Segunda-feira, Julho 18, 2005

Tantos milhões ... de ignorantes



Hoje estão de volta as questões políticas. Há no comportamento da classe política dirigente padrões de comportamento que mais parece remontarem a tempos bem antigos. É disso que quero falar hoje, embora motivada por uma situação concreta: o recente anúncio governamental do PIIP. O que é o PIIP, perguntarão alguns de vocês. O PIIP, respondo eu, é o Programa de Investimentos em Infra-estruturas Prioritárias, no qual o governo garante que serão disponbilizados 25 mil milhões de euros para construção de... infra-estruturas prioritárias, pois então.

Quais são as grandes obras emblemáticas deste programa? Na boa tradição nacional da grande obra pública, as meninas dos olhos do programa são nada mais nada menos que um novo aeroporto (dito) de Lisboa – a construir na Ota, não se percebendo por isso porque se diz que é de Lisboa, e o TGV.

Que padrões comportamentais se exibem neste programa e que remontam a tempos bem antigos? O mais óbvio é o do recurso à obra faraónica, gigantesca em dimensão e em custo, a título do progresso que tal representa para o país e do avanço que trará para a economia. Temos exemplos recentes, do recurso a tais obras, em abundância, das quais cito apenas duas: o Euro 2004 e a famosa barragem de Alqueva. Sobre o Euro, e apesar do indesmentível sucesso, e da muita discussão que na altura mereceu, quero ressaltar o exemplo do próximo, organizado em conjunto pela Áustria e pela Suiça, que como se sabe são países bem mais pobrezinhos que o nosso. Pois estes pobretanas, em lugar dos nossos 10 estádios, 6 dos quais novinhos em folha, vão usar apenas 8, dos quais só 2 são novos. Sobre Alqueva, seria interessante que os decisores da construção do projecto nos fossem dando conta do mirífico lugar onde foram parar as inúmeras vantagens que lhe eram então apontadas, quer em termos de empregos a criar para o deprimido Alentejo, quer em termos do desenvolvimento da agricultura, ou mesmo num aspecto bem mais simples: o abastecimento de água ao Alentejo. Alguém tem visto estes benefícios?

É com estes antecedentes que, confesso, o anúncio do PIIP me levanta as maiores reservas. Se começarmos pelo novo aeroporto, há uma enorme falta de esclarecimento sobre o assunto. Podíamos começar pelo que se diz em relação ao limite de tráfego do aeroporto existente. Já vi escritas as coisas mais divergentes. Há quem diga que estará saturado em 2015, há quem diga que não. Nunca vi nenhum membro do governo, deste ou do anterior, referir esses números e apontar as previsões de crescimento do tráfego, justificando a morte anunciada do aeroporto existente. Podíamos, depois, continuar com a discussão sobre a localização do novo aeroporto. O argumento principal para a construção é a tal capacidade do aeroporto em suportar o tráfego esperado. Um investimento desta dimensão não pode fazer-se de 15 em 15 ou de 20 em 20 anos. Apesar disso, inúmeras vozes têm dito que a capacidade de crescimento da Ota é muitissimo limitada, porque é um espaço limitado rodeado de elevações, o que impedirá a expansão do aeroporto. O que diz o governo a isto? Nada. Anunciou, no tom parangónico que se usa em todos estes anúncios de dinheiro a rodos, a decisão de construir na Ota. Porquê? Porque sim, porque se decidiu e quem é eleito está lá para decidir. Aos contribuintes, de cujo bolso sairá uma parte importante do investimento, nada é necessário dizer, porque decidiu quem tinha que decidir. Não importa explicar o que esteve na base da decisão, quais foram os estudos, porque é bom o investimento na Ota, porque é melhor construir na Ota do que noutro lado qualquer da margem sul, apesar das vozes autorizadas de múltiplos académicos a defenderem o contrário.

Podiamos fazer o mesmo tipo de raciocínio em relação ao TGV. Não se sabe qual a escolha do governo, quais as linhas que irão ser incluídas, inclusivé que sustentabilidade se pode prever para essas linhas, porque foram essas e não outras, ou que papel fica reservado para o tráfego de mercadorias no projecto, algo que muitos especialistas apontam como muito mais importante, até, que o tráfego de passageiros.

O que se conclui de tudo isto? Que o governo já tomou decisões de enorme importância para o país, que vão consumir vastíssimos recursos dos poucos que o país tem, sem que se tenha preocupado em esclarecer os pagantes desse esforço, e sem nos dar conta das razões das opções tomadas.

Esta falta de esclarecimento é razão de preocupação. O passado recente não abona nada de bom em relação à bondade das decisões governamentais deste tipo, pelo que só podemos desconfiar. Mas o que revolta ainda mais é que quando são sistemáticos os apelos à participação dos cidadãos na vida pública, quando se repetem os apelos para a aproximação de eleitos e eleitores, o que se faz é colocar esses mesmos eleitos no papel de meros pagantes, sem terem sequer direito a saber porque é que quem decide sobre o nosso futuro toma as decisões que toma. Isto tem um ar muito demodé. Aliás não vejo comportamento mais salazarista que este – a elite dirigente dirige, e os dirigidos, esses podem ser mantidos na mais completa ignorância, coisa que se calhar até merece o nosso agradecimento, dadas as preocupações a que somos poupados! Será?

Pelo meu lado, sinto que esta falta de justificação do que é importante é um dos piores males da actual classe política e um dos mais claros sintomas do nosso sub-desenvolvimento. Há quem diga que temos os líderes que merecemos, mas eu ainda acho que merecemos melhor que isto...


