Mostrar mensagens com a etiqueta Maria de Lurdes Rodrigues. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Maria de Lurdes Rodrigues. Mostrar todas as mensagens

08 Julho 2010

Santana Castilho, no PÚBLICO


A solidez de um livro, segundo Sobrinho Simões

O livro de Maria de Lurdes Rodrigues é um relatório burocrático sobre as suas tenebrosas medidas de política educativa
No livro que acaba de lançar, Maria de Lurdes Rodrigues cita Max Weber para justificar a sua acção política, movida, diz ela, pela "ética das convicções". Atentem, generosas leitoras e leitores, ao naco de prosa que a ex-ministra escolhe para caracterizar quem tem vocação para a política (no caso, ela própria):
"... Só quem está certo de não desanimar quando ... o mundo se mostra demasiado estúpido ou demasiado abjecto para o que ... tem a oferecer ... tem vocação para a política ..." (in
A Escola Pública Pode Fazer A Diferença, p. 18)
Freud ensinou-nos que nenhuma palavra ou pensamento acontecem por acidente. Uma coisa são os erros comuns, outra, os actos falhados. É falhado o acto que leva Maria de Lurdes Rodrigues a citar, assim, Weber, para justificar a sua acção política. E fez tudo o que fez, confessou-nos no circo do lançamento, com grande alegria, qual pirómana que se baba de prazer ante as cinzas da escola pública que deixou.
Eis as entranhas de uma coisa que não é pessoa, que não tem alma, e que não aguenta mais que 18 páginas para dizer, de modo obsceno, o que pensa dos que esmagou com sofrimento.
O livro é híbrido e frio, como a autora. É um relatório factual e burocrático sobre as suas tenebrosas medidas de política educativa. A excepção a este registo está na introdução, um arremedo ensaísta de alguém que chegou a ministra sem nunca ter percebido o que é uma escola e para que serve um sistema de ensino. Permitam-me duas notas factuais a este propósito e a mero título ilustrativo:

1. A autora introduz, como grande tema de debate sobre políticas educativas, o nível de conhecimentos adquiridos na escola. Interroga-nos assim: "... Os adultos que fizeram a quarta classe da instrução primária no tempo dos nossos avós sabiam mais do que os jovens que hoje concluem o 9.º ano? ..." (obra citada, p. 11). A questão é intelectualmente pouco honesta. Porque compara quatro anos de escolaridade com nove. Porque é formulada por alguém que contribuiu definitivamente para que não se possam hoje comparar resultados escolares, coisa que, apesar das dificuldades, se podia fazer na época a que alude.
2. A ex-ministra diz que não fez uma reforma da educação, que tão-só concebeu e aplicou medidas. Se é surpreendente o conceito ("reforma" foi palavra-chave citada até à exaustão na vigência do Governo que integrou), entra em delírio surrealista quando escreve (p. 15): "... Não se pode considerar que o conjunto das medidas configurem uma reforma da educação, porque de facto não foi introduzida uma mudança nos princípios de funcionamento do sistema educativo, ou uma mudança na sua estrutura e organização ...". Não mudou princípios de funcionamento do sistema educativo, nem mudou a sua estrutura e organização? E os estúpidos somos nós? Enxergue-se e tenha decoro.

