24 Junho 2009

made in china




Com esta política económica, os europeus vão acabar a servir cafés a turistas chineses.

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Nassim Taleb

O establishment económico convencional defraudou-nos. Permitiu os derivados, a aceitação de risco. Que saiam do caminho e dêem lugar a outros. Aos europeus, por exemplo! Os europeus compreendem melhor o problema. No Reino Unido, em França também perceberam. No governo dos EUA, em Harvard, Princeton, o que rodeia Obama, está tudo podre até ao osso. Estas pessoas são o equivalente aos médicos na Idade Média: matavam as pessoas para elas pararem de sangrar. E vão matar mais.
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O verdadeiro Madoff é o sistema financeiro, que debaixo da mesa, aumentou drasticamente a dívida e criou esta quantidade de derivados que não têm razão económica para existir senão fazer dinheiro aos banqueiros. Outro problema é academia Nobel: dar prémios a estes mensageiros destruiu o mundo.
Via i

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23 Junho 2009

tenho uma ideia

Vamos à descoberta de novas ideias. Os portugueses são descobridores natos, está-nos no ADN. Depois de descobrirmos novos mundos terrestres, eu sugiro que partamos à descoberta de novos mundos do universo do conhecimento.
Como? Instituindo um prémio nacional para o melhor ensaio de filosofia publicado, a nível global, no ano anterior. Um prémio com o valor de 1.000.000,00 €, proveniente de fundos privados e atribuído por um júri nacional, representativo da cultura portuguesa.
O prémio designar-se-ia PRÉMIO DESCOBRIDORES, por razões óbvias.
Um prémio destes daria visibilidade ao País, especialmente junto das elites intelectuais. Por outro lado, recuperaria o nosso espírito totémico de descobridores. Os cidadãos poderiam assumir esse espírito que tantos benefícios nos trouxe, no passado, e inspirar-se em novas ideias para darem os seus próprios contributos.
Quando tomei conhecimento de que o jornal i, tinha lançado um projecto para novas ideias, não resisti e deixei lá esta minha ideia.

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Espanto


A edição de ontem do diário económico espanhol, o "Expansión", relatava com verdadeiro espanto a possibilidade, discutida em alguns círculos financeiros, da British Airways (BA) poder vir a declarar insolvência em face dos problemas actuais. É que a Iberia tem quase 10% daquela e ainda recentemente ambas discutiam uma eventual fusão. E, de facto, o panorama em terras de Sua Majestade não é nada famoso. A British Airways prepara-se para apresentar prejuízos fabulosos, na casa dos 600 milhões de libras, e o seu plano de pensões regista um défice de 3 mil milhões, tendo a empresa uma almofada de liquidez avaliada em apenas 1,3 mil milhões de libras. Em suma, se declarar insolvência será um problema enorme para a Iberia, que por sua vez também terá as suas próprias dores de cabeça. E a nossa TAP, como andará?

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alto e pára o baile

Não me parece correcto que a PSP efectue operações stop, à porta das escolas, à hora do inicio, ou fim, das aulas.
Não estou a falar da legalidade, ou até da necessidade, destas intervenções policiais. O que eu estou a dizer é que são intervenções inoportunas, que prejudicam gravemente a actividade dos cidadãos e que poderiam ser efectuadas noutras circunstâncias.
Um tipo levanta-se de madrugada, aperalta a canalha, atira-a para o carro e quando chega à escola, segundos antes de poder respirar de alívio, pimba: alto e pára o baile.
Só este ano, é a terceira vez que a PSP efectua operações stop à porta da nossa escola. Nunca fui parado, tenho tudo legal, mas sinto que isto é um excesso de zelo inqualificável.

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Mudança?


Ontem à noite, ao regressar ao Porto após uma rápida jornada profissional em Madrid, sintonizei na Rádio Renascença e tive oportunidade de ouvir o programa do Óscar Daniel, à conversa com os seus ouvintes acerca do seguinte tema: "Os portugueses querem mudança?"

O debate teve como ponto de partida um artigo recente de Vasco Pulido Valente no Público, em que este descreveu os portugueses como avessos à mudança, um povo que deseja uma vida boa mas sem grandes sobressaltos, estando disposto, para tal, a eleger qualquer um que se disponha oferecê-lo.

O programa demorou a arrancar, mas assim que os primeiros ouvintes entraram em cena, ganhou tracção e foi sempre a andar! Dos menos articulados aos mais eloquentes, todos participaram. Em todos os discursos, registei dois pontos em comum. Primeiro, a sensação de injustiça e desigualdade que existe hoje em Portugal. Segundo, o descrédito em que entrou a nossa classe política. Enfim, nada de muito novo. Porém, dado o carácter transversal das críticas, uma constatação da gravidade do problema.

Ao mesmo tempo, fiquei surpreendido por algumas críticas mais específicas, mas também estas partilhadas por vários ouvintes. Em relação ao actual sistema democrático, pessoalizado na figura do Dr. Mário Soares, particularmente diabolizado durante as intervenções desses cidadãos anónimos. E, por fim, em relação ao aumento da abstenção: de acordo com os ouvintes, o reflexo da crescente rejeição popular a este modelo democrático, e não uma consequência do alegado desinteresse e alheamento cívico como tanta gente nos tenta fazer crer. Em suma, um programa muito interessante. Parabéns ao Óscar e à RR.

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22 Junho 2009

no chefe


Num post anterior, um comentador chamou-me a atenção para uma lacuna no meu argumento. Referi então que na tradição protestante chega-se à verdade da palavra de Cristo pelo debate com vista a atingir um consenso. Para esta tradição a verdade está no consenso ou, quando ele não é atingível, na interpretação da maioria.
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Na tradição católica é diferente. Referi então que nesta tradição a verdade está na autoridade. E isto é de facto assim para os leigos que não possuem nenhuma participação no processo de descoberta da verdade. A questão que me faltou abordar foi: "E como é que a autoridade católica - genericamente, o clero - chega à verdade?". A resposta é: pelo debate racional também.
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Existem, porém, duas diferenças que são marcas distintivas das culturas católica e protestante. A primeira é a de que no debate protestante sobre a verdade todos podem participar e ninguém é excluido, ao passo que o debate católico sobre o mesmo tema é reservado a uma corporação de especialistas e o povo (os leigos ou a populaça, na versão do Joaquim) é excluido. A segunda é que, na ausência de consenso, o debate protestante é resolvido pela decisão da maioria, enquanto que o debate católico é resolvido pela decisão pessoal da autoridade suprema (o Papa). Para a tradição protestante, então, a verdade está na maioria, enquanto para a tradição católica a verdade está no chefe.
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Nestas duas diferenças assenta a tradição democrática dos países protestantes e a ausência dela nos países católicos.

