My Fair Lady
Banda sonora do filme
André Previn e Alan Jay Lerner
CBS - 1964
Fazer maioria com o CDS? Para quê uma maioria com o CDS? O apoio parlamentar essencial de que José Sócrates necessita na nova legislatura está encontrado: vem da bancada do PSD. Lembremos factos: durante a campanha eleitoral, cabeças de lista sociais-democratas, como João de Deus Pinheiro e Couto dos Santos, admitiram a formação de um novo bloco central, enquanto Paulo Mota Pinto não excluía esta hipótese. Mas lembremos mais: a própria Manuela Ferreira Leite, antes de ser líder do PSD, subscreveu o núcleo central da governação socialista. Elogiou a reforma da segurança social feita por Vieira da Silva. Aplaudiu a concertação orçamental conduzida por Teixeira dos Santos. Defendeu a celebração de pactos PS-PSD para a justiça, segurança interna e leis eleitorais. Considerou "absolutamente essencial" a reforma da rede hospitalar iniciada por Correia de Campos, condenando a "reacção emotiva" do PSD, ao contrário até de muitos socialistas. E destacou a "coragem" de Maria de Lurdes Rodrigues por levar a cabo a sua política educativa.
Era com esta líder que alguns, no PSD, sonhavam ganhar eleições. É com esta deputada, e alguns outros, que Sócrates sonha fazer maioria no Parlamento.
«Vitória do PS deve brindar construtoras com sessão positiva»
Diário Económico
Nem a alarmante crise, nem o atoleiro em que o país se encontra, nem mesmo os novos partidos que desta vez se apresentaram a votos, serviram para mobilizar cerca de três milhões e setecentos mil portugueses que teimam em alhear-se dos destinos da sua pátria: suspeito que somando estes números aos votos brancos e nulos, pelo método de hondt eles traduzir-se-iam numa maioria parlamentar.
Este panorama e os fantásticos resultados obtidos pelo CDS conferem à sua direcção um redobrado dever de lealdade para com os eleitores, exigindo-se ao partido uma oposição sem concessões ao "centrão" e uma determinada resistência aos cantos de sereia do poder imediato: creio que o crescimento do eleitorado do CDS-PP perspectiva-se inequivocamente à direita e numa grande maioria desiludida que urge resgatar à política. É tempo da direita construir confiança e crescer para salvar de Portugal.
O resumo das minhas ideias está aqui
Portugal virou à direita e agora, na ressaca das eleições, vem a crise a sério. O país está endividado e sem soluções para o problema orçamental. O desemprego pode chegar a 700 mil pessoas dentro de meses. Muitos portugueses estão a empobrecer depressa e as diferenças entre ricos e pobres aumentaram de forma brutal e vão continuar a aumentar. Nas desigualdades sociais, Portugal é uma anomalia europeia.
Nos próximos dois anos não haverá estabilidade, mas um governo sem direito a estado de graça, com o descontentamento popular ocasionalmente a invadir as ruas. A direita está estilhaçada e o cavaquismo acabou. A esquerda foi derrotada e o PS (dividido ao meio) acelera a sua fragmentação, pois Sócrates secou o partido e já não poderá iludir mais a opinião pública. Após dois anos de declínio talvez tudo isto resulte numa alteração profunda do sistema político, com menos bloco central, mais BE e mais CDS.
Pergunta-me um colega: "Imagina o Portas como líder do PSD. Teria ganho estas eleições, não achas?"
O resultado histórico obtido pelo CDS PP, unido em torno de uma liderança determinada e duma mensagem politica assertiva e clara, não chega para me pôr eufórico: nos próximos anos o novo parlamento eleito exibirá uma grossa maioria de esquerda que inclui uma significativa facção extremista, disruptiva, própria de democracias imaturas. Insisto na ideia de que uma direita débil é o primeiro sinal de um país pobre, estagnado e deprimido. Características que suspeito se acentuarão nos próximos tempos, por mais injecções de capital que se processem nas obras públicas e na providência social. Esta perspectiva e o bem que quero aos meus filhos e ao meu país desfaz qualquer vontade que eu tivesse de sorrir.
Vamos viver tempos interessantes.
