02 Julho 2011

correio das ilhas (6)

Olá, Rita

ontem o Governo Sombra esteve na Casa de Serralves.
Para que conste que a TSF é um espaço de pluralismo: mesmo antes do Governo Sombra tiveram lá o pessoal do FCP e do não sei quê Braga a falar. Até o Pinto da Costa, em pessoa! Falava tão à moda do Porto que parecia que fazia gala disso, e, pior ainda, eu tive dificuldade em compreendê-lo. 
De modo que me sentei nas escadas a falar português neutro com uma amiga, mesmo junto àquele portão Arte Nova que foi uma complicação na altura em que a quinta foi comprada aos herdeiros, porque eles achavam que o portão era uma escultura e não parte da casa, e queriam fazer-se pagar por esse pequeno extra. Um belo portão, por sinal. Que fecha a parte central de uma passagem, mas tem aberturas do lado, de modo que se alguém quiser passar não precisa de arrombar. Acho muito bem pensado. Se calhar podiam fazer o mesmo com as caixas multibanco. Punham o dinheiro em cima da caixa, assim quem quisesse roubar levava sem estragar as paredes nem nada.

Ora bem: a sessão com o Pinto da Costa acabou tarde, nem deu tempo para arrefecer os cadeirões, e quis o destino, esse especialista em gracinhas de mau gosto, que o RAP se sentasse no mesmo lugar. Quando chegou aquele momento do "então, Ricardo, não sai um bibó Puôrto?!" e ele respondia "booom, se for um bibá cidade do Porto..." a minha vizinha comentou: "se ele soubesse onde está sentado..."

Falo em cadeiras, lembro-me logo do Salazar. Sim, porque já tive uma cadeira onde o Salazar esteve sentado. Tinha uma fitinha vermelha, para a distinguir das outras. Mas eu fui-me informar, e pareceu-me que ele não tinha nenhuma doença contagiosa, de modo que tirei a fitinha. Foi asneira: afinal estava provado que aquela era melhor que outras, mais resistente ao peso do poder e da responsabilidade. Não que isso sejam coisas que pesem especialmente nas minhas costas, mas nunca se sabe.

E por falar em piadas de mau gosto: andamos com um carro alugado. Dois dias depois de termos passado numa SCUT temos de ir aos correios pagar a dívida. Booom, temos três dias para o fazer. Portanto: entre o terceiro e o quinto dia depois de ter passado numa SCUT e feito um uso de, por exemplo, 25 cêntimos, tenho de ir ao correio pagar. Ainda não gastei muitos neurónios com isso, mas parece-me que terei de ir de cinco em cinco dias para as filas dos correios pagar uma dívidas. As filas já não eram muito convidativas antes desta história das SCUT, imagino como ficarão agora. Está cada vez mais difícil ser turista em Portugal. Talvez esse seja um bom argumento para voltar de vez...

 

01 Julho 2011

correio das ilhas (5)

Olá, Rita

Acabei de descobrir que nem em Portugal posso ver os vídeos do youtube que são bloqueados pela Alemanha. Sniff sniff.
Acho que devias incluir isto na tua lista de considerações pró e contra sobre mudar para Portugal:

O passado persegue os estrangeirados retornados!

(sim, bem sei que já não vou a tempo com argumento tão convincente, mas pelo menos tentei...)

***

Estou a sair para ir buscar os miúdos ao aeroporto. Depois conto-te do taxista amoroso que me trouxe aqui. Não me digas que nem os preconceitos contra taxistas se me aguentam de pé? Isto estão tempos difíceis para opiniões firmes...

30 Junho 2011

correio das ilhas (4)

Olá, Rita

resumo do dia 4: a luz de Lisboa são os amigos.

(Mas a própria cidade é, digamos, engraçada. Hei-de ver se há outras onde o céu à saida do Metro é tão prodigiosamente azul.)

29 Junho 2011

correio das ilhas (3)

Olá, Rita

Hoje vi nêsperas à venda. Nêsperas!
Em Berlim, para encontrar nêsperas, tenho de fazer uma viagem intercontinental: de Charlottenburg a Wedding.