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iluminação


Professor Doutor, não hesito em afirmar: que belo texto!! [aqui] Eu sei que poderá haver um "mas...", que poderá haver um "porém...", um esforço do católico, que o senhor é, e mais que isso, do defensor da "cultura católica", para demonstrar que apesar do que escreveu neste post, a "cultura católica" ainda pode ser superior à "cultura protestante", etc e tal.
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Mas até lá, fico com a impressão inicial: belo texto!Sou nascido e criado num país católico, talvez hoje menos católico que no passado, mas ainda assim católico, profundamente católico. Sou de família católica, e fui batizado na ICAR. Mas tornei-me protestante, tornei-me metodista, e fui trabalhar e residir para a América. Que choque eu tive! Que desmoronamento de idéias de tolices pré-concebidas, de baixos ressentimentos e de mesquinharias pelo que não se conhece, certamente vícios que assaltam a juventude num país latino-americano, terceiromundista e emporcalhado de marxismo até à medula dos ossos.
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Mas ver o cristianismo em funcionamento na América, participar do "modo americano" de ser cristão, e constatar que o povo americano tem Jesus no coração, de uma tal forma que os brasileiros (e os portugueses) sequer suspeitam, foi, posso afirmar com convicção, a maior iluminação intelectual - sim, intelectual - que tive em minha vida até o momento.E as razões, acrescidas de algumas outras, são precisamente essas que o senhor expôs com brilhantismo: a ICAR tem o foco no rito, na liturgia, na ordem, no domínio hierárquico, nas aparências, no enfeitiçamento dos sentidos, na sujeição cega de seus fiéis, pois tem como primeira de suas aspirações a política, o domínio e a primazia no mundo temporal.
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Os protestantes - no geral, comportando exceções, é claro - tem o foco no Evengelho, na Palavra, na Pregação do Cristo, e nos grandes ideais do cristiniamo: caridade, amor ao próximo, compaixão, as boas obras, a evangelização, porque a Justificação não é perante o mundo, mas perante o Reino de Deus. Daí que os protestantes tenham em tal alta conta aquelas restrições de ordem moral em seu proceder, para as quais os católicos dedicam o mais absoluto desprezo.
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Enfim, belo texto, Professor Doutor. Eu o compreendi perfeitamente, natural de país católico, e depois protestante entre protestantes.Mas, por favor, não transforme esse belo diagnóstico e mais um receituário equivocado. Mutilar a liberdade dos portugueses não os fará mais cristãos, se é que me entende...Um grande abraço.
LG
Anonymous 06.22.09 - 3:05 pm #

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homo hereticus


"Gilles Paquet - homo hereticus", com contribuições de John Meisel, James R. Mitchell, Monique Bégin, Pierre Fortin, Pedro Arroja, David Zussman, Thomas J. Courchene, Leroy O. Stone, Jean Pierre Wallot, entre outros, é um livro dedicado a um intelectual que representa uma espécie em vias de extinção - The Public Intellectual.
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From the book:
"Democracy is a way of life controlled by a working faith in the possibilities of human nature ... [and] faith in the capacity of human beings for intelligent judgement and action if proper conditions are furnished" (John Dewey)

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não chega

O mutismo, o silêncio e a circunspecção que têm marcado a liderança de Manuela Ferreira Leite têm um sentido histórico, estratégico e táctico. Historicamente, a direita portuguesa aprecia os líderes patriarcais, austeros, quando não autoritários. Salazar e Cavaco são os dois ex-libris que a direita indígena respeitou no século XX, em boa medida por serem assim. Estrategicamente, convinha ao PSD assinalar uma diferença em relação aos seus tempos mais recentes do chamado “populismo” de Santana e Meneses, reencontrando a gravitas perdida. Tacticamente, é sabido que quanto menos se fala em política, menos asneiras se dizem e menos compromissos se assumem, aumentando o grau de liberdade para decidir quando se chega ao poder.

Este caminho não serve, todavia, ao espírito liberal, para quem a exigência perante o poder tem de ser permanente e absoluta, sobretudo para com aquele poder que é exercido em nome de ideologias com as quais se possa confundir.
Não me parece, assim, que baste à Dr.ª Ferreira Leite permanecer na pose de mulher circunspecta e de estadista gravitosa para merecer um voto de adesão, isto é, um voto que não seja somente de rejeição ao governo do Partido Socialista. Ela – ela pessoalmente na qualidade de putativa futura primeira-ministra – deve esclarecer que rumo imprimirá aos sectores mais significativos da governação, quais os princípios da actuação do seu futuro governo, e o que considera dever ser o estado português governado pelo Partido Social Democrata nos aspectos essenciais da sua relação com os cidadãos. Isto constará certamente do seu programa de governo, a apresentar brevemente ao país. Há, pois, que aguardar.

Mas deve o PSD fazer mais, se quiser reforçar a credibilidade da sua alternativa de governo ao PS: deverá apresentar, antes de eleições, a estrutura fundamental do seu futuro governo, a equipa com a qual Manuela Ferreira Leite pretende cumprir o programa anunciado, apresentando os ministros das pastas essenciais (Finanças, Justiça, Administração Interna, Saúde, Segurança Social, Educação e Ensino Superior, pelo menos), assumindo estes o compromisso solene de executarem as políticas prometidas no programa eleitoral.

Menos do que isto será, a meu ver, passar-lhe um cheque em branco, apenas justificado por uma animosidade feroz ao “animal feroz”, agora convertido em “português suave”, Votas contra Sócrates pode ser interessante. Mesmo útil, até. Mas não garante que lhe sobrevenha um governo que o faça esquecer.

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Sondagens


Ainda a propósito das recentes eleições para o Parlamento Europeu, na edição de sábado do Público encontrei um excelente artigo de Eduardo Cintra Torres (ECT) acerca do assunto. Escrevia o colunista de que a opinião pública portuguesa, na ressaca das eleições e do falhanço estrondoso das sondagens, deveria ter sido mais exigente em relação a estas empresas que publicaram estimativas profundamente incorrectas dos resultados previstos. E que para além das próprias estimativas e metodologias utilizadas, estavam em causa questões éticas e deontológicas, apontando para o facto de que a única sondagem favorável ao PSD tenha sido "metida na gaveta" pelas duas instituições que detinham o seu exclusivo.

De facto, mal se souberam os resultados iniciais, a primeira justificação que me ocorreu foi justificar os desvios face às sondagens com base na elevada abstenção. Mas, pensando melhor, e socorrendo-me de pessoas na área da estatística e da econometria (a estatística aplicada à economia), essa justificação não colhe, embora, sejamos francos, daí até qualquer teoria da conspiração vá uma grande distância. Enfim, eu nunca participei em qualquer sondagem (algo, desde já, estranho tendo em conta a reduzida dimensão do nosso país), mas por aquilo que vou retirando de conversas com pessoas que já estiveram na execução de inquéritos concluo que, porventura, o universo amostral das sondagens portuguesas não cumprirá o conjunto de requisitos técnicos que deviam cumprir, a fim de chegarem a amostras representativas do eleitorado nacional. Porquê? Isso já não sei!

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trocas e baldrocas

Certamente por equívoco, os títulos dos artigos de opinião da Marta Crawford e do Ricardo Reis, do indispensável i, do fim-de-semana, saíram trocados. O título do artigo da Marta, sobre o coitus interruptus deveria ter sido: Grandes obras adiadas, e o do Ricardo, sobre a melhor estratégia de investimento público, era: Marcha atrás.
Não se perdeu nada, contudo, porque os pontos de vista dos autores não foram adulterados. A Marta gosta de concluir o que começa e o Ricardo considera que a marcha atrás no investimento público vai deixar muita gente mal... construída.

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+ regulação?





Ver a opinião de Peter Schiff, no seu Vlog.

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Peter Schiff

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21 Junho 2009

Solus Christus


Neste post pretendo fundamentar a tese de que os países católicos são consideravelmente menos cristãos do que os países protestantes, uma tese que já deixei antever no post anterior quando me referi à flexibilidade ética do catolicismo em comparação com o rigorismo protestante.

Para tanto, faço uso de uma outra diferença fundamental entre catolicismo e protestantismo, ainda no âmbito da doutrina da justificação. A questão é a seguinte: "O que devo fazer para ser um bom cristão?".

"Só serás um bom cristão pela fé em Cristo (Sola Fides), imitando na tua vida diária os comportamentos de Cristo e seguindo à risca os seus preceitos (Solus Christus)", respondem os Protestantes.

Esta resposta é de uma exigência considerável. A razão é que vida de Cristo e os seus preceitos são muito difíceis de cumprir. A moral cristã é uma moral subversiva e revolucionária para o seu tempo, e mantém-se assim nos tempos de hoje, porque é uma moral baseada no altruísmo e no amor ao próximo, quando, na realidade, os homens são naturalmente egoístas. Amar os outros como a mim mesmo, fazer aos outros aquilo que gostaria que os outros me fizessem a mim, oferecer a segunda face quando me baterem na primeira, são preceitos que só com muita dificuldade o homem comum consegue cumprir.

