Francamente não me lembro se, na tenra infância, gostava muito de comer fruta. Recordo, porém, que colhi, algumas vezes, maçãs, tangerinas e ameixas (das vermelhas) directamente das árvores, para as saborear à socapa. E não esqueço os morangos naturais e pequeninos, do quintal, que a minha Tia me mandava num bonito açafate pelos aniversários. Para não referir as merendas de praia, poveiras, que, em agostos juvenis, compreendiam uvas, pêras, ameixas, figos, eu sei lá... E das cascas de melão e melancia que os lavradores domingueiros deixavam no mar a boiar e apareciam nas segundas-feiras seguintes, à tona, para nossa irritação natatória.
O Verão, quanto a fruta, é habitualmente pródigo, sobretudo nos meses de Julho e Agosto. E, este ano, temo-nos abastecido em variedade e qualidade, para além das sobremesas fora, em que temos privilegiado os frutos. Assim, às espécies em imagem hoje, haveria que acrescentar duas belas pêras bêbadas que comi, anteontem, com imenso gosto e proveito, num restaurante modesto, à beira-mar, que tem uma cozinha caseira e muito bem apaladada. Coroaram lindamente um pato assado no forno, com arroz de miúdos. O vinho branco, da casa, pelo sabor frutado, teria no lote, com certeza, a casta Fernão Pires, que, como se sabe, na Bairrada, muda de sexo para se chamar Maria Gomes...







































