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Manuel Raposo
 Milhares e milhares de pessoas, sobretudo jovens, concentram-se desde há mais de uma semana em dezenas de cidades espanholas. Protestam contra um sistema social que os mantém sem trabalho e sem futuro e que faz deles meros joguetes de um regime político corrompido, dominado por poderosas cliques partidárias que dividem entre si o poder. “Vocês não nos representam” é uma das frases significativas que os manifestantes atiram à cara dos políticos do sistema. Ler o resto do artigo »
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Pedro Goulart
 O Programa da troika (FMI/UE/BCE), além de constituir um violento ataque contra as classes trabalhadoras, representa, também, o ruir do pouco que ainda restava de independência nacional. Os homens da troika levam as suas duras exigências até ao pormenor, impondo-as aos futuros governos de Portugal. Ler o resto do artigo »
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Sobre o assassinato de bin Laden
Manuel Raposo
 “O mundo está mais seguro”, disse Durão Barroso acerca do assassinato de Ossama bin Laden fazendo-se eco de outras vozes do mesmo timbre.
O gáudio dos governos e das polícias ocidentais e a propaganda (vazia de sentido político, para entreter curiosos) sobre os detalhes da operação são uma nuvem de poeira que tende a esconder a real mudança que se está a dar no mundo árabe e muçulmano. Considerada esta realidade nas suas devidas proporções, não há razão para as potências imperialistas cantarem vitória. Ler o resto do artigo »
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63 refugiados morreram no mar por falta de auxílio
Solidariedade Imigrante / MV
 A Solidariedade Imigrante – Associação para a defesa dos direitos dos imigrantes (Solim), denuncia numa nota de imprensa o crime cometido pela NATO, nas águas do Mediterrâneo, que resultou na morte, à fome e à sede, de 63 pessoas, homens, mulheres e crianças. A história, denunciada pelo jornal britânico The Guardian em 8 de Maio, é edificante. Ler o resto do artigo »
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Estará a Líbia, como o Iraque, a ser bombardeada com armas radioactivas?
David Wilson, Stop the War Coalition / MV
“O mísseis com ogivas de urânio empobrecido (DU) encaixam perfeitamente na descrição de bomba suja… Eu diria que é arma perfeita para matar montes de gente” (Marion Falk, físico-química, Laboratório Lawrence Livermore, Califórnia, EUA)
Nas primeiras 24 horas do ataque à Líbia, aviões norte-americanos B-2 despejaram 45 bombas de mil quilos. Não sabemos se estas bombas, mais os mísseis Cruzeiro lançados dos aviões e navios franceses e britânicos, contêm ogivas de DU. Mas se a prova passada do seu uso pelas forças militares dos EUA e Reino Unido serve de guia, pode muito bem acontecer que essas armas façam parte do bombardeio que a Líbia está a sofrer. Ler o resto do artigo »
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Denúncia
“Ana”
 A propósito de textos que publicámos em Outubro de 2008 e Fevereiro de 2010 denunciando as condições de trabalho dos funcionários de call centers, recebemos mais um testemunho que confirma o insuportável regime imposto a esses trabalhadores, a maioria deles, se não todos, precários. Ler o resto do artigo »
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O protesto de rua, a luta de massas
Luís Amado foi claro: as alianças do PS serão à direita
Manuel Raposo
 O ministro Luís Amado, no lugar de Sócrates, disse tudo: para efeitos de futuro governo, as alianças do PS serão com a direita. Nada que não se previsse já, mas fica sublinhado para que não sobrem dúvidas. A afirmação, de resto, vem corresponder às pressões feitas pelos porta-vozes directos do capital desde que a crise dos negócios se agudizou e desde que o receio de convulsões sociais se começou a perfilar.
