo a todos os meus amigos um 2014, tão somente como cada qual desejaria que fosse, e sobretudo que a benção divina caia sobre a humanidade para que ela se torne menos egoista e mais justa.
FELIZ ANO NOVO.
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30.12.13
FELIZ ANO NOVO
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Feliz Ano Novo. Boas Festas
21.12.13
Simone - Então É Natal
Um Santo e Feliz Natal para todos os amigos que por aqui passarem.
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mensagem de Natal,
Natal
10.12.13
JOANA - FINAL
Desesperada Joana procurou ajuda médica. Ricardo
acompanhou-a, e fez com ela toda a panóplia de exames que o médico pediu. E
quando os resultados chegaram, veio a confirmação de que ela era estéril. O
médico explicou-lhe que talvez não fosse irremediável. Afinal agora havia uma
série de medicamentos novos que já tinham resolvido muitos casos como o dela.
Joana sentiu que alguma coisa morria dentro dela. Desde pequena que sonhava ser
mãe. Sentir dia a dia uma pequena vida a crescer dentro de si. Sentir o fruto
do seu amor nos braços.
Quis morrer juntamente com os seus sonhos. Nessa
altura Ricardo impôs-se com o seu carinho a sua solicitude, e a sua esperança.
"Deixa lá, somos jovens podemos esperar. Desses
tratamentos, algum há-de resultar, e um dia ainda temos o nosso bebé"
dizia-lhe enquanto tentava esconder o seu próprio desânimo.
E já lá iam dez anos. Dez anos de luta, de
tratamentos, de esperança, e desespero. Um dia, um outro médico falou-lhes em
inseminação artificial. Apesar de ser caríssimo avançaram para a inseminação.
Não resultou á primeira. Raramente resulta. Ricardo decidiu que não se iriam
submeter a uma segunda. Era por demais dolorosa, aquela espera, aquele morrer
da ilusão.
Foi pouco depois que começaram os pesadelos da
Joana. No sonho ela via-se no cemitério a assistir ao funeral do marido. E
acordava desesperada. Aconselhada por uma amiga, consultou um psiquiatra. Que
lhe disse, que o que ela tinha era um medo inconsciente, de que devido ao facto
de não ser mãe, o marido a deixasse. Esse medo era trazido á superfície durante
o sono, com o pesadelo da morte do marido. Porque, - disse-lhe o psiquiatra, -
a morte era a separação que ela temia. Aconselhou-lhe uma conversa franca com o marido
e uma possível adopção.
Joana, não se importava de ter um filho adoptivo.
Era uma criança a quem ela daria todo o imenso amor que lhe ia no peito. Porém
pela primeira vez, Ricardo não esteve do seu lado. Ele negou-se redondamente a
adoptar uma criança. Disse que se Deus não quisera dar-lhes um filho, que não
iam afrontar a Sua vontade, que a amava da mesma maneira e outras coisas que
nem se lembra. E desde então voltaram os pesadelos.
Limpou as lágrimas e voltou ao quarto, enquanto num
recanto qualquer da memória, ouvia a voz da avó recitando uma passagem da
Bíblia.
-Árvore que não dá fruto, corta-se pela raiz...
FIM
Maria Elvira Carvalho
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1.12.13
JOANA
De súbito o silêncio no quarto foi quebrado por um
entrecortado gemido. Logo de seguida, Joana acordou. Às escuras sentou-se na
cama, tentando não acordar o homem que dormia a seu lado.
Passou a mão pela testa, onde gotas de suor
atestavam a aflição do pesadelo que acabara de ter. Suspirou. A luz da lua
entrava pela porta semi-aberta da varanda. Estendeu o braço, apanhou o roupão
de cetim, e vestiu-o. Enfiou os chinelos e dirigiu-se á varanda. Sentia-se
sufocar. Ficava sempre assim quando tinha aquele pesadelo. Na varanda olhou
para baixo. A rua estava deserta.
Joana olhou o céu e pensou vagamente, se o céu da
sua terra seria assim. Ela ouvia falar muito da beleza das noites de África.
Mas ela não se lembrava. Também pudera, tinha dois anos quando se dera a
revolução dos cravos, e logo depois o pai que era militar, regressou. Por isso
Joana não se lembrava da sua terra. E a bem da verdade só muito raramente se
lembrava que não era de Lisboa. Lançou um breve olhar para o quarto. Lá dentro
o marido dormia tranquilamente. Joana suspirou e pensou que era melhor assim.