Segue-se o Diário da República narrado aos papalvos por 20 euros e 19 cêntimos. Registam-se apoios, listam-se colaboradoras e colaboradores e referem-se reuniões. Nenhuma dúvida, nenhum apreço pelo contraditório que lhe foi oposto, muito menos qualquer riqueza dialéctica. Um deserto, numa imensa auto-estrada de propaganda.
Ao longo dos últimos cinco anos, fundamentei nesta coluna de opinião a oposição a cada uma das 24 medidas que o livro distingue, pelo que tão-só recordo as mais emblemáticas das que a autora refere: a aberração pedagógica e social, que nacionalizou crianças e legitimou a escravização dos pais, baptizada como "escola a tempo inteiro"; o logro do ensino profissional (Maria de Lurdes fala de 28.000 alunos em 2005, para dizer que os quadruplicou em 2009. Mas conta mal.
No ano lectivo de 2004-05 tinha 92.102 alunos no conjunto dos cursos que ofereciam formação profissional); a demagogia de prolongar para 12 anos o ensino obrigatório (na Europa a 27 só cinco países foram por aí) sub-repticiamente sustentada pela grosseira manipulação estatística que lhe permite afirmar que no ensino secundário temos um professor para cada 8,4 alunos (p. 90), pasmem quantos conhecem a realidade; a insistência no criminoso abandono de milhares de crianças com necessidades educativas especiais, por via da decantada aplicação da Classificação Internacional de Funcionalidade; a engenharia financeira e administrativa (depois veremos aonde nos conduzirá), que está a transferir para a propriedade de uma empresa privada, por enquanto detida pelo Estado, todo o património edificado; e, "the last, but not the least", a fraude pedagógica imensa que dá pelo nome de Novas Oportunidades, forma de diplomar a ignorância na hora, gerando injustiça e semeando ilusões.
Na cerimónia do lançamento do livro que acabo, sumariamente, de analisar, Sobrinho Simões, um cientista de grande gabarito e um homem de muitos méritos, referiu-o como "o mais sólido" que leu até hoje. Quem dedicou a vida a combater o cancro com o rigor da ciência não podia, estou seguro, afirmar o que afirmou, se tivesse analisado a produção técnica e legislativa que sustenta a racionalidade do livro que elogiou. Mas a vida actual é assim. Muitos sucumbem, adaptando-se a esta sociedade doente. Continuo felizmente de saúde. Por isso choro quando vejo cair os melhores.

11 Setembro 2009

With a little help from my friends


Falta pessoal auxiliar nas escolas. Os funcionários desdobram-se o mais que podem, sem o conseguirem, e, assim, nem sempre as instalações se encontram devidamente limpas, os problemas técnicos resolvidos a horas. Este estado de coisas mantém-se e agravou-se, desde há duas décadas, pelo facto de os sucessivos governos terem procurado diminuir o número de auxiliares e administrativos, não admitindo novos elementos à medida que os que lá estão se reformam ou diminuindo o número de admissões.
Os cuidados de higiene determinados pelo Ministério da Educação para evitar a disseminação da gripe A acarretarão assim, necessariamente, um ritmo e um volume de trabalho humanamente insustentável para esses mesmos funcionários, na sua maioria, mulheres, na sua maioria de meia-idade e, portanto, com menor resistência física e anímica, quando não muitas delas já com problemas crónicos de saúde mais ou menos graves. Seria preciso, portanto, prever um reforço urgente do pessoal não-docente nas escolas para evitar esta situação, se tivermos, ainda por cima, em linha de conta que, aos múltiplos atestados por desgaste que inevitavelmente surgirão, agravando exponencialmente tudo isto, se somarão, naturalmente, as ausências, por contágio. O pessoal auxiliar estará, a partir de agora e durante todo o ano lectivo, sujeito a condições de trabalho insustentáveis. Será, possivelmente, por ele que começará um eventual colapso deste ano lectivo.
Os actuais responsáveis pelo Ministério da Educação, porém, bem como a Comunicação Social, apenas falam de verbas (6 milhões de euros) para a compra de produtos de limpeza e seus complementos e dos meios disponíveis; da parte dos Sindicatos, ainda não ouvi nenhuma declaração pública sobre o assunto. Miseravelmente pagos, embora fundamentais para o normal funcionamento das escolas, tanto no aspecto propriamente laboral como no relacional, com alunos e também com professores, a verdadeira condição dos auxiliares de acção educativa revela-se assim, de súbito, em toda a sua crueza, nesta atitude para com eles dos diferentes responsáveis políticos e da área do trabalho, algo cujo título pomposo dado à sua categoria não consegue disfarçar. Encarados frequentemente como gente menor, inúmeras vezes pelos próprios encarregados de educação de igual estatuto social, tal como os professores cada vez mais desautorizados em relação aos alunos, a situação dos auxiliares de acção educativa constitui o inequívoco sinal da permanência do Portugal de antes de Abril, algo de serviçal com laivos de sub-humano, uma espécie de bestas de carga a quem se exige o rendimento que justifique a palha que com eles se gasta na alimentação e que se deixam para trás da porta fechada do estábulo ao fim do dia, para os atrelar de novo, na manhã seguinte, às tarefas que justificam a sua existência.
Mas, quem sabe!, talvez a solidariedade de José Sócrates, da sua ministra-modelo e da respectiva equipa de secretários com os mais desfavorecidos esteja a pensar formar e participar em brigadas de apoio nos seus tempos livres; ou realizar um qualquer live aid com os outros amigos governantes e do partido, em geral. E talvez, até, Louçã se lhe junte. E o camarada Jerónimo, de humilde origem. Talvez a indignação consigo mesmos lhes bata à porta. Talvez.
Que isto do socialismo é uma coisa bonita...! Ele há que nunca perder a esperança...!