Começando por defender um acordo governativo, ou “de regime”, entre PS e PSD – o chamado bloco central – as forças do poder económico apostam agora abertamente num bloco de direita que não deixe de fora o PS. É a esta viragem que o PS, através de Luís Amado, vem dizer que sim. Ler o resto do artigo »
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Editorial
Numa manifestação de precários em Espanha, um cartaz da “geração sem futuro” dizia: “Sem casa, sem reforma, sem medo”. Também em Lisboa, na manifestação da “geração à rasca”, um dístico perguntava: “Quando não tiveres nada a perder, o que serás capaz de fazer?”.
Estes dizeres revelam uma disposição de luta que é preciso incentivar. Indicam uma viragem possível e desejável para a resistência de massas, de resposta ao terror social imposto pelo patronato. O mesmo exemplo de destemor se pode tirar das revoltas populares nos países árabes. Ler o resto do artigo »
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 Depois das grandes manifestações de 12 e 19 de Março, em que centenas de milhares de trabalhadores, desempregados e jovens exprimiram o seu descontentamento e apresentaram as suas reivindicações, a luta tem prosseguido nas ruas e nas empresas. Embora em menos locais e com menos força do que seria necessário para barrar a ofensiva do capital. Em Março e Abril, milhares de trabalhadores lutaram contra os cortes de salários, a supressão de direitos no trabalho, a intenção de alguma empresas avançarem com as privatizações, assim como a defesa das liberdades. E em 6 de Maio estarão em greve os trabalhadores da Função Pública. Ler o resto do artigo »
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António Louçã
 Começou-se por dizer que a catástrofe de Fukushima não atingiria as proporções de Chernobil. Claro, ficaria mal a um dos países-modelo do capitalismo global ter construído centrais nucleares no enfiamento de terramotos e maremotos. A imprevidência, para encaixar nos padrões vigentes de correcção política, devia ser exclusiva da burocracia soviética. Agora, já se admite que Fukushima pode ter consequências tão graves ou mais que as de Chernobil. Ler o resto do artigo »
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Carlos Completo
 Vítor Bento, presidente do Conselho de Administração da SIBS – Sociedade Interbancária de Serviços (empresa que gere a rede do Multibanco) – e há algum tempo nomeado por Cavaco Silva para membro do Conselho de Estado, em substituição de Dias Loureiro, apresentou recentemente o livro Economia, Moral e Política, em que acusa os políticos como os maiores culpados pela crise económica internacional. Aqui, o autor discorre sobre uma Moralidade exterior à Economia, pretendendo autonomizar aquela do contexto económico-social que a determina.
Lembramos que este é o mesmo Vítor Bento que foi promovido no Banco de Portugal, por Constâncio, quando já lá não estava há vários anos (que moralidade?). O mesmo Vítor Bento defensor da flexibilização da legislação laboral e do abaixamento do salário dos trabalhadores, para melhorar a “competitividade” da economia. Ler o resto do artigo »
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Cristina Paixão
 De mentira em mentira, de discurso em discurso, tecem as reais potências e prepotências deste mundo a fábula e a teia que nos apanhará a todos, insignificantes insectos, actores de um teatrinho cujo guião desconhecemos, um drama do qual não somos autores. Reservam-nos o direito, apenas, a acreditar cegamente no teleponto que, magicamente, repete a mesma ladainha, em todos os lugares possíveis. Confortavelmente instalados nos seus magníficos gabinetes, decidem quem vive e quem morre; quantos desempregados ou privatizações serão necessárias para saciar a gula dos financeiros; contra que dissidentes farão a guerra; quantas mães, pais, crianças, morrerão na sua luta privada pelo domínio do mundo. Uma conspiração de estúpidos, onde os superlativos néscios papagueiam e consentem. Ler o resto do artigo »
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Sem varrer PS, PSD e CDS da área do poder não há melhoria das condições de vida das classes trabalhadoras
Pedro Goulart
 Depois de numerosas cenas de colaboração (no Orçamento, nos PECs, etc), chantagem, zanga e disputa dos dois maiores partidos do regime – PS e PSD – a crise política estalou. Com a recusa na AR (embora por motivos diferentes) do PEC 4 de Sócrates/UE/FMI, o primeiro-ministro demitiu-se, conduzindo, provavelmente, à realização de eleições legislativas antecipadas. E Passos Coelho parece ter encontrado agora o momento oportuno para “ir ao pote” (ou à gamela?). Perante a situação criada, disse Sócrates: “Às vezes penso como foi possível fazerem isto ao país?” Que farsante! Destes dois actores, infelizmente, os trabalhadores e o País ainda podem ter muito a esperar, no domínio da farsa e da tragédia, em que ambos parecem peritos neste domínio. Ler o resto do artigo »
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Solidariedade com o povo líbio
Concentrações em Lisboa e Porto, hoje, dia 23, às 18 horas
 Em aliança com os EUA, a UE (com o pleno apoio do governo português) assumiu desde início um papel destacado na agressão militar à Líbia. É a primeira guerra a ser desencadeada depois da renovação do pacto imperialista firmado em Lisboa na cimeira da NATO.
