15.9.09
Tive recentemente o prazer de visitar o “Centro de interpretação da Batalha de Aljubarrota” inaugurado há quase um ano pelo social-democrata que preside à república a que nos condenaram. O referido centro foi construido, entre outros, pela Fundação António Champalimaud, devido à vontade expressa por António Champalimaud no seu testamento, e encontra-se na vila de S. Jorge (Batalha), isto é, no local exacto da onde ocorreu a batalha. Da visita fazem parte, para além da exposição permanente que nos procura integrar no contexto da época e compreender o desenrolar dos acontecimentos que culminaram na batalha de Aljubarrota, um filme muito bem feito e que nos dá bem a dimensão do esforço épico de um punhado de homens para defender algo que para eles era inegociável, a soberania, algo que reencontraremos mais tarde em 1640. Saí dali interrogando-me sobre que sentido tem hoje falar em soberania, sabendo nós a forma abjecta e escandalosa como os traidores abrilinos de uma só penada mandaram às urtigas todo o esforço daqueles homens (e dos que se lhe seguiram e fizeram o nosso Império), quer na forma criminosa como entregaram as colónias à voragem dos comunistas permitindo assim a muita dessa rapaziada enriquecer escandalosamente à custa da infelicidade dos seus compatriotas, quer na forma como entregaram a nossa debilitada soberania a uma entidade supra-nacional. Portugal é hoje um país fantoche entregue aos burocratas de Bruxelas. Paz à tua alma, Portugal!
3.9.09
Escândalo
No passado domingo fui excepcionalmente à missa na igreja de S. João Baptista do Lumiar. O pároco da referida paróquia brindou-nos com uma homilia na qual pontuaram alguns elogios à nossa “estimada” constituição devido às suas abundantes referências à igualdade. Facto no mínimo surpreendente sabendo-se a mesma obra de republicanos socialistas e laicos, logo maçons. Mas adiante. O pior estava para vir. No momento da Comunhão e, ao chegar a minha vez, como de costume, abri a boca esperando recebe-la. Qual não foi o meu espanto quando a senhora que a estava a dar me disse: “Dê-me a sua mão!” enquanto me enfiava à força a hóstia na mão. O pároco, que estava ao lado desta senhora a dar igualmente a Comunhão, apercebendo-se da minha estupefacção e recusa em comungar desta forma olhou para mim e disse: “Aqui é assim!” Confesso, com vergonha, que perante a situação e para evitar mais trocas de palavras acabei. Saí dali furioso, com o pároco e comigo próprio por ter cedido. Este insigne modernista permite-se mandar às urtigas, não só a carta do Cardeal Patriarca (de quem sei ser muito amigo) e que dizia claramente que ninguém pode ser impedido de comungar na boca, como tudo o que Bento XVI tem dito sobre a forma correcta de comungar. Até quando teremos de suportar estes mafarricos de sotaina? Não haverá meio de lhes fazer o que Cristo fez aos vendilhões do templo?
2.9.09
Cegueira ideológica
Tendo estado ausente em França por razões familiares, ouvi na rádio ao regressar a Portugal que o governo, não contente com o imenso descalabro que é o ensino no pós 25 de Abril, decidiu prolongar o ensino obrigatório até ao 12º ano. Eis a dinâmica igualitarista democrática, e por isso inimiga da autêntica mobilidade social, isto é, fruto do trabalho honesto e não do facilitismo, em todo o seu esplendor. Ao baixar-se o grau de exigência do ensino está a criar-se nas massas a ilusão de uma mobilidade social., a criar frustrados (lá dizia o sinistro S. Just “Os infelizes são o poder da terra”) e a impedir que aqueles que, oriundos de um meio familiar menos intelectualmente estimulante, possam adquirir um mínimo de conhecimentos de cultura geral (e o gosto pela sua aquisição) para suprir essa carência de origem, bloqueando-se assim na prática a mobilidade social. Isto já para não falar em todo o condicionamento ideológico do ensino. Com que autoridade se lamenta o excesso de licenciados em tantas áreas do mercado de trabalho? E a ausência de técnicos qualificados? Esta medida é, na boa tradição da esquerda, um hino à estupidez e uma declaração de ódio aos mais desfavorecidos. Há 35 anos que somos vitimas desta malta. Paz à tua alma, Portugal!