A resposta católica à mesma questão é mais flexível. A Igreja não nega, e até apela também, a que um homem justifique o seu cristianismo pela fé em Cristo e pela imitação da sua vida e da sua obra, mas junta-lhe uma segunda componente que é muito mais fácil de cumprir, a saber, ser cristão é receber os sacramentos administrados pela própria Igreja: Baptismo, Confirmação, Eucaristia, Penitência, Unção dos Enfermos, Ordem e Matrimónio.

Quando me é dada a escolha entre ser cristão imitando a vida de Cristo ou ser cristão submetendo-me a certos procedimentos formais, ou rituais, administrados pela Igreja - os sacramentos -, eu escolho a segunda via, e é esta a via que escolhe a esmagadora maioria das pessoas, porque é a via mais fácil. Faço-me baptizar a mim e aos meus filhos, vou à catequese e faço a comunhão, comungo todos os domingos na missa, caso pela Igreja, etc. Pronto, sou cristão. Tratar bem os outros na minha vida diária, ajudar os pobres, usar de boa fé nos meus negócios diários, ser verdadeiro, etc. - isto é, a própria essência do cristianismo -, tudo isso passa para segundo plano, em benefício de uma religiosidade que é feita de formalidades e de aparências.

Numerosos observadores oriundos de países de tradição protestante ficam surpreendidos pela falta de religiosidade das populações católicas nos seus comportamentos diários. Por detrás das aparências e das formalidades, não observam vestígios de cristianismo nos comportamentos diários destas populações. Ficam surpreendidos, por exemplo, com a falta de consideração que as pessoas manifestam umas pelas outras (vg., no trânsito, na sua crónica falta de pontualidade, nas observações amesquinhantes, quando não insultuosas, acerca dos outros), pela falta de confiança nas relações interpessoais, pela sua aversão e falta de disciplina no trabalho, pela ausência de filantropia, pela sua relutância em cooperar com os outros em assuntos de interesse comum, pela sua propensão a violar as leis e a serem batoteiros, pelo seu egoísmo exacerbado de meninos-mimados, etc., enfim, por todos os comportamentos que são muito pouco cristãos, na realidade, que são exactamente opostos aos preceitos do cristianismo.

Pelo contrário, para os observadores oriundos de países católicos que visitam países protestantes, aquilo que surpreende é a profunda religiosidade que a população exibe nos mais pequenos detalhes da sua vida diária, a consideração e o respeito pelos outros, a filantropia, a boa-fé nos negócios diários, a capacidade para estender a mão ao desconhecido, o respeito pelas leis, a confiança nas relações interpessoais, a tolerância e abertura a receber estranhos no seu país, o seu optimismo e alegria de viver. Alexis de Tocqueville, um católico devoto, considerou a profunda religiosidade do povo americano como o sustentáculo principal do êxito da democracia naquele país, para não falar, claro, da excelência da sua justiça e do seu progresso económico. Eu penso que ele tinha razão.

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Sola Gratia


Se um problema existiu e que mais contribuiu para a emergência do movimento do Protestantismo no século XVI, esse problema - o das indulgências - foi aquele que deu origem ao Princípio protestante da "Sola Gratia".

O problema central da doutrina - às vezes referida como doutrina da justificação - é o seguinte: "Quem me pode perdoar os pecados, a fim de que eu possa conquistar a vida eterna?"

"Nós! (através do sacramento da penitência)", responde a Igreja Católica.

"Não!", dizem os Protestantes, "Só Deus o pode fazer, através da Sua graça (Sola Gratia)".

Se eu sou protestante, então, eu sei que todos os pecados que cometer neste mundo, terei de os justificar directamente perante Deus no Dia do Juizo Final, e só pela Sua graça poderei obter perdão. Se, pelo contrário, sou católico, eu posso recorrer à Igreja, arrependendo-me, confessando-me, penitenciando-me e obtendo o perdão, pelo caminho pagando um preço em termos de orações, jejuns, peregrinações e esmolas e ficando, assim, com o cadastro limpo.

Para fazer justiça à doutrina católica, deve dizer-se que, em última instância, para esta doutrina a justificação só se obtém pela graça divina (Cat.: 1441). Mas é só em última instância porque, de acordo ainda com a doutrina católica, Deus delegou esse poder na Igreja (Cat.: 1442). Os padres aparecem assim como intermediários entre o homem e Deus na remissão dos pecados, ao passo que na doutrina protestante não existem intermediários e a justificação é um assunto tratado directamente entre cada homem e Deus.

Duas consequências importantes resultam daqui e que ainda hoje são marcas distintivas entre a cultura católica e a cultura protestante. A primeira é a instituição da cunha (ou do dar um jeito, na versão preferida dos brasileiros), que é uma instituição distintamente católica e praticamente inexistente nos países de tradição protestante. Na realidade, enquanto na tradição protestante (Sola Gratia), um homem terá de justificar todos os seus pecados perante Deus e só a Sua Graça lhos pode perdoar, na tradição católica também é assim, mas só em última instância. Antes de o assunto chegar a Deus, é função dos padres interceder junto d'Ele - isto é, meter uma cunha - pelo pecador. A decisão última pertence a Deus, mas a Igreja e o clero estão lá para dar um jeito.

Mesmo se as sociedades se tornaram modernamente mais seculares e a importância da religião diminuiu, a instituição da cunha está de tal modo impregnada nos países da tradição católica que ela é, a grande distância de todas as outras, a maior fonte de corrupção nestes países, e os pais desta instituição não são os políticos, mas os padres da Igreja Católica. Se os padres metem cunhas a Deus para me conceder favores, porque razão não hei-de eu meter uma cunha ao meu sobrinho que é ministro para adjudicar um contrato a uma empresa amiga, ou para arranjar um emprego lá no ministério para a minha filha? Que mal tem isso?

A segunda consequência é ainda mais gravosa. A doutrina protestante da Sola Gratia emite um aviso severo aos crentes: "Não cometas pecados, porque vais ter de os justificar todos perante Deus". A doutrina católica é muito mais flexível. Para efeitos práticos, a mensagem da Igreja é a seguinte: "Não deves, em princípio, cometer pecados. Mas se os cometeres, bom, nesse caso, vem ter connosco que nós resolvemos-te o assunto, limpando-te o cadastro por um pequeno preço (tantas orações, uns quantos dias de jejum e mais um certo número de euros na caixa das esmolas".

Daqui resulta o rigorismo ético do Protestantismo em comparação com a flexibilidade ética do catolicismo, caracterizada pelo ciclo católico do pecado, arrependimento, confissão penitência e perdão ... seguido de novo pecado. Mentir, não cumprir a palavra dada ou os contratos, desrespeitar ou insultar os outros, utilizar dinheiros alheios em proveito próprio são tudo pecados que o homem protestante um dia terá de justificar directamente perante Deus. O homem católico, não. Basta ir à Igreja, cumprir uma série de formalidades, que incluem o pagamento de um preço em dinheiro ou em espécie, e fica com o cadastro limpo. De tal maneira que, no dia seguinte, pode voltar a mentir, não cumprir a palavra dada e os contratos, insultar os outros, etc.

Num post anterior referi-me ao extraordinário liberalismo (ou permissividade) de acção que é típico das sociedades católicas, onde vale tudo e tudo é permitido, incluindo cometer pecados, com excepção, talvez, daqueles que envolvem a violência física. A razão é que nestas sociedades sempre esteve por perto quem, por um pequeno preço, estivesse pronto a perdoar-me os pecados ou a meter uma cunha a Deus pela minha salvação. Esta extraordinária permissividade ética do catolicismo, como deixei antever, representa um enorme ónus à realização da democracia, da justiça e do progresso económico, e não surpreende por isso que, em todas estas frentes, os países de tradição católica tenham demonstrado, ao longo dos últimos séculos, um desempenho marcadamente inferior quando comparados com os países de tradição protestante.