De novo, as “razões humanitárias” são o pretexto para bombardear a Líbia. As verdadeiras razões são outras, como nos mostrou o caso do Iraque, faz agora oito anos.
A duplicidade das potências imperialistas é evidente: Israel prossegue impunemente o massacre do povo palestino; os tiranos amigos da Arábia Saudita, do Barém ou do Iémen podem prosseguir os massacres de manifestantes desarmados sem que Obama, Cameron ou Sarkozy levantem um dedo em apoio da população que os quer derrubar.
A intervenção militar na Líbia não se limitará a submeter a Líbia. Para além de pretender o controlo dos seus recursos energéticos, é um aviso para todos os povos árabes em revolta e um apoio a todos os regimes amigos das potências imperialistas. O fito é debelar ou reduzir ao mínimo as mudanças que as populações reclamam nas ruas. É portanto uma contra-revolução o que as potências imperialistas levam a cabo por meio do seu braço armado, a NATO.
Apoiamos as concentrações de hoje, quarta-feira, 23 de Março, às 18 horas, em protesto contra a intervenção militar na Líbia.
Lisboa: Embaixada dos EUA, Av. das Forças Armadas, junto a Sete-Rios.
Porto: Praceta da Palestina (Rua Fernandes Tomás à Rua Sá da Bandeira).
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 Depois das grandes e significativas manifestações dos dias 12 e 19 de Março, em que centenas de milhares de trabalhadores, desempregados e jovens exprimiram publicamente o seu descontentamento e apresentaram as suas reivindicações, nos próximos dias a luta continua nas empresas. Ler o resto do artigo »
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Ainda os telegramas de Lisboa da WikiLeaks
Pedro Goulart
 Documentos da WikiLeaks sobre o Ministério da Defesa e o governo português, recentemente divulgados pelo jornal Expresso, apesar da sua utilidade, devem ser encarados com um olhar crítico. Na correspondência dos embaixadores dos EUA há que distinguir aquilo que tem algum fundo de verdade daquilo que é ditado pelos interesses próprios dos embaixadores ou pela defesa dos negócios daquela potência imperialista.
Thomas Stephenson, embaixador dos EUA em Lisboa, entre Novembro de 2007 e Junho de 2009, critica o Ministério da Defesa não por fazer gastos com o militarismo e a guerra mas, essencialmente, por estar a preterir as compras militares aos EUA em favor das compras europeias. Ler o resto do artigo »
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Há que denunciá-la como uma agressão contra todos os povos árabes em revolta
Manuel Raposo
 Não restam dúvidas de que está em preparação uma intervenção militar das potências ocidentais na Líbia. As declarações dos governantes franceses e britânicos, que conduzem a União Europeia para o conflito, a decisão já anunciada da NATO de colocar vasos de guerra nas costas líbias, a procura insistente de um aval da parte da ONU para criar uma zona de exclusão aérea (pressionando a Rússia e a China a deixar passar uma resolução nesse sentido) – são demonstrações de sobra do que está em curso. Importa denunciar esta agressão das forças imperialistas europeias e norte-americana e opormo-nos a esta nova guerra que visa os alvos de sempre e mais um: ocupar um país soberano e tomar conta dos seus recursos; e criar uma testa de ponte para desarticular as revoltas populares no mundo árabe. É isso que está em causa. Ler o resto do artigo »
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Editorial
O governo cantou vitória por ter reduzido, segundo contas de Janeiro, cerca de metade do défice respeitante aos gastos do Estado. Mas, sabidas as medidas previstas no Orçamento e nos PEC, outra coisa não seria de esperar. O governo apenas prova que é um executante esforçado do acordo feito com o PSD (a mando da banca e do patronato); e um bom aluno perante a União Europeia e a finança mundial.
