O Daniel Oliveira acha que é uma prova de coragem fazer piadas sobre os católicos, essa poderosa minoria. (Suponho que sejam uma minoria porque o post é sobre a cobardia de fazer piadas sobre minorias.) sexta-feira, 30 de Novembro de 2007
Era uma vez
O Daniel Oliveira acha que é uma prova de coragem fazer piadas sobre os católicos, essa poderosa minoria. (Suponho que sejam uma minoria porque o post é sobre a cobardia de fazer piadas sobre minorias.)
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Pedro Picoito
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Ao centro do Tratado
A sentença assim ditada parece resultar duma evidência: o debate da Europa faz-se em Bruxelas e nós, cidadãos europeus, devemos conformar-nos com o que é superiormente ditado.
A execução da sentença apenas está suspensa diante dum dilema: como é que melhor se assegura a morte: com ratificação na AR ou por plebiscito referendário? Tal como na IVG, o que interessa é que a coisa seja higiénica, indolor e perca o carácter de clandestinidade a que todos já nos resignámos.
O PSD adiantou-se ao politicamente correcto e defende a ratificação na Assembleia. O CDS joga o xadrez do tacticismo, aguarda a jogada do adversário para assumir um posicionamento que lhe assegure algum protagonismo. O PS, claro, não tem posição. A responsabilidade de ser Governo não lhe permite tais devaneios. Bons tempos os da oposição...
Tudo isto sem convicções, sem qualquer compromisso com o eleitorado, sem a mínima percepção do que é ou não importante para o nosso futuro de portugueses e de europeus. Tudo se resume a calculismo politico-partidário.
Pouco mais de um mês depois da análise do Pedro Mexia, as suas palavras mantêm-se totalmente pertinentes: cheira mal, cheira a centrão. E faz falta uma direita mais infame - e convicta, acrescento eu.
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Filipe Anacoreta
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Suspiro de alívio
Óptimas notícias: o Estado português exerceu o direito de compra sobre A Deposição de Cristo no Túmulo, o Tiepolo que vêem aqui em cima e foi ontem a leiloar.
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Pedro Picoito
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Divirtam-se!
Discutem-se, ali para os lados do 31 da Armada e do 5 Dias, questões relacionadas com o aborto.
Divirtam-se. Eu fico a assistir.
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Gonçalo M Vassalo Moita
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quinta-feira, 29 de Novembro de 2007
PS de novo arguido
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Filipe Anacoreta
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Política à José António Saraiva
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Paulo Marcelo
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Era Dezembro e chovia
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Gonçalo M Vassalo Moita
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quarta-feira, 28 de Novembro de 2007
Tiepolíticas
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Pedro Picoito
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Da série "A concorrência faz melhor"
Sobre os números do aborto, ler o que diz o Paulo Pinto Mascarenhas.
E os comentários.
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Pedro Picoito
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Os Velhos Hábitos Nunca Morrem!
A "eurodeputada" Ana Gomes escreveu um texto no Courrier Internacional chamando a atenção para o facto de Portugal não ser um aliado de fiar na OTAN e na União Europeia. Chegou a esta conclusão pelo simples facto (em si mesmo muito grave) de Paulo Portas, ex. ministro da Defesa, ter guardado para si cópias de milhares de documentos (muitos deles secretos) produzidos pelo Ministério que tutelou durante um par de anos.Faz bem Ana Gomes em chamar a atenção para estes factos e para a situação delicada em que, indiscutivelmente, Paulo Portas colocou o Estado português. Faz também muito bem em apelar para uma alteração na legislação portuguesa que seja capaz de evitar a repetição de atitudes como a de Paulo Portas e de as punir exemplar e duramente.