28 Junho 2011

correio das ilhas (2)

Olá, Rita

hoje ao almoço estive no oceano pacífico. Lindo: com águas muito claras, cheio de corais e peixinhos coloridos.

Depois passei a tarde na Gulbenkian. No museu pedi o áudio, e fiquei irritada com as referências frequentes a peças semelhantes, ou da mesma origem, ou do mesmo pintor, que estão no Metropolitan ou no Louvre. Primeiro, não falavam dos museus de Berlim (hihihi). Segundo, que espécie de complexo de inferioridade os leva a encostar-se assim a museus mais famosos? As peças valem o que valem, e quem não sabe apreciar, não precisa de ser informado com base numa lógica de marca. Enfim.

Hoje à noite temos prova de Castella: normal e com chá-verde.
Devia recomeçar o meu livro de dias felizes, tenho andado a juntar muito material.

a escrita ou a vida

Há muitos anos comecei a fazer um calendário especial. Tinha uma daquelas agendas sem ano e com muito espaço para cada dia. Sempre que me acontecia alguma coisa boa, apontava no dia correspondente. Queria juntar um ano inteiro de dias felizes.
Mas depois comecei a ter filhos e fui ultrapassada pela felicidade em forma de "ó manhe" e fraldas e papas e beijinhos e olhares cheios de confiança e tudo o que faz parte dessa aventura. 
Tanta, que nem dava tempo para passar ao papel.

27 Junho 2011

correio das ilhas (1)

Olá, Rita

Ainda só estou há dois dias em Portugal, e já percebo bem que queiras mudar para cá. Até a mim apetecia...
Ontem, por exemplo, a jantar com alguns dos amigos que prepararam o casamento do século (melhor dizendo: o casamento da outra dimensão), no meio de muita risota, boa música e óptima comida, cunhámos um nome: "o nosso casamento". Não saberia melhor maneira para exprimir o que aconteceu naquela festa memorável. No regresso a casa vinha tão feliz que até me apetecia conversar com o motorista do táxi.
 
E esta tarde aconteceu-me um desses momentos que tornam a vida muito especial. Uma conversa com alguém com quem já simpatizava muito, que conhecia dos blogues, e que se revelou muito melhor - ainda muito melhor - do que já me parecia. No regresso a casa não me deu um ímpeto de conversar com o motorista de táxi porque fui o tempo todo a decidir entre cantar "gracias a la vida" ou "com um brilhozinho nos olhos". Gracias a la vida porque hoje soube-me a tanto!

Apesar do calor (ah, as saudades que tenho das árvores de Berlim!) (não, não disse nada) fui da sede da CGD até à Gulbenkian a pé, para dar com o nariz na porta: segunda-feira. Então continuei para o Saldanha, passando por uns jacarandás já sem flores, com os ramos negros contorcidos no ar como esculturas. Lindos.

Comprei a Volta ao Mundo de Junho, com a reportagem sobre Berlim, Diziam que eu "estiquei o passo" e falavam do meu lado alemão "bem presente na forma como encaminha rapidamente o grupo para o acesso ao centro do poder da Alemanha". E depois queixam-se que a Merkel isto e aquilo. Se os portugueses acham que eu tenho um lado de eficência alemã, o que é que a Merkel não há-de pensar deles?
Em todo o caso, aprendi a lição: visitas com portugueses, em Berlim, só de Segway...

correio das ilhas

Surpresa, surpresa! Este blogue costuma parar quando eu vou de férias, mas este ano abro uma excepção. Não direi que é por uma boa causa, mais depressa diria que é por uma boa intenção. Sim: por causa de um post que a Rita Dantas escreveu há dias (*), decidi que este ano lhe mando postalinhos de férias. Da minha ilha para a dela.

(*) Ela sabe a que post me refiro. Quem não sabe, pois vá lá cuscar à vontadinha: assim como assim, naquele blogue só se perdem os posts que não são lidos.

25 Junho 2011

contagem decrescente

Amanhã de madrugada saio para férias em Portugal. E muito bem, vêm mesmo a calhar, porque tenho ainda tanta tanta tanta coisa para fazer, que depois da maratona de hoje vou ficar a precisar muito de férias.