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ciência e filosofia


O Princípio da Sola Escritura foi decisivo para o aumento da alfabetização e dos níveis de escolaridade nos países protestantes em relação aos países católicos, e só muito recentemente, passados cinco séculos, é que estes começaram a diminuir o gap.

Mais acentuadas ainda foram as diferenças que esse Princípio produziu entre países protestantes e países católicos no domínio da ciência e da filosofia. Tomando como critério o galardão máximo que é atribuido na ciência - o Prémio Nobel -, quem consultar a lista dos galardoados observará o domínio esmagador dos cientistas oriundos dos países do norte da Europa e da América do Norte. Tomando a França como país fronteira entre países protestantes, a norte, e países católicos, a sul, é extraordinariamente diminuto o número de cientistas laureados com o Prémio Nobel das ciências oriundos dos países do sul da Europa e da América Latina em comparação com os países do norte da Europa e da América do Norte, e os poucos que existem quase sempre desenvolveram as suas carreiras em algum país protestante, normalmente os EUA. (Acontece assim, por exemplo, com o economista italo-americano Franco Modigliani). (Ver aqui)

Na filosofia, o panorama é igualmente desolador. A filosofia moderna inaugurada por Descartes é preenchida por nomes oriundos do norte da Europa (John Locke, David Hume, Kant, Hegel, etc.) e não é fácil encontrar um nome - um único sequer - nascido em Portugal, Espanha, Itália, Argentina, Brasil ou México. Tal como no domínio da ciência, a pobreza é atroz. Só nos domínios das artes, da literatura e da poesia é possível encontrar alguns nomes de relevo oriundos de países católicos.

O desenvolvimento da ciência e da filosofia exige a cultivação e o exercício da razão humana. E para ver como a tradição protestante a cultiva muito mais intensamente do que a tradição católica, valerá a pena voltar ao meu último post para analisar como, num e noutro caso, se chega à verdade da palavra de Cristo - verdade que é o objectivo da ciência e da filosofia modernas. No caso protestante, o processo é colectivo ou grupal. Várias pessoas, cada uma tendo feito o seu trabalho de casa - isto é, lido as Escrituras - sentam-se à volta de uma mesa para discutirem, digamos, o que é que Cristo quis dizer com a Parábola dos Talentos. Cada um esforça-se por dar uma contribuição que avance a discussão até se chegar a um consenso. O processo termina quando o consenso é atingido.

Mudemo-nos agora para um ambiente católico onde o mesmo assunto é tratado - uma missa católica. A situação é aí muito diferente. Em lugar de várias pessoas sentadas à volta de uma mesa, todas preparadas e em plano de igualdade, e cada um dando uma contribuição para se chegar a um consenso, o que vemos nós? Um homem - o padre ou autoridade - por detrás dum púlpito e num plano superior aos demais, e depois a assistência (os leigos, literalmente, os ignorantes), a aceitarem passiva e acriticamente tudo aquilo que o padre diz sobre o assunto. Aquilo que choca na comparação é o exercício activo da razão ou da inteligência no caso da reunião protestante, e a completa passividade intelectual dos leigos que assistem à missa católica. Não há uma pergunta, uma objecção, uma contestação àquilo que o padre diz, em parte, porque também não há preparação. Os leigos não leram a Bíblia e não conhecem o contexto, as nuances e o ênfase das palavras de Cristo na Parábola dos Talentos como, de resto, em qualquer outra passagem das Escrituras.

Ao contrário da cultura protestante, em que a verdade está no consenso racional de várias pessoas, a verdade, na cultura católica, está na palavra da autoridade (o padre), a qual é passivamente aceite pelos demais, sem qualquer manifestação crítica. Uma cultura, como a católica, cuja característica principal no domínio das ideias é a mais completa abulia intelectual da esmagadora maioria das pessoas, tal como representada pela passividade dos leigos que assistem à missa, é uma cultura que não está preparada para produzir nem cientistas nem pensadores. E a realidade é que não os produz com intensidade comparável à da cultura protestante.

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2 estilos 2

Sobre o gang dos 28:

PA - Afirmar frontalmente o que pensa.

VPV (No Público de hoje) - Afirmar o contrário do que imagino que pense e deixar a descodificação ao leitor:
Os 28, pelo contrário, sem interesse directo nos resultados de Outubro... e não falando por nenhum partido ou instituição, não correm o risco de provocar automaticamente a incredulidade ou as reservas do público. Porque razão iriam Cadilhe ou Silva Lopes, Beleza ou João Salgueiro, Mira Amaral ou Daniel Bessa, mentir ou exagerar? Se resolveram correr o risco de censura e maçadas, numa terra de medo e conformismo,é porque achavam um caso de força maior. Merecem o nosso crédito.

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a royal gang







A família real inglesa tem as mesmas motivações de qualquer gang, o que tiveram foi sorte na vida...

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tem os genes da mãe

Prince William has revealed for the first time how he held private meetings with former gang members and learnt valuable lessons from them.
Via Telegraph
Former gang members have told me that it is precisely to find status, respect from others and the role in a community that we all crave that led them to fall in with gangs in the first place. One enduring feature of all gangs – and teams – is that they survive on mutual support. They allow their members to earn respect by obeying the rules, and they share clear objectives. Essentially, they allow the individual to belong.
Via Telegraph

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afinal havia outra


A Prisa tem uma dívida de cinco mil milhões de euros à banca e a venda da TVI seria uma solução possível para encaixe de dinheiro. Mas, diz o Expresso, o Governo de Sócrates não facilita um possível negócio enquanto a TVI incluir Manuela Moura Guedes*.
Via Público
Num post anterior interroguei-me sobre os interesses que poderiam mover a TVI, para indignação de muitos comentadores. Agora, aí estão ao léu.
Qualquer análise que pretendam fazer deste assunto deve partir do seguinte pressuposto: MMG está ao serviço da Prisa; é a Prisa que lhe assina os cheques.
*Está implícito na notícia que a Prisa adquiriu uma moeda de troca.

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20 Junho 2009

Sola Scriptura


Até ao século XVI pelo menos, a Igreja Católica, a única versão existente do Cristianismo, dominava praticamente todos os aspectos da vida na Europa Ocidental. Não havia problema humano que não fosse visto à luz da religião católica.

