14.8.21
A ARTE DOS ORATÓRIOS
28.7.21
MARY STEVENSON CASSATT - A Impressionista
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| O Chá - 1880 / Museu de Belas Artes - Boston EUA |
Mary Stevenson Cassatt nasceu em 22 de maio de 1844, em Allegheny, nos Estados Unidos. Pintora e gravadora americana, trabalhou principalmente em Paris, no círculo impressionista. Degas, por quem ela nutria grande admiração, persuadiu-a a expor com os impressionistas. Não obstante, o caráter extremamente pessoal de sua arte não se modificou, e sua afinidade com os franceses davam-se menos no campo da técnica e da teoria do que na atitude comum em favor da reabilitação das cenas e dos gestos cotidianos como tema da arte.
Pinturas como La Loge (National Gallery, de Washington, c.1882) evocam com uma beleza frágil e delicada o elaborado refinamento da sociedade tal como descrita pelo romancista Henry James (1843 – 1916).
Mary tinha um dom especial para o desenho, e era tão habilidosa na manipulação dos tons pastéis e das ferramentas do gravador quanto no trato com a tinta a óleo. Ela gostava de mostrar o vínculo especial entre uma mãe e seu filho. Também de retratar a vida privada e social de mulheres. Inspirava-se nesse mundo satisfeito e dominado pelas mulheres ao seu redor. Seu trabalho retrata as tarefas cotidianas que ocupavam as mulheres no seu circulo social: cuidar das crianças, vestir-se para o jantar e tomar chá em cômodos estofados.
É uma das artistas mais conhecidas no mundo por pintar cachorros. Isso mesmo, Cassatt mostrava os bichinhos caninos como o melhor amigo da mulher, e também das crianças. Cassatt estudou na Academia de Belas Artes da Pensilvânia na Filadélfia entre 1860 e 1864.
Tinha mais de 50 anos quando sua vista começou a fraquejar, e em 1914 já havia praticamente parado de trabalhar. De família rica Mary Cassatt influenciou muito o gosto americano, encorajando seus amigos abastados a adquirirem obras impressionistas. Colaborou muito para a divulgação do Impressionismo nos Estados Unidos.
Faleceu em 14 de junho de 1926 Château de Beaufresne, Le Mesnil-Théribus, França.
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| Senhora de capuz e fundo vermelho - 1887 |
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| Carícia Maternal - 1896 |
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| The Loge - 1882 |
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| O Banho - 1893 |
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| Reiné Lefebre e Margot - 1902 |
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| Verão - 1894 |
13.7.21
REFLEXÕES NO ATELIER
| Obra Tormento - por Taís Luso |
- por Tais Luso de Carvalho
Mais uma madrugada e mais outro amanhecer, sempre o mesmo ritual: a noite despedia-se enquanto surgia a tímida luminosidade do amanhecer.
Mariana permanecia no sótão da casa entre telas e pincéis. Ali em seu atelier, ela dava vazão às suas emoções, colocando em cada pincelada um pouco de seu espírito, por vezes melancólico e solitário. Os suaves e disciplinados acordes uniam-se em melodias que lhe tocavam o coração: as Ave-Marias de Gounod, de Shubert, de Donati...
Não demorou muito para que ela largasse as telas e desse descanso aos pincéis. Já cansada, debruçou sua cabeça sobre a mesa e passou a refletir sobre sua vida, seus encantos e desencantos, seus afetos, seus amigos, sua família.
Simpatizante da filosofia budista questionava-se, também, sobre a reencarnação e outros tantos caminhos. Mas até aquele momento não chegara a um consenso. Ao mesmo tempo em que estava sintonizada com a estética, estava em dissonância com seus valores e com sua espiritualidade.
E ali viu-se só.
A música inundava o atelier amenizando sua solidão. As tintas e os pincéis, antes deixados de lado, agora testemunhavam os abafados soluços de Mariana. O tempo foi cumprindo o seu percurso até que Mariana levantou a cabeça como se estivesse emergindo de profundezas. E fixou, ao acaso, seu olhar num quadro esquecido, dependurado e coberto num canto do atelier, quase diante de sua mesa, ao lado de objetos insignificantes.
Com curiosidade, levantou-se e removeu um pano que encobria o quadro que havia pintado há muitos anos. Um pouco surpresa, ficou a olhar aquele rosto de expressão suave, olhos cheios de ternura e os cabelos castanhos caindo sobre o belo rosto, numa suave harmonia.
