Sexta, 13 de Maio de 2005
Edição Papel
Director: Miguel Coutinho
Director Adjunto: Raul Vaz
Subdirectores: António Perez Metelo, João Morgado Fernandes e Pedro Rolo Duarte
Lisboa
13.05.05
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música
Crise emagrece galardões discográficos


nuno galopim
A Associação Fonográfica Portuguesa (AFP) alterou os parâmetros de atribuição de galardões pela venda de discos. O disco de ouro passa a ser atribuído às 10 mil unidades vendidas (eram antes 20 mil) e o disco de platina corresponde agora a 20 mil (40 mil até aqui). O disco de prata (10 mil discos) desaparece. A revisão dos valores destes galardões deve-se, naturalmente, à ostensiva queda de vendas de música gravada que se verifica nos últimos anos (mais de 40 por cento do mercado desapareceu de 2002 a esta parte, e só este ano, no primeiro trimestre, a quebra atingiu os 11 por cento).

Os antigos quantitativos correspondiam aos valores do agitado mercado de há 15 anos. Os novos reflectem, todavia, uma tendência de redução de valores que se tem espalhado pelos vários mercados europeus. A República Checa tem parâmetros iguais aos novos valores portugueses. Na Áustria um disco de ouro reflecte vendas de 15 mil unidades e a platina, 30 mil. Na Bélgica o ouro vale 25 mil e a platina 30 mil. Na Dinamarca ou Noruega a prata equivale a 20 mil e a platina a 40 mil. Na Hungria a prata traduz 10 mil unidades e a platina 30 mil, e na Grécia os mesmos galardões correspondem, respactivamente, a 10 e 40 mil discos. Em todos estes territórios também foi abolido o disco de prata. Só a Irlanda o mantém, atribuindo a "nova" prata a vendas de 5 mil discos (ouro a 7500 e platina a 15 mil).

"À semelhança do que todos os países da Europa fizeram, excepto o Reino Unido, havia sem dúvida a necessidade de adequar os galardões à nova realidade do mercado", explica Tozé Brito da Universal. "Discos de ouro e platina significam apenas o reconhecimento de que determinados álbuns se destacam dos restantes pelas suas vendas superiores à média. Quanto maior é esse destaque mais visibilidade esses álbuns têm, o que sempre estimulou o mercado. É essa, na minha opinião, a única razão de ser da existência destes galardões", explica.

Pedro Azevedo, da Som Livre, concorda que se baixe o valor dos galardões. "Raramente se atingem os mais altos", comenta. "Mas não concordo que se acabe com o disco de prata, que é por vezes um grande incentivo para os artistas novos", defende o editor. E sugere um valor na ordem dos cinco mil discos. O DN apurou que, numa assembleia geral da AFP a realizar em finais de Setembro, esta última questão poderá ser eventualmente revista.
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