A façanha resume-se, pois, a isto: espremer os trabalhadores assalariados e os pobres. Não é má gestão: é o capital no seu melhor. Ler o resto do artigo »
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A propósito das posições diversas da esquerda revolucionária nas eleições presidenciais
 As recentes eleições presidenciais suscitaram posições desencontradas por parte dos grupos da esquerda revolucionária. Vale a pena debater o assunto porque ele contém algumas das questões que determinam a fraqueza crónica desses grupos, em que nos incluímos, e a sua sistemática incapacidade para abordar as massas populares com propostas políticas revolucionárias.
Estamos abertos a acolher nestas páginas todas as contribuições para o debate destas questões. Ler o resto do artigo »
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"Nada a ganhar", diz o embaixador Martins da Cruz
Manuel Raposo
 “A Europa não tem nada a ganhar com a instabilidade no Mediterrâneo”. Assim resumiu o embaixador Martins da Cruz (TSF, 17 Fevereiro) a posição do imperialismo europeu, e também norte-americano, sobre as revoltas que varrem o mundo árabe. Compreende-se: todos os regimes abalados, sem excepção, são “amigos”, de longa ou fresca data, da União Europeia e dos EUA. Razões da amizade: o gás natural, o petróleo e as vantagens estratégicas. Nada a ganhar, portanto. Ler o resto do artigo »
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País Basco: vitória do Bildu Nas eleições locais de 22 de Maio de 2011, enquanto os dois principais partidos da burguesia espanhola, PSOE e PP, trocavam de posições entre si (sendo o primeiro derrotado pelo segundo), a longa resistência e luta do povo basco obtinham uma assinalável vitória. A coligação Bildu – que PSOE e PP tentaram ilegalizar – tornou-se na primeira força, no País Basco, em número de eleitos, e na segunda força em número de votos. Obteve 1137 eleitos e um total de 313.151 votos (22%), tendo o Partido Nacionalista Basco sido a força mais votada com 327.011 votos (22,97%) e 881 eleitos. Só depois ficaram o PSOE (16%) e o PP (11,64%).
Eles comem tudo “Cerca de 20 administradores acumulavam funções em 30 ou mais empresas distintas, ocupando, em conjunto, mais de mil lugares de administração, entre eles os das sociedades cotadas”, lê-se num relatório divulgado agora pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários. Os dados são de 2009 e demonstram que esta prática não é uma excepção: mais de 75% dos 426 administradores desempenhavam funções de administração em mais de uma empresa. E, por cada um destes lugares recebiam, em média, 297 mil euros por ano, ou, no caso de serem administradores executivos, 513 mil euros. Cúmplices: gestores e partidos políticos do chamado arco governativo.
Idade Média A 13 de Maio, em Fátima, um repórter da TSF assegurou que, no momento em que eram evocados passos da vida de João Paulo II, um arco íris rodeou o disco solar e “ouviu-se então entre a multidão a palavra: milagre! milagre!”. Para reforçar a “prova”, as televisões deram imagens dos rostos de gente apatetada a olhar para o ar, balbuciando coisas equivalentes. João Paulo II, que conseguiu o score mínimo de um milagre para ser beatificado, precisa urgentemente de um segundo milagre para chegar a santo. Se esse milagre fosse “português” talvez uma nova fonte de rendimentos do turismo religioso e uma nova arma de imbecilização do povo ajudassem a almofadar as agruras da crise. Força TSF, força TVs!