Onde estará a minha lista de livros que quero comprar em Portugal? Toca a procurar, para acrescentar mais este: O Advogado do Diabo, de Ambrose Bierce. Como é que estas pérolas me têm andado a escapar há tantas décadas?

24 Junho 2011

a tradução do amor



Eu a repetir-me quando se trata da Pina Bausch: fantástico.

E agora, um pouco de análise linguística, para não pensarem que eu conseguia sair deste post discretamente e sem divagações:

Gosto: o gesto de "I understand" (quase se vê a lampadinha a acender no cérebro)
Não gosto: o gesto de "I love" (o que estão ali a fazer aqueles punhos fechados? Se me deixassem mandar - agarrem-me, que eu.. - para "I love" cruzava as mãos sobre o coração e girava-as com delicadeza para a frente) (para "amizade" fazia o mesmo, mas só com uma mão) (ó Heleninha, e de resto está tudo bem, não tens mais nada que fazer hoje?) (tenho, tenho, então até loguinho)

23 Junho 2011

alguns apontamentos sobre a reforma do ensino na Alemanha

Pediram-me notícias sobre o ambiente em redor de uma proposta de reforma do ensino alemão descrita neste artigo (em inglês). Com pliiiize e tudo: irrecusável. Pois aqui vai, mas aviso desde já que isto está longe de ser a minha área, e que agradeço todos os comentários que fizerem a corrigir e a complementar esta informação.


1. O Ensino é matéria das Länder. Não há uma política de ensino nacional. O que faz com que um aluno que já ande no segundo ano do liceu, na Turíngia, ao ir morar para Berlim tenha de voltar à escola primária (que vai até ao sexto de escolaridade), ou que as médias finais do secundário sejam impossíveis de comparar a nível nacional porque cada Estado tem o seu próprio nível de exigência - o que cria por exemplo injustiças no acesso à universidade, quando esta se baseia na nota.


2. Na maior parte dos Estados há uma selecção dos alunos ao fim da escola primária (geralmente 4 anos). Ou seja, aos 10 anos de idade, os miúdos são divididos entre os que têm estaleca para curso superior, os que em princípio terão mais jeito para uma formação técnica ou comercial, podendo eventualmente passar para o liceu (ou seja: via de acesso à universidade) se entretanto derem um bom salto no seu desenvolvimento, e os que... bom, aqui há lugar para muitos eufemismos, mas de um modo geral os atingidos sentem assim: "os que nunca hão-de ser ninguém na vida". Experimentem ser professores de uma turma de pessoas a quem aos dez anos foi dito que eles não dão mais que aquilo. E que vêm de famílias com situações complicadas, e que não tiveram pais que soubessem lutar por eles, ou porque nem sequer falam alemão ou porque estão bloqueados por alguma situação pessoal dramática.
Em suma: do meu ponto de vista, a "Hauptschule", o ramo escolar menos exigente, digamos assim, tem na prática um efeito "higiénico", porque retira das outras escolas os alunos que são vítimas de ambientes familiares muito difíceis, os que falam mal alemão, os que dão problemas. É uma leprosaria do ensino. Claro que há políticos que dizem que não, que nessa escola os alunos mais fracos não são sujeitos ao stress da concorrência e têm a possibilidade de se desenvolverem segundo as suas capacidades. Pois será, mas também conheço professores que se alegram quando os alunos fazem 14 anos porque já podem ir para programas prisionais de correcção, ou lá como isso se chama. 
Ao juntar estes dois ramos, que é a proposta referida no artigo em inglês, o problema de auto-estima  e de self fulfilling prophecy dos alunos de menor rendimento dilui-se um pouco, mas surgem outros, porque vai haver cada vez mais pressão dos pais para colocar os filhos no liceu. Um exemplo prático: conheço uma miúda que está a tomar ritalina para aguentar o ritmo e a exigência do liceu. Antes isso que ficar na Realschule (o ramo intermédio) "no meio daqueles brutamontes que arrumavam com a minha filha em dois tempos" - como dizia a mãe dela.

