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SOFIA ESTER: "NAS HISTÓRIAS DE ENCANTAR A PARTE MAIS INTERESSANTE É SEMPRE A DA BRUXA"
29/03/2001 | Livros

Sofia Ester tem 22 anos e queria ser feiticeira. Por motivos de força maior, seguiu Informática e Gestão de Empresas, mas não desistiu do sonho. Em 1995, enquanto estudava para um teste de química, apareceu-lhe "Adozinda", a bruxinha boa, personagem principal da série de livros com o mesmo nome. Mas, por muito que apeteça, Sofia Ester recusa comparações com Harry Potter e J.K. Rowling. Em entrevista ao NetParque, preferiu falar do mundo mágico em que vive, onde cabem mouros encantados, Foz Côa, vassouras voadoras e "calhamaços" de informática.


Como é que surgiu a Adozinda?
A Adozinda foi publicada em 1995. Foi aí que, de certa maneira, se apresentou aos seus leitores. Surgiu porque eu queria criar uma personagem que fosse mágica. Sempre tive imenso fascínio por bruxas, muito mais até do que pelas fadas ou pelas princesas. Porque nas histórias de encantar a parte mais interessante é sempre a da bruxa, é por causa dela que as histórias acontecem. Se fosse uma história só à volta de uma princesa boa, muito simpática, não havia história, ninguém achava interessante. Sempre achei as feiticeiras extremamente interessantes e para contrariar a tendência criei uma bruxinha, a Adozinda, que tem 16 anos. É nova, é uma pessoa simpática e é uma excelente profissional.

A Adozinda apareceu enquanto estudava.
Tinha que estudar para Química e não gostava nada. Comecei a fazer alguns desenhos da personagem que viria a ser a Adozinda. Nos dias seguintes desenvolvi a história, que acabou por surgir naturalmente. Aliás, os testes sempre me têm inspirado um pouco, porque as ideias para alguns dos capítulos deste último livro, a "Adozinda, A Faculdade de Ciências Ocultas", apareceram quando eu tive que estudar para algumas disciplinas do curso que não me agradavam tanto.

Quer dizer que se abstrai completamente e a Adozinda aparece por artes mágicas?
Não é abstrair. Quando estava a estudar para Química, tinha a noção de que tinha que estudar, tinha a noção do dever. Agora, na "Adozinda, A Faculdade de Ciências Ocultas", no que se refere aos capítulos em que as ideias surgiram enquanto eu estava a estudar, eu tinha a noção do dever, até uma certa noção de culpa. Sabia que devia estar a estudar e não a dedicar-me a outras actividades. É nestas alturas, quando temos um livro inteiro para fixar ou 50 exercícios para resolver, que mais sinto a falta de um bocadinho de magia, que me ajude a perceber aquilo tudo e a decorar aquilo tudo num instante.

A sua primeira ambição profissional era ser feiticeira, defende as feiticeiras com unhas e dentes, diz que sempre foram injustiçadas" E escreveu um livro sobre uma feiticeira. É muito marcada pelo universo mágico?
Eu sempre gostei imenso de magia. Já desde pequenina que adorava aquelas histórias sobre feiticeiras, todos os contos e lendas, especialmente as lendas portuguesas em que aparecem muito os mouros encantados. Neste último livro também resolvi introduzir um mouro encantado. Sempre gostei de tudo o que estivesse relacionado com magia. Mas o meu ambiente, pelo menos o ambiente em minha casa não é nada mágico, a minha mãe é uma pessoa muito terra-a-terra, e, no geral, na minha família as pessoas são todas muito realistas, não se deixam levar por fantasias. Talvez o meu pai seja a pessoa que ainda goste, um bocadinho mais, de magia. Eu adoro.

Qual foi o primeiro contacto com o mundo mágico?
Os desenhos animados são muito mágicos. Desde pequenina que uma pessoa vê televisão e depara-se com situações que não podiam, de maneira nenhuma, ser verdade. Falo de pessoas a voar, a cair de uma altura enorme e que mesmo assim conseguem sobreviver, chegam cá abaixo perfeitamente bem. O primeiro contacto com a magia no mundo literário, creio que foi com as lendas portuguesas. Lá em casa tínhamos vários volumes, uma compilação das muitas lendas portuguesas, com várias histórias pequeninas.