16.6.09
"Liberdade"
Percorrendo recentemente o interior dos Jerónimos deparo-me a dada altura com um cartaz anunciando para breve uma conferência intitulada, “Homenagem à liberdade”, o que me chamou imediatamente a atenção. Ao lê-lo deparo-me com alguns nomes conhecidos, dos quais apenas retive dois, o ilustre “filho” de Maritain e oráculo do regime (como muito bem lhe chama Brandão Ferreira), Marcelo Rebelo de Sousa e o do bispo do Porto, D. Manuel Clemente. Decididamente a Igreja portuguesa continua a alinhar pelo diapasão do regime servindo-lhe de caução moral. Ainda há pouco a C.E.P. nos tinha presenteado com uma carta apelando ao voto e à participação dos católicos nos actos eleitorais que se avizinham, como se a natureza intrínseca do regime não tivesse qualquer importância, e, como tal, daí pudessem resultar mudanças significativas e quiçá a instauração de uma sociedade cristã. No fundo aquele documento é uma declaração de fé no próprio regime. Ver a Igreja portuguesa apadrinhar concepções absolutas de “liberdade” características da revolução francesa, isto é, destituídas de toda e qualquer noção de submissão a uma autoridade legítima, e por isso, assente numa Verdade de origem transcendente, é bem o resultado da imensa confusão que reina na cabeça daqueles génios. Além disso é demonstrar uma total incapacidade de compreender que o totalitarismo provém em grande medida da tendência natural do homem para se furtar a toda e qualquer autoridade, pensando assim passar a ser mais livre, mas acabando na realidade por ficar escravo daquele que é potencialmente o seu pior tirano, isto é, ele próprio. É este o drama do homem moderno.
25.4.09
Beato Nuno de Santa Maria
É ainda sob o impacte da leitura do fabuloso post do Corcunda sobre o Santo que me sinto impelido a escrever algo sobre esse maravilhoso acontecimento que será para nós portugueses, fiéis ao Portugal que hoje nos tentam fazer esquecer, a justíssima, se bem que tardia, canonização do nosso compatriota D. Nuno Alvares Pereira. No Anti-Portugal (com a devida vénia ao autor da expressão) em que vivemos e no qual é possivel assassinar a pedido um inocente no ventre da sua mãe, que sentido tem hoje falar de um Homem para quem servir a Cristo era servir simultaneamente os dois Reinos, o Celeste e o de Portugal, algo hoje impossivel? Quando pensamos no exemplo enorme de abnegação, de humildade, de sentido do próximo ,de prática da caridade, de desprendimento pelas riquezas terrenas e vemos o que temos no Anti-Portugal no qual o poder, em vez de serviço, é motivo de luta e serve para obter vantagem para si e para os seus, escarrando na memória de Portugal e destruindo-lhe a alma, o que mais podemos esperar?
Termino com uma citação da "Mensagem" que é das mais belas palavras que se pode derigir ao Santo.
Que auréola te cerca?
É a espada que, volteando,
Faz que o ar alto perca
Seu azul negro e brando.
Mas que espada é que, erguida,
Faz esse halo no céu?
É a Excalibur a ungida,
Que o rei Artur te deu.
'Sperança consumada,
S. Portugal em ser,
Ergue a luz da tua espada
Para a estrada se ver
Como precisamos hoje da luz da sua espada. Intercede por nós junto do Pai para que nos ajude a derrotar o Anti-Porugal. Obrigado pelo testemunho da tua Fé, Nuno.