Derrapagens Só o valor das derrapagens (embrulhadas com corrupção) das obras públicas realizadas no país permitia pagarmos parte substancial do défice do Estado. FB
Quem é Eduardo Catroga O actual, e arrogante, coordenador do programa eleitoral do PSD, foi ministro das Finanças de Cavaco Silva entre 1993 e 1995 e fez parte de conselhos de administração de várias empresas, destacando-se na repressão e despedimento dos trabalhadores, nomeadamente na Sapec. Quando se aposentou, em 2007, como professor catedrático do ISEG, passou a receber 9693 euros de reforma. Mas, como se isto fosse pouco, continuou como Presidente da Sapec, Administrador da Nutrinvest e do Banco Finantia, assim como Supervisor da EDP. Por aquilo que já fez e pelo que actualmente defende, como eventual ministro de Passos Coelho é de prever qual política que procurará levar à prática.
Esmolar saúde Centenas de cidadãos a esmolar consultas de oftalmologia no hospital dos Capuchos (das duas marcações permitidas anualmente) é o sinal de que, até na Saúde, Portugal está a resvalar para o terceiro-mundismo. O edifício do estado social está quase em ruínas por culpa do PS. O terrorismo privatizador do PSD quer a sua implosão. FB
Cardeal apolítico Depois de ser eleito presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, o cardeal patriarca de Lisboa, José Policarpo, declarava aos jornalistas que defende a linha de manter a Igreja afastada da intervenção política. Palavras não era ditas, comentou o assassinato de Bin Laden para discordar “da forma” como “a morte” foi noticiada. E sugeriu mesmo uma forma alternativa de dar a notícia: “tentámos prender o senhor, houve resposta de tiroteio e num tiroteio o senhor morreu”. Sobre o assassinato em si mesmo, nem uma palavra. Um exemplo prático (em versão farisaica) de como fazer política sem parecer que se faz política.
Os métodos do “mundo livre” Os dirigentes imperialistas Obama, Cameron, Sarkozy, Berlusconi e Ban Ki-moon, assim como alguns dos seus moços de recados, não esconderam a alegria, fazendo a festa – aí está o seu pendor humanitário – pelo assassinato de Osama Bin Laden. Embora sem simpatia pelos objectivos e métodos de Bin Laden, reconhecemos que o seu combate se dirigia contra os que se pretendem donos do mundo. Por isso, lembramos e repudiamos vigorosamente os métodos de acção e as chacinas levadas a cabo no Iraque, no Afeganistão, na Palestina, na Líbia (e, também agora, no caso de Bin Laden) a pretexto do “combate ao terrorismo” pela corja criminosa que dirige o chamado mundo livre.
Patriotas interessados Dois dos subscritores de um chamado compromisso nacional, preenchido essencialmente por destacados homens do capital, parecem já ter começado a pôr em prática este seu compromisso com a pátria. Belmiro de Azevedo e Alexandre Soares dos Santos, proprietários do Continente e do Pingo Doce estão a fazer chantagem sobre os trabalhadores destas empresas de distribuição, ameaçando-os com processos disciplinares, pretendendo obrigá-los a trabalhar no 1º de Maio. O Sindicato dos Trabalhadores do Comércio já apresentou um pré-aviso de greve para o dia 1 de Maio, de modo a permitir que os funcionários dos hipermercados possam gozar o feriado do Dia do Trabalhador.