Mas convinha de igual modo que Ana Gomes fizesse um pequeno exercício de memória e de honestidade intelectual e política e o tornasse público. E o que é que esse exercício, honestamente feito, nos diria? Que, por exemplo, Veiga Simão e alguns deputados portugueses humilharam, quando António Guterres era primeiro-ministro, o Estado português ao terem (involuntariamente?) tornado pública uma lista com os nomes de agentes dos serviços secretos portugueses. Que muitos diplomatas e ministros dos Negócios Estrangeiros e da Defesa portugueses (e pelo menos estes) têm o hábito de levar para casa, ao cessarem funções, cópias ou originais de documentos oficiais de conteúdo muito delicado. Finalmente, podia ter lembrado que militantes do PCP, após o 25 de Abril de 1974, despacharam impunemente para Moscovo informação ultra-secreta até então à guarda da DGS e que nada tinha que ver com a perseguição política aos opositores do Estado Novo.
Por isso, o caso Paulo Portas só interessa por ajudar a demonstrar que os velhos hábitos nunca morrem e que a "eurodeputada" Ana Gomes "não pode vê-lo nem pintado"!
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Fernando Martins
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Etiquetas: Ana Gomes; Paulo Portas; Velhos Hábitos; Credibilidade.
Multiplicação do Risco
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Manuel Pinheiro
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Para (...)
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Gonçalo M Vassalo Moita
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Silêncio
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Paulo Marcelo
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terça-feira, 27 de Novembro de 2007
O Fim da Linha
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Miguel Morgado
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Eu tento
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Pedro Picoito
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segunda-feira, 26 de Novembro de 2007
Os maquiavéis da cevada
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Pedro Picoito
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Parabéns a você
O 31 da Armada fez ontem um ano de contra-revolução.
A gente não diz nada, mas gosta de ler.
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Pedro Picoito
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Cultura de fachada (3)
O quarto museu que Isabel Pires de Lima quer inaugurar em 2008 é o do multiculturalismo, na estação do Rossio (em Lisboa). Aparentemente - porque a última notícia que li, no Público de 20 de Agosto, dava como certa a abertura do museu em finais do presente ano. Não vejo como.
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Pedro Picoito
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O PS até é de esquerda, mas
Para desconstruir isto é necessário ter uma insensatez igual à demonstrada quando in another moment down went Alice after it, never once considering how in the world she was to get out again. Boa sorte então para quem quiser entrar nos labirínticos caminhos das tocas ideológicas dos socialistas, mas recomendo fiquem à porta. Se os nossos socialistas são óptimos a pintar a realidade, tudo se vai passar à superfície. Diz-se (má-língua, mal-agradecido) que em ano de eleições vai haver pintura nova. Poderá é não haver cajado.
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Manuel Pinheiro
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Faladores II
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Gonçalo M Vassalo Moita
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Convicções à la carte

Esteve bem Vitalino, provando que o socialismo moderno, não constituindo uma ideia, há-de ser, afinal, pouco mais que uma circunstância...
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Gonçalo M Vassalo Moita
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Muito simplesmente, o melhor disco do ano
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Miguel Morgado
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domingo, 25 de Novembro de 2007
Os Loucos Anos 80 (26)
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Miguel Morgado
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sábado, 24 de Novembro de 2007
Das duas uma
Isabel Pires de Lima voltou a mostrar ontem a sua lealdade estalinista aos subordinados, acusando o Instituto dos Museus de não lhe ter dito nada sobre "o interesse do Estado em comprar" o Tiepolo que vai a leilão na próxima Quinta-feira, segundo a Lusa, bem como sobre "o processo e os montantes" em causa.
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Pedro Picoito
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Very Important Difference
Da série "Grandes Momentos Televisivos", e a propósito disto.
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Manuel Pinheiro
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sexta-feira, 23 de Novembro de 2007
New blogs on the block
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Pedro Picoito
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É sempre a mesma (falta de) cantiga
Há dois dias, um projecto de lei sobre os contratos de trabalho dos chamados "intermitentes", os profissionais das artes do espectáculo, foi aprovado na Assembleia da República com os votos da maioria socialista.
