Interessam-me as chamadas paraliteraturas, pois é no pequeno mundo dos "géneros menores" que está, sem rodeios e sem vã ambição de eternidade, o banal segredo da humanidade. Escrevi há anos, juntamente com Claude Shoop - grande conhecedor de Dumas- e Manuela Rêgo um catálogo da recepção do romance de aventuras em Portugal, que foi pretexto para uma exposição; sem dúvida uma das coisas que maior prazer me deu nesta vida. Alertado por um amigo para a peça que hoje vos proponho, só me ocorre a velha e consabida máxima de Eugenio d'Ors, para quem "tudo o que não é tradição é plágio". Confesso que tinha a vaga intuição da mentira Spielberg. Para quem, como nós, pensa que a boa mentira é o caminho certo para encontrar a verdade, aqui está, sem exercícios de citacionismo, sem engenharias semiológicas, sem teorias da literatura, o verdadeiro "metatexto" de Spielberg, ou seja, o plágio.
COMBUSTÕES
AQUI NÃO SE DIZ MAL DE PORTUGAL ผมรักนายหลวง
19 Janeiro 2012
18 Janeiro 2012
Ai de quem se atreva
Às vezes - corrijo, sempre - as mentiras, as falsas verdades, as meias-mentiras, as semi-verdades, as mentiras revestidas de verdade, a verdade envergonhada que se cumplicia com a mentira, têm largo séquito de apoiantes. As pessoas - por cobardia, por traição, por comodidade - detestam dizer o que vêem, criam palavras redondas para se desculparem, fabricam artifícios de linguagem para se iludirem na sua escravidão. A verdade, meus amigos, é que as pessoas são inclinadas para a simplicidade, mesmo que construam uma pirâmide de conceitos, se vistam de citações livrescas, repitam mantras infindáveis para confundir o silêncio. A grande ambição da maioria é o consenso, o estar à la page, viver como os outros - isto é, não viver - fingir que têm consciência.
No fundo, não há homem que não seja totalitário e anda por aí muito fulano - os tais intolerantes da tolerância - que em nome da liberdade que não têm, nunca tiveram e a que nunca aspiraram criaram um totalitarismo invisível.O parlamento francês - que agora se substitui à Academia - legislou sobre as perseguições aos arménios, como o parlamento espanhol impôs a Lei da Memória, como na Argentina se mandou retirar Vilela do friso dos presidentes, como nos EUA é proibido demonstrar que a maioria dos colonos lutou pela causa do Rei (inglês) na Guerra da Independência, como em França não se pode publicar nada que implique a mais leve sensação de incómodo aos muçulmanos e judeus. E falamos nós da China, do Irão e da Coreia do Norte.
Há anos, lembro-me como se fosse hoje, o agora chorado Alfredo Margarido pediu a palavra numa reunião de professores e exigiu dos colegas que uma certa aluna - que demoliu com os mais desbragados adjectivos - fosse chumbada, pois atrevera-se defender posições que o tal santarrão considerava "vergonhosas". Pediu a cumplicidade dos restantes professores para uma matança ritual. Eu saí da sala e ainda houve alguém que me perguntou sibilinamente "se o Miguel também partilhava as ideias da aluna". É assim, meus caros. Estamos cercados de criminosos inconscientes.
17 Janeiro 2012
Vergonhas parlamentares. Hoje, na Madeira
Estou cada vez mais nauseado com o descaminho que leva este arremedo de parlamentarismo à portuguesa. Das três, uma: ou o parlamento para senhores e senhorinhos, censitário, feito de beati possidentes, conquanto não tenha a fauna dos merceeiros-móres e da banqueiragem meia-branca; ou o parlamentarismo das ordens profissionais e institutos, que meta bispos para conter acessos de esgana; ou o não-parlamento, vazio, solene, como aquele que deixou Bonaparte após o 18 de Brumário. Assim, não dá. Salazar deve estar a dar flick flacks à rectaguarda no seu pequeno túmulo de pedra-rasa.
A democracia exige civismo e não pode conviver com situações destas. Há criticas realistas à soberania popular desde Platão; aliás, nunca nenhum filósofo creditado jamais foi entusiasta da democracia. Porém, tendo-se demonstrado que é o sistema que mais evita a arbitrariedade e a violência de um contra-todos, ou de alguns contra todos, pelo deve ser amparada por severos códigos e regimentos que impeçam que se transforme naquilo que já o é há muito: a mais rápida e menos arriscada forma de promover a corrupção inimputável, a demagogia desenfreada e a destruição da inteligência. Quando as democracias se transformam nisto, são as melhores parteiras das espadas e do poder solitário. Para lá caminhamos, não tenham dúvidas !
15 Janeiro 2012
Talvez o maior documentário de sempre
Africa Addio (1966), de Gualtiero Jacopetti não pode ser visto por pessoas que recusam olhar de frente a história. Não é, decididamente um documentário para sonâmbulos, para "amigos de causas" nem para os sempiternos tolos que trocam a placidez de mentiras e meias-verdades por um bom sono. África Adeus é a nossa história, a do nosso tempo, da derrocada do Ocidente e da entrega dos povos de África a quadrilhas selvagens. Não é um filme de propaganda, não é de esquerda nem de direita e aí reside a sua chocante e quase diabólica provocação. Quando estreado, foi proibido em todos os paraísos nórdicos, foi embargado na democratíssima Alemanha e liminarmente repelido como uma apologia do "colonialismo". Quase meio século após a sua realização, ali não se vê uma ruga, uma mancha de falsidade.
AVISO: SE QUER DORMIR BEM ESTA NOITE, EVITE !
AVISO: SE QUER DORMIR BEM ESTA NOITE, EVITE !
14 Janeiro 2012
Os monstrozinhos plutocráticos
45.000 Euros por mês, nem mais. Sei há muito que a dita classe política sem classe alguma vive num outro mundo e que o aquário de águas milionárias em que se barricou é um insulto; mais, um escarro na cara de quantos, trabalhando uma vida inteira, cumprindo sempre, estudando sempre, aprimorando-se sempre, ganharão em 300 meses o que o Sr. Catroga - que nunca abriu uma empresa, nunca correu um risco empresarial - ganha num ano. Menezes, cuja inteligência se ficou sempre pelos lados de Gaia, afirmou que "tinha inveja da sinecura de Catroga". Não, não devemos sentir inveja; devíamos sentir nojo. Eu sempre disse que era necessário que o PPD vigiasse o PSD e que o PP ajudasse o PPD a dominar as tentações cleptocráticas dos Mr.'s Hyde.
O mistério de tudo isto é o facto de ninguém com autoridade se atreva a lavrar protesto público sobre o descaminho que as coisas levam. Estranho, também, que aos obcecados do dinheiro, a estes devoristas sem freio - alguns com setenta e oitenta anos - não se lhes consiga fazer entender que há uma dimensão que está para além do sonante e que mais tarde ou mais cedo estoirará por aí uma Janeirinha.
O mistério de tudo isto é o facto de ninguém com autoridade se atreva a lavrar protesto público sobre o descaminho que as coisas levam. Estranho, também, que aos obcecados do dinheiro, a estes devoristas sem freio - alguns com setenta e oitenta anos - não se lhes consiga fazer entender que há uma dimensão que está para além do sonante e que mais tarde ou mais cedo estoirará por aí uma Janeