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Sábado, 30 de Abril de 2011

David Lopes Ramos (1948-2011): um homem bom, um grande jornalista e o mestre que nos revelou a gastronomia portuguesa

Para mim, David Lopes Ramos será sempre um mestre-artífice dos jornais, de o diário e do Público. Com ele fiquei a gostar ainda mais de ler a imprensa, pela sua escrita simples e ao mesmo tempo elegante e rigorosa. Por ele e outros como ele continuei a ler o Público.
Com ele aprendi também a partilha, a generosidade, o sentido de justiça social.
Além disso, e tal como todos os sortudos que o leram, tive o prazer de poder descobrir a gastronomia portuguesa pelo seu olhar.
É uma injustiça tremenda esta sua partida tão precoce.
Para quem quiser saber mais sobre a sua vida preenchida e o seu exemplo de jornalista, cidadão e crítico gastronómico vale a pena ler este e este textos do Público.

Quinta-feira, 5 de Julho de 2007

Finalmente se fala aqui de vinhos, já não era sem tempo

Sempre na vanguarda artística, tenho o grato prazer de vos anunciar a estreia neste blogue duma rubrica, e logo dedicada a vinhos!

Diz que é costume este tipo de prosa sair aos domingos, por isso, há que saber aguardar uns diazitos.
Entretanto, aqui ficam uns rabiscos, à guisa de intróito.
Confirma-se: a vinhaça lusa está em alta, em termos de produção, qualidade e reconhecimento, tanto nacional como internacional. Já não é só o vinho do Porto que os críticos estrangeiros elogiam. Para isso ajudou a melhoria do produto e a crescente participação e reconhecimento em concursos internacionais. A crítica inglesa Jancis Robinson foi uma das primeiras a reconhecê-lo. Agora, até o papa dos críticos americanos, Robert Parker, deu o braço a torcer e já elogia os vinhos portugueses sem se limitar a uns quantos e sem tentar impor o rolo compressor do gosto fácil e de 2-3 castas que vende no seu mercado nativo.
Isto significa também um reconhecimento das próprias castas nacionais, a começar na Touriga Nacional e na Antão Vaz.
Disso nos dá conta um dos melhores críticos de vinhos nacional, David Lopes Ramos, no seu artigo "Vinhos portugueses, o desafio do mercado mundial" (Público de hoje, p. 3, secção «destaque»).
Por mim, podíamos também falar na Castelão (também chamada de Castelão francês, Periquita ou João Santarém, consoante as zonas de cultivo) e na Baga, no que toca a castas tintas, e no Arinto, Encruzado, Bical, Malvasia-fina e outras, no que toca a castas brancas.
Alcemos, portanto, o copo ao Baco das vinhas nativas.
Uma nota só de reparo: apesar dos bons ventos, o preço deste néctar está um pouco inflaccionado para as bolsas nacionais e os principais críticos de vinhos portugueses não desistem de condenar esta situação (vd. DLR, João Afonso e João Paulo Martins). Há, portanto, que saber escolher, vendo os guias que trazem as melhores relações qualidade-preço, comparando preços em vários estabelecimentos, indo às feiras e às adegas, falando com amigos, etc..
No domingo falarei de alvarinhos, ides ter uma surpresa...
PS: já me ia esquecendo: as dicas básicas sobre como saborear um vinho vêm todas no site da Jancis Robinson.