Publicidade
Diário de Notícias Diário de Notícias


Memória (Vídeo)

Adriano Correia de Oliveira morreu há 30 anos

por Lusa, publicado por Luís Manuel Cabral  

Em 1975, Adriano Correia de Oliveira é eleito Artista do Ano, pela revista britânica Music Week
Em 1975, Adriano Correia de Oliveira é eleito Artista do Ano, pela revista britânica Music Week

O cantautor Adriano Correia de Oliveira morreu, completam-se hoje 30 anos, tendo deixado um legado a que sucessivas gerações de músicos reconhecem a influência.

Rogério Charraz, que este ano editou o álbum de estreia, "Chave", afirmou à Lusa que ouviu muito os cantautores portugueses, "especialmente Adriano Correia de Oliveira". "De uma forma ou de outra, a sua música influenciou-me", atestou.

Adriano Correia de Oliveira morreu no dia 16 de outubro de 1982, em Avintes, arredores de Vila Nova de Gaia, onde fez então instrução primária e se estreou no teatro amador, na União Académica do Porto, que ajudou a fundar.

O músico, "um homenzarrão barbado, mas com olhar cândido", como o descreveu o escritor Manuel da Fonseca numa entrevista, destacou-se pela interpretação de baladas, assumindo uma postura politicamente intervencionista de crítica ao regime deposto no 25 de Abril de 1974.

Foi em Coimbra, quando entrou aos 17 anos para a Faculdade de Direito da respetiva Universidade, que Adriano começou a contactar com nomes da música como José Afonso, António Portugal, Rui Pato e José Niza.

Em Coimbra, participou em várias organizações estudantis, foi solista do Grupo Universitário de Danças Regionais no Círculo de Iniciação Teatral da Academia de Coimbra (CITAC), e guitarrista do conjunto ligeiro da Tuna Académica.

Em 1960 publicou o primeiro disco, o EP "Noite de Coimbra", a que se seguiu o álbum "Fados de Coimbra", em 1963, em que optou por musicar poemas de outros autores, designadamente, António Cabral, António Ferreira Guedes e Urbano Tavares Rodrigues.

Quatro anos depois, editou um álbum em nome próprio. Foi em 1967 que deixou Coimbra e partiu para Lisboa, onde trabalhou no gabinete de imprensa da Feira Internacional de Lisboa.

Entre 1968 e 1971, editou uma trilogia dedicada à poesia de Manuel Alegre, com os álbuns "O Canto e as Armas", "Cantaremos" e "Gente d'Aqui e de Agora".

Adriano assumiu-se um cantor "politicamente comprometido" e muitas das canções destes álbuns são entoadas em reuniões da oposição clandestina ao regime político, como "O Senhor Morgado", "Cantar de Emigração" e "Como hei de amar serenamente".

Manuel da Fonseca, falecido há 19 anos, de quem Adriano cantou, entre outros, os poemas "Tu e eu meu amor" e "Tejo que levas as águas", numa entrevista referiu-se ao cantor da seguinte forma: "Era uma voz por onde, naturalmente, escorria a música e a poesia".

Recusando-se a submeter à Comissão de Censura os seus originais, Adriano Correia de Oliveira, durante quatro anos, não gravou, surgindo um novo álbum, "Que nunca mais", só em 1975, que lhe valeu o título de Artista do Ano, pela revista britânica Music Week.

Militante do Partido Comunista Português, Correia de Oliveira participou ativamente nas campanhas de alfabetização, após a Revolução de Abril e, em 1979, foi um dos fundadores da cooperativa Cantabril de que faziam parte, entre outros, José Afonso, Luísa Basto e Luís Cília, acabando mais tarde por abandonar esta estrutura, em rota de colisão com a direção.

Editou ainda os álbuns "Cantigas Portuguesas" (1980) e "Canção do Linho" (1983), fez concertos de Norte a Sul do país, sempre politicamente empenhado.

Aos 40 anos morreu vítima de uma hemorragia no esófago.

Adriano Coreia de Oliveira foi "politicamente empenhado em prol dos outros, porque generoso e solidário, e um homem de coragem", afirmou Manuel da Fonseca.

Ao seu nome são indissociáveis temas como "Trova do vento que passa", "O canto e as armas", "Tu e eu meu amor", "Cantar de Emigração", "Canção com lágrimas" ou "Barcas novas".

A discográfica Movieplay Portuguesa, detentora da extinta etiqueta Orpheu, editou, em 2001, a obra completa de Adriano Correia de Oliveira em sete CD, acompanhada por um livro com as letras e poemas que foram musicados por si.

Artigo Parcial

Patrocínio
 
1429Visualizações
0Impressões
13Comentários
0Envios
Ferramentas

Enviar por EmailEnviar por EmailPartilharPartilhar
ImprimirImprimir
Aumentar TextoAumentar TextoDiminuir TextoDiminuir Texto

FERRAMENTAS
 
  • Enviar por EmailEnviar
  • PartilharPartilhar
  • ImprimirImprimir
  • Comentar este ArtigoComentar este Artigo
  • Aumentar TextoAumentar Texto
  • Diminuir TextoDiminuir Texto
 
PARTILHAR NOTíCIA
 
Comentar

Caracteres disponíveis: 750

Receber alerta de resposta Aparecer como Anónimo
Lembrar dados pessoais
  • Comentar

Nota: Os comentários deste site são publicados sem edição prévia e são da exclusiva responsabilidade dos seus autores. Consulte a Conduta do Utilizador, prevista nos Termos de Uso e Política de Privacidade. O DN reserva-se ao direito de apagar os comentários que não cumpram estas regras. Receber alerta de resposta - será enviado um alerta para o seu e-mail sempre que houver uma resposta ao seu comentário. Aparecer como anónimo - os dados (nome e-mail) são ocultados. Os comentários podem demorar alguns segundos para ficarem disponíveis no site.

Se tem conta, faça Login

Nome do utilizador

Password

Legenda

Utilizador RegistadoUtilizador Registado    Utilizador Não RegistadoUtilizador Não Registado




Especiais

Recuar
Avançar
PUBLICIDADE

Vamos premiar os bons professores
Provedor do Leitor
Leia aqui o blogue do Provedor do Leitor
Epaper
Blogue Fora de Estúdio
Blogue Sessões Contínuas


PATROCÍNIO
sondagem

Inquérito DN

Deputados têm obrigação de atenuar Orçamento de Gaspar?

Sim
Não
Votar  Ver Resultados




DN

Revistas de Imprensa

Revistas de Imprensa

Portugal

Grande Entrevista

Grande Entrevista

Desporto

Todas as notícias

Todas as notícias