Alguém explica ao António Pires de Lima que este não é o melhor resultado do CDS em mais de 30 anos (há 33 anos o partido conseguiu 42 deputados)? Podia ser o melhor de sempre, porque os números avançados são sem dúvida muito bons (grande performance de Portas), mas não é. É que não basta querer que um partido seja muito sexy, é bom conhecer também um pouco melhor a sua história. Já que falamos dos populares, não percebo a má cara de António Lobo Xavier na SIC, perante o Big Show Portas. Será por causa do resultado de Manuela Ferreira Leite?
Espanta-me que os políticos e comentadores, questionados sobre a perspectiva de alta abstenção, se escudem na possibilidade de aumento de eleitores face às legislativas de 2005. Sobre o assunto a questão que interessa é mesmo a proporção.
O Abel Cavaco, do Mensagem Certa, diz do alto da sua sapiência que esta nossa casa é merecedora de um olho em cima. Apesar de me aterrar a ideia de um olho, solto, em cima de uma coisa virtual - as coisas que eu imagino - agradeço bastante o miminho.
Às duas da tarde na minha mesa de voto, no Liceu de S. João no Estoril, já tinham colocado a cruzinha no boletim trezentas em novecentas pessoas inscritas: era isso que indicavam os números a giz na ardósia da sala de aula.
Espero que o grosso dos eleitores surjam durante a tarde, pois os caminhos difíceis que se perspectivam a este depauperado país exigem um massivo sufrágio.
Participar é preciso, ou então depois não nos podemos queixar.
Tiago Pires perdeu com Mick Fanning e falhou o acesso à final. Mesmo assim, o "Saca" teve uma grande prestação, ao afastar o Kelly Slater. E isso, meus caros, não é para qualquer um. Claro que toda a gente acha muito mais importante ter o Ronaldo a brilhar no Real Madrid, mas não podemos deixar um feito destes passar em branco. Aliás, nem é a primeira vez que o "Saca" bate o pé a um dos melhores surfistas de todos os tempos. Há um ou dois meses fez o mesmo na Indonésia.
Enquanto não se sabe o resultado das eleições legislativas, a notícia do dia vai sendo a vitória de Tiago Pires contra Kelly Slater no Quiksilver Pro France, sétima etapa do Circuito Mundial ASP de surf. O "Saca" já está nas meias-finais, que vai agora disputar com o australiano Mick Fanning, número dois do ranking mundial.
O grande surfista da Ericeira a mostrar como é que é!
Ainda pelas televisões, fico a saber que o primeiro-ministro atrasou-se cerca de 40 minutos em relação à hora prevista para chegar à sua assembleia de voto - o tal stand de carros espanhóis. E porquê? Segundo disse a uma jornalista mais afoita, porque foi tomar um café e depois encontrou muitos "transeuntes" que lhe queriam dirigir algumas palavras. Presumo que transeuntes "simpáticos", como todos os que o primeiro-ministro encontrou durante a campanha...
Este texto do Vasco Barreto sobre as praxes.
Diga o João o que disser, tenha ou não um pedacinho de razão, a verdade é que estou consumido pelo remorso, ó Deus!, por não ter lá ido. É que, caramba, vou ao Lx Factory ouvir José Sócrates a monologar, que belo verbo, e não vou ao Lx Factory ouvir a Soraia Chaves, toda ela muito loira, muito bela, ler pedacinhos ardentes, ai as hipálages!, de páginas ainda por mim desconhecidas. Ó Deus.
E depois do remorso vem a inveja. Inveja por não poder, argh!, publicar umas fotos «amadoras» (é assim que se chamam as fotos fraquinhas, quando não queremos ofender. E eu não quero ofender); por não poder, assim num texto todo pomposo mas pior escrito, dizer com quem dancei (isto se eu dançasse), quem vi, para quem ri, quem procurei e o que cheirei; por não poder falar mal da música que o Pedro Vieira botou para o pessoal – é que eu falaria mal, sempre.
E para além do remorso e da inveja vem a angústia por, não podendo, querer ler o livro agora, já. Sou uma maria-vai-com-as-outras? Provavelmente sou, mas que me apetecia mesmo ler o raio do livro e ter ido ao raio da festa, lá isso apetecia.