Voltou à mesa e dali ficou a observar aquela expressão tão singular: um olhar que não recriminava e lábios que não acusavam. Talvez ela tivesse descoberto, em algum recanto de sua alma, sentimentos de generosidade e complacência. E pintara um retrato comprometido com esses sentimentos e com suas carências.
Já menos amargurada, levantou-se e substituiu a música: colocou “Chanson d’enfance” e enterneceu-se como se buscasse um afago; queria sentir apenas a alegria do momento, e ter uma paz que não oscilasse. E assim ficou por bom tempo, recostada no sofá, deixando-se conduzir pelos suaves acordes.
Mais tarde aproximou-se do quadro e fixou seus olhos na pintura:
- E agora Amigo? Estamos aqui sozinhos, frente a frente... Mas nada ouso Te pedir, guardo na memória a tua Via-Sacra... Mas procuro apenas alguém que me escute, que retorne comigo à infância, e que compartilhe de meus projetos; ainda que pequenos projetos; e que na solidão de minhas madrugadas esteja presente...
Sinuoso, o sol invadiu o atelier deixando uma sensação de conforto. Mariana caminhou em direção ao quadro, beijou o meigo rosto e encostou a porta...
- Até amanhã.
( Conto publicado na Revista de Artes Dartis nº 24 )
12.7.21
BARROCO NO BRASIL / ALEIJADINHO
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| Igreja de S.Francisco da Penitência / Rio de Janeiro |
-Tais Luso de Carvalho
O Barroco foi introduzido no Brasil no início do século XVII pelos jesuítas, que trouxeram o novo estilo como instrumento de doutrinação cristã. Nas artes plásticas seus maiores expoentes foram Aleijadinho - na escultura e Mestre Ataíde - na pintura onde suas obras, consideradas as mais belas do país despontaram com maior encanto a partir de 1766.
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| Nossa Senhora das Dores / Aleijadinho |
O barroco brasileiro é associado claramente à religião católica. Em Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco encontram-se os mais belos trabalhos de relevo em madeira - as talhas - e esculturas em pedra sabão. Já nas regiões mais pobres, onde não havia o comércio de açúcar e ouro, a arquitetura das igrejas apresentava aparência mais modesta, assim como as residências, chafarizes, câmaras municipais etc.
No Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso do Sul, terras do Paraguai e Argentina, chamadas de região missioneira, a arquitetura era diferenciada da arquitetura do Nordeste e das regiões das minas de ouro, pois os jesuítas misturaram elementos da arquitetura românica e barroca da Europa, pois os construtores eram de origem européia.
No Nordeste, somente no século XVIII houve total domínio do requinte do barroco. De Salvador saia grande quantidade de riqueza do país para Portugal e também vinham os artistas portugueses e produtos.
Riquíssima é a Igreja de São Francisco de Assis, com seu interior revestido de talha dourada levando para si o título de a Igreja mais linda do Brasil.
Os mestres maiores da arte sacra foram Aleijadinho e Mestre Ataíde, onde suas obras, consideradas as mais belas do país despontaram com maior encanto a partir de 1766.
O período barroco brasileiro tem, então, em seus santos e suas igrejas a mais significativa manifestação de fé e de arte: não só uma fé intimista com que cada pessoa se relacionava com seu santo, mas também, como uma expressão ímpar de ver, sentir e vivenciar a arte.
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| Igreja São Francisco de Assis / Ouro Preto |
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| Mosteiro de São Bento / Rio de Janeiro - clique foto |
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| Anjo da Paixão / Aleijadinho - Santuário de Matosinhos |
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| Igreja de São Francisco / Bahia - AMPLIAR CLIQUE FOTO |
A MAIS BELA IGREJA DO BRASIL: AQUI (arraste o mouse, 360º)
ARTE GREGA ANTIGA
- Tais Luso de Carvalho
DO POVO
Todas as mudanças históricas desde o período helenístico, iniciada sob o poder de Alexandre até o domínio da Grécia pelos romanos, sofreram transformações, sobretudo o desaparecimento das cidades-estados, e isso interferiu imensamente na 'arte grega'.
A escultura do séc IV a.C. apresentava traços bem característicos como a paz, o amor, a liberdade, a vitória, etc. Outro traço marcante foi o surgimento do nu feminino, pois nos períodos arcaicos e clássico, representava-se a figura feminina sempre vestida. Praxiteles esculpiu uma Afrodite nua que acabou sendo sua obra mais famosa.