3.4.09
Rerum Novarum
Terminei recentemente de ler na sua totalidade, visto que até agora apenas tinha lido excertos, a famosa “Rerum Novarum” de 1891 e que é habitualmente designada como a primeira das grandes encíclicas sociais. Neste caso e, como é sabido, esta pretendia ser uma resposta às ideias socialistas que simulavam querer responder ao problema da condição dos operários, submetidos que estavam na época a condições de trabalho que atentavam à sua dignidade de seres humanos, quando na realidade o objectivo era evidentemente o contrário. Partindo deste propósito Leão XIII escreveu um texto que abarca a generalidade da organização da sociedade que se quer cristã e que, por isso, deverá ter toda as suas instuições vinculadas à lei natural. Naturalmente que isto exclui à partida a possibilidade de as massas poderem alterar esse elemento agregador dessa mesma sociedade o que é obviamente excelente. Um documento que é uma obra-prima de bom senso e sabedoria e que por isso seria hoje considerado pelos meios “bem pensantes” como “fascista” e retrógrado. Uma dos aspectos que me levou a lê-la foi o facto de ter em parte inspirado Salazar, e aqueles que com ele trabalharam, na elaboração da Constituição da República Corporativa, a tal que para pesadelo dos democratas abrilinos, até foi referendada. De facto a defesa das corporações tem um grande peso nesta encíclica na qual não é feita a mínima alusão a partidos políticos. Mas oiçamos aquilo que Leão XIII diz logo no início da encíclica:
“O século passado destrui, sem as substituir por coisa alguma, as corporações antigas, que eram para eles (operários) uma protecção; os princípios e o sentimento religioso desapareceram das leis e das instituições públicas, e assim, pouco a pouco, os trabalhadores isolados e sem defesa, têm-se visto, com o decorrer do tempo, entregue à mercê de senhores desumanos e à cobiça de uma concorrência desenfreada.”
Quem, desprovido de “hipnose abrilina”, duvida ser hoje a exploração muito mais desenfreada, visto ser executada por “senhores desumanos”, do que antes do 25 de Abril? Ainda por cima estes mesmos senhores consideram-se de “amigos do povo”? Não sei porquê mas ocorro-me o nome de um jornal que Robespierre publicava ainda antes de 1789 e que se chamava precisamente, “L'ami du peuple”. Porque será que todo este edifício jurídico consubstanciado na Constituição de 1933 é hoje tão selvaticamente vilipendiado? Muito mais haveria a dizer desta grande encíclica mas hoje fico-me por aqui. Talvez no próximo post me venha a referir a ela mais uma vez.
24.3.09
Aniversário Reaça
O meu blogue preferido faz hoje a bonita idade de 5 anos. Tenho muita dificuldade em exprimir tudo o que devo a essa "pasquinada", cujos posts leio e releio várias vezes para melhor os "assimilar". Haver alguém que de uma forma simples, mas não simplista naturalmente, expõe o seu imenso saber e o partilha com humildes criaturas como eu, é algo que jamais poderei agradecer convenientemente. Se estou aqui a escrever estes disparates devo-o em parte ao senhor da "protuberância dorsal" e a outro amigo com quem em tempos partilhei este blogue. Mas o mais precioso de tudo é o ter ganho um grande amigo. Bem haja, Corcunda!
23.3.09
Obrigado, Santo Padre!
Tenho acompanhado por alto, confesso que tenho cada vez menos paciência para os média, a polémica nojenta da história do preservativo. Os selvagens que defendem a todo o transe o preservativo, para além do propósito óbvio de atacar o Santo Padre e com ele a Igreja, são o reflexo da ordem liberal, isto é, da democracia que assenta na satisfação no mais rápido espaço de tempo dos desejos mais primários das massas. Todos nós sabemos ser esse hoje o critério para aferir um “bom governante”, falar de um critério exterior ao homem que assente numa Verdade transcendente e, como tal, imutável seria imediatamente percepcionado como uma “tirania” intolerável. Daí que não nos surpreenda que todos os que criticam o Papa estejam imbuídos de uma cultura hedonista que os torna primários, escravos dos seus desejos e, consequentemente, eternas crianças mimadas. Dou graças a Deus pelo meu querido Papa que diz verdades tão incómodas, (a verdade é-o quase sempre), que ignora o "pensamento único" e, acima de tudo, é presença viva e testemunha do Amor d'Aquele que deu a sua vida e ressuscitou por todos nós.