Pedro e o Lobo
Prokofiev
Narrado por Gerard Philippe
Harmonia Mundi - 1956
Vejo nas televisões que o primeiro-ministro e o líder do Bloco de Esquerda exerceram o seu direito de voto, cumprindo um elementar dever cívico, num stand de automóveis que, por mero acaso, é um importador oficial de uma conhecida marca espanhola: a SEAT. Já o presidente do CDS/PP, contou-me há bocado um amigo meu, terá sido nomeado num take da agência espanhola EFE como Paulo Puertas...
Evangelho segundo S. Marcos 9, 38-43.45.47-48
Naquele tempo, João disse a Jesus: «Mestre, nós vimos um homem a expulsar os demónios em teu nome e procurámos impedir-lho, porque ele não anda connosco». Jesus respondeu: «Não o proibais; porque ninguém pode fazer um milagre em meu nome e depois dizer mal de Mim. Quem não é contra nós é por nós. Quem vos der a beber um copo de água, por serdes de Cristo, em verdade vos digo que não perderá a sua recompensa. Se alguém escandalizar algum destes pequeninos que crêem em Mim, melhor seria para ele que lhe atassem ao pescoço uma dessas mós movidas por um jumento e o lançassem ao mar. Se a tua mão é para ti ocasião de escândalo, corta-a; porque é melhor entrar mutilado na vida do que ter as duas mãos e ir para a Geena *, para esse fogo que não se apaga. E se o teu pé é para ti ocasião de escândalo, corta-o; porque é melhor entrar coxo na vida do que ter os dois pés e ser lançado na Geena. E se um dos teus olhos é para ti ocasião de escândalo, deita-o fora; porque é melhor entrar no reino de Deus só com um dos olhos do que ter os dois olhos e ser lançado na Geena, onde o verme não morre e o fogo nunca se apaga».
* Geena: lixeira junto à muralha de Jerusalém existente ao tempo histórico de Jesus que se caracterizava por estar em constante e interminável combustão.
Recomendo vivamente a crónica de Zé Diogo Quintela, na Pública de hoje. Há pouco tive aqui uns excertos, mas lê-la aos pedaços nem sabe a nada.
Descaradamente gamado ao Daniel Oliveira.
Estou a aguardar ansiosamente as primeiras sondagens «à boca das urnas». São as únicas em que se pode confiar minimamente.
Amanhã será um dia importante na vida de Carolina Patrocínio. A donzela que acedeu a ser mandatária para a juventude na campanha do PS terá a primeira oportunidade real de pôr a cruzinha no partido em que confessou ter sempre votado em eleições legislativas numa entrevista ao jornal i que provocou gargalhadas até nas hostes socialistas. Carolina só em sonhos poderia ter votado: nas últimas legislativas, ainda não atingira a idade mínima para exercer um acto de tanta responsabilidade. Mais tarde admitiu ter-se tratado de "um lapso", sem especificar de quem.
Mas isso já passou. Faço votos para que o seu primeiro dia como eleitora na escolha dos deputados da Assembleia da República decorra da melhor maneira. E que, também por "lapso", não se engane no quadradinho onde deseja pôr a cruz.
Estou a assistir, de boca aberta, ao Provedor do Telespectador da RTP – programa de muita virtude. Hoje, os minutinhos desta coisa são todos eles dedicados ao programa TeleRural –programa que não vejo, por não achar graça –, onde participam o Quim e o Zé, duas caricaturas do típico rural português.
Quer o provedor que o programa acabe ou seja transferido por lhe dizerem os telespectadores que «não pode ser». Dizem as sete pessoas, certamente escolhidas de forma aleatória, que «não há gente assim», que aquilo é um «mau retrato» das pessoas do interior, que é uma «ofensa» a essas pessoas. Chegam a dizer que não há rigor.
Vou meter o explicador: aquilo é humor. É um programinha inofensivo onde se explora todo um imaginário muito presente nas grandes cidades. Não interessa se tem alguma correspondência com a realidade. Não é esse o objectivo. Se eu fizer uma brincadeira com mamutes, só um estúpido muito estúpido me vai dizer «cala-te que os mamutes já não existem».
Esta constante ditadura do politicamente correcto assusta. Até nestas merdinhas.