José da Conceição Morreu em 16 de Abril, com 74 anos de idade, José da Conceição, natural de S. Francisco da Serra, Santiago do Cacém. Desde jovem, foi um empenhado activista político desenvolvendo inúmeras iniciativas culturais em associações populares, primeiro em Grândola, depois em Viana do Castelo e em Lisboa. Privou então com José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Carlos Paredes, Fausto, José Saramago e outras figuras da oposição à ditadura. Nos anos 70, integrou como militante as organizações revolucionárias O Comunista, Organização Comunista Marxista-Leninista Portuguesa e Partido Comunista Português (Reconstruído). A nossa homenagem ao antigo camarada e ao lutador que José da Conceição sempre foi. JCC, MR
Teoria por medida Reflectindo sobre os assassinatos em massa praticados pelos nazis e pelos “comunistas soviéticos” (Público, 4 Abril), JC Espada, figura destacada da Universidade Católica, conclui, na linha de um historiador liberal inglês, tratar-se do efeito “do apagamento da dimensão religiosa da civilização europeia”, da perda do “papel civilizador da religião cristã e da tradição judaico-cristã” e do “ateísmo militante de ambos os exterminadores”. Ficam por explicar as chacinas dos EUA protestantes (In god we trust) em todo o mundo; dos britânicos anglicanos na Índia, África ou Irlanda; dos fanáticos israelitas na Palestina. O fôlego teórico foi curto, mas percebe-se a utilidade política da conclusão.
Espírito caritativo Numa visita à Associação para o Desenvolvimento de Rebordosa, Passos Coelho afirmou que “Se não for dada uma atenção especial aos grupos de maior risco não conseguimos a paz e a justiça social para podermos fazer a recuperação da nossa economia e a criação de emprego” e “se nada for feito rapidamente pode-se ter uma situação de ruptura social em Portugal”. Ora, esta gente do chamado arco governativo bastante tem feito, e pretende continuar a fazer, para que haja muitos “desprotegidos”. Há quem fabrique os pobres para depois poder praticar a caridade. Mas, actualmente, o que mais parece preocupar Coelho é uma justificável e previsível agitação social no País.
EUA: povo contra a guerra Milhares de pessoas (10 mil segundo os organizadores) participaram em Nova Iorque, a 9 de Abril, numa das maiores manifestações contra a guerra dos últimos anos nos EUA. Em S. Francisco teve lugar manifestação idêntica no dia 10. Convocadas por mais de 500 organizações, no âmbito de um Comité Nacional de Unidade Contra a Guerra, exigiram o fim das guerras e a retirada das tropas dos EUA do Afeganistão, Iraque, Paquistão e Líbia. Reclamaram o corte nas despesas militares e o apoio ao emprego, educação, saúde, habitação e ambiente. Defenderam o fecho de centrais nucleares. Exigiram o fim do apoio dos EUA a Israel e da ocupação da Palestina e o fim do racismo contra os árabes e o islamismo.
“Direitos humanos” Um editorial do Público (4 Abril) condenava o “Ocidente” por não ter reagido à prisão recente de um opositor político chinês. Dizia tratar-se de “capitulação” ante o poder económico da China. Como de costume, o editorial tem fraca memória e olha só para um lado, omitindo as violações de direitos humanos no Iraque, no Afeganistão, na Palestina, etc. Mas sobretudo parece não entender que o argumento dos direitos humanos, lançado nos EUA por James Carter, nunca foi um princípio político do “Ocidente”, mas apenas uma arma de arremesso. Não são, pois, só os negócios que ditam o silêncio de agora – é a convergência das potências, no sentido em que se diz que os bons espíritos sempre se encontram.
Haja esperança! Arrancou em Lisboa, Entroncamento e Feira um “projecto-piloto” de distribuição de refeições a pessoas com “dificuldades económicas”, isto é, fome. Promovida pela Associação da hotelaria e restauração, a iniciativa já garante 230 (!) refeições por dia, 5 (!) por cada restaurante aderente. Dos mais de 2 milhões de pobres do país, 230 já têm, pois, comidinha garantida – e de restaurante. A coisa tem o patrocínio do presidente da República e conta com uma comissão de honra que ambiciona levar o exemplo a outros países! É assim: primeiro, despedimentos e corte de apoios sociais; depois, entram as almas condoídas com a sua caridadezinha. Para ver se evitam o que mais temem: a revolta dos pobres.
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