17.3.09
Soljenitsyne
Recebi recentemente um texto enviado por um amigo legitimista francês sobre um célebre discurso feito por Soljenitsyne em 1978 em Harvard e com o título “O declínio da coragem”. Um texto de uma profundidade de análise e de uma actualidade impressionantes. Ao analisar a origem de estrutural incapacidade do Ocidente em se defender ele vai ao âmago da questão ao falar da indigência espiritual do homem moderno. Ao procurar a génese de tal tragédia ele não hesita em afirmar que “o erro deve estar na raiz, na base do pensamento moderno. Eu refiro-me à visão do mundo que prevaleceu no Ocidente na época moderna e na Renascença, e cujas consequências políticas se manifestaram a partir do Iluminismo. Ela tornou-se na base da doutrina social e política e poderia ser chamada, humanismo racionalista., ou autonomia humanista.: a autonomia proclamada e praticada pelo homem em relação a toda e qualquer força superior a ele. Podemos, pois, falar de antropocentrismo, isto é, o homem é visto no centro de tudo”. Quase trinta e um anos depois este discurso é hoje tão válido, ou mesmo ainda mais, do que há trinta e um anos. Um mundo que nega ao Homem a Esperança ao fazer-lhe querer que o Reino Céus é aqui na Terra, quer por via dos “manhãs que cantam” quer do “mercado global”, é um mundo inumano, como o podemos constatar diariamente. O Homem moderno é o “filho pródigo” que se compraz com batatas podres e renuncia assim ao tesoiro que o seu Pai lhe tem reservado. Mas o Pai não tem pressa, Ele tem tempo, Ele é o próprio tempo, Ele é. Quando terminará a bebedeira deste filho apóstata, que é o Homem moderno?
9.3.09
Românico
Tive recentemente a possibilidade de visitar a Rota do Românico do Vale do Sousa, região que tal, como o nome indica, é banhada pelo rio Sousa afluente da margem direita do Douro e que conflui com o rio Ferreira um pouco antes da foz. Esta rota foi criada precisamente para divulgar a grande riqueza turística da região e da qual fazem parte vinte e um monumentos, na sua maioria religiosos como de resto acontece quase sempre com o românico, mas também uma rica gastronomia e uma paisagem que sendo potencialmente bela está infelizmente muito desnaturada por construções hediondas fruto do “poder local” que Abril nos trouxe. Mas para mim o mais interessante, para além da fruição estética das ditas igrejas, é, em grande medida, o compreender a génese da nação, não só da nossa especificamente da nossa, mas das outras europeias. Os fieis, após a Missa, reuniam-se próximo da igreja, ou mesmo no adro, para discutirem os problemas da organização da polis, daí afirmar-se que a nação é o prolongamento natural da comunidade dos fiéis, isto é, a sua dimensão política. Claro que ao escrever isto é-me impossível não pensar no excelente artigo de Pierre Manent, aqui em tempos referido, e do qual tomei conhecimento na famosa “Pasquinada”. Graças a este artigo compreende-se melhor porque é que a nação, enquanto fenómeno político, só é possível no contexto do cristianismo no qual os fieis estão unidos pelo apelo da prática da Caridade e pelo Amor de Deus, daí que no contexto islâmico tal entidade nunca tenha surgido. Ao visitar todas estas igrejas, todas elas coevas do início da nossa Nação pensei em como esta se foi progressivamente estruturando, sob a autoridade real e a religiosa, de uma forma natural, isto é, não ideológica, ou, se se quiser ainda, orgânica. E assim se fez uma Nação que cresceu e que evangelizou e que se orgulhou de tal facto até que um bando de traidores em Abril de 1974 resolveu fazer tábua rasa de tudo isto.
21.2.09
Pedrada no charco
Acabo de me deliciar com a leitura do discurso que Vaclav Klaus proferiu, anteontem senão me engano, perante os eurodeputados. Tive a agradável sensação de estar perante um Estadista, algo que há mais de quarenta anos não conhecemos cá em Portugal. Foi um discurso com grande solidez de argumentação e realismo na abordagem da eufemisticamente designada "construção europeia" e que é fruto, em grande medida, da sua própria experiência do comunismo, o que lhe retira a "mácula" do politicamente correcto. Isto permite-lhe, um pouco à semelhança daquilo que Bukovsky faz, estabelecer, ainda que de uma forma implícita, uma analogia entre a defunta União Soviética e a futura defunta União Europeia. Como bons ideólogos colocados perante a verdade alguns (não sei quantos) eurodeputados , viraram-lhe costas e abandonaram a sala como forma de protesto. Uma atitude que espelha bem a forma autista como este processo sinistro está a ser conduzido. Que bom seria se houvesse mais "Vaclv's Klaus"!
14.2.09
Anedota
Só tendo anteontem podido comprar “O Diabo” nele me deparo com uma pergunta ao alto da capa que me causou uma imensa gargalhada: “Como regenerar o regime?” Porventura haverá “santos laicos” com capacidade para executar semelhante milagre? Isso seria trágico para Portugal, mas como o regime é estruturalmente incapaz de se regenerar nada temos a temer quanto a isso.