O Avenida Central está renovado. Ainda sou do tempo em que o Pedro Morgado era um solitário blogger lá do Minho. Como as coisas mudam. Agora tem uma pipa de colegas de blogue e um estaminé cheio de coisas muito p'rá frentex. Um belo sítio para se estar.
Ao contrário do Pedro, eu discordo totalmente desta visão das praxes que o Daniel Oliveira expõe.
Se é certo que há lugares em que as praxes são medonhas – nomeadamente em Faculdades de Medicina Veterinária, só a título de exemplo – não se pode tomar a parte pelo todo. A verdade é que todos os anos entram milhares de alunos nas faculdades portuguesas e uma grande parte destes entram «sozinhos», isto é, não conhecem ninguém dentro do meio. E a integração, palavra que o Daniel odeia, é muito mais difícil do que se possa à partida pensar. É que se há uns tipos gingões que na primeira hora se tornam logo nos populares lá do sítio, outros, mais acanhados e sem grande jeito para relações acabam por ficar de parte. As praxes, quando bem feitas, servem precisamente para que ninguém fique de parte. Para todos fiquem a conhecer nem que seja o padrinho/madrinha, para que todos fiquem a conhecer nem que seja o tipo que estava ao lado a queixar-se que lhe doíam os braços de fazer flexões.
Horrível, horrível. Armam-se uns em mandões, tiranos, e outros em servos eunucos. Nada disto. Quem não quer ser praxado pode dizer ‘não’, pode simplesmente não ir à faculdade nos dias de praxes, pode ir para as aulas se as houver. A verdade é que por muito chocado que o Daniel e outros fiquem com a brincadeira, sem aspas, os jovens preferem a operação de choque a esperar semanas até criar laços.
As praxes são para quem as pensa e para quem as aceita. É nesta relação entre veteranos e caloiros que tudo se centra. Se os caloiros quiserem ser praxados, ninguém tem nada a ver com isso e se ali estão por vontade própria não faz sequer sentido sentir pena. Muito pelo contrário.
Leia-se o texto do Miguel Vaz a propósito deste assunto.
Com o Daniel Oliveira. Abaixo as praxes.
Communiqué
Dire Straits
Warner Bros - 1979
Neste dia de reflexão eleitoral, acordei com uma irresistível vontade de comentar as campanhas e fazer balanços sobre as prestações dos partidos, como aqueles que se publicam no Diário de Notícias. Não sei se é do ócio, se é do tempo, mas hoje sinto-me muito isento e particularmente inspirado. Decididamente o fruto proibido é o mais apetecido!
Ao ouvir ontem o programa Governo Sombra, na TSF, fiquei a saber que Sócrates recorreu para uma instância superior qualquer no processo que meteu contra João Miguel Tavares por causa de um artigo de opinião que ele escreveu no DN e que acho que nem sequer tinha sido aceite pelos tribunais. Isto é que é "manter o rumo", o resto é brincadeira. Parece aquela anedota do homem que dizia: "eu não sou de rancores, mas quem cá mas faz, cá mas paga..."
A poucas horas do FC Porto-Sporting, uma análise estatística. Quem perder fica a oito pontos do líder do campeonato, o Sporting de Braga, que, pelos vistos, está a ultrapassar bem a saída do mago da táctica Jorge Jesus, mui elogiado pela insuspeita Marca.
Se houver empate, ambos ficam a sete pontos e, pior do que isso, deixam o Benfica fugir mais um bocadinho (não, ninguém está à espera que o Leixões saia da Luz com um pontinho que seja). E estamos na sexta jornada.
Ou seja, de um lado um Sporting que faz do seu reduzido orçamento uma das suas armas comunicacionais, do outro o campeão nacional com jogadores para todos os gostos e dinheiro a rodos para gastar - neste sentido uma derrota do FC Porto será sempre mais difícil de (di)gerir, porque tem mais recursos, joga em casa e vem de duas derrotas consecutivas.
Para que conste, o orçamento do Sp. Braga é de 5 milhões de euros...
Em dia de reflexão vamos focar as atenções no futebol. A política segue dentro de momentos.