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Pedro Picoito
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Dúvida não metódica, claro
Na polémica do dia, só uma coisa me preocupa.
Não gosto de Tagus.
Meu Deus! Será que...?
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Pedro Picoito
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Mas teremos sempre o Hermitage (2)
O caso do Tiepolo português que vai a leilão na próxima Quinta-feira, e que o Estado não tem dinheiro para comprar depois de ter classificado, serve de perfeita ilustração à nossa política cultural de fachada.Recordo a notícia. Uma Deposição de Cristo no Túmulo do pintor italiano Giovanni Tiepolo, na posse de particulares, foi objecto de classificação pública em 1939, não podendo, portanto, sair do país. Um pormenor que, só por si, diminui o seu valor de mercado. Em 2003, os proprietários, querendo legitimamente vendê-la, pediram ao Ministério da Cultura para levantar a classificação ou, em alternativa, para exercer o direito de preferência na compra. O ministro Pedro Roseta não fez nem uma coisa nem outra. Pelo contrário, reforçou a classificação, que passou a ser de "bem de interesse nacional", esperando reunir depois, não se sabe por que artes mágicas, o vil metal necessário à compra da obra. Entretanto, e depois de levar o upgrade classificativo a tribunal, os proprietários desesperaram de uma resposta e entregaram o negócio a uma leiloeira.
Nota: A imagem acima não reproduz a Deposição, mas o Sacrifício de Abraão, uma outra obra do pintor.
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Pedro Picoito
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PS recorre a receitas extraordinárias
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Filipe Anacoreta
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quinta-feira, 22 de Novembro de 2007
Ricos e pobres nas presidenciais americanas
Ao mesmo tempo há outros dados interessantes. Uma sondagem da Newsweek (12-11-2007) indicia que se estão a esbater algumas diferenças religiosas -god gap- entre os dois partidos: os democratas que se consideram "anti-religiosos" desceram de 20% para 15%, num ano apenas.
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Paulo Marcelo
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10:38
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Nonsense upon Stilts (*)
Deixem-me só recordar que Jeremy Bentham, com a introdução do termo "deontologia", pretendia conseguir uma alternativa mais liberal ao termo e ao conceito da palavra "ética", tendo em conta que esta última, ao ocupar na forma qualitativa de conceito laico o lugar do termo religioso "moral", se tinha moralizado.
Sobre isto já tenho algo a dizer. Esta frase não contém uma asneira: contém várias. Comecemos pela mais simples: A autora do texto atribui a Bentham a ‘introdução’ do termo deontologia. Em tese, é plausível: afinal de contas Bentham inventou diversas palavras (pannomion, panopticon, Ultramaria, são apenas algumas de que me recordo, assim de repente). Sucede que o termo deontologia não é um neologismo, nem foi inventado por Bentham. Seria apenas uma confusão se este equívoco não fosse a cortina diáfana que encobre –mal– a ignorância da autora na matéria sobre a qual cometeu um texto. É que Bentham foi um crítico da ética deontológica e o proponente de um discurso ético completamente distinto: o utilitarismo, uma forma de consequencialismo ético. Um conhecimento elementar da Ética permite saber que as abordagens éticas consequencialistas e deontológicas estão em visceral oposição filosófica no que se refere à natureza do Bem. É este 'detalhe' que confere gravidade ao disparate.Claro que a autora tem uma 'escapatória' possível: sugerir que por 'lapso' confundiu Jeremy Bentham com Immanuel Kant -uma confusão perfeitamente compreensível, atendendo à semelhança dos nomes. Infelizmente isso só lhe resolveria o problema da aproximação da deontologia a um dos seus expoentes filosóficos. É que em seguida há a sugestão de Bentham como liberal. É uma sugestão extraordinária para quem se tenha dedicado ao estudo da história do pensamento político. Sem querer complicar muito, limito-me a referir que o utilitarismo é um produto de uma tendência radical da Aufklärung, que rejeita a existência (prévia) de uma ordem natural como base para o juízo ético e propõe em alternativa uma ética baseada numa concepção filosófica e psicológica do homem enquanto unidade autónoma e sensorial. Esta rejeição equivale à rejeição do jusnaturalismo, a base do liberalismo clássico. Os antepassados filosóficos e jurídicos de Bentham são positivistas como Helvécio e Beccaria; ou o racionalista e enciclopedista Diderot (l’homme est né pour penser de lui-même). Se a autora do texto descobrir em qualquer um deles o mais ténue vestígio de liberalismo, faça o favor de nos avisar. Uma vez mais, é possível desculpabilizar a autora argumentando que não disse exactamente que Bentham era liberal mas antes que... Uma vez mais: possível? Sim. Provável? Não.