"Progresso"
Recebi ontem um email de uma pessoa amiga no qual se dava conta de mais uma brilhante iniciativa desta rapaziada do PS. Foi aprovado em Conselho de Ministros do passado dia 5 uma proposta de lei de “Apadrinhamento civil”. Tanto quanto pude apurar é uma lei suficientemente dúbia (a começar pela própria terminologia) para deixar aberta a possibilidade de adopção de crianças por parte de “casais” homosexuais, o que significa que na prática estamos perante uma forma encapotada de oficializar “adopções de facto”. Mais um “progresso civilizacional”, fruto deste piscar de olho aos trotskistas do Bloco que Sócrates tem vindo a executar recentemente. Escusado será dizer que estão previstos vários incentivos fiscais que não contemplam aqueles “retrógrados” que assumiram um casamento a sério com todas as obrigações que tal implica. Quando se trata de destruir esse pilar fundamental da sociedade que é a família tudo é pouco. Que irá a CEP dizer quanto a isto?
30.1.09
Ainda a questão da Monarquia
Li com imensa satisfação o post do Corcunda “Algumas reflexões sobre o perigo da Monarquia”, devido ao seu rigor, profundidade e contundência. Podemos afirmar que o regime fruto das Guerras Liberais marcou o primeiro contacto de Portugal com uma democracia bi-partidária, fruto da Revolução Francesa e nele encontramos muitas das patologias que actualmente vemos no nosso sistema partidocrático da III República; a utilização do poder em benefício próprio por uma grande parte da classe política, o divórcio total entre o país real e o político, a compra de votos (caciquismo), centralização administrativa e crescente endividamento do Estado. No fundo ambos os regimes são fruto da ideologia, isto é, fruto de uma ideia pré-concebida da realidade e à qual se pretende adaptar o povo, alterando-lhe, ou tentando alterar, as suas características. São feitos para homens abstractos, todos iguaizinhos e intermutáveis, auto-suficientes no plano moral e, como tal, destituídos de uma relação a uma transcendência, visto que tal é visto como um fardo, como uma submissão intolerável. O corolário desta visão antropocêntrica do Homem é um regime assente na sinistra “vontade popular”, com todas as tragédias que daí decorrem. Oiça-se a propósito as sábias palavras de Leão XIII na sua Encíclica “Diuturnum” (Junho de 1881), sobre a origem do poder civil:
“…Recusar reconhecer a Deus como fonte do poder, é querer retirar ao poder todo o seu brilho e todo o seu vigor. Ao faze-lo depender da “vontade do povo” comete-se, antes de mais, um erro de princípio, e além disso apenas se dá à autoridade um fundamento frágil e sem consistência. Estas opiniões são um estímulo permanente às paixões populares, que se tornarão cada dia mais ousadas preparando assim a ruína pública e criando as condições para conspirações secretas ou sedições.”
Parecia que o Papa estava a adivinhar o que seria o fim da Monarquia Liberal e da I República (isto só para falar cá de Portugal). Se tivermos em conta que esta Encíclica foi apresentada em 1881, não está nada mal. Quanto às Monarquias existentes na Europa, e para não me alongar muito mais, basta pensar na naturalidade com que vemos os PMs desses mesmos países em confraternização com o Presidente francês, nas comemorações do 14 de Julho, ou nos ataques ferocíssimos à Igreja, e ao ensino católico (entre outros), por parte de Zapatero em Espanha, tudo sem que o Rei possa interferir. Estou a lembrar-me igualmente da ultra-liberal Inglaterra na qual o infanticídio pré-natal é permitido até às 24 semanas. Será isto o melhor para Portugal?
22.1.09
Mensagem do Duque d'Anjou
Recebi há pouco, enviada por um amigo legitimista francês, esta mensagem do legítimo herdeiro da Coroa de França, o Duque d'Anjou, "Luís XX", a prpósito do martírio de Luís XVI, que passo a transcrever na íntegra:
Mon Cousin [M. le duc de Bauffremont],
Louis de BourbonDuc d’Anjou
Mon Cousin [M. le duc de Bauffremont],
Mesdames et Messieurs,Chers Amis.
