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Nove casos históricos
Alguns dos maiores escândalos da história do ciclismo
14.08.2006  Por Duarte Ladeiras
 
Luis Tejido/EFE/AP
Tyler Hamilton

Quando Tom Simpson morreu em plena Volta à França de 1967, já o ciclismo estava dominado pelo doping, nomeadamente pelos estimulantes, como atestam as duas desclassificações de Joaquim Agostinho na Volta a Portugal. A indústria farmacêutica evoluiu e as técnicas de dopagem também. O escândalo Festina, em 1998, deu novo alerta e foi decisivo para que o mundo desportivo parece de fingir que nada se passava, mas, mesmo assim, o ciclismo resistiu em se renegerar.

 

Tom Simpson/Knut Jensen (1967 e 1970)

O Tour registou em 1967 o seu primeiro momento negro relacionado com doping quando o britânico Tom Simpson morreu no Mont Ventoux, a montanha mais mítica da prova, porque as anfetaminas que tomara o impediram de perceber que o seu corpo não aguentava o esforço e calor excessivos. Três anos depois faleceu o dinamarquês Knut Jensen, em plenos Jogos Olímpicos de Roma, devido a uma mistura de anfetaminas, vasodilatadores e cafeína.

Joaquim Agostinho (1969 e 1973)

O sportinguista foi o português que melhores resultados obteve no Tour nos 15 anos que disputou a prova francesa. Mas foi em Portugal que conseguiu os seus principais títulos, destacando-se as três vitórias consecutivas na Volta, entre 1970 e 1972. E só não ganhou cinco consecutivas porque foi desclassificado em 1969 e 1973, por doping, registos que actualmente o levariam a ser banido do ciclismo.

Festina (1998)

O Tour de 1998 estava prestes a começar quando a polícia francesa deteve, na fronteira franco-belga, o massagista da equipa Festina, Willy Voet, na posse de 40 embalagens de produtos dopantes. Os interrogatórios realizados a Voet, aos dirigentes e ciclistas da Festina permitiram perceber que a dopagem era prática generalizada na formação. A investigação judicial atingiu outras equipas e levou a França a adoptar uma legislação pioneira.

Giro (2001)

Na madrugada de um dia de descanso na Volta à Itália, 200 Carabinieri realizaram uma mega-rusga aos quartos de hotel dos ciclistas, às caravanas das equipas e até a automóveis de familiares. Apreenderam 300 embalagens de dopantes, entre os quais um fármaco que ainda nem sequer estava à venda no mercado e outro que não tinha sido rejeitado pelas autoridades de saúde. Dez ciclistas acabariam por ir a julgamento.

Marco Pantani (2004)

As memoráveis vitórias do “Pirata” no Tour e no Giro de 1998 logo foram esquecidas quando o ciclista italiano entrou numa espiral de auto-destruição. Expulso do Giro de 1999 por ter apresentado valores sanguíneos irregulares, Pantani viu-se envolvido noutras acusações de doping e processos judiciais. Viciou-se em estupefacientes e morreria em 2004, vítima de uma paragem cardíaca causada por uma mistura de cocaína e antidepressivos.

Tyler Hamilton (2004)

Pedalava pela Phonak quando, na Volta à Espanha de 2004, um controlo detectou vestígios de uma transfusão sanguínea. Resultado idêntico ao registado um mês antes, nos Jogos Olímpicos de Atenas, altura em que Hamilton, que ganhou a medalha de ouro no contra-relógio, não fora desclassificado porque um erro no laboratório inviabilizou a contra-análise. O norte-americano está agora referenciado como cliente do esquema de dopagem do médico espanhol Eufemiano Fuentes.

Roberto Heras (2004)

Na penúltima etapa da Volta à Espanha 2004, um contrarelógio individual, Heras teve um desempenho magnífico, do nível dos especialistas neste tipo de tiradas. O espanhol parecia assim assegurar a sua quarta vitória na prova, mas o controlo antidoping efectuado no final da etapa detectou-lhe eritropoietina e foi desclassificado. Terá sido também cliente da rede dopagem montada por Fuentes e desmantelada pela “Operação Puerto”.

“Operación Puerto” (2006)

Com a colaboração de Jesus Manzano, ciclista arrependido, a Guarda Civil espanhola desmantelou no início desta época uma rede de dopagem comandada pelo médico espanhol Eufemiano Fuentes cujos “tratamentos” terão sido administrados a 58 ciclistas profissionais, entre os quais alguns dos nomes mais importantes da modalidade, como Jan Ullrich e Ivan Basso, dois dos nove corredores que depois foram impedidos de participar no Tour deste ano.

Floyd Landis (2006)

Depois da Operación Puerto, o pelotão da Volta à França parecia finalmente limpo e pronto para reconquistar a credibilidade. Landis parecia fora da corrida pela vitória, depois de uma etapa sofrível nos Alpes, mas no dia seguinte “renasceu” e recolocou-se na luta pelo triunfo, confirmado num bom contra-relógio dois dias depois. Um esforço épico que afinal terá tido uma ajuda externa: testosterona sintética.

 
Doping: o longo suicídio do ciclismo
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