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Sexta-feira, 28 de Outubro de 2005
 
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Portugal deixa fugir 19,5% dos "cérebros"
défice Entrada de estrangeiros com diplomas não colmata a saída de gente qualificada País ocupa o primeiro lugar europeu e o 21º lugar mundial  

Ivete Carneiro

Um cada cinco portugueses com qualificações superiores (universitárias ou técnicas) vive fora de Portugal, uma "fuga" que coloca o nosso país no topo do ranking europeu da perda de trabalhadores qualificados. E na desconfortável 21ª posição na "fuga de cérebros" entre as nações do mundo com mais de cinco milhões de habitantes. Uma perda que não consegue ser compensada pela entrada no território de cérebros estrangeiros e tende a piorar com os anos.

Os dados são de um grupo de economistas do Banco Mundial e constam do relatório "International Migration, Remittances and the Brain Drain", publicado esta semana. A liderar a tabela de um fenómeno que não tem apenas uma face negativa surgem a Guiana, a Jamaica ou o Haiti. Países pequenos e pobres onde a fuga de pessoas qualificadas tem proporções enormes oito jamaicanos ou haitianos em cada dez com diploma superior foram tentar a sorte longe de casa, proporção que sobe para nove em cada dez na Guiana. No conjunto da América Central, são cerca de metade dos trabalhadores qualificados que se vão embora.

O problema parece afectar mais fortemente nações de pequena dimensão, havendo países grandes em desenvolvimento como a Índia, a China ou o Brasil que acabam por perder apenas 3% a 5% dos seus súbditos mais qualificados. Apesar de serem muitos, diluídos em populações gigantescas acabam por se tornar uma percentagem residual. Já 40% dos que emigram da África subsaariana têm instrução superior.

Os destinos, como seria de esperar, estão o mundo mais desenvolvido, liderados pelo Canadá e a Austrália, seguidos dos EUA e da União Europeia. No deve e haver, Portugal acaba mesmo assim por perder. Apesar de 8,6% dos imigrantes que viviam cá em 1990 (cerca de 14.500) terem estudos graduados, a comparação com o número de portugueses instruídos que estavam no estrangeiro (mais de 78 mil) resultava num saldo negativo de 63 mil trabalhadores qualificados, um "défice de cérebros" de 1% da população activa. Dez anos depois, os imigrantes qualificados eram já 14,4% (29.800), mas a debandada portuguesa subira para 122.200 o défice de qualificação ia já nos 1,7%.

Do lado positivo da questão - cujo pior efeito é contribuir para o atraso no desenvolvimento do país de origem - está o retorno financeiro. Nos países mais pobres, cada cérebro que emigra é garantia de remessa em sentido contrário, um investimento que vai sobretudo no sentido da educação e dos orçamentos familiares. O problema está no facto de muitos dos trabalhadores qualificados não encontrarem, no país de acolhimento, um emprego à altura do diploma...
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