Les années passent et ne se ressemblent pas. Certaines sont plus joyeuses que d'autres. Le monde change mais certaines fidélités demeurent, telles que celle qui nous réunit pour le 216ème anniversaire de la mort du Roi Louis XVI.Dans l’époque de crise que nous vivons, où beaucoup de fausses certitudes d’hier sont en train d’être remises en cause, quel beau symbole de voir que nous savons encore nous retrouver autour de valeurs. En effet, au-delà de la personnalité si attachante de Louis XVI, notre premier devoir est un devoir de mémoire et de fidélité aux valeurs et aux principes incarnés par la royauté française. Telle est aussi la Mission que se donnent toutes les associations, groupes et organismes qui, comme l’Institut de la Maison de Bourbon se sont voués à cet objectif et que je tiens à remercier pour leur inlassable activité.Louis XVI par son sacrifice, mais aussi par sa vie qu’il a essayé de consacrer totalement au bonheur de son peuple reste pour nous tous un exemple. La lecture de son testament à la fois spirituel et politique doit toujours nous servir de méditation.Rappelons nous ses ultimes paroles, invitation à la bienveillance et au pardon. Par delà la douleur et la solitude qui furent les compagnes de ses derniers jours, il nous a fermement invités, comme son fils à qui il s’adressait, à «oublier toute haine et tout ressentiment ». Nous devons méditer ses paroles empreintes de respect humain et de tolérance. Dans le monde si dur et souvent si plein de pessimisme dans lequel nous vivons, ce message nous éclaire et nous renforce.Il doit nous encourager à conserver les repères que nous ont laissés nos aïeux, repères qui deviennent si importants au moment où le monde semble en manquer. Notre chance n’est elle pas de posséder une tradition vieille de mille cinq cents ans sur laquelle notre pays est construit ? Tradition qui s’incarne dans une famille dont j’assume actuellement les devoirs.Aucun de nous ne sait ce que sera demain, mais nous savons, en revanche, tous que cet avenir sera ce que nous en ferons, sans place à la ité. Il est ce que notre volonté voudra qu’il soit. Tel était bien aussi le message de Louis XVI qui, en dernier ressort, s’en est remis à la France dont il souhaitait qu’elle retrouve le sens de ses valeurs et de sa tradition.En ce début d’année, la Princesse Marie Marguerite, notre fille la Princesse Eugénie, et moi-même, nous vous assurons de tous nos souhaits pour notre Pays, pour vos familles et pour tous les Français éprouvés en grand nombre par les temps instables que nous traversons.Que tous les saints de France, que saint Louis, continuent à protéger la France afin qu’elle demeure la grande et puissante nation édifiée par la sagesse et la patience des Capétiens.
Les années passent et ne se ressemblent pas. Certaines sont plus joyeuses que d'autres. Le monde change mais certaines fidélités demeurent, telles que celle qui nous réunit pour le 216ème anniversaire de la mort du Roi Louis XVI.Dans l’époque de crise que nous vivons, où beaucoup de fausses certitudes d’hier sont en train d’être remises en cause, quel beau symbole de voir que nous savons encore nous retrouver autour de valeurs. En effet, au-delà de la personnalité si attachante de Louis XVI, notre premier devoir est un devoir de mémoire et de fidélité aux valeurs et aux principes incarnés par la royauté française. Telle est aussi la Mission que se donnent toutes les associations, groupes et organismes qui, comme l’Institut de la Maison de Bourbon se sont voués à cet objectif et que je tiens à remercier pour leur inlassable activité.Louis XVI par son sacrifice, mais aussi par sa vie qu’il a essayé de consacrer totalement au bonheur de son peuple reste pour nous tous un exemple. La lecture de son testament à la fois spirituel et politique doit toujours nous servir de méditation.Rappelons nous ses ultimes paroles, invitation à la bienveillance et au pardon. Par delà la douleur et la solitude qui furent les compagnes de ses derniers jours, il nous a fermement invités, comme son fils à qui il s’adressait, à «oublier toute haine et tout ressentiment ». Nous devons méditer ses paroles empreintes de respect humain et de tolérance. Dans le monde si dur et souvent si plein de pessimisme dans lequel nous vivons, ce message nous éclaire et nous renforce.Il doit nous encourager à conserver les repères que nous ont laissés nos aïeux, repères qui deviennent si importants au moment où le monde semble en manquer. Notre chance n’est elle pas de posséder une tradition vieille de mille cinq cents ans sur laquelle notre pays est construit ? Tradition qui s’incarne dans une famille dont j’assume actuellement les devoirs.Aucun de nous ne sait ce que sera demain, mais nous savons, en revanche, tous que cet avenir sera ce que nous en ferons, sans place à la ité. Il est ce que notre volonté voudra qu’il soit. Tel était bien aussi le message de Louis XVI qui, en dernier ressort, s’en est remis à la France dont il souhaitait qu’elle retrouve le sens de ses valeurs et de sa tradition.En ce début d’année, la Princesse Marie Marguerite, notre fille la Princesse Eugénie, et moi-même, nous vous assurons de tous nos souhaits pour notre Pays, pour vos familles et pour tous les Français éprouvés en grand nombre par les temps instables que nous traversons.Que tous les saints de France, que saint Louis, continuent à protéger la France afin qu’elle demeure la grande et puissante nation édifiée par la sagesse et la patience des Capétiens.