Ainda me apetecia dizer algo sobre as origens do termo ‘moral’, de moeurs –hábitos, costumes e tradições de uma determinada comunidade– e a conotação estritamente religiosa que é sugerida. Mas não vale a pena. A avaliar pela tendência afoita para se aventurar por áreas de conhecimento que não domina minimamente, parece-me que a autora padece de um mal frequente em Portugal: a ligeireza opinativa. Não faço sugestões de terapêutica: seriam certamente barbaridades de ordem não inferior à sugestão de Bentham como deontológico e liberal.
(*) O título do post é o título de um panfleto de Bentham - uma crítica à Declaração francesa dos Direitos do Homem e uma rejeição total da existência de direitos naturais. Estranho, para um 'liberal'.
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FCG
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Abraços mortais
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Gonçalo M Vassalo Moita
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quarta-feira, 21 de Novembro de 2007
O Portugal
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Miguel Morgado
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O homem do momento
Conhecido do público como grande especialista em assuntos da Educação.
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Filipe Anacoreta
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PCP, CGTP, ARCO e FLECHA
Pois é. Eu sabia que havia de chegar o dia em que me revelaria ainda mais. Vou falar dos desenhos animados e dos heróis do meu outro tempo. Viajo até à década de setenta, talvez inícios de oitenta.Relembro a tv a preto e branco e a pantera côr-de-rosa, o Vickie, o Bonanza, Uma Casa na Pradaria, Fame, os filmes com o John Waine, o Bud Spencer e o Terece Hill e, para toda vida, a imagem do Vasco Granja a lembrar-me que havia momentos em que mais valia ir para o jardim jogar à bola. Animação, jogo de bola e heróis.
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Gonçalo M Vassalo Moita
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terça-feira, 20 de Novembro de 2007
Porque não te calas?
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Filipe Anacoreta
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Da série "Posta Restante"
Paul Wood, "The Sunni side of Tikrit: progress in Irak", in The Spectator, 17/11/07
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Pedro Picoito
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Cultura de fachada (2)
(cont.)
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Pedro Picoito
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As correntes, as Magnólias e os Livros
As correntes são para quem pedala e eu, bem se vê, tenho pedalado muito pouco. Por isso, não há volta a dar: quebrei a corrente.
Nada disto seria grave, não fora a a cfa e a PF serem duas pessoas que muito admiro e que, além do mais, considero duas das melhores bloggers que temos. Deixá-las sem resposta, é ingrato da minha parte.
Vai daí e confessada a minha culpa, proponho sair disto com uma flor. Ou com um texto sobre livros. Um dos melhores que conheço, da autoria do Daniel Faria:

«Sabes, leitor, que estamos ambos na mesma página
E aproveito o facto de teres chegado agora
Para te explicar como vejo o crescer de uma magnólia.
A magnólia cresce na terra que pisas – podes pensar
Que te digo alguma coisa não necessária, mas podia ter-te dito, acredita,
Que a magnólia te cresce como um livro entre as mãos. Ou melhor,
Que a magnólia – e essa é a verdade – cresce sempre
Apesar de nós.