Segunda-feira, Julho 11, 2005

A Mãe Natureza e as crianças



Olá amigos,

Mais uma vez eu cá estou para vos falar de um tema que acho bastante importante, e tão desprezado pela maioria dos pais. Qual de vós, que seja pai ou mãe,decidiu levar os filhos a tomar conhecimento do que é, e de como nasce a vida no lindo planeta Terra?
Quantas crianças já assistiram ao nascimento de um animal, por insignificante que ele seja, sei lá, um passarinho um pintainho? Lembro-me de ter visto alguns spots publicitários da quinta das celebridades, e vi homens e mulheres, alguns deles já com uma idade considerável, a ficarem de cara esparramada perante o nascimento de um animal. Um deles chegou a tentar dar respiração boca a boca a um pinto. Valha-me Deus!

Não percebo muito bem como pode uma pessoa tornar-se adulta sem saber como nascem os animais e qual a função deles na Terra e como proteger a natureza . Já ensinaram os pais às crianças donde vem o pão e o que é preciso para ele chegar á nossa mesa , ou como surgem as simples batatas fritas? Às vezes questiono-me se mesmo os pais saberão!

É muito fácil principalmente para uma certa "élite" de pais com dinheiro suficiênte, mimar as suas crianças com filmes, onde a realidade não é apresentada como acontece na natureza, é principalmente a esses a quem me refiro. É fácil, deixar as crianças a ver televisão horas a fio, a ver alguns dos muitos filmes em DVD,outros em estreia nas salas de cinema, ou então deixa-los a jogar horas e horas na consola ou no computador, dar-lhes brinquedos sofisticados, tudo, ou quase tudo o que o dinheiro pode comprar. Mas há coisas que não se compram com dinheiro. A educação em conhecimentos básicos, naquilo que a natureza é, naquilo que de maravilhoso ela nos dá, tem de partir dos pais. Essa educação para com a maravilhosa Natureza só pode ter efeitos positivos em termos de proximidade das crianças face às questões ambientais e de preservação do meio ambiente.
Por mim, penso que, em lugar das férias no Estrangeiro, em praias concerteza bonitas, mas na maioria das vezes sobrelotadas, férias das quais se vem muitas vezes mais cansado do que o que se vai, há hoje a oportunidade de fazer turismo rural ou de habitação, em lugares de verdadeiro descanso, paradisíacos, e onde adultos e crianças podem ter o contacto com a Natureza que cada vez mais falta a todos, já experimentaram no lugar do tostado do sol vir de férias com um rosado saúdavel e um ar tranquilo que só a mãe natureza sabe colocar nas nossas faces?


Para isso é importante dar conhecimento às nossas crianças e pô-las em contacto com a natureza, se isso acontecer talvez daqui a uns anos não hajam tantos animais abandonados e cada um faça tudo para proteger a floresta, mas isto é um trabalho dos pais . Por isso, caros amigos, pensem no contributo que cada um de vós pode dar aos vossos filhos para aumentar esse conhecimento. E, se tiverem oportundidade, façam uns dias de férias de turismo rural. Acreditem que vão gostar!

Um abraço e boa semana para todos.


Segunda-feira, Julho 04, 2005

Quem ganhou com isto...



Em nome de um progresso que não se vislumbra, destruíram o coração da minha cidade. A minha cidade era verdejante e arejada. Hoje está um transformada em blocos de cimento e vias rápidas.
A avenida onde moro era linda, uma obra imponente mandada fazer pelo comendador Santos da Cunha, na altura presidente da câmara. Era uma avenida enorme, cheia de árvores. Desde a Primavera até finais do Outono milhares de pássaros aí pernoitavam nessas frondosas árvores.
A avenida central foi transformada em mais uma via rápida. As roseiras que existiam no meio desapareceram, para dar lugar a umas tristes listas brancas. O mesmo aconteceu às tílias. O coração da cidade foi retalhado, e o belo jardim que nela existia levou o mesmo caminho do chafariz em pedra antiga - desapareceram ambos, embora haja quem diga que o chafariz está no palácio D. Xika, que se diz, à boca pequena, ser de um dos donos da "nova" cidade. Em lugar do lindo chafariz que existia anteriormente, colocaram 3 fontes luminosas. O solo, que até então era relvado, ficou em cimento. Nos dias de calor é insuportável estar lá, nos dias de vento só se passa de guarda chuva, para que os passantes se protejam da água vinda das fontes.

O peito da cidade foi esburado, para mais um parque, mais um túnel, mais um parque, mais um túnel. Nas escavações de tanto túnel e tanto parque subterrâneo, descobriram importantes vestígios romanos, muitos dos quais desapareceram misteriosamente. Alguns resistiram à mão larápia e foram parar à Sé: pias funerárias, alguns fontanários ou loiças. O que escapou ao controlo dos arqueólogos, não mais se viu.

Um exemplo de boa conservação foi o que fez o dono da casa das frigideiras do cantinho. Aquando das obras de restauração encontraram-se vestígios da Bracara Augusta, que foram preservados e que hoje podemos apreciar, por via do vidro protector que serve de chão à dita casa, e que permite ver os vestígios arqueológicos enquanto nos deliciamos com as deliciosas frigideiras. Porquê a diferença? Será porque aí o proprietário não foi atingido pela soberba ganância de que parece ter atingido as propriedades da autarquia?

É isto evolução? São estas as marcas e o preço a pagar pela modernidade? São estas as vistas que queremos? Solos com ar moderno, a destoar de edifícios antigos, alguns quase a cair? Que vantagens trouxe este progresso? A chuva das fontes na "nova" avenida central? A fuga dos pássaros migratórios da Av. João XXI, onde moro? A morte do comércio na mesma avenida?

Quem ganhou com isto Sr. Presidente da Câmara? Braga? Os cidadãos? Ou os novos donos do subsolo bracarense? Eu não ganhei, concerteza. E o senhor ?...