Mosaico de Alexandre magno encontrado em Pompéia
Referências:
Historia da Arte / Graça Proença
O melhor da Arte Grega G e Z Edições - Lisboa
História da Civilização Ocidental - Mac Nall Burns)
21.5.21
PIET MONDRIAN 1872 / 1944

Se houve alguém que influenciou a moda, através de seus traços, de suas cores, foi Pieter Cornelis Mondrian, pintor holandês modernista, nascido em Amersfoort / Holanda. Concebeu a maior parte de sua obra sobre o básico da formação da imagem: linha, plano e cores primárias; linhas verticais e horizontais. Foi desta maneira que o pintor holandês tornou-se uma das figuras mais importantes no desenvolvimento da arte abstrata, com suas pinturas quadriculadas.
Em 1914, já de volta à Holanda, e onde permaneceu durante a guerra, continuou seu estudos sob a abstração, desenvolvendo teorias acerca dos eixos horizontal e vertical. Junto com Theo van Doesburg, fundou em 1917 o periódico De Stijl ( O Estilo), e tornou-se o principal expoente deste novo tipo de pintura, rigorosamente geométrica, que chamou de neoplasticismo – em que figuravam formas retangulares, empregando as três cores primárias mais o preto, o branco e o cinza.
Mondrian teve larga influência não só no meio artístico com o qual tinha afinidade mas também influenciou a arte industrial, decorativa e de propaganda da década de 30 em diante. Além de importantes artigos para a revista De Stijl, escreveu, também Neo-Plasticisme – Paris 1920, entre outros. Sua coleção de ensaios foi publicada em Nova York sob o título Piet Mondrian: Plastic Art and Purê Plastic Art – 1917.
Yves Saint Laurent lançou, em 1965, um vestido inspirado nas mesmas composições de sua obra; a Nike lançou seu tênis Dunk Mondrian, artefatos de decoração e até residências foram pintadas inspiradas em obras de Mondrian. A moda trazendo a arte para as ruas. Ou a arte influenciando a moda.


Obras primas: Moinho perto da água / Moinho de vento sob a luz do sol / A árvore vermelha / Composição 10 em preto e branco / Composição C / Composição em vermelho, amarelo e azul / Composição em amarelo, azul e vermelho / Broadway Boogie Woogie.
20.5.21
ARTE: PEQUENAS E RÁPIDAS NOÇÕES

Os pintores paleolíticos são figurativos realistas, sintéticos no desenho e na cor. A pata dianteira direita da figura do boi - na caverna de Montinac Lascaux, França - está representada de frente e nunca se insinua a aplicação de perspectiva. A pintura pré-histórica perde esse realismo visual na idade neolítica.
Um exemplo: Boi selvagem / caverna de Montinac Lascaux, França.
Os egípcios distinguem-se pela elegância decorativa, predominância do desenho, desconhecimento da perspectiva científica e simplificação da forma. Usam, sistematicamente, a lei de frontalidade, como vemos no rosto, no olho e no tronco de frente.
Não restaram obras originais da pintura grega antiga. Conhecemos indiretamente – decorações dos vasos de cerâmica, esculturas, referências críticas. No período clássico (serena na expressão e equilibrada na composição), é idealizada a realidade. No período helenístico, ela torna-se realista, dramática, movimentada na composição.
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Um exemplo: O Imperador Justiniano e sua corte / Igreja San Vitale, Ravena.
Dominados por fortes sentimentos religiosos, os românicos eram deformadores e coloristas intensos. Eram parecidos com os expressionistas e fovistas modernos.
Um exemplo: Anjos musicistas, afresco espanhol, séc XIII.
Sob a influência das miniaturas, isto é, as ilustrações feitas à mão nos livros medievais, a pintura gótica é minuciosa e adquiria acentuado realismo. Originou-se na França. No seu realismo, está anunciando o espírito racionalista da Renascença. Estilo que se disseminou por toda a Europa Ocidental entre 1375 e 1425. Características: elegância palaciana, e o detalhamento naturalista, ligados à vida aristocrática.
Miguel Ângelo contrariou os princípios de equilíbrio da composição, harmonia das formas e serenidade de expressão do renascimento clássico. Pela vigorosa dramaticidade do sentimento, prenuncia o Barroco, que se definirá no século XVII.