3. Há quem defenda que o "liceu" (Gymnasium) e não a Universidade é que é o viveiro de elite por excelência, e que esse é um viveiro indispensável a uma Alemanha que pouco mais tem para concorrer no mercado mundial para além das ideias e capacidades do seu povo. Aos melhores devem ser dadas todas as condições para se tornarem ainda melhores, e é errado - e contraproducente para os interesses do país - obrigá-los a marcar passo para que os alunos mais fracos consigam acompanhar. Os melhores devem ser "seleccionados" o mais cedo possível, para lhes oferecer e exigir o máximo.
Há quem argumente que as crianças têm diferentes ritmos de desenvolvimento, e que não se podem fechar as portas tão cedo. Outros ainda falam das competências sociais, e que há mais vida para além do rendimento escolar. 

4. Contudo, paralelamente a este sistema de três níveis de ensino, há um tipo de escola diferente: a escola unificada, que junta todos os alunos até ao décimo de escolaridade, após o qual uns saem para cursos profissionalizantes e outros continuam para a fase final do ensino secundário, fazendo o exame final do liceu (o famoso Abi), que dará acesso à universidade.
O Spiegel dá o exemplo de uma escola destas, recentemente criada na Renânia do Norte–Westfália devido a uma mudança no governo (artigo em alemão): formas de ensino abertas, turmas pequenas e muitos assistentes sociais, do 5º ao 10º ano. A directora recebe imensos telefonemas de famílias que mesmo morando longe querem matricular os filhos nessa escola, e de pedagogos em toda a Alemanha, que querem vir participar nesse projecto.


5. A própria concepção do ensino está a mudar: do tradicional marra-despeja para uma aprendizagem individualizada em que o professor se entende não como aquele que ensina mas como aquele que acompanha o aluno no seu processo individual de aprendizagem. Nesse caso, a questão do ensino unificado versus duas ou três vias paralelas perde importância, porque os alunos podem estar todos juntos numa turma, aprendendo cada um segundo as suas capacidades pessoais. Embora possa acontecer - e acontece, conheci alguns casos na Jenaplan - que os alunos não se dêem bem com este sistema tão livre, e precisem da disciplina e da pressão do grupo para manterem um certo ritmo.

6. Em Abril de 2011 foram publicados os resultados de um grande inquérito sobre a educação, organizado pela Fundação Bertelsmann, com a possibilidade de responder em alemão, turco ou russo. Participaram 480.000 pessoas, mas só 130.000 preencheram o formulário completo, e só estas respostas foram consideradas. Síntese dos resultados, a que chamaram "dez teses e exigências" (artigo do Spiegel, em alemão) (o tradutor, Speedy Gonzalez, manda cumprimentos):



  • A maioria dá grande importância à instrução e formação (cerca de 2/3 dos inquiridos atribuem-lhe, pessoalmente, uma importância extraordinária). 
  • Para a maioria, a escola tem prioridade na área da formação. 70% entendem que é preciso investir mais. Em segundo lugar aparecem os infantários e as creches.
  • Em 80% das respostas aponta-se para uma baixa ou muito baixa predisposição dos políticos para operar uma reforma no ensino. 57% acham que os professores teriam a coragem de fazer essas reformas, mas faltam incentivos para os professores mais empenhados. Segundo os autores, os próprios inquiridos estão muito entusiastas quanto a essa mudança.
  • Uma das tarefas centrais do sistema educativo é permitir a ascensão social aos mais desprotegidos. Esta opinião é expressa em particular por um grande número de inquiridos com baixos níveis de formação e salarial.
  • Mais de 2/3 dos inquiridos estariam dispostos a pagar mais impostos para melhorar o nível do ensino. Grande parte desses são alunos, professores e descendentes de emigrantes turcos. Só uma minoria apoia aumentos de impostos para proteger o ambiente, combater o crime e melhorar os cuidados de saúde. A maioria aceita propinas universitárias conforme o rendimento dos pais.
  • Quase 90% concordam com a obrigatoriedade da frequência de um jardim infantil, e 2/3 concordam com a possibilidade de uma passagem posterior para um nível de ensino mais exigente. Quase 50% defendem que a escola unificada vá até ao 6º ano, 1/4 entende que devia ser até ao 9º ou 10º. 
  • 80% defendem a escola durante o dia inteiro, só 19% defendem a escola a meio-dia.
  • Nove em dez querem exames finais comuns a toda a Alemanha. Segundo eles, as diferenças entre os vários Estados não contribuem para melhorar o sistema educativo. 
  • Nove em dez aceitam a integração de crianças com deficiência física nas turmas normais, mas cerca de 50% não se conseguem imaginar a trabalhar bem numa turma com alunos com deficiência mental ou comportamento anormal. O grupo de inquiridos com raízes turcas mostrou-se particulamente céptico quanto a isso.
  • Uns 50% manifestaram-se contra uma distribuição equitativa dos recursos. Escolas em bairros problemáticos devem receber maior apoio.

