Pacheco Pereira vai gerir Serralves. Sem receber nada

José Pacheco Pereira é historiador e comentador político

Feroz crítico da liderança do PSD, Pacheco Pereira e a ex-ministra da Cultura socialista Isabel Pires de Lima foram nomeados pelo governo para administradores de Serralves

A polémica sobre a continuidade de Pacheco Pereira como militante do PSD ameaça ganhar novo fôlego com a sua nomeação governamental, ontem, para administrador da Fundação de Serralves. Não remunerado, como o próprio fez questão de revelar a título de "aviso".

Escolhido juntamente com a ex-ministra da Cultura Isabel Pires de Lima pelo agora titular da pasta, João Soares, o historiador e comentador político - feroz crítico da atual direção de Pedro Passos Coelho e do governo PSD-CDS - antecipou-se ao deixar uma mensagem no seu blogue, Abrupto, como "aviso" prévio para que "não se ignore" quando fosse dada "a notícia".

"Face ao convite que me foi feito para a Administração de Serralves, devo dizer que só aceitei por ser um lugar não remunerado e sem qualquer prebenda, condição que coloquei ao convidante. Faço parte igualmente de um Conselho de Patronos do Museu Vieira da Silva-Arpad Szenes, do Conselho Consultivo do Museu do Aljube, e do Conselho Geral da Universidade do Porto", explicou Pacheco Pereira, salientando que desempenha todos esses cargos "sem qualquer remuneração" - leia-se pro bono, uma prática comum do anterior executivo e apresentada como exemplo de poupanças ao Estado.

O Ministério da Cultura, em comunicado, realçou ontem que a escolha dos dois administradores, que cabe ao governo designar, recaiu em "intelectuais portuenses de reconhecido mérito". A informação foi dada um dia após a reunião em que João Soares informou o presidente cessante da fundação, Luís Braga da Cruz, dessa decisão.

O ministro, lembrando que lhe cabe "a competência própria para escolher e nomear dois membros do conselho de administração" daquela instituição sediada no Porto, disse ainda ter proposto realizar aí a primeira exposição dos quadros de Joan Miró, na posse do Estado desde a nacionalização do BPN.

O texto que Pacheco Pereira escreveu ontem no seu blogue foi o segundo da série "Aviso a tempo por causa do tempo", a que acrescentou a nota "mais um, mas os tempos são o que são..."

O primeiro surgiu no passado dia 5 e por causa da sua futura participação em debates e colóquios das candidaturas presidenciais de esquerda de Sampaio da Nóvoa e de Marisa Matias - o primeiro, organizado pela eurodeputada bloquista no Museu do Design e da Moda, no sábado.

Isso motivou o convite à sua saída do PSD por parte do deputado Duarte Marques, apesar de o historiador ter explicitado que "para já" não apoiava qualquer das candidaturas existentes. "Pacheco Pereira passa a vida a criticar o PSD e muitas vezes injustamente", ao ponto de "a única coerência que tem é ser contra o PSD e a favor da esquerda", criticou Duarte Marques, acrescentando: "Às vezes, quando a raiva nos colhe a inteligência e a visão da realidade, devemos ser os primeiros a perceber. Ele devia sair."

Duarte Marques disse que "jamais defenderia a expulsão de Pacheco Pereira por delito de opinião, porque isso é o que fazem os partidos que ele agora apoia". Ontem, escusou-se a falar do caso ao DN.

Em Peniche, Pacheco Pereira respondeu: "Normalmente, a silly season é no mês de agosto. Deve ser por causa das alterações climáticas, a silly season estendeu-se até ao mês de dezembro e, portanto, não tenho mais nada a dizer sobre isso."

Para o ex-ministro social-democrata Ângelo Correia, "Pacheco Pereira deseja ser provocado e ser mártir. A vontade dele é manter-se no PSD e esperar que o partido lhe aplique alguma sanção."

Últimas notícias

Mais popular

Pub
Pub