O Renascimento foi um movimento importante, de renovação cultural e artística que
se originou na Itália no séc. XIV e marcou a mudança da Idade Média para a Idade Moderna. Do teocentrismo Medieval - que via em Deus todas as coisas -, o homem avançou para o Humanismo, uma filosofia surgida no Renascimento e que predominou mais na Idade Moderna. Foi neste período que o homem passou a ser o centro do mundo. Leonardo Da Vinci, Michelangelo, Rafael, Donatello, Brunelleschi e Botticelli...
Os pintores rococós refletem, nos temas e na técnica, inclusive na própria delicadeza da pincelada e na luminosidade das cores, as idéias, os sentimentos, e os hábitos da aristocracia européia do século XVIII.
Os neoclássicos ou acadêmicos, inspiraram-se diretamente nos modelos da antiguidade clássica greco-romana. Revivem as formas de beleza ideal da estatuária grega. São convencionais e pouco imaginativos.
David – pintor oficial de Napoleão – foi o chefe desta escola.
A Morte de Marat / 1793 – Museu Royal de Belas Artes, Bélgica.
Os românticos, chefiados por Delacroix, reagem ao convencionalismo dos acadêmicos. São imaginativos, dramáticos, movimentados e coloristas veementes. Possuíam muitos pontos de afinidades com o barroco, pelo predomínio das faculdades emocionais sobre as intelectuais, na criação artística.
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Os futuristas pretendiam expressar e não representar a velocidade, nova beleza do mundo, criada pela técnica moderna. Para evitar a impressão de imobilidade, substituíam as imagens figurativas por planos, retas e linhas, impregnadas de dinamismo e movimento.
Um exemplo: Umberto Boccioni 1882 / 1916 , Estudo para o estado d’alma.
No abstracionismo informal as formas e cores são espontâneas e livres, criadas muitas vezes num estado de verdadeiro automatismo psíquico. Não representam as aparências da realidade, mas expressam tensões, conflitos, ritmos impregnados da vitalidade da natureza.
Um exemplo: Vassily Kandinsky 1866 / 1944 – Estudo.
No segundo período do Cubismo, a decomposição da forma se faz de maneira sumária. Esse período denomina-se Cubismo Sintético. Reaparecem as imagens visuais, as cores são mais vivas e decorativas. São predominantes as preocupações de composição, dentro porém da geometrização das formas e obedecendo a princípios renascentistas denominados ‘Número de Ouro’.
Um exemplo: Pablo Picasso – 1881
Para demonstrar as constantes e sutis alterações que a luz do sol produzia nas cores da natureza, modificando-as incessantemente, Claude Monet pintou a fachada da catedral de Rouen, em diferentes horas do dia. Os impressionistas afirmavam não ser a cor uma qualidade permanente dos objetos. Altera-se conforme o ângulo de incidência dos raios solares.
Um exemplo: Monet / 1840 – 1920, Catedral de Rouen.
Pintura pós-impressionista, em voga em França entre 1886 e 1906, e cujo pioneiro foi Georges Seurat.
Neo-Impressionismo culmina o processo de diluição das formas, que se tornam simples e irisadas vibrações luminosas e coloridas.
Um exemplo: Noite estrelada.
Na mesma linha de Salvador Dali, fusão do real com o fantástico Magritte notabiliza-se pelas qualidades técnicas do colorido expressivo e seguro desenhista. Explora o modo especial os elementos de surpresa para criar sugestões misteriosas.
Um exemplo: O Curandeiro, de René Magritte / 1898, Ismael Nery...Figuras /1926.
As manifestações do subconsciente podem ser expressadas por meio de formas abstratas, símbolos e signos, como na pintura de Miro, o mais típico surrealista abstrato. Sob muitos aspectos, o Surrealismo Abstrato confunde-se com o abstracionismo Informal, sobretudo nas formas do Tachismo e do Grafismo.
Um exemplo: Joan Miro / Travessia Poética.
Ao contrário dos Tachistas – que o fazem por meio de manchas - os grafistas expressam-se impulsivamente por meio de traços, linhas ou graficamente. Inspiram-se na caligrafia abstrata oriental, particularmente na chinesa. Exprimem tensões e ritmos vertiginosos.
Um exemplo: Jackson Pollock / 1912 – 1956, com Composição.
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