A Reforma Protestante do século XVI veio pôr termo ao monopólio que a Igreja Católica exercia sobre o espírito humano, embora não em toda a Europa. Em Portugal e Espanha, a reforma protestante nunca entrou, sendo estes dois países os agentes activos da chamada Contra-Reforma. Quais foram os hábitos de pensamento e de acção que passaram a ser cultivados nos países protestantes do norte da Europa (e mais tarde nos seus descendentes na América do Norte) e em que é que eles se diferenciam daqueles que permaneceram na Península Ibérica e que esta mais tarde passou aos seus descendentes na América Latina? Por outras palavras, o que é que distingue aquilo que tenho vindo a designar por cultura protestante e por cultura católica?
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Em breve, a resposta é: as cinco Solas. A primeira das cinco grandes diferenças entre protestantismo e catolicismo é o chamado Princípio da "Sola Scriptura", de que me ocuparei neste post.
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Qual é a fonte da revelação divina, isto é, se eu quiser saber o que é o Cristianismo e tornar-me um bom cristão, o que devo fazer? "Ouça os ensinamentos do magistério da Igreja (a chamada tradição)", responde a Igreja Católica. "Não, a Igreja Católica representa apenas uma interpretação, em muitos aspectos incorrecta e abusiva, do Cristianismo. Só lendo as Escrituras (Sola Scriptura) você aprende o que é o verdadeiro Cristianismo e se pode tornar um bom cristão", respondem os Protestantes.
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Então, se eu quero ser um verdadeiro cristão, num caso (Cat.), sou aconselhado a ouvir os ensinamentos dos padres, no outro (Prot.) sou aconselhado a ler os Evangelhos. As consequências que daqui resultam são consideráveis.
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A primeira é que, se eu sigo a via Protestante, a primeira coisa que tenho a fazer é aprender a ler, algo perfeitamente dispensável para quem decide seguir a via Católica - basta-lhe ir à missa ou à catequese e ouvir o padre. Mais ainda, passa a ser no interesse da Igreja Católica que as pessoas não aprendam a ler, não vão elas questionar os ensinamentos dos padres e tornarem-se protestantes (os quais, muito justamente, dispensam os padres).
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O resultado imediato é que a taxa de alfabetização nos países protestantes subiu em flecha enquanto que nos países católicos se manteve estacionária e baixa. Passados cinco séculos, essa diferença persiste, embora em menor grau.
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Eu decidi seguir a via Protestante e ler as Escrituras. A dificuldade, porém, é que Cristo fala frequentemente por parábolas, e eu não estou certo de o conseguir interpretar correctamente. Como me certificar de que a minha interpretação é correcta - isto é, como chegar à verdade da palavra de Cristo? A resposta parece óbvia. Juntando-me a outros que sentem as mesmas dificuldades do que eu e discutindo os Evangelhos com eles. Construtivamente, corrigindo-nos mutuamente, talvez consigamos chegar à verdade. Na tradição protestante, então, a palavra de Cristo - a verdade - emerge do debate, um debate que exige preparação prévia (ler a Bíblia), que é genuíno (porque o assunto é sério) e é construtivo (eu corrijo os erros do meu vizinho e ele corrige-me os meus).
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Se eu, pelo contrário, decidi seguir a via católica, esta questão nunca se põe. A verdadeira palavra de Cristo é aquela que a autoridade - a Igreja, o clero - diz que é. Os padres é que leram as Escrituras - não eu - e se eles dizem que é assim é porque é assim. Para a tradição católica, a verdade está na autoridade (da Igreja). Admitamos, porém, que alguém ao meu lado, que não é padre, contesta aquilo que o padre diz. Como vou eu reagir? Tratando-o mal, diminuindo-o, chamando-lhe nomes, que é isso que ele merece. Quem sabe disto é o padre, não ele. Este homem é um perturbador - o herege - que vem para aqui causar problemas e lançar a confusão.
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Percebe-se agora porque é que o diálogo ou o debate entre pessoas de um país de tradição católica é sempre destrutivo e acaba sempre em ofensas pessoais recíprocas, e porque é que tais pessoas são radicalmente surdas e intolerantes em relação a tudo aquilo que é dito por alguém que não seja quem elas, certa ou erradamente, consideram uma autoridade.
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O peso da religião na sociedade diminuiu. Porém, para quem, geração após geração durante vinte séculos foi formado nesta atitude de espírito, nada mudou. Para eu acreditar nalguma coisa preciso que seja uma autoridade a dizê-lo. Pode hoje já não ser o padre e, em última instância, o Papa. Pode ser o Einstein, o Niall Ferguson ou o John Gray. Não pode é ser o meu vizinho do lado, porque esse - isso eu tenho a certeza - é tão ignorante como eu. Compreende-se agora também, porque é que nos países de tradição católica as pessoas não têm confiança umas nas outras - excepto naquelas que estão em posição de autoridade.

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realismo metafórico










Vladimir Kush

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mens agitat molem















Cabe ao escol do escol descobrir a mensagem.

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Edição de Fim de Semana


Neste blogue, o Joaquim tem sido um entusiasta do novo jornal "i", desde a primeira hora. Pessoalmente, tenho acompanhado a sua evolução, comprando a edição diária e, também, a de fim de semana. Ainda não estou como o Joaquim, que dispensou o "Público" em prol do "i". Continuo a comprar os dois e, no balanço, durante a semana continuo a preferir o "Público". Contudo, ao fim de semana, já não passo sem o "i", em particular, sem os ensaios de João Carlos Espada, desta feita dedicado a Hayek.

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I can't get it

Descobri porque é que o mundo está em cacos. É por causa de mim e de outros como eu, “economistas de pé descalço” formados nas escolas de MBA’s. Sim, os mesmos que são responsáveis pela crise financeira global, pela falência da GM e, até, pelo aquecimento global.
Não tendo passado anos a fio mergulhados nos canhenhos da “dismal science”, os MBA’s aprenderam umas coisitas, mas julgam que dominam a pantera. Graças a Deus que ainda há pessoas com educação formal em ciência económica para nos meterem na ordem. Eis um exemplo, tirado do jornal i de hoje, mais precisamente de um artigo de Ricardo Reis, um professor de economia de uma universidade da Colômbia , que prima pelo rigor clássico do seu homónimo heterónimo.

Quando o Estado compra um terreno, não cria riqueza. Limita-se a transferir dinheiro (1) de todos os contribuintes para alguns contribuintes, donos dos terrenos em causa. Para além disso, porque estes proprietários provavelmente não são as pessoas mais remediadas, muitos irão poupar o dinheiro que recebem, sem qualquer estímulo para a actividade económica.

No meu tacanho entendimento, a poupança permite ao sistema financeiro conceder o crédito necessário ao investimento e, portanto, é um instrumento fundamental para estimular a actividade económica. Especialmente agora, que os bancos estão com dificuldades e necessitam dessa poupança.
Por outro lado, se os recursos do Estado fossem redistribuídos à populaça iriam estimular a economia? Com certeza, numa economia aberta como a nossa (eu diria escancarada), esses recursos iriam estimular a economia de todos os países com que mantemos um défice comercial e, digo, eu, talvez sobrasse alguma coisa para nós. Os multiplicadores já não são o que eram...
A minha interpretação parece senso comum, mas senso comum e economia, por vezes, parecem conceitos contraditórios.
(1) Uma compra é uma troca de recursos e não uma transferência de recursos. E também é irrelevante se o vendedor é ou não contribuinte.

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Lixo


Lixo. Não existe uma ideia ou facto original, nada que não se soubesse já. Bater em mortos. Bota abaixo. Jumping out of the boat and getting ready to embark in the next one. Inoportuno (oportuno teria sido fazê-lo há três ou quatro anos atrás - mas onde estava a coragem?). Incoerente (muitos tiveram ou têm responsabilidades institucionais e contribuiram para a situação actual). Mentalidade de rebanho. Cobarde. E ainda têm o desplante de dizer que não pretendem utilizar esta piece of garbage com intuitos políticos. Quando o homem estava na maior nunca teriam feito isto, nem o fariam se ele tivesse ganho as eleições europeias.

Estes são alguns dos comentários que me sugere este manifesto que hoje é primeira página do Público. Claro que existem algumas excepções entre os autores, como Medina Carreira.

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como crianças


Na opinião de Lawrence Harrison, que tenho vindo a citar, um dos factores principais do atraso relativo da América Latina, e das suas dificuldades com a democracia, é a filosofia de educação que os países latino-americanos herdaram da Península Ibérica. Referindo-se ao universo cultural de países de tradição ibérica, ele cita vários autores que ficaram perplexos ao observar que nestes países, as crianças, especialmente os rapazes, são educados como meninos-mimados e é como meninos-mimados que eles se comportam pela vida fora.

Citando Diaz-Plaza sobre Espanha: "o espanhol comporta-se como uma criança ... como uma criança, ele é um egoísta; como uma criança, ele é orgulhoso; como uma criança, ele quer sempre aquilo que quer. E como uma criança, ele gosta de ser o centro das atenções".

Citando David Landy sobre Puerto Rico: "a maneira como os rapazes são educados resulta em adultos imaturos e inseguros".

Citando Malcolm T. Walker sobre a República Dominicana: " ... é surpreendente como ... os homens são emocionalmente imaturos e esta imaturidade resulta da forma como os rapazes são educados ... os rapazes ... são tratados com extrema indulgência".