Ela já tinha a noite estragada, não remediava nada se ele acordasse. Na
verdade, seria até pior; pois a solicitude do marido só ia fazê-la sentir-se
mais inútil, mais culpada.
Joana era uma bonita mulher. Quase beirando os
quarenta, tinha uma aparência de menina que a fazia parecer mais nova. Corpo
bem modelado, pele morena. Os cabelos castanhos-claros tinham reflexos dourados
que contrastavam com os olhos escuros. Era uma bonita mulher, mas tinha um
problema. Joana era estéril. O seu ventre, era terra árida, que não dava fruto.
Esse era o problema que lhe roubava o sono.
Joana, - recordou como conheceu o marido. Tinha
acabado o curso de Administração. Durante os estudos nunca conheceu ninguém que
verdadeiramente lhe interessasse. Acabado o curso, e quando procurava uma
empresa á qual se candidatara, cruzou-se com um garboso polícia, que lhe chamou
a atenção. Ainda hoje não sabe se foi o seu jeito, se o fascínio da farda que
lhe despertou a atenção. Uma semana depois, tinha-o á sua espera. Sem a farda
quase nem o reconheceu. Mas falaram-se e apaixonaram-se. Foi tudo muito rápido.
Menos de um ano e casavam-se, numa bonita cerimónia numa aldeia lá para os
lados da serra da Estrela, donde os seus pais eram naturais.
Tinham combinado que durante um ano não teriam
filhos. Era um tempo de conhecimento e namoro que se concediam. E foi um ano de
sonho. Ricardo era um homem apaixonado, bem-humorado, e amigo de a ajudar nas
tarefas caseiras.
Aquele ano passou a correr e logo, logo estavam a
fazer planos para o nascimento do primeiro filho. Mas o tempo foi correndo e o
filho não vinha.
Continua
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silêncio.
23.11.13
VOCÊ VAI SABER PORQUÊ - ANDRÉ MANSIM
Recebi há dias numa gentileza do autor, um exemplar do primeiro livro de André Mansim. "Você vai saber porquê" é um policial empolgante. Daqueles que o leitor começa a ler e fica tão embrenhado na leitura que só deseja lê-lo de seguida. Dois investigadores são chamados a resolver um crime, que à partida parece ser muito simples. Parece. Porque neste livro, nada é o que parece e de cada vez que se pensa que se encontrou o ponta da meada, verifica-se que existem várias pontas e voltamos ao ponto de partida. Há muito tempo que não lia um livro que me entusiasmasse tanto.
Parabéns André.
Por favor ampliem as fotos
A todos os que gostam de ler, aqui deixo a explicação da contra-capa para aguçar a vossa curiosidade e vontade de o lerem. Podem contactar o autor em http://amansim.blogspot.pt/ no Facebook
https://www.facebook.com/andre.mansim?fref=ts.
Aproveito este espaço para agradecer publicamente a outros amigos que me têm oferecido livros e a quem já agradeci por escrito.
Luís Filipe Maçarico
Luis Milheiro
Jorge Esteves
Maria José Areal
A todos um enorme obrigada pelo carinho e amizade.
Parabéns André.
Por favor ampliem as fotos
A todos os que gostam de ler, aqui deixo a explicação da contra-capa para aguçar a vossa curiosidade e vontade de o lerem. Podem contactar o autor em http://amansim.blogspot.pt/ no Facebook
https://www.facebook.com/andre.mansim?fref=ts.
Aproveito este espaço para agradecer publicamente a outros amigos que me têm oferecido livros e a quem já agradeci por escrito.
Luís Filipe Maçarico
Luis Milheiro
Jorge Esteves
Maria José Areal
A todos um enorme obrigada pelo carinho e amizade.
12.11.13
AGUARELA
Um barco apita ao longe...
Um galo canta...
Amanhece...
Ouvem-se os primeiros sons,
alguém que se levanta.
O dia começa...
Apressados os mais velhos seguem
preocupados para o trabalho.
Ás creches chegam os risos das crianças...
Trocam carícias os namorados...
um autocarro passa rápido...
Num banco de jardim, um velho, engole a solidão..
Ergue-se altiva a papoila,
humilde a roxa violeta...