Para quem faz realmente uso do dia de reflexão instituído, aconselho algumas coisas. Aconselho a leitura, nem que seja na diagonal, dos três blogues apoiantes de partidos que estiveram activos nestas últimas semanas: o Jamais, o Rua Direita e o Simplex (ordem alfabética) e dêem uma vista de olhos ao que o Pedro (e não só) tem escrito num outro lugar, nomeadamente a análise dos programas.
Ontem, numa voltinha que me fez duvidar da barreira entre o sonho e a realidade, encontrei um pássaro que nunca havia visto. À primeira olhadela, dava-nos a impressão de ser um vulgaríssimo pombo, um rato do ar, aquelas coisas cagonas que sobrevoam tudo o que é via pedonal. Mas não. Era um bicho pequenino que se dobrava imenso para traz, o pobre, e que tinha pantufas. Sim, pantufas. Nas patas, que nos pombos são nuas, víamos um farfalhudo amontoado de qualquer coisa branca. E agora pergunto ao especialista que não nos grama: aquilo era uma espécie paralela ao pombo ou era só um pombo peludo, tipo António Ramos?
Se por asfixia democrática se pretendeu significar, durante toda esta campanha, que vivemos numa democracia asfixiada (ou asfixiante) - e a ser assim proponho elevar a expressão a um case study semântico -, no Domingo teremos a oportunidade de constatar se essa mil vezes repetida expressão - que foi todo um programa - foi acolhida, apreendida e aceite pelo eleitorado como válida e verdadeira. Ganhe quem ganhar, à esquerda ou à direita (com preferência para esta última, claro!), uma coisa é certa: a eleição resultará de um fôlego democrático. A democracia volta a respirar fundo. No Domingo, atrás do biombo, com o segredo do voto absolutamente garantido, ninguém se poderá sentir condicionado, ou melhor, asfixiado, e votará de forma totalmente livre. Previsivelmente não existirá nenhuma maioria de um só partido o que, provável, mas não obrigatoriamente, levará à existência de entendimentos pós-eleitorais. De qualquer modo, só espero que depois do fôlego democrático de 27 de Setembro, não venhamos a ter, por pura irresponsabilidade política e reles calculismo partidário, uma democracia folgada.
«Com 'nãos', não se ganham eleições.»
Francisco Sarsfield Cabral, esta noite, na SIC N
Sobre isto, há que dizer uma e uma só coisa: se por acaso Paulo Portas se vender por dois ou três ministérios vai destruir completamente o resultado de uma campanha extremamente bem conseguida. Prescindir dos ideais defendidos para ter uns quantos jobs for the boys seria terrível para ele e para o partido que lidera.
Pelo contrário, e há que dar o outro lado, se Paulo Portas não alinhar com a brincadeira, não mais poderão dizer que é um oportunista e um caça-ministérios.
Se passamos a vida a lamentar a História e o nosso crónico atraso (eu que o diga) porque não arrepiamos caminho? Parece-me urgente alterarmos os paradigmas que têm gerido os destinos do nosso país desde tempos imemoriais, reforçados pela matriz socialista do regime nos últimos trinta e tal anos.
A responsabilidade na mudança deste estado de coisas está, e sempre esteve, na vontade e competência dos indivíduos. Mas o primeiro passo a dar, será sem dúvida, uma mudança massiva dos portugueses no seu sentido de voto: um voto que devolva às pessoas o protagonismo do sucesso das suas vidas, que motive a comunidade a descobrir a sua auto-estima na construção dum país mais prospero e mais livre.
Um país com uma direita débil é um país pobre, estagnado e deprimido; e a viragem só pode começar com um novo mote, com um voto renovado: um voto na responsabilidade, no trabalho, nos valores que regem uma autêntica meritocracia. Para que assim possamos construir e delegar aos nossos netos uma História de esperança e com futuro. É tempo de virar o voto à direita.
Publicado também na Rua Direita
* Título inspirado numa frase do nosso José Mendonça da Cruz
O próximo domingo será um teste à memória dos portugueses sobre tudo aquilo que sucedeu no país e no governo nestes últimos 4 anos e meio. As promessas feitas e por cumprir, o amordaçar da contestação, a incapacidade das reformas, o aumento do desemprego e a descida do poder de compra. E ainda a fuga do investimento estrangeiro, o fechar das empresas e fábricas, o encerramento das urgências, a guerra aberta com os professores, a inexistência de uma política cultural, a incapacidade de mexer na Lei das Rendas, o instinto controleiro à base de chips e cartões únicos, o negócio dos contentores, as dívidas por pagar no reverso do instinto cego de cobrança e muito mais.