É a autora das ilustrações. A Adozinda foi desenhada à sua imagem?
Não, é coincidência. Já algumas pessoas me perguntaram o mesmo. São só umas parecenças entre eu própria e a Adozinda. Eu também gostava de ser feiticeira.

Mas gostava mesmo de ser feiticeira?
Gostava mesmo. Gostava mesmo muito de poder ser feiticeira, de voar de vassouras, de fazer feitiços. Se calhar todos nós gostávamos de ter poderes sobrenaturais. Tive que me ficar pela informática e gestão de empresas e, de vez em quando, também conseguimos fazer umas coisas nos computadores que parecem mesmo magia. Outras vezes, quando emperram, parece que é necessário magia para que comecem a funcionar outra vez.

A informática e a magia são mundos parecidos?
Não, são coisas diferentes. Mas, se pensarmos na biblioteca de um feiticeiro, há alguns pontos em comum. Isto porque quando imaginamos a biblioteca de um feiticeiro pensamos em livros enormes, muito grossos, em fileiras extensas. Na informática é semelhante. Para cada linguagem que temos de aprender há sempre livros enormes que ensinam as linguagens de programação ou como se trabalha com determinado programa. Outra semelhança: nos feitiços diz-se uma palavra e acontece uma magia, eu ponho qualquer coisa no teclado e é suposto acontecer alguma coisa no écran.

Escreveu o primeiro livro aos 15 anos, o que não é comum. Como é que criou os personagens, estruturou a história, elaborou o livro?
Não foi nada de invulgar. Dizem sempre que as crianças têm imensa capacidade de imaginação. Eu já tenho ido a escolas falar com crianças e apercebo-me que têm, de facto, uma imensa capacidade de imaginação. Depois é uma questão de passar ao papel e acaba-se por ter uma história. Se todas aprendem a escrever na primária, pode-se considerar que, acabada a primária, todas elas têm a possibilidade de escrever um livro. É preciso esforço.

No seu caso, como é que foi?
Foi um processo completamente desorganizado. Normalmente, quando tenho a ideia de escrever um livro começo a pensar e, por vezes, a ideia vem quase sem dar por isso, não sei como, mas as coisas surgem. Depois, é preciso a pessoa ser persistente, começar a escrever o livro e levá-lo até ao fim. Talvez por isso as crianças não escrevam tantos livros, porque as crianças gostam de coisas muito imediatas e não têm paciência para escrever um livro, dedicarem-se e levarem até ao fim. Também depende dos miúdos porque qualquer pessoa, desde que tenha uma ideia, vontade e queira começar, acaba por conseguir escrever um livro. Não é nada do outro mundo.

Transporta temas da actualidade para as suas histórias?
Muitas vezes, sim. Eu preciso desesperadamente das pessoas. Os meus livros costumam ter duas partes " uma imaginária, que passa pela imaginação, por aquilo que não é real. Para a outra inspiro-me nas pessoas que estão à minha volta e em situações que já vivi ou que elas já viveram. Por exemplo, na "Adozinda" fala-se muito de problemas do ambiente, problemas dos estudantes, problemas de falta de emprego. No segundo livro, "Adozinda e Zulmira, A Magia da Adolescência", há uma fase que se passa em Foz Côa, porque eu tinha estado a ver alguns documentários sobre o assunto.

Os livros da Adozinda têm várias edições e têm sido um verdadeiro sucesso. Qual é a explicação?
Isso é muito difícil de explicar, porque se nós soubéssemos exactamente qual é a fórmula para se poder chegar a um top de vendas" Quando acabei o primeiro livro, "A Adozinda" achei que devia fazer alguma coisa com o meu texto, contactei todas as editoras que estavam nas Páginas Amarelas. Muitas não responderam, outras disseram que não estava dentro da óptica do que costumavam publicar. Finalmente, houve uma que respondeu e a Adozinda acabou por ser publicada. Parece que alguns leitores gostaram do livro porque já vai na sexta edição. Felizmente para a editora, dado que o investimento assim foi compensado, já que os livros são um investimento bastante pesado para uma empresa. Foi assim. Entretanto continuou-se, os outros livros apareceram, a "Adozinda e Zulmira, Magia da Adolescência" e a "Adozinda, A faculdade de Ciências Ocultas". Só quando achei que tinha algo de concreto para escrever é que comecei realmente a escrever. Propus à editora e eles aceitaram.


Texto:Joana Santos Moreira
Fotos:Pedro Santa-Bárbara
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