Esta raiz para a palavra que ela lançou no poema
Pode bem significar que no ramo que ficar desse lado
A flor que se abrir é já um pouco de ti. E a flor que te estendo,
Mesmo que a recuses
Nunca a poderei conhecer, nem jamais por muito que a ame,
A colherei.
A magnólia estende contra a minha escrita a tua sombra
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Filipe Anacoreta
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segunda-feira, 19 de Novembro de 2007
O fantasma
Para jornalistas e analistas, a pergunta “Por que no te callas?" dirigida pelo rei Juan Carlos a Hugo Chávez funcionou como uma injunção contrária e desataram todos a opinar sobre o sucedido. Mas afinal o que sucedeu? Será a leitura política do incidente tão óbvia quanto transparece da maioria das opiniões?As imagens exaustivamente repetidas colocam-nos, espectadores, a olhar para o lado errado no momento errado. Para compreender é necessário observar o comportamento de uma terceira personagem: refiro-me a Daniel Ortega. Antes do incidente, o sandinista cedeu o seu tempo de intervenção a Chávez para que este arengasse sobre o ‘fascismo’ de Aznar. Depois, quando a troca de palavras entre Zapatero e Chávez parecia trazer o ambiente de regresso à normalidade soporífera, foi Ortega que retomou o ataque, acusando o embaixador de Espanha na Nicarágua de ter interferido na campanha eleitoral de 2006 e declarando que ‘já não eram súbditos do rei’, o que motivou o abandono da sala pelo rei espanhol.
Esta frase é a chave da rábula. Os insultos a Aznar eram um meio de convocar um fantasma: o fantasma de Simon Bolívar. Chávez imagina-se a incarnação de Bolívar, incumbido da missão histórica de libertação da América Latina do neo-imperialismo –americano, ça va sans dire. A mesma luta de Ortega desde que em 1979 tomou o poder na Nicarágua. Mas Chávez levou algum tempo para ‘compreender’ a oportunidade política proporcionada pelo incidente: após a diatribe de Juan Carlos, desvalorizou o episódio. Alguns dias mais tarde, uivava contra o ‘imperialismo’ espanhol, exigindo desculpas e ameaçando retaliações económicas. Entre um momento e outro alguém lhe terá explicado a utilidade da manobra: poderá ter sido uma epístola de Castro ao apóstolo da revolução, mas é mais provável que tenha sido Ortega a explicar a Chávez como utilizar os acontecimentos em seu benefício. Quem quer que tenha sido o 'conselheiro', Chávez revelou uma baixa inteligência: marrou abrutalhadamente e precisou de uma mão condutora para orientar a carga na direcção de um propósito político definido.
Ortega sabe que as eleições democráticas são um mecanismo falível para apontar o caminho da revolução: em 1990 foi derrotado quando ninguém o esperava –certamente a começar por ele. Foi reeleito presidente em 2006, mas o momento de Ortega passou, esgotou-se: a revolução já não passa por ali. O delfim do neo-bolivarismo é Chávez, Morales e Correa os novos cavaleiros (consta que Chávez lhes terá oferecido réplicas da espada de Bolívar nas respectivas investiduras presidenciais).
Chávez tem uma solução para evitar a ‘falibilidade’ das eleições democráticas: uma reforma constitucional, a referendar a 2 de Dezembro, que fará dele presidente vitalício e instituirá uma ditadura por meios democráticos. A bem da revolução. O fantasma de Bolívar serve para projectar a sombra do velho inimigo imperial na parede da caverna venezuelana e desse modo facilitar a vitória no referendo. A avaliar pelas sondagens, o fantasma pode ser insuficiente para ganhar o referendo. Não por o homem democrático ser capaz de distinguir as sombras da realidade, mas sobretudo porque a arte do demagogo de Caracas se revela insuficiente. Quanto ao rei Juan Carlos, se conhece os vícios do ditador venezuelano, então deve saber que cometeu um erro político e que lhe proporcionou uma ajuda inesperada, ainda que não intencional. Com tanto auto-proclamado ‘realista’ entre os analistas, estranho que nenhum o tenha notado.