02 Setembro 2009

Por qué no te callas?


Eis como, de uma assentada, o Governo dá conta daquilo que o caracterizou ao longo destes quatro anos: completo descaramento, falta de vergonha, défice de dignidade e total ausência de competência, técnica e política.
A partir de hoje, ninguém poderá dizer, após as próximas eleições, que se enganou ao votar em José Sócrates.

31 Julho 2009

21 Julho 2009

Olha...

Ó patego olhó balão! (imagem retirada de pitecos.blogs.sapo.pt)


... que novidade...!!!

16 Julho 2009

De volta um dia mais cedo


Admitindo que fosse verdade: já agora, gostaria que houvesse um outro relatório comparativo sobre as condições em que trabalham, professores e alunos, nas escolas portuguesas, bem como quanto às instalações e recursos que ambos possuem. A não ser que se considere que o espaço virtual do Magalhães e dos restantes computadores consegue substituir, desde logo, os espaços físicos utilizados nesses outros países.
Mas talvez se possa renogociar a tabela salarial, atribuindo um subsídio de risco por desgaste acelerado, atendendo a tudo isto e à indisciplina, para não alarmar os que se escandalizam com o ordenado chorudo e as prerrogativas do vizinho...
Curiosamente, a divulgação deste relatório é feita no dia seguinte àquele em que a OCDE deu nas orelhas da ministerial equipa e, por tabela, no engenheiro de faxes que a considera como a mais representativa da sua genial e humanista governação.
E ainda a propósito: sabiam que no Japão, a terra das mais avançadas tecnologias e que pratica um exigentíssimo ensino para se manter na frente da concorrência internacional, as aulas são expositivas e se continua a utilizar o velho quadro negro?
Há gente que, digam-lhe o que disserem, nunca mais aprende...!

01 Julho 2009

Vacina, precisa-se! Urgente!

Mula Lisa (imagem retirada de http://causaeefeito.blogspot.com)

Já me esquecia!
Há pouco, também na TVI, a voz feminina que soava na peça informativo-didáctico-sanitária sobre os cuidados a ter para evitar o contágio com a nova estirpe de gripe, dizia que esta poderia ser transmitida pelo contacto com diversos objectos que são tocados por várias pessoas, "(...) os puxadores das portas, por exemplo, mas também os corrimões (...)".
É vital para o país travar a pandemia de analfabetismo ilustrado introduzido pelos agentes infeccciosos presentes no Ministério da Educação, através da assinatura do sr. engº (mais um!) Roberto Carneiro, quando promulgou a sua reforma do ensino, já lá vão 24 anos! Os estragos são já gritantes e prevêm-se situações gravíssimas, com graves repercussões na economia e na coesão social, pelo consequente sucessivo agravamento da indigência mental das gerações futuras.
Uma vez mais: está por aí alguém?