Finalmente, citando Edward Bansfield sobre Montegranesi (Itália, antiga colónia espanhola): "a indulgência dos pais para com os filhos e a permissividade para os deixar ser egoístas e irresponsáveis (leva a que) os homens actuem como crianças porque foram educados como crianças". (L. Harrison, Who Prospers, op. cit., p. 56)
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Não é difícil concluir que o liberalismo de cariz anglo-saxónico, que está assente na prossecucação do interesse próprio responsável, não resulta em Portugal, em Espanha, ou em qualquer dos países seus descendentes na América Latina. Ele conduz à situação em que fica uma casa de família, cheia de meninos-mimados, quando os pais estão ausentes - a desordem e o caos.

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não tem ideias

O nosso escol político não tem ideias excepto sobre política, e as que tem sobre política são servilmente plagiadas do estrangeiro - aceites, não porque sejam boas, mas porque são francesas, ou russas, ou o quer que seja.
FP, em "O caso mental português".

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o caso mental



A tragédia mental de Portugal presente é que, como veremos, o nosso escol é estruturalmente provinciano.
Fernando Pessoa
Ver tb aqui

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A Invencível Armada


Se o Lawrence Harrison fosse português, esta pequena história que ele contou em jeito de anedota, seria suficiente para arruinar a sua reputação profissional e académica (ver a caixa de comentários e os esforços de repôr a verdade que vão desde considerações estratégicas até à Invencível Armada, passando pelo D. Nuno Álvares Pereira): "Então este burro (seria assim que ele seria tratado) não sabe que a marinha portuguesa nunca conseguiu juntar 100 navios de guerra?"
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Trata-se de uma manifestação da ideia de perfectibilidade (referida aqui), tal como é entendida nas culturas resistentes ao desenvolvimento ("se não é perfeito, é mau") , como a portuguesa. Qualquer pequeno detalhe é usado para arruinar o autor e a sua obra (o número de barcos portugueses - cem - é irrelevante, excepto em termos relativos face ao espanhóis, para ilustrar a moralidade da história - a humanidade, o pragmatismo e a flexibilidade dos portugueses.). A criatividade, a grande ideia ou tese, não vence nesta cultura porque é ofuscada pela inexactidão real ou imaginária de um qualquer detalhe sem importância. A sua cultura não permitindo a criatividade, os portugueses imitam, e têm horror a quem seja criativo. Intelectualmente são, de facto, muito fechados. É um dos grandes onus da cultura portuguesa - os portugueses ficam agarrados aos detalhes e esquecem o principal.
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Resta acrescentar que mesmo não sabendo que a marinha portuguesa nunca teve 100 barcos de guerra juntos, Harrison fez uma excelente carreira profissional e académica. Nos EUA, bem entendido.

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19 Junho 2009

Programa de Governo - Educação


1. Acabar coma avaliação pública dos professores. Os professores são avaliados pelas suas hierarquias - os mais seniores avaliam os mais juniores.
2. Todas as escolas do Ensino Básico e Secundário (EBS) são dirigidas por um director nomeado pelo Ministério da Educação (ME).
3. Instituir o regime de livro único em todas as disciplinas do EBS, complementado por bibliografia suplementar.
4. O professor é soberano na sala de aula, executa o programa lectivo definido pelo ME e contido no livro único, e só responde perante o director da escola.

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Programa de Governo - Administração Pública


1. Acabar com as pensões de reforma múltiplas no sector público.
2. Acabar com as nomeações de carácter político.
3. Acabar com os regimes especiais de saúde e de reforma no sector público. O regime geral de pensões da Segurança Social e o regime de saúde do SNS aplica-se a todos os portugueses.
4. Proibir as greves no sector público.

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Programa de Governo - Partidos Políticos


1. Acabar com o financiamento público dos partidos.
2. Os partidos são obrigados a prestar contas nos mesmos termos exigidos às empresas.

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Programa de Governo - Justiça


1. Proibir os agentes da justiça de prestarem declarações à comunicação social.
2. Reduzir drasticamente os recursos materiais e humanos do Ministério Público.
3. As condições de acesso ao Centro de Estudos Judiciários, onde se formam os juizes, passam a ser: i) ter pelo menos 35 anos de idade; ii) ter pelo menos uma licenciatura em qualquer domínio do saber; iii) ter pelo menos dez anos de experiência profissional em qualquer ramo de actividade.

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Saber


Saber não consiste em citar autoridades. Esse é o saber infantil ou adolescente. Saber consiste em, depois de digerir todas as opiniões sobre um tema, ter uma opinião própria sobre ele, a qual é desejável que seja fundamentadamente diferente, e acrescente às existentes. Esta é a distinção entre o saber da cultura católica e o saber da cultura protestante. Esta é também a razão por que os católicos parecem, aos olhos dos protestantes, fanáticos ortodoxos, e os protestantes parecem, aos olhos dos católicos, hereges extravagantes. Sem esta alteração cultural no entendimento do que é o saber, países como Portugal nunca serão capazes de estabelecer um debate democrático.

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Claro que há excepções


Lawrence Harrison, que tenho vindo a citar, é americano, mas a sua tese de que a cultura é decisiva para realizar a democracia, a justiça e o progresso económico, só lhe ocorreu porque ele viveu 13 anos na América Latina. É dessa experiência que resultou o seu primeiro livro importante (Underdevelopment is a State of Mind, 1981). Comparando os valores e atitudes da sua cultura americana (protestante, na minha linguagem) com os valores e atitudes da cultura ibérica (católica, na minha linguagem) herdada pelos países da América Latina, rapidamente chegou à conclusão que o subdesenvolvimento da América-Latina era o resultado de certas atitudes culturais herdadas de Espanha e Portugal e que lá são ainda prevalecentes.

Provavelmente, uma das que mais o impressionou foi o facto de na cultura ibérica (católica) as pessoas não terem confiança - na realidade, não gostarem - umas das outras fora da família e do círculo restrito de amigos. Para além de ser um entrave sério ao progresso económico (as dificuldades de estabelecer contratos com pessoas em quem não se tem confiança são óbvias), esta atitude impede a democracia. Se eu só confio na família e nos amigos, e não nos outros, como é que vou respeitar um governo que é largamente escolhido ou eleito pelos outros e em cuja escolha eu, a minha família e os meus amigos temos um peso insignificante?

Outra atitude que o surpreendeu foi verificar que, na cultura ibérica herdada pela América Latina, os governantes (a autoridade) estão acima da lei. As pessoas vão para a política não para servirem os outros, mas para se servirem a si próprias, já que podem violar a lei sem que nada lhes aconteça. Entrar na política, e alcançar um lugar de relevo na política, é uma licença para enriquecer. Por isso, conclui ele com um certo desespero, a maior parte dos governantes desses países vão para a política para enriquecer, não para servir a comunidade: "Aqueles que acham este estereótipo excessivo, devem considerar que o Chefe de Estado latino-americano típico quando abandona o lugar está imensamente rico. Claro que há excepções". (Who Prospers, op. cit., p. 13)

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Truth



The Central Liberal Truth

Ver também aqui.

Uma das teses centrais do livro é a de que as culturas não são todas iguais, em vista da realização de certos bens como a democracia, a justiça e o progresso económico. Há culturas que são mais propensas à realização desses bens do que outras, e há ainda culturas que não os conseguem realizar de todo. Se a realização daqueles bens é um objectivo desejável, então há que analisar os factores culturais que em cada país impedem a sua realização, e corrigi-los. Na opinião do autor, um dos principais factores de correcção consiste em uma diferente educação das crianças - não apenas na escola, mas sobretudo em casa. O autor também acredita que é possível mudar a cultura através do processo político, e é aqui que se manifesta o seu pendor liberal (igual a "esquerda" nos EUA), em contraposição com a posição conservadora, a qual não acredita que o processo político possa mudar a cultura.