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FCG
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Já cansa
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Miguel Morgado
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Cultura de fachada (1)
O artigo de Zita Seabra no Público de Quinta-feira passeou por aí incógnito, e é pena. A deputada do PSD chamava a atenção para o paradoxo grave de o Ministério da Cultura não ter meios para impedir que o Museu de Arte Antiga e o Museu de Arqueologia encerrem ao almoço por falta de vigilantes, como chegou a acontecer - e ter um milhão e meio de euros, sem contar com obras e despesas de manutenção, para trazer a exposição do Hermitage ao Palácio da Ajuda.
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Pedro Picoito
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Enfiar o barrete
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Pedro Picoito
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Pergunta
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Miguel Morgado
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sábado, 17 de Novembro de 2007
Os Loucos Anos 80 (25)
De resto, ainda hoje ouço duas faixas de If I Should Fall from Grace with God. Não a maluqueira de "Fiesta" - esgotada na minha cabeça por repetições excessivas -, mas os inesquecíveis "Thousands are sailing", cujo refrão canta assim:
Thousands are sailing
Across the western ocean
To a land of opportunity
That some of them will never see
Fortune prevailing
Across the western ocean
Their bellies full
Their spirits free
They'll break the chains of poverty
And they'll dance
e "Medley Song", que começa assim:
As i was walking down the road
A feeling fine and larky oh
A recruiting sergeant came up to me
Says he, you'd look fine in khaki oh
For the king he is in need of men
Come read this proclamation oh
A life in flanders for you then
Would be a fine vacation oh
That may be so says i to him
But tell me sergeant dearie-oh
If i had a pack stuck upon my back
Would i look fine and cheerie oh
For they'd have you train and drill until
They had you one of the frenchies oh
It may be warm in flanders
But it's draughty in the trenches oh
... Well i winked at a cailin passing by
Says i, what if it's snowing oh
Come rain or hail or wind or snow
I'm not going out to flanders oh
There's fighting in dublin to be done
Let your sergeants and your commanders go
Let englishmen fight english wars
It's nearly time they started oh
I saluted the sergeant a very good night
And there and then we parted oh
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Miguel Morgado
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sexta-feira, 16 de Novembro de 2007
Por que não te calas?!

A Dra Joaquina Madeira não só usou vários termos infelizes - como «abuso ou uso indevido» de crianças - como revelou uma atenção descentrada das vítimas. Por exemplo, quando manifestou desconforto e apelidou de «desproporcionados e infelizes» os alertas públicos (de Pedro Namora e Catalina Pestana) para indícios de abusos que, primeiro, negou e depois verificou, afinal, existirem.
Revelou maior preocupação em não acusar os abusadores («porque têm os seus direitos») do
que inquietação e identificação com as vítimas. Maior empenho em tranquilizar os funcionários, do que em assegurar protecção às vítimas. Um esforço mais persistente em silenciar o escândalo do que em solicitar apoios para pôr fim ao drama. Enfim, uma mãe muito zelosa talvez da sua carreira, mas demasiado fria em face do drama dos seus."O processo que ameaçou o regime" começou por levar à não recondução do Procurador-Geral da República; levou, depois e segundo dizem, a uma alteração da Lei Penal cirurgicamente pensada para aliviar arguidos; tem conduzido, finalmente, à colocação de peças cirúrgicas em torno de todo o processo. Todos os responsáveis parecem ir num único sentido: o silêncio.
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Filipe Anacoreta
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17:22
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Serve para servir os seus
"People of the same trade seldom meet together, even for merriment and diversion, but the conversation ends in a conspiracy against the public, or in some contrivance to raise prices.
It is impossible indeed to prevent such meetings, by any law which either could be executed, or would be consistent with liberty and justice. But though the law cannot hinder people of the same trade from sometimes assembling together, it ought to do nothing to facilitate such assemblies; much less to render them necessary."