o tempo das moscas gordas

Entram pelas janelas abertas, carregadas de ovos, lentas e tontas.
E eu corro atrás delas de mata-moscas em riste, tonta também.

Odeio.

22 Junho 2011

eu, médium

Na secção "conversas em dia" da coluna da direita há vários blogues que já morreram ou estão em coma profundo.

21 Junho 2011

a superioridade musical dos portugueses

Ontem o meu coro ensaiou Luci Care Luci Belle, uma peça de Mozart. Esta (mas não assim, claro, não pensem que):



Trata de um mal de amor, como de costume, que é provavelmente o problema que mais contributos tem dado ao espólio artístico mundial.

Estava eu a cantar, e a achar que o Mozart não percebia nada do assunto. Devia ser muito novo, sei lá, havia de ter uns doze anos e estar a compor sobre um tema que terá lido numa revista. Pois admite-se lá que alguém que está a morrer de amor o cante numa modinha destas?

Mal de amor, o que se chama mal de amor, é assim:

os meus olhos são dois peixes
navegam numa lagoa
choram lágrimas de sangue
por uma certa pessoa

E isto cantado com uma melodia bem recheada de trilos e apogiaturas, ora vamos lá remexer na ferida como deve ser. E a duas vozes com um simples intervalo de terceira, o brutamontinhos da composição (o brutamontão é o intervalo de quinta contínuo), com a primeira voz a erguer-se estridente, bárbara. Para que não haja dúvidas que está a doer mesmo muito.

De onde se prova que Mozart, aí pelos seus doze anos, calculo eu, ainda tinha de aprender muito com os portugueses. Mas não: por causa daquela mania que eles tinham de não sair da Europa central, não chegou a contactar com a nossa cultura, perdendo assim uma oportunidade única de enriquecimento que teria com certeza projectado a música barroca para o limiar da modernidade.

20 Junho 2011

não me digam que se esqueceram de ir espreitar o Boas Intenções hoje?

Não sabem o que perdem.

e quando parecia que já estava tudo inventado...

E quando parecia que já estava tudo inventado, vem a Lisa Ekdahl e inventa este Night and Day sem calorias.



Como Coca Cola zero, como cantar com um corpete que não deixa abrir o peito. Como se fosse preciso cantar em surdina para não despertar as crianças.
E, no entanto, gosto. Quem me entender...

19 Junho 2011

pequeno-almoço no Ritz-Carlton

Ontem, o pai do nosso Miguelito (o Miguelito que eu queria adoptar porque é amoroso, mas depois de descobrir que ele não tem problema de dar 70 euros para comprar uma t-shirt de um clube de futebol decidi que preferia ser adoptada por ele) veio cá jantar com a sua namorada, e hoje pois lá fomos tomar o pequeno-almoço com eles, no hotel das estrelas de cinema onde ficaram alojados. Grande troca: um bocadinho de bacalhau e tal por um pequeno-almoço no Ritz-Carlton pago pelos colombianos. Estas relações económicas internacionais assim desiguais é que fazem com que a América Latina não consiga sair da cepa torta.
À porta do hotel havia um rolls-royce. "Isto promete" comentou a mais fútil das minhas costelas, mas quando entrámos no restaurante o buffet saltou-me para dentro dos olhos de tal maneira que até me esqueci de verificar se os Brangelina estariam por ali.
Para que conste: um pequeno-almoço formidável.
Só foi pena estar marcado para as 10 e nós termos chegado um bocadinho atrasados, e o pessoal ter começado a arrumar as mesas às 10:30 para ter tudo preparado para o brunch às 11. Um stress, até me lembrou a Páscoa na minha aldeia minhota, com as mesas cheias de comida boa, e eu sem saber por onde começar.
Em desespero, trouxemos montes de comida para a mesa, que acabámos por não conseguir comer. Pedimos um doggy-bag para levar os restos para casa. E quase quase pedimos que já agora aproveitassem e metessem um par de lagostas que estavam na mesa para o brunch. O pai do Miguel é um brincalhão, pouco faltou para que o fizesse.