Sai e entra gente nos mercados...
Apressada a dona de casa, descasca as batatas.
Chora o bebé na camita...
Brinca o menino na areia,
perante o olhar atento, do velho avô...
Desliza um barquito de à vela,
a lembrar aqueles de papel,
que fazíamos em criança.
Duma chaminé sai fumo...
Um cão ladra...
Um barco apita ao longe...
Elvira Carvalho
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chaminé crianças,
os meus poemas,
papoila
10.11.13
Centenário do nascimento de Álvaro Cunhal
Álvaro Cunhal nasceu há 100 anos. Nasceu em Coimbra, mas foi em Seia que viveu a sua infância e decerto retirou da dureza daquelas terras a força com que defendeu os seus ideais. Para mim o que mais me fascina nele, é a convivência dessa força, de antes quebrar que torcer com a sua alma de artista.
Cunhal foi um homem a quem ninguém podia ficar indiferente, comungue-se ou não os seus ideais, e a história portuguesa do século XX não seria a mesma sem a sua existência.
Gostaria de ter engenho e arte para fazer um belo texto a assinalar esta data. Como não tenho limito-me a assinalar a data.
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DATAS A COMEMORAR
4.11.13
ELISA II
Elisa viu-se nessa altura obrigada a
contar a verdade aos pais. Tinha que deixar o filho com alguém para ganhar-lhe
o sustento. E quem melhor que os pais? O pai só lhe disse que devia ter contado
antes. E que tomaria conta do neto, como se fora um filho. Elisa deixou o filho
lá na aldeia e veio para Lisboa ser criada de servir. Não pensava em namorados. Tudo o
que juntava mandava para os pais, para o sustento do filho. Mas um dia conheceu
o António. António era moço de Lisboa, com muito mais experiência de vida, e
não foi difícil dar a volta à cabeça da jovem. Prometeu-lhe casamento,
criar-lhe o filho, dar-lhe até o seu nome. Elisa ia viver com ele, e logo que
acabasse a tropa, tratavam do casório. E mandavam vir o filho. Elisa acreditou.
E um tempo depois deu-se conta que estava outra vez grávida. Quando António
soube da gravidez, os seus modos alteraram-se. Começou a chegar cada dia mais
tarde, com a desculpa de que tinha serviço no quartel. E um dia deixou de
aparecer. Elisa foi lá ao quartel. Queria saber o que se passava. Mas lá
disseram-lhe que ele tinha pedido para ser transferido. E começou novo calvário
para Elisa. Quando o adiantado estado de gravidez não a deixava já trabalhar,
recorreu à instituição de Santa Zita, que a ajudou até que a menina nasceu, bem
como nos primeiros tempos, até que ela conseguiu com a ajuda da instituição
arranjar trabalho.
A vida de Elisa foi uma vida de
escravidão ao trabalho para criar os filhos. Porque depois da morte da mãe,
teve que ir buscar o filho mais velho, para junto de si. Foi pai e mãe dos
filhos.
Nunca mais quis ouvir falar de homens
na sua vida.
Quando os filhos cresceram, Portugal tornou-se pequeno para os seus sonhos. Só
pensavam em emigrar para o Brasil. O sonho duma vida melhor fez com que
juntassem todos os tostões para a viagem. E lá foram deixando a promessa de
mandarem ir a mãe tão logo tivessem casa e trabalho.
A principio as cartas do Brasil
chegavam todas as semanas. Eram cartas cheias de novidades e promessas. Depois
passaram a ser de mês a mês. A vida corria bem, a filha tinha até casado, e só
estavam esperando mudar de casa para mandar a passagem. É que a casa era
pequena. Mais tarde nascera a neta, a despesa era maior. Depois o filho casou,
tinha mais despesas. Aos poucos Elisa apercebeu-se que tinha perdido os filhos
quando se despediu deles em Alcântara.
Por fim as cartas deixaram de chegar.
O olhar perdeu-se no horizonte, o corpo foi-se vergando ao desgosto e ao peso
dos anos.
Elisa foi hoje a sepultar...
Nunca vi um funeral tão triste. Meia
dúzia de vizinhos, ninguém de família. E enquanto a terra caía sobre a urna, eu
pensava se os filhos iriam pensar algum dia no abandono a que votaram a mãe.