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Manuel Pinheiro
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Luís Filipe Às Vezes
Menezes é uma lufada de ar fresco na política portuguesa.
Um furacão de ar fresco.
Ontem de manhã estava contra o pacto para a Justiça com o Governo, à tarde já estava a favor.
Ou vice-versa, não me lembro.
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Pedro Picoito
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16:34
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Para que serve a Ordem dos Advogados?
A Ordem serve, essencialmente para ser um auto-regulador da profissão, garantindo a qualidade técnica e deontológica dos serviços jurídicos prestados aos cidadãos. Só isso justifica os poderes públicos em que está investida. Isto porque o mercado por si só não funciona: é necessário regulação para compensar os desequilíbrios existentes. E quais são eles?
O principal é o excesso de advogados. Em Portugal existe um advogado por cada 360 habitantes, o que é superior à média europeia. Para evitar que a massificação conduza à perda de qualidade, a Ordem deve seleccionar e fiscalizar. É inevitável um exame de acesso ao estágio de advocacia – compatível com a liberdade de escolha da profissão (art. 47.º CRP).
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Paulo Marcelo
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15:34
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quinta-feira, 15 de Novembro de 2007
Coisas viradas p'rá lua
Já me havia perguntado por onde andaria o Presidente da CML. E eis que, antes mesmo de me permitir publicitar esta minha curiosidade, o senhor (re) aparece.
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Gonçalo M Vassalo Moita
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quarta-feira, 14 de Novembro de 2007
Não Há Como Escondê-lo.
Passou ontem na RTP1 o 5.º episódio da série documental A Guerra. Mais uma vez ficou provada a sua qualidade. No entanto, queria deixar uma nota. Parece óbvio aos nossos olhos de hoje, como aos de muita gente nas décadas de 1950 e 1960, que o colonialismo português foi extremamente violento [porque usava e abusava da violência física e psicológica e porque era racista (em si mesmo uma violência atroz)]). Mas sendo verdadeira e indiscutível esta avaliação, não deixei de pensar enquanto via o documentário, como, comparativamente, e como reconheceu ao menos um entrevistado angolano negro, o colonialismo português foi, afinal, pouco violento e pouco racista.
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Fernando Martins
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Etiquetas: Colonialismo; Colonialismo Português; Colonialismo dos Outros; Pós-colonialismo
O voo dos abutres
Among the calamities of war may be jointly numbered the diminution of the love of truth, by the falsehoods which interest dictates and credulity encourages.Samuel Johnson, 1758.
Está nas primeiras páginas do The New York Times, o registo sepulcral e oráculo das desgraças vindouras da guerra civil iraquiana (retreat, retreat!). É anunciado nos escritos de Seymour Hersh, cego pela luz do horror que há-de vir, que escapou por uma estreita fenda no muro da Grande Conspiração Militarista. É ingrediente habitual nas colunas de Maureen Dowd, as sopas azedas que alimentam a paranóia histérica dos castrati de East Village. É a certeza de um ataque militar ao Irão, acto último da hubris americana, a vertigem fatal que antes da eleição presidencial de 2008 arrastará para o abismo o Golfo Pérsico e levará consigo o mundo civilizado, por retaliação e estrangulamento no abastecimento petrolífero.Sabemos, porque de tal somos diariamente ‘informados’, que a administração Bush Jr./Cheney é ‘militarista’. Certamente é-o o suficiente para os dirigentes políticos iranianos tomarem a ameaça de uma acção militar preventiva como credível. Sabemos, pelos fazedores de opinião liberais, que o ‘militarismo’ presidencial é um prenúncio de desgraças para o mundo.
Sucede que o almirante William Fallon deu, há dois dias, uma entrevista ao Financial Times, onde: a) garantiu que não há nenhum ataque preventivo ao Irão em preparação; b) referiu a acentuada diminuição do número de ataques terroristas e do número de mortos civis deles resultante no Iraque –um facto estatisticamente indesmentível. Era de supor, pelo amor extremo que os liberais americanos têm à paz, que declarações tão significativas feitas pelo comandante do CENTCOM teriam amplo destaque nas primeiras páginas dos principais jornais norte-americanos. Dois dias depois, apenas um enorme silêncio. É caso para colocar a clássica interrogação de Lenine: quem beneficia com isto?
Não é difícil perceber que o ‘mal do mundo’ dará aos Democratas a eleição presidencial de 2008. Num cenário de dificuldades no abastecimento petrolífero e de activação das células terroristas controladas pelos iranianos, a eleição presidencial estaria decidida e ganha à partida. Por antítese, o mais ténue vislumbre de melhoria na guerra civil iraquiana diminui a eficácia do libelo Democrata à condução actual da política externa –e retira-lhes o único argumento nessa matéria decisiva.
Ironicamente, o ódio histérico com que a imprensa ocidental trata, por atacado, a actual presidência americana, poderá ter exercido uma influência importante sobre os dirigentes iranianos, levando-os a tomar como credível a ameaça de uma acção militar preventiva –uma ameaça irracional, se for considerado o dano que uma tal operação causaria nesta fase ao partido republicano, aos EUA e ao ocidente. Ao fazê-lo, levou a liderança iraniana a moderar politicamente o terrorismo xiita em território iraquiano. A resposta política americana veio agora, pela voz do almirante Fallon. Os militares, sobretudo as mais altas patentes, não têm agenda política própria: o ‘recado’ é de Washington para Teerão e o transmissor foi cuidadosamente escolhido. Por agora, a ameaça de uma acção militar contra o Irão está afastada.
Aliás, é provável que sempre tenha estado, mas ao ser colocada na mesa serviu um propósito útil, aos EUA e ao mundo, trazendo os iranianos para uma negociação indirecta e criando, pela primeira vez desde 2003, uma perspectiva de melhoria da situação no Iraque e no Golfo Pérsico. Os próximos passos nesta elaborada (e fascinante) dança política serão interessantes, talvez mesmo surpreendentes.
O voo dos abutres assinala a presença de um cadáver e atrai predadores interessados. Desta vez os abutres Democratas foram enganados pelo falso cadáver político da presidência Bush. Na década de 80, quando os Democratas perceberam que a política de Reagan face à URSS corria o sério ‘risco’ de ser bem sucedida, entraram em pânico. São conhecidas as viagens de Edward Kennedy a Moscovo, bem como as propostas de ‘colaboração’ que levou ao Kremlin. Nancy Pelosi já voou até Damasco. Não parece ter sido suficiente. Veremos se voará ainda mais longe, até Teerão. São determinados, os abutres. E nunca devem ser esquecidos.
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O Picoito errou
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Democracia em directo
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terça-feira, 13 de Novembro de 2007
Mas teremos sempre o Hermitage
A notícia não é nova e a minha renovada surpresa também não: o Museu Nacional de Arte Antiga e o Museu de Arqueologia vão fechar salas temporariamente, ou fechar pura e simplesmente à hora do almoço, por falta de funcionários. Será "catastrófico" para o esforço de captação de público que tem vindo a ser feito, como diz o director do museu de Belém, Luís Raposo. A Ministra da Cultura, com a sua célebre lealdade estalinista aos subordinados, já veio dizer que a culpa é de Manuel Bairrão Oleiro, director do Instituto dos Museus. Este abstém-se de comentar.
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Pedro Picoito
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"A Visão Depois do Sermão"
O João Gonçalves e Pacheco Pereira acertam em cheio: o "puxão de orelhas" (adoro esta expressão e vamos admitir, por momentos, que foi isso) de Bento XVI aos bispos portugueses recorda aos mais distraídos que vivemos tempos novos. Tempos em que a fé já não é apenas uma tradição, mas o passaporte para uma minoria.
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Pedro Picoito
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