Política

Cabo de fibra óptica melhora a Internet

Bernardino Manje - 30 de Junho, 2012

Ministro de Estado e da Coordenação Económica Manuel Vicente recebe explicações sobre o projecto localizado em Cabo Ledo

Fotografia: Mota Ambrósio

O mercado angolano está agora melhor servido em termos de ligações de telecomunicações internacionais, com a inauguração, ontem, pelo ministro de Estado e da Coordenação Económica, Manuel Vicente, da Estação de Cabo Submarino de Sangano, localizado em Cabo Ledo, arredores de Luanda.
A estação e a instalação do cabo submarino de fibra óptica ficaram orçadas em 650 milhões de dólares e garantem melhores condições de acessibilidade às tecnologias de informação e comunicação, com destaque para a Internet. O cabo, que começou a ser testado em Maio deste ano, parte da África do Sul e atinge Portugal, onde se liga a um outro já existente para atingir Londres. O mesmo atravessa 11 países africanos e três europeus, numa extensão de 14.500 quilómetros.
O ministro de Estado e da Coordenação Económica, Manuel Vicente, que inaugurou a infra-estrutura, defendeu que, num mundo cada vez mais globalizado, se torna importante investir nas tecnologias de ponta. Para Manuel Vicente, a inauguração da Estação de Cabo Submarino de Sangano é uma demonstração de que Angola está a entrar na “corrida tecnológica” de forma firme e decidida.
“Com esta via, vamos dotar Angola e os angolanos de uma infra-estrutura de telecomunicações de alta capacidade”, afirmou o ministro de Estado, que disse que se trata de um projecto de pouca visibilidade – pois o cabo é instalado nas profundezas do mar – mas que promove grandes mudanças na vida do país e dos seus cidadãos.
Manuel Vicente perspectivou que, nos próximos anos, a elevada capacidade de transmissão de dados desse sistema permite melhorar todas as comunicações, incluindo a Internet e a telefonia móvel e fixa, para além da implantação da televisão digital em Angola. “Este projecto representa uma verdadeira revolução na qualidade de imagem e na transmissão de dados entre Angola e o mundo e – o que é mais importante – uma revolução acessível a todos”, acrescentou.
Manuel Vicente afirmou que tudo isso só é possível graças à união de esforços e de recursos entre o Executivo, através da Angola Cables, e de algumas empresas privadas, as operadoras do sistema. Essa união, sublinhou, “é mais um exemplo de como as parcerias estratégicas entre o sector público e privado são possíveis, viáveis e desejáveis, para acelerar ainda mais o desenvolvimento do nosso país”.
O ministro de Estado e da Coordenação Económica informou que o Executivo está a trabalhar na criação de instrumentos legais que garantam a segurança jurídica e institucional necessária para que as empresas privadas, nacionais ou estrangeiras, celebrem no país parcerias e realizem os seus investimentos de médio e longo prazo.


A Estação de Cabo Submarino de Sangano é gerida pela empresa Angola Cables, um operador de telecomunicações. A empresa, criada em 2009, tem como accionistas os principais operadores de telecomunicações nacionais, como a Angola Telecom, com 51 por cento, a Unitel, com 31, Mstelecom, com nove, Movicel, com seis e a Startel, com três.O ministro Manuel Vicente aproveitou o momento para exortar todos os angolanos a terem fé no futuro do país.
E deu alguns exemplos: “o Estado, ao construir cabos submarinos de fibra óptica, está a levar a Internet às crianças nas escolas públicas; ao explorar as suas reservas de petróleo e outros minerais, diversifica a economia; e ao construir centrais hidroeléctricas melhora o fornecimento de energia, além de estar também empenhado na construção de habitações sociais em todo o território nacional”.
José Carvalho da Rocha, ministro das Telecomunicações e Tecnologias de Informação, considerou que com a inauguração da Estação de Cabo Submarino de Sangano se dá um passo importante rumo à estratégia de acesso aos cabos submarinos, aprovada pelo titular do Poder Executivo, o Presidente José Eduardo dos Santos.
O ministro agradeceu aos accionistas por terem respondido com rapidez ao chamamento do Executivo para que, em conjunto, fosse materializado o projecto de instalação do cabo de fibra óptica. Os agradecimentos foram extensivos à equipa económica do Executivo e a todas as pessoas que tornaram possível a materialização do projecto.
José Carvalho da Rocha defendeu que se trabalhe no mesmo caminho, pois, revelou, ainda existem outras acções e projectos a serem desenvolvidos.

Vantagens


O presidente do conselho de administração da Angola Telecom, Feliciano António, disse que a infra-estrutura inaugurada permite que Angola esteja na vanguarda das telecomunicações e das tecnologias de informação e comunicação (TIC) para África e resto do mundo.  Para o país, esclareceu, as vantagens são de que se passa a ter agora maior acessibilidade às TIC, maior disponibilidade em termos de largura de banda para acesso aos serviços de dados, nomeadamente a Internet.Feliciano António, que também é o presidente da mesa da assembleia-geral da Angola Cables, afirmou ainda que os angolanos têm maiores oportunidades de usufruir das auto-estradas da informação e do conhecimento.
O PCA da maior accionista da Angola Cables disse acreditar que os preços também podem diminuir: “se passarmos a ter oportunidade de oferecer mais e melhores serviços, temos também oportunidade de poder praticar tarifas mais baixas, permitindo que uma maior quantidade de angolanos possam ter acesso aos serviços de ponta. Assim, estamos também a contribuir para a diminuição da info-exclusão no país”.

Estratégia

Amílcar Safeca, administrador da Unitel, considerou que a instalação do cabo de fibra óptica é um instrumento importante para o país e está enquadrada na estratégia do Executivo de desenvolvimento das telecomunicações.
O investimento, disse, permite melhores comunicações internacionais, nomeadamente ao nível do acesso à Internet. “As empresas e pessoas utilizam, cada vez mais, a Internet e essa ligação internacional vai permitir que Angola passe a ter uma capacidade maior de acesso à Internet”, afirmou. Dados avançados pela Angola Cables dão a conhecer que o país tem mais de 11 milhões de utilizadores de telefonia móvel, cerca de 200 mil utilizadores da rede fixa e quase um milhão de utilizadores da Internet.
Para o ensaio do equipamento inaugurado ontem, a Angola Cables organizou um momento cultural em que  Bonga cantou, a partir de Lisboa, algumas das suas músicas, entrando em conexão com a Banda Maravilha, que a partir de Cabo Ledo o acompanhou.