19 Junho 2009

O estertor e a mão


O sr. secretário de Estado da Educação, dr. Jorge Pedreira, foi hoje o retrato fiel do que aproxima o sr. Primeiro-Ministro do modelo de Presidente do Conselho de Ministros. De uma personagem em que, como no Fado Tropical, de Chico Buarque, a atitude humilde e a voz suave pretendem desviar a atenção da acção das mãos, que se mantêm, enraivecidas, na tarefa a que se propôs desde o início. De alguém que pretende substituir pela manha a inteligência que lhe falta, e, pela força, a ignorância e a inabilidade técnicas para resolver os problemas.
A propósito dos exames do 9º ano realizados durante esta manhã, em resposta às críticas renovadas sobre o gritante facilitismo das provas, o sr. dr. Jorge Pedreira referiu, por um lado, a injustiça de tais apreciações negativas, provenientes já se sabe de quem e, por outro lado, que elas levariam os alunos a não estudar. Ao sr. secretário de Estado bastaria, porém, ouvir conversas de rua entre estudantes para se aperceber de que eles próprios têm consciência e condenam esse facilitismo e que mesmo os mais assumidamente cábulas nutrem desprezo por quem o promove. As opiniões dos alunos que constam das peças informativas transmitidas pelos telejornais à saída dos exames são, aliás, bem claras sobre o assunto.
O sr. secretário desconhece ainda que a insegurança de quem sai das escolas quanto aos conhecimentos que possui tem vindo a tornar-se num traço freudiano das novas gerações de portugueses e, naturalmente, em simultâneo, num escolho da sobrevivência económica, pessoal e do país, que fere e ferirá todos nós demoradamente. Ainda ontem um amigo meu, desde há muitos anos ligado à formação docente, me falava do espanto e da apreensão que sentia perante a falta de preparação científica demonstrada pelas mais recentes fornadas de licenciados e o terror dos mesmos ao serem confrontados com a realidade, transmutado de imediato, como seria de esperar, por quase todos eles em subterfúgios ou arrogância.
Mas a mão continua cegamente na sua acção. A mão que desmente o rosto. A mão que nega as palavras. A mão que reflecte o estertor do cérebro que a comanda.
Pelo menos até às próximas eleições.
E depois?

17 Junho 2009

O boato


Soube-se hoje, através dos telejornais, que:
- o governo, para manter a face quanto aos números do défice, recorreu à utilização dos orçamentos extraordinários disponíveis;
- a empresa fabricante dos celebrados Magalhães tem a PJ à perna, por problemas registados no ano de 2005;
- a toda-poderosa Porto Editora, com quem o Ministério da Educação fez acordos, a meu ver, injustificáveis, recebeu também a visita da mesma polícia.
Em qualquer país da União Europeia (à excepção de Itália, claro, por tradição, e agora, ao que parece, de Inglaterra, talvez por contaminação ideológica) isto bastaria para que José Sócrates e a sua equipa fossem intimados a esclarecer este conjunto de factos. Mas se a montanha de casos semelhantes e bem mais graves não o conseguiram ainda, em nome da estabilidade política...
"Estabilidade política", "estabilidade democrática", estabilidade económica": cada vez mais me parece que a história da relação entre estes três conceitos anda a ser muito mal contada. Melhor: que, menos do que história, não passa de boato.

14 Junho 2009

Exemplos maiores

O Ministério da Educação, em nome do interesse público, impõe a nomeação de directores de escola, alguns sob suspeita de interferência política a nível autárquico, e um mesmo contra decisão judicial. Está, assim, de parabéns a equipa ministerial, pelo exemplo pedagógico maior que deu aos futuros cidadãos, mostrando-lhes com superior clareza o extraordinário país onde se esforça por mantê-los, bem como os meios com que poderão singrar em esplendorosa existência. Outra coisa, aliás, não se poderia esperar da excelsa qualidade cívica e política demonstrada pela sra. Ministra e seus colaboradores.
Por outro lado, lembra António Barreto no PÚBLICO de hoje, o Observatório das Obras Públicas, sugerido pelo Tribunal de Contas, que detectou derrapagens em cinco grandes obras no valor de 241 milhões de euros, está em projecto há cinco anos e o início da sua actividade depende de uma certificação de software. Apela-se, por isso, ao sr. Primeiro-Ministro, que mande, ao menos, instalar urgentemente aparelhos de fax, os quais, como toda a gente sabe, servem para acelerar e simplificar processos de maior complexidade. A nação ficar-lhe-á eternamente agradecida pela intenção indubitável demonstrada de não dar azo a que se prolongue ainda mais o tempo concedido a eventuais situações propiciadoras de encobrimento de incompetências ou, até, de corrupção.
E Portugal sempre ficará mais a coberto de qualquer insinuação da "nossa Europa" de ser um povo mal-governado...!

07 Junho 2009

Bastonadas (1)


Alheio ao significado
Diz o povo e com razão
Ouvindo um grande aldrabão:
Dava um bom advogado!.