Louis de BourbonDuc d’Anjou
18 janvier 2009
Martírio de Luís XVI
À semelhança de anos anteriores este blogue não poderia deixar de assinalar a triste efeméride que representa para todos nós o martírio de Luís XVI. Tendo em conta que, tal como já aqui referi neste blogue, adquiri o “Livre noir de la Révolution Française”, decidi ir reler o capítulo referente à morte do Rei, o “Ungido de Reims”, como também lhe chamavam. Este crime satânico visou destruir, para além da pessoa do Rei e da sua família, a monarquia de direito divino, a França católica e monárquica, a nossa Civilização Cristã de tipo constantiniano e o princípio da Realeza sacerdotal de Cristo como pedra angular do edifício social e religioso do “Ancien Regime”.
Segundo o “Livre noir” são várias as consequências deste crime, e passo a citar, o capítulo escrito por Henri Beausoleil:
Segundo o “Livre noir” são várias as consequências deste crime, e passo a citar, o capítulo escrito por Henri Beausoleil:
- “précipiter la nation dans les abîmes, fragilisant considérablement le pays dans ses assises les plus profondes…..
- faiblesse drastique de l’exécutif en France de 1792 (instauração da República em França) à 1958, ayant beaucoup de difficulté à réiventer sa légitimité, aves des conséquences désastreuses dans la conduite des guerres
- perte progressive de l’influence internationale de la France
- le paradoxal repliement de la France sur elle-même
- le poids exagéré de Paris devenu la nouvelle “tête” du pays après la mort du roi
- l’évacuation progressive e radicale du spirituel dans la vie collectif du pays
- la perte du repére masculin, structurateur, dans la psyche collective française
- la perte du veritable sens de la liberte
- la dépersonalisation des rapports sociaux
- la survalorisation du conflit commme mode de résolution des problèmes de société
- présence intempéstive d’une sorte d’ésotérisme égytianisant dans certaines constructions propres au nouveau regime (pyramide du Louvre)
- triomphe de la nouvelle réligion et la prolifération de l’occultisme et de formes subtiles d’oppression sous couvert et hypocrite d’humanisme, d’athéisme, de laïcité et de racionalisme.
Acrescentaria para terminar que no nosso caso de Portugal, uma das consequências indirectas deste crime, foi as invasões francesas com todas as consequências que sabemos e sem as quais não é possível compreender o Portugal de hoje. Quando é que a nossa Civilização será exorcizada deste acontecimento?
Adenda: ao ir publicar o meu post apercebo-me do post do Corcunda, a propósito da tomada de posse de Obama, que acabo de ler e que, creio, de alguma forma, poder integrar-se nas consequências do acontecimento que motivou o meu post. Só povos crescentemente descristianizados, como é o caso dos europeus, é que podem venerar tal “rei” e assistir à tal “missa laica”, como muito bem lhe chama o Corcunda. Enfim, é o mundo moderno, ateu e materialista!
Adenda: ao ir publicar o meu post apercebo-me do post do Corcunda, a propósito da tomada de posse de Obama, que acabo de ler e que, creio, de alguma forma, poder integrar-se nas consequências do acontecimento que motivou o meu post. Só povos crescentemente descristianizados, como é o caso dos europeus, é que podem venerar tal “rei” e assistir à tal “missa laica”, como muito bem lhe chama o Corcunda. Enfim, é o mundo moderno, ateu e materialista!