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Bem negociado


Na última semana, primeiro no "Expresso" e depois em outros órgãos de comunicação social, foi noticiado que a direcção do jornal "Público" terá proposto aos seus colaboradores uma redução de salários entre 3 e 12%. A crise está a atingir tudo e todos. E o "Público", apesar da excelência do seu jornalismo, nunca foi um exemplo de saúde financeira, por isso, é natural que agora tenha de reduzir custos para reduzir prejuízos. Nesse sentido, a proposta, embora contrária aos costumes portugueses - basta recordar a lei do trabalho que proíbe a redução nominal dos salários nas relações contratuais já estabelecidas - parece sensata. E, subentende-se, a redução de salários surge como uma alternativa à solução mais radical: os despedimentos.

Infelizmente, aquilo que não me parece nada sensato é a forma como a administração do jornal está a gerir o assunto. Ou seja, ao propôr a redução salarial, ameaçando - ainda que de forma velada - com os despedimentos, está a chutar a decisão para o campo dos funcionários, na prática, demitindo-se da sua função de administração. Ora, é isto que não está certo. Na minha opinião, a decisão certa seria dispensar as pessoas que, na actual conjuntura, estão a mais - explicando-lhes os motivos dessa decisão e pagando-lhes tudo a que têm direito. E, depois, já com a equipa redimensionada, reunindo departamento a departamento, com o intuito de informar os colaboradores para as reduções nos gastos gerais de funcionamento ainda indispensáveis. Assim, reequilibravam-se as contas, respeitava-se a dignidade pessoal dos que saíam e motivavam-se os que ficavam, reforçando desse modo a coesão de equipa dentro da redacção do "Público" e a consideração profissional entre as diversas hierarquias.

Na situação actual, pelo contrário, vai tudo acabar de candeias às avessas e num impasse. Nesse sentido, escreve hoje o Jornal de Negócios que "ontem, em plenário, os trabalhadores [do Público] consideraram não dispor de informação suficiente para tomarem uma decisão sobre a proposta que lhes foi apresentada nem individualmente nem colectivamente". De seguida, foi também "solicitado à administração do Público (...) a implementação de uma estratégia em termos editoriais e comerciais que faça sentido no actual contexto de crise económica e financeira dos media". Ou seja, em face da inabilidade revelada pela administração do "Público", os jornalistas, com o apoio do seu sindicato, responderam muito bem: empataram, adiaram e, provavelmente, inviabilizaram as decisões que lhes tentaram auto infligir.

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Mal negociado


A imprensa de hoje noticia que a comissão de trabalhadores da Autoeuropa vetou o pré-acordo que a sua direcção havia firmado com a administração alemã, cuja consequência será uma tomada de força da empresa, a dispensa imediata de 250 trabalhadores e a eliminação de um turno. Admitindo que não estou na posse de todos os dados, a decisão dos trabalhadores parece ser uma verdadeira idiotice que, mais cedo ou mais tarde, todos irão pagar bem caro.

De resto, não posso deixar de lamentar a reacção relativamente apática do Coordenador da Comissão de Trabalhadores - no mínimo, estranha. Afirma António Chora, citado no Diário Económico, que "O Não venceu por 1381 votos, contra 1252 a favor". De seguida, acrescenta "estamos muito preocupados principalmente com os 250 trabalhadores que terminam os contratos este mês e no próximo. Nunca pensámos, sinceramente, que o acordo não passasse. Como CT só temos uma coisa em mente que é defender os postos de trabalho". Enfim, reitero a minha estranheza: se estão tão preocupados em defender os postos de trabalho, como é que não se certificaram da aprovação do pré-acordo, em especial depois de tantas semanas de intensas negociações?!

As teoria da conspiração defendem que, em geral, os sindicatos estão mais preocupados em defender os interesses dos incumbentes, ou seja, dos que estão empregados, que os interesses daqueles que estão desempregados ou em vias de estar. Infelizmente, esta situação na Autoeuropa dá corpo a esta tese. Aparentemente, a razão que mais pesou na hora de rejeitar o pré-acordo foi o facto do trabalho ao sábado passar a ser remunerado como um dia normal, condição exigida pela administração de forma a criar o enquadramento financeiro adequado ao aumento do número de horas de trabalho e assim tirar partido da capacidade instalada de produção.

Talvez seja excessivo da minha parte atribuir a rejeição do pré-acordo aos funcionários com contrato sem termo, porém, bem vistas as coisas, o comodismo que esteve na base da discórdia, quanto ao salário praticado ao sábado, só pode ter origem nos mais bem instalados e a expensas dos mais desprotegidos - aqueles que agora serão os primeiros a sentir na pele os efeitos de uma má decisão. Infelizmente, a prazo, a decisão será má para todos. Nesta rota, a Autoeuropa será descontinuada e todos acabarão despedidos. Ou seja, estamos perante uma decisão que é "penny wise, pound foolish".

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8,4%

Voltemos ao tema da moda: o financiamento do sistema de saúde. A visão do Estado de Bem-estar está expressa na Constituição da República.
Art. 64º
1.Todos têm direito à protecção da saúde e o dever de a defender e promover.
2.O direito à protecção da saúde é realizado: a) Através de um serviço nacional de saúde universal e geral e, tendo em conta as condições económicas e sociais dos cidadãos, tendencialmente gratuito.

O debate em torno do financiamento do sistema de saúde deve portanto focar-se no investimento disponível e no modo de o rentabilizar o mais possível, para a protecção da saúde dos portugueses.
Criar um sistema de vasos comunicantes, entre o bolso dos contribuintes e as contas bancárias dos que vivem da saúde, não é sensato.
Lanço daqui um desafio a quem se interesse por esta problemática: quanto é que poderemos gastar na saúde?
A minha resposta é: 8,4% do PIB - o mesmo que a Espanha (gastos totais, públicos + privados).
PS: Se clicar na imagem verificará que Portugal já vai em 10,2%. Esta despesa é insustentável.

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nada me separa dos meus jeans




Para entusiasmar a populaça, a intensidade do estimulo tem de ser cada vez maior. Qualquer patrício romano reconheceria este princípio. E a CK não o ignora...
Ver aqui.

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já não era sem tempo

Finalmente, Bill Clinton parece ter acertado nas companhias femininas, após uma longa e penosa série de escândalos com mulheres francamente desinteressantes, entre as quais se destacam a anafada Monica Lewinsky, a nariguda Paula Jones e a medonha Jennifer Flowers.

Desta vez acertou em cheio, numa steaper argentina chamada Andrea Rincón (a menina da foto), que terá conhecido num afamado cabaret de Buenos Airos, o Cocodrilo.

Bill terá tido direito, como qualquer gringo que se preze em férias pela América do Sul, a uma private dance, e a moça a um convite do ex-presidente para uma noitada ainda mais privada.

Se aceitou ou não, desconhecemos. Mas, apesar do seu staff ter declarado à comunicação social que o pobre do homem não tinha saído do hotel, onde supostamente passou a noite a jogar às cartas com os amigos, não queremos deixar escapar o momento para felicitar o velho presidente pela primeira mulher decente que conheceu em setenta anos de vida. Parabéns, Bill, já não era sem tempo!

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You win


"And as a final example of Portuguese flexibility, pragmatism and humaness, there is the story, perhaps apocryphal, of the Portuguese admiral who, at the moment of engagement with a Spanish fleet, requested a meeting with the Spanish admiral. "How many ships do you have?" he asked the Spaniard, who replied, "Two hundred". The Portuguese then said, "I have one hundred. You win". Whereupon he drew his fleet".
(Lawrence E. Harrison, op. cit., p. 36)

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18 Junho 2009

Get lost


Neste post, em que sob a designação genérica de cultura resistente ao desenvolvimento (crd) eu vejo todas as características culturais prevalecentes em Portugal, gostaria de elaborar sobre uma situação particular em que se manifesta a falta de racionalidade desta cultura, e uma das muitas em que a racionalidade é substituida pela mais estulta e cruel emocionalidade.