À despedida começou a chorar. Parece que o filho dele se sente muito bem na nossa casa, e ele está muito agradecido por isso. Ando a fazer alguma coisa mal, duas, aliás:
- Não me dei conta que estava a tratar o miúdo assim tão bem. Ora, isso preocupa-me. Se não tenho a minha simpatia sob controlo, um dia destes o pessoal começa a meter conversa comigo na rua, e logo eu, que não sou nada dada a essas aberturas.
- Nunca me aconteceu chorar por causa de outras pessoas serem simpáticas para os meus filhos. Serei uma ingrata criatura?

o Capitalismo em várias versões

(texto descaradamente roubado ao Carlos Barbosa de Oliveira)


CAPITALISMO AMERICANO
Você tem duas vacas.Vende uma e força a outra a produzir o leite de quatro vacas.Fica surpreso quando ela morre.

CAPITALISMO JAPONÊS
Você tem duas vacas.Redesenha-as para que tenham um décimo do tamanho de uma vaca normal eproduzam 20 vezes mais leite.Depois cria bonequinhos chamados Vaquimon e vende-os para o mundo inteiro.

CAPITALISMO BRITÂNICO
Você tem duas vacas.As duas são loucas.

CAPITALISMO HOLANDÊS
Você tem duas vacasElas vivem juntas, em união de facto, não gostam de bois e tudo bem.

CAPITALISMO ALEMÃO
Você tem duas vacas.Elas produzem leite regularmente, segundo padrões de quantidade e horáriopreviamente estabelecido, de forma precisa e lucrativa.Mas o que o alemão queria mesmo era criar porcos.

CAPITALISMO RUSSO
Você tem duas vacas.Conta-as e vê que tem cinco.Conta de novo e vê que tem 42.Conta de novo e vê que tem 12 vacas.Você pára de contar e abre outra garrafa de vodca.

CAPITALISMO SUÍÇO
Você tem 500 vacas, mas nenhuma é sua.Você cobra para guardar as vacas dos outros.

CAPITALISMO ESPANHOL
Você tem muito orgulho de ter duas vacas.

CAPITALISMO BRASILEIRO
Você tem duas vacas.Ensina uma a jogar futebol e depois exporta para a Seleção Portuguesa...

CAPITALISMO HINDU
Você tem duas vacas.Ai de quem tocar nelas.

CAPITALISMO PORTUGUÊS
Você tem duas vacas.Foram compradas através do Fundo Social Europeu.O governo cria O IVVA - Imposto de Valor Vacuum Acrescentado.Você vende uma vaca para pagar o imposto.Um fiscal vem e multa-o, porque embora você tenha pago correctamente oIVVA, o valor era pelo número de vacas presumidas e não pelo de vacas reais.O Ministério das Finanças, por meio de dados também presumidos do seuconsumo de leite, queijo, sapatos de couro, botões, presume que você tenha200 vacas. Para se livrar do sarilho, você dá a vaca que resta ao inspectordas finanças para que ele feche os olhos e dê um jeitinho...

maldade


Num cartaz alemão, sobre o campeonato mundial de futebol feminino:

Vamos vingar-vos, rapazes!

Quanto mais olho para isto, mais vontade de rir me dá. 

18 Junho 2011

eu bem vos digo que em vez de virem aqui haviam de ir ao Boas Intenções

A Rita, fantástica como sempre.

Só uma pequena amostra (mas leiam o post todo, ou melhor - conselho só para os amigos -, o blogue todo):



O meu favorito, que o Google Imagens recusou com um fervor claramente conspiratório, fotografado contra os meus montes. Naquele monte há uma freguesia chamada Mulher Boa. Eu sou de uma mais abaixo. I know, I know.