Elisa foi hoje a sepultar... e
enquanto jogo uma flor sobre a sepultura murmuro uma prece:
Senhor, se é verdade que existe o
paraíso, tem piedade desta tua serva, que já teve o seu inferno...
Maria Elvira Carvalho
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Brasil,
Os meus contos,
passagem
28.10.13
ELISA
Corria o ano de 1940. Elisa era nessa
altura uma encantadora rapariga de dezoito anos. Pequena, bem proporcionada,
cabelo escuro como noite sem lua, quase sempre preso numa farta trança.
Os olhos escuros e um
rosto moreno, onde um rasgado sorriso fazia aparecerem duas graciosas covinhas.
Era uma jovem alegre, com uma bonita voz, que encantava quem a ouvia ao domingo
na igreja, ou nos campos enquanto trabalhava. Foi talvez a beleza da sua voz,
que atraiu o patrão, naquele fatídico dia de Abril. Elisa mondava o milho numa
leira, quando o patrão a surpreendeu e sem lhe dar tempo a defesa, ali mesmo a
violou. Naqueles tempos nas remotas aldeias do interior, não raras vezes os
patrões "desgraçavam" as jovens empregadas. Naquele dia Elisa foi
para casa, com o corpo e a alma em ferida. Não disse aos pais nem aos irmãos o que
tinha acontecido. De que teria servido? Só aumentaria a sua dor, e a sua
vergonha.
Nunca mais foi a mesma. Não
queria que ninguém soubesse o que tinha acontecido, e os pais estranhavam que
não quisesse ir trabalhar para aquele patrão. Afinal era o que empregava mais
gente, e pagava melhor.
Uma noite sem que ninguém desse conta
Elisa fugiu de casa. Vagueou por montes e vales, evitando os caminhos
principais, roubando frutas para enganar a fome, durante dias a que esqueceu a
conta. Um dia, com os pés em ferida e as roupas sujas e rotas avistou uma
cidade.
Foi-se aproximando a medo. Teve
sorte. Uma mulher idosa viu-a, e vendo o estado lastimoso em que se encontrava,
levou-a até á sua casa. Deu-lhe um alguidar com água, um pedaço de sabão azul e
branco, e uma toalha velha e esfarrapada, porém limpa, para ela se lavar. Em
seguida trouxe-lhe umas roupas limpas que tinham sido da sua filha que Deus lhe
levara havia dois anos.
Josefa foi-lhe contando isto enquanto
aquecia no velho tacho de barro um prato de caldo verde feito na véspera.
Elisa sentiu-se como alguém que
regressa a casa. Na verdade Josefa, embora não a conhecendo, estava a tratá-la
como uma filha e Elisa deixou que as lágrimas rolassem pelo rosto emagrecido
enquanto contava àquela desconhecida, o que não tivera coragem de contar à mãe.
Josefa ouviu em silêncio o relato da
jovem, e quando esta acabou, estendeu a sua velha mão sobre a cabeça da jovem,
e murmurou entre dentes:
Um dia, um dia isto vai ter fim. E
esses canalhas vão pagar por todos os seus crimes. E logo levantando a voz
disse:
- Ficas aqui enquanto não arranjares
trabalho. Eu não tenho muito, mas há-de dar para as duas. Agora uma coisa tens
que me prometer. Vais escrever aos teus pais e dizeres que estás em Coimbra,
arranjaste trabalho, dizes qualquer coisa. Mas os teus pais têm que saber de
ti. Eu também fui mãe e sei bem a aflição duma mãe quando não sabe dum filho.
Elisa assim fez. Arranjou trabalho a
dias para limpezas e tentava a custo apagar as recordações quando descobriu que
isso era impossível porque estava grávida.
Foram tempos muito difíceis em que só no carinho de Josefa
conseguiu forças para sobreviver. Aos pais não contou nada. Morria de
vergonha. E foi inventando desculpas para não ir visitar os pais.
Quando o filho tinha três anos Josefa
morreu. Morreu de noite sem se queixar, sem dar sinal.
Continua.
Amigos, vou tentar visitar todos os vossos blogues, mas não serei muito assídua. Como já disse muitas vezes o meu sonho era ter estudado coisa que nunca pude fazer. Mas como nunca é tarde para aprender, este ano fui estudar e o tempo está muito mais limitado. Muito obrigada pela vossa compreensão.
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