19.1.09
Utopias e ideologias
Uma das coisas que mais me diverte fazer é, em situações de conversa sobre política e quando oiço alguém lamentar-se do estado do país, tentar explicar que o regime está estruturado para o saque, nada havendo a esperar de melhorias no contexto actual. No fundo trata-se colocar as pessoas perante as suas incoerências, porque considero essencial que se definam politicamente, não sendo possível lamentar o descalabro do país sem questionar tudo aquilo que o possibilitou. Ainda recentemente falando com uma pessoa lhe dizia que, contrariamente à versão oficial, ditadura temos nós hoje na medida em que temos um regime no qual o poder é exercido em benefício próprio sendo fruto do nosso trabalho é transferido para os amigalhaços do poder por intermédio das derrapagens nos custos de obras públicas, estudos de consultadoria encomendadas a empresas de amigos, entre outros exemplos. Passado algum tempo essa mesma pessoa vem ter comigo e diz-me que eu não podia ser assim tão saudosista porque apesar da corrupção e todos esses aspectos lamentáveis que eu lhe tinha referido, eu não podia negar todo o imenso progresso que, segundo ele, tem havido. Ao que eu lhe retorqui que o modelo de crescimento adoptado é insustentável visto que o país está cada vez mais endividado, isto já para não falar de toda a profunda degradação moral e “desportugalização” que tem sofrido. O interessante em tudo isto é assistir à “luta” entre a ideologia (e a utopia que lhe está associada) e a realidade na mente de muito boa gente, sobretudo daqueles com maior formação académica, e que, por isso, foram mais submetidos à “formatação ideológica” que o ensino faculta. No caso de ser a ideologia a “ganhar” na sua mente a pessoa em questão tende a recusar o real, evitando a partir daí conversar sobre política e deixando de se lamentar sobre a situação do país, numa autêntica demonstração de autocensura, naquilo a que gosto de chamar “fenómeno anémona”, na medida em que a pessoa se fecha sobre si própria. A propósito disto lembro-me de uma passagem que li num livro de Jean-François Revel, “Le regain démocratique” (1992), num capítulo sobre as utopias, intitulado precisamente “Comment finissent les utopies” e onde se pode ler o seguinte:
“As utopias resultam da capacidade humana em projectar sobre o real construções mentais activas que podem resistir muito tempos às evidências, manterem-se cegas às catástrofes que provocam, mas que acabam por se dissipar sob a convergência do falhanço objectivo e do desgaste subjectivo. Mas o mistério é que o desgaste subjectivo, a perda de ilusões ideológicas, não é apenas a consequência directa ou imediata do falhanço objectivo. Ele pode sobreviver por muito tempo.”
Daí a persistência de um subconsciente marxista em muito boa gente, mesmo em pessoas que se consideram de direita. Esta capacidade de projectar “construções mentais” sobre o real resulta da necessidade que os homens têm de criar modelos para prever a realidade, isentando-se assim de responsabilidades. É por isso que creio que, no caso português, o “preço a pagar” para "a perda de ilusões ideológicas”, será o da bancarrota, algo que, tendo em conta o evoluir das finanças públicas nos últimos anos e o endividamento galopante do país, nada tem de surrealista. Acompanhemos então as cenas dos próximos capítulos.
“As utopias resultam da capacidade humana em projectar sobre o real construções mentais activas que podem resistir muito tempos às evidências, manterem-se cegas às catástrofes que provocam, mas que acabam por se dissipar sob a convergência do falhanço objectivo e do desgaste subjectivo. Mas o mistério é que o desgaste subjectivo, a perda de ilusões ideológicas, não é apenas a consequência directa ou imediata do falhanço objectivo. Ele pode sobreviver por muito tempo.”
Daí a persistência de um subconsciente marxista em muito boa gente, mesmo em pessoas que se consideram de direita. Esta capacidade de projectar “construções mentais” sobre o real resulta da necessidade que os homens têm de criar modelos para prever a realidade, isentando-se assim de responsabilidades. É por isso que creio que, no caso português, o “preço a pagar” para "a perda de ilusões ideológicas”, será o da bancarrota, algo que, tendo em conta o evoluir das finanças públicas nos últimos anos e o endividamento galopante do país, nada tem de surrealista. Acompanhemos então as cenas dos próximos capítulos.