Refiro-me à situação em que duas pessoas decidem quebrar uma relação - por exemplo, um divórcio, a rescisão de um contrato de trabalho, ou o simples termo de uma amizade. Na cultura protestante - a cultura propensa ao desenvolvimento (cpd) -, cada uma das pessoas envolvidas procura resolver a separação o mais rapidamente possível, frequentemente abdicando de benefícios ou direitos pessoais em nome de um benefício ainda maior - o de se ver livre de uma pessoa de quem não gosta, ou que deixou de gostar dela, e procurar refazer a sua vida noutros lugares e com outras pessoas.

Na cultura católica - a cultura resistente ao desenvolvimento (crd) - cada uma das partes envolvidas na separação fica ali, se puder, a vida inteira, a assediar e a impôr custos à outra, mesmo se frequentemente os custos que ela própria suporta são superiores aos custos que inflige à outra. Uma separação é nesta cultura quase sempre acompanhada de ódio, senão mesmo de perseguição para a vida. Na cultura protestante, esta atitude não é apenas reprovada moralmente - uma pessoa tem o direito de não ter atrás de si, a roer-lhe os calcanhares, quem não gosta dela. Na cultura protestante, esta atitude é mesmo considerada um crime - o crime de assédio.

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de esquerda



Cultura e política: Porque é que os judeus são predominantemente de esquerda?

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mais eficaz


Este blogue tem vindo a dar confirmação a uma tese que defendi anteriormente, a saber, que num país católico como Portugal a liberdade de expressão conduz à inibição da expressão - isto é, à censura. Este é um blogue onde a liberdade de expressão é absoluta. E, no entanto, apesar de o número de leitores se manter constante, o número de comentadores habituais é cada vez menor, reduzindo-se agora a um pequeno número que representa menos de 1% dos leitores do blogue. Na ausência de uma censura oficial que é uma instituição típica da nossa cultura católica, emerge uma censura espontânea que é cem vezes mais eficaz porque cala cem vezes mais pessoas.

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tipologia


O sociólogo argentino Mariano Grondona desenvolveu uma tipologia que identifica cerca de vinte factores culturais que operam muito diferentemente numa cultura propensa ao desenvolvimento (cpd) e numa cultura resistente ao desenvolvimento (crd). Ele tem em vista valores essencialmente protestantes no primeiro caso e valores essencialmente católicos no segundo, a sua nativa Argentina sendo um exemplo deste segundo caso (*).

Confiança no indivíduo. A cpd respeita e tem fé no indivíduo, daí resultando igualitarismo e descentralização. A crd suspeita do indivíduo, daí resultando falta de confiança nas relações interpessoais, autoritarismo e centralização.

Sistema ético. A cpd está baseada num sistema ético assente nos valores do interesse-próprio responsável e no respeito mútuo. Na crd a moralidade visa a perfeição (altruísmo, auto-negação) que excede os limites da natureza humana e se torna utopianismo.

Virtudes menores. Um trabalho bem feito, cortesia, pontualidade, boa apresentação pessoal são elementos importantes de identificação social e de responsabilidade numa cpd. Eles não são importantes numa crd porque são vistos como obstáculos aos desejos individuais.

Perfectibilidade. Esta noção está presente como um ideal na cpd, mas apenas como situação limite a atingir no trabalho de um homem. Na crd qualquer pequena falha é utilizada pelas pessoas para induzir sentimentos de culpa no seu autor.

Respeito pela lei. Na cpd a lei é a base da autoridade e é isso que torna a democracia possível. Na crp a autoridade está acima da lei e a democracia torna-se um instrumento de novas formas de autoritarismo.

Religião. Numa cpd a religião explica e justifica o sucesso. Numa crd a religião alivia ou explica o sofrimento.

Riqueza. Numa cpd a riqueza é o produto da iniciativa e do esforço humano. Numa crd a riqueza é o stock de recursos existentes e a vida é uma luta para as pessoas se apropriarem deles.

Concorrência. Numa cpd a concorrência é vista como uma força positiva que promove a excelência e enriquece a sociedade. Numa crd a concorrência é vista como uma agressão que ameaça a estabilidade e a solidariedade, em parte porque suscita a inveja.

Justiça económica. Numa cpd a justiça económica exige poupança e investimento para o benefício da geração presente e das gerações futuras. Numa crd a justiça económica é vista como uma distribuição equitativa em favor dos membros da geração presente.

Trabalho. Numa cpd o trabalho é um dever moral e social e uma forma de auto-expressão e satisfação pessoal. Numa crd, o trabalho é um fardo, um mal necessário; o verdadeiro prazer e satisfação são obtidos fora do local de trabalho.

Heresia ou dissenção. Numa cpd a heresia ou dissenção é crucial ao progresso, à reforma e à procura da verdade. Numa crd o herético é um criminoso que ameaça a estabilidade e a solidariedade sociais.

Educação. Numa cpd a educação favorece o espírito investigativo e a criatividade. Numa crd ela transmite ortodoxia.

Pragmatismo, racionalismo, empiricismo e utilitarismo. Estes são valores centrais de uma cpd. Pelo contrário, numa crd eles representam ameaças à estabilidade, solidariedade e continuidade. A tradição, a emoção e o acaso substituem-se aqui à racionalidade.

Horizonte temporal. Numa cpd o horizonte temporal é o futuro manipulável pelo homem. Numa crp o ênfase é no passado, e a ideia de futuro identifica-se com o destino, reflectindo uma visão fatalística do mundo.

Mundo. Numa cpd o mundo é um campo de acção e de realização que se vê com optimismo. Na crd, o mundo é dominado por forças irresistíveis (Deus ou o Diabo, as empresas multinacionais,a maçonaria, conspirações internacionais) e que se olha com pessimismo, senão mesmo medo.

Vida. Numa cpd a vida "é algo que eu farei". Numa crd "é algo que me acontece".

Optimismo. É cultivado numa cpd. Numa crd a sobrevivência é o objectivo e o pessimismo o sentimento dominante.

(*) Cit. em Lawrence E. Harrison, Who Prospers: How Cultural Values Shape Economic and Political Success, N. York: Basic Books, 1992, pp. 16-19.

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pragmatismo, precisa-se

É necessário pragmatismo na abordagem dos problemas do sistema de saúde. Deveremos, por exemplo, permitir a dedução das despesas com a saúde no IRS?
Definitivamente, sim! Porquê?
Porque só deduzem as despesas com a saúde os portugueses que as pagaram do seu bolso. Ao fazê-lo, estão, portanto, a libertar recursos do SNS para tratar outras pessoas.
O meu prezado amigo, Dr. Jorge Simões, afirma o contrário. Porquê? Porque, na sua perspectiva, esta dedução não está ao alcance das pessoas com rendimentos menores.
Ora, deve ser precisamente a pensar no interesse das pessoas com menores rendimentos que devemos manter esta dedução fiscal. Para que o SNS tenha o máximo de recursos para tratar quem precisa. A saúde não precisa de purismo, precisa de pragmatismo.

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erro crasso



O tema do financiamento da saúde voltou a estar na ordem do dia. A perspectiva da maior parte dos intervenientes no debate, contudo, é diametralmente oposta ao que deveria ser.
Perguntam:
- Onde é que vamos sacar mais dinheiro para a “saúde”?
Mas deveriam perguntar:
- Como é que podemos melhorar a saúde dos portugueses com o dinheiro que temos?

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missa negra

Com Black Mass, termino a “trilogia” do John Gray que iniciei esta semana. O livro retoma os temas que lhe são mais caros:
1.A história não tem qualquer sentido.
2.Não vale a pena lutar por um mundo melhor.
3.O humanismo é apenas um religião secular.
4.As políticas que procuram melhorar o mundo conduzem ao resultado oposto.
Penso que não vale a pena acrescentar muito. Mesmo concordando que o humanismo secular tenta ocupar o lugar das religiões, o resto nem merece crítica.

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