Nada mudou desde a fase do Prozac às caixas, quando Sócrates e os socialistas clamavam que tudo estava bem no melhor dos mundos, até à seguinte, desculpabilizando-se por tudo devido a uma crise que foram os últimos a reconhecer e a admitir.
O próximo domingo será um teste à capacidade dos portugueses de confronto com a realidade. Mas também uma prova à confiança na sua própria capacidade transformadora para a criação de um futuro melhor do que aquele que se antevê.
Os eleitores, no momento de depositar o voto na urna, serão crescidinhos ou optarão por continuar a adormecer com histórias de embalar. Depois não venham é queixar-se quando a história não tiver um final feliz.
Sou daqueles que escutam e lêem com atenção o Pacheco Pereira, porque lhe reconheço um pensamento invulgarmente inteligente. Além disso, longe de concordar com tudo o que ele diz, reconheço-lhe o mérito de protagonizar há muitos anos, actualmente em conjunto com António Lobo Xavier e António Costa, o grande clássico dos debates políticos da Comunicação Social, a Quadratura do Circulo. Parece-me que a chave do sucesso deste programa de Carlos Andrade, nascido na TSF dos anos 90, sempre foi a heterodoxia e a liberdade, constatadas numa linguagem liberta do marketing partidário, simplista e oficial.
De resto, contrariamente ao que proclama o nosso Pedro Correia, considero que o público tem uma grande vantagem quando escuta a prédica de Pacheco Pereira: ao contrário de muitos dos habituais comentaristas da rádio e televisões, quase sempre jornalistas no activo ou em licença, todos lhe conhecemos os interesses e agenda.
Por mim, ainda sonho com o dia em que os órgãos de Comunicação Social, em prol duma oxigenação e desinfestação ambiental, declarem o seu engajamento politico-partidário. Como se faz nas democracias mais avançadas.
Gostaria de compreender porque é que a TSF nos seus noticiários da manhã não referiu sequer esta manchete da edição de hoje do Sol, que dá conta da permanência de Fernando Lima em Belém. E pensar que ainda há dois ou três dias, não se falava de outra coisa...
Old Rottenhat
Robert Wyatt
Rough Trade - 1985
Keeley Hazell (com um obrigado ao Miguel. Who else?)
Pacheco Pereira, que concorre a deputado pelo PSD, despiu com ligeireza a farda de candidato e vestiu a farpela de comentador para proclamar esta noite, na SIC Notícias, que "há em Portugal um problema de liberdade". Fala com a autoridade de quem tem tribuna montada num jornal, numa revista, num canal de televisão, numa emissora de rádio e num blogue de grande audiência. Poucos políticos podem gabar-se de tão vasta multiplicação de palcos como este mentor da tese da 'asfixia democrática', vítima de morte súbita na mais recente deslocação de Manuela Ferreira Leite à Região Autónoma da Madeira. O mesmo comentador-candidato salientou, no mesmíssimo canal televlsivo onde habitualmente perora, que "o PS impediu nesta campanha que se fizesse o escrutínio da sua governação", passando assim um atestado de incompetência política ao partido pelo qual se candidata. Isto antes de tecer longas considerações sobre ética jornalística, matéria em que pretende ser exímio.
Um exemplo de ética deu-lhe o socialista António Costa, seu companheiro das tertúlias televisivas de quinta-feira, que suspenderá a participação no programa durante o período oficial da campanha autárquica, pois é recandidato em Lisboa. Já o candidato-comentador Pacheco, ao contrário de Costa, manteve lugar cativo no programa durante a campanha legislativa, o que naturalmente o coloca em excelente posição de dar lições de moral aos outros. É o que certamente continuará a fazer neste país onde "existe um problema de liberdade": há por aí alguns órgãos de informação, vejam lá o escândalo, onde o candidato Pacheco ainda não é comentador.
Haverá ainda alguém que não leu o programa do PS? Aqui está.
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