Aparelhei o barco da ilusão E reforcei a fé de marinheiro. Era longe o meu sonho, e traiçoeiro O mar... (Só nos é concedida Esta vida Que temos; E é nela que é preciso Procurar O velho paraíso Que perdemos). Prestes, larguei a vela E disse adeus ao cais, à paz tolhida. Desmedida, A revolta imensidão Transforma dia a dia a embarcação Numa errante e alada sepultura... Mas corto as ondas sem desanimar. Em qualquer aventura, O que importa é partir, não é chegar.
Poema «Viagem» de Miguel Torga, in "Câmara Ardente".Partilhe
Informação técnica
Fotografia N.º: 4226 Publicação:2021-08-21 Grupo:Água Câmara:NIKON D90 Abertura: f 10 Distância focal: 200 mm Velocidade do obturador: 1/800 sec Flash: Não Disparado
Mais fotografias