António Aleixo


A ocasião faz o ladrão

Provérbio popular


Dias atrás, fazendo o costumadamente desconsolado zapping, passei pela TVI, onde Manuela Moura Guedes entrevistava o bastonário da Ordem dos Advogados. Como estava cansado demais para prestar atenção a qualquer tipo de polémica, passei aos canais seguintes.
Dias à frente, veio o povão, muito lampeiro e satisfeito, perguntar-me se tinha assistido à “peixeirada”. Como eu disse que não sabia de nada, levou-me pela mão ao youtube e ficou a olhar-me com um sorriso expectante no rosto, enquanto ia adiantando comentários sobre a coragem e o desassombro “do homem” frente à falta de vergonha que por aí vai, bem como à arrogância e à má-educação da excelentíssima esposa do responsável maior do canal (clicar aqui para ouver)
Depois de ter visto e ouvido tudo constrangidamente, disse-lhe que sim senhor, que era lamentável, mas que as coisas não me pareciam assim tão claras. E expliquei-lhe o porquê das minhas dúvidas.
Comecei por lhe lembrar que o assassino só o pode ser se tiver meios para o consumar o que pretende, seja um instrumento sejam as próprias mãos, assim como ocasião propícia para o fazer. E que, no caso de um advogado, ele apenas poderá “corromper” a lei se a lei for, em si mesma, corruptível, isto é, se a sua redacção ou os sentidos para que aponta forem susceptíveis de interpretações contraditórias, logo utilizáveis como arma ou terreno adequado à corrupção.
Falei-lhe ainda, a propósito, das palavras de um velho engenheiro, já reformado, vizinho de uns familiares meus, que participou na construção da ponte 25 de Abril, das quais nunca mais me esqueci: “Não existem bons e maus construtores, o que existe é boa ou má fiscalização.” Se a lei é o alicerce da justiça, é nela que começa por residir o problema, o que atira as responsabilidades primeiras ao legislador e a quem tem por função a aprovação do texto por ele redigido.
Ora o dr. Marinho Pinto, fui eu lembrando ao povão, nunca ou, pelo menos raramente, ataca as leis e quem as faz, prefere falar de corrupção e de podridão, desde advogados a juízes, lançando a suspeita generalizada sobre tudo e todos sem, no entanto, jamais referir nomes. Para ele, ao que parece, as leis são pouco mais que irrelevantes.
Como se um juiz pudesse alterar a lei impunemente sem sofrer consequências, pelo menos ao nível profissional! Como se um advogado honesto pudesse mudar uma lei claramente injusta ou cuja ambiguidade proporcione iludir e escapar ao mais elementar bom-senso! Diga-o a polícia, que passa o tempo a deter quem, horas mais tarde, é libertado por juízes de mãos atadas pelas leis. Digam-no os cidadãos, que podem ser presos e processados por se defenderem de quem os ataca. E se isto é ao nível do pequeno e médio delito, facilmente se imaginará o que respeita ao crime de colarinho branco.
O dr. Marinho Pinto, além disso, fiz-lhe eu reparar também, utiliza exactamente o mesmo tipo de procedimento que a sra. Ministra da Educação e a sua equipa têm tido ao longo do seu mandato. É que a sra. Professora Maria de Lurdes Rodrigues nunca tocou nos pedagogos de serviço do seu ministério, primeiros responsáveis pela orientação do ensino; preferiu reduzir a massa salarial e as condições de trabalho dos professores, que se limitam a ter que ensinar aquilo que esses funcionários lhes determinaram e na forma e com os procedimentos por eles igualmente impostos, mesmo que o considerem uma aberração. Acicatou a suspeita e o desprezo sobre os docentes, a pretexto de melhorar a qualidade do ensino, distraindo assim as atenções da imposição de “reformas” inconsequentes e catastróficas, que têm vindo a destruir definitivamente o pouco que os anteriores governos ainda haviam deixado, com trágica incompetência e irresponsabilidade.
Em suma, terminei eu, não tenho informação suficiente para emitir juízos sobre qualquer eventual frete que o dr. Marinho Pinto esteja a fazer ao sr. Primeiro-Ministro, que segue no estilo vigorosamente barulhento.
Mas que imita bem ou disfarça mal, lá isso…

27 Maio 2009

Missa negra-rosa em fundo azul (vómito às três pancadas)


27 de Maio de 2009, 20:38
Castelo Branco, 27 Mai (Lusa) -- O PS vai hoje ensaiar em Castelo Branco um comício à norte-americana, com o pavilhão do núcleo empresarial da cidade a ser transformado num anfiteatro só com lugares sentados e com as bancadas ordenadas geometricamente em losanglo.
Segundo a direcção de campanha do PS, foram colocados cerca de 1400 lugares sentados.
Todos os apoiantes socialistas estão a receber instruções do "speaker" do comício para levantarem os cartazes de fundo azul com "o slogan" "dia 07 vote PS" e para gritarem essa palavra de ordem.

Foi o acabei de ler no Sapo. Com erro ortográfico e tudo.
Tinha visto e ouvido, havia pouco, José Sócrates no seu costumado e gritado empolgamento público, dirigir-se aos militantes, falando do "horror das famílias" perante o atraso na colocação dos professores e do "terror das famílias" face ao atraso do início do ano lectivo, horror e terror com que o seu governo terminou. Mas nem é do bimbalhismo caricato da aplicação dos termos que quero falar. É de outras coisas.
José Sócrates contou, evidentemente, com a memória habitualmente degradada dos portugueses, certamente já esquecidos de Maria do Carmo Seabra (CDS), que substituiu David Justino (PSD) no governo de Durão Barroso, na sequência do escândalo do falhanço (sabotagem?) da informatização dos processos ligados aos concursos de professores. A nova ministra fez, tanto quanto é conhecido, um trabalho notável, chamando a si todas as responsabilidades, centralizando nela todas as tarefas essenciais e conseguindo, em três ou quatro meses, deixar o caminho totalmente preparado, a esse nível, para a "eficácia" de Maria de Lurdes Rodrigues, que tomou o seu lugar pouco depois. A actual ministra nunca teve a honestidade de reconhecer o trabalho da sua antecessora nem, muito menos, de lhe agradecer. Nem ela nem o novel primeiro-ministro, que aproveitou de imediato o facto para se pôr tal como ainda permanece hoje: sempre em bicos de pés.
Mais: a ministra "de direita" tomou decisões que acabaram com situações que envergonhavam o país perante qualquer outro membro da "Europa", dando, pela primeira vez desde o 25 de Abril, prioridade na colocação aos professores com problemas de saúde. A ministra "de esquerda", no ano imediatamente seguinte, por pressão dos sindicatos (vejam lá!), "de esquerda", diminuiu o alcance dessa medida, por questões de "justiça" em relação aos professores de Quadro de Zona Pedagógica. Como se a percentagem de deficientes que trabalham em Portugal, e ainda por cima em empregos que exigem a posse de uma licenciatura, fosse significativa...! Mas, já se sabe, para a "esquerda"temos que atender às massas, não aos indivíduos. E a entre a massa de pagantes dos sindicatos poucos são os "pobres espoliados dos mais elementares direitos humanos numa sociedade apodrecida pelo capitalismo". Uma chatice... para esses espoliados.
Comecei a escrever isto, tive que interromper por duas horas e ao voltar, mesmo agora, sinto-me já demasiado cansado para continuar. Penso que o que disse fala por si, sem precisar de mais comentários.
Limito-me a acrescentar que à esquerda portuguesa, toda ela, se quiser fazer alguma revolução, bastará combater-se a si própria.

17 Maio 2009

Angústias minhas


Lisboa, 17 Mai (Lusa) - A ministra da Educação defendeu hoje que o "manual de aplicação" destinado aos professores durante a realização das provas de aferição "é muito útil" e "absolutamente necessário" aos docentes para assegurar igualdade em todas as turmas.
"O manual de aplicação é isso mesmo. É um manual técnico feito pelos serviços, sempre fez e sempre assim foi. É muito útil. Evidentemente que é absolutamente necessário [aos docentes] para criar situações de igualdade em todas as turmas que fazem as provas ao mesmo tempo", afirmou Maria de Lurdes Rodrigues.
Questionada pela Agência Lusa à margem de uma cerimónia de entrega de certificados de habilitações a alunos no âmbito do programa "Novas Oportunidades, em Lisboa, a ministra frisou que o manual, que dá indicações muito específicas, incluindo as frases que os professores devem dizer a cada momento da prova, "é um guia de apoio aos professores" e disse que "já o ano passado houve uma tentativa de fazer um número à volta disso".
Diz-se no portal Sapo (clicar sobre o texto).
Gostaria, como cidadão, que a sra. Ministra da Educação esclarecesse publicamente o que quis dizer com o termo "número". É que, tanto quanto me lembre, ele é habitualmente aplicado aos conteúdos de espectáculos de circo e de vaudeville e, com maior frequência, ao trabalho dos palhaços, em particular. Para sua própria defesa e do regime, não deveria assim a sra. Ministra deixar espaço a quaisquer especulações sobre eventuais intenções insultuosas que tivesse ao utilizá-lo.
Com efeito, se não se der a esse trabalho, tal poderá vir a dar razão, por omissão, àqueles que afirmam da actual equipa de governação ser indigna de estar à frente de um país europeu e democrático; que um governante que se permite o insulto a quem com ele não concorda, é gente do mais baixo nível, vergonha de quem diz representar nas suas decisões; que tal gentinha, a pretexto da firmeza e do "progresso", é na realidade filha dilecta da pior (porque a mais firme e duradoura) das ditaduras: aquela que se enraiza num estado de espírito próprio de um provincianismo cultural e cívico reles. Por outro lado ainda porque, ao entrar pela indignidade dessa via, abriria caminho ao direito de retorquir no mesmo tom aos que se sentirem visados no comentário, minando desse modo o respeito pela autoridade das instituições que sustentam o Estado e o viver colectivo, estimulando implicitamente a legitimação e o recurso à violência por intermédio do desbragamento verbal.
Coisa que eu, para quem a madrugada de 25 de Abril de 1974 tanto de belo significou, consideraria catastrófico e inaceitável. Eu, para quem a autoridade democraticamente estabelecida é sagrada e insusceptível de ser desrespeitada, por actos ou sequer por atitudes ou palavras. Mas como poderei eu, ou qualquer outro, defender a sra. Ministra de tais suspeitas se ela própria o não fizer de imediato, caso alguém venha a chamar-lhe, por exemplo, "uma venenosa farsante, medíocre e irresponsável"?!
E eu bem que gostaria de o fazer...! Mas como?
Como?!

05 Maio 2009

Na sequência do post anterior


Em conversa com o amigo que referi ontem, vim a saber que a colega dele faleceu hoje, de manhã. E que o número de problemas do tipo cárdio-vascular graves registados na escola desde Fevereiro já ascende a seis.
Em Portugal, a impunidade faz parte dos brandos costumes; à repressão ou à cobardia, chama-se-lhe serenidade; e ao sufoco pelo silêncio e pelo exílio, tolerância tradicional ou bonomia.

04 Maio 2009

Nomes


Um amigo meu, professor do ensino secundário numa escola pública da linha de Sintra, disse-me hoje, em conversa, que, no espaço de um mês, quatro dos seus colegas tiveram acidentes cardio-vasculares graves. O último deles, hoje, encontrando-se no serviço de cuidados intensivos, em coma induzido. Na sala de professores, o clima de tensão é tremendo, alguns estão de atestado, com sintomas de esgotamento, muitos tomam anti-depressivos.
Entretanto, o desinteresse pelas matérias, a ignorância, o desleixo e a indisciplina medram, alegre e impunemente, entre os alunos.
Há quem chame a isto governar com sentido de serviço público. O crime com justificação ideológica, ou que se apresenta como tal, sempre foi a tentação maior da inteligência pervertida. Da burrice também. E do oportunismo.

19 Janeiro 2009

Elementar, meu caro Valter!

Os sindicatos afirmam que a percentagem dos professores em greve é, tal como na anterior greve, de mais de 90%. O ministério, através do sr. dr. Valter Lemos, diz que essa percentagem, de facto, não se alterou em relação à greve de 3 de Dezembro, mas que é de 67%.
Ora, segundo a matemática mais elementar, com a qual certamente a veneranda equipa ministerial estará habilitada, a percentagem de 67% corresponde a dois terços dos professores. Se estes números correspondessem a uma vitória eleitoral (do PS), considerá-los-iam, com razão, como confirmadores de uma "vitória esmagadora". Neste contexto, significam que são "apenas" 67% e não os mais de 90% dos sindicatos.
Não será tudo isto, afinal, apenas decorrente do cariz esmagador de um poder que não demonstra as mais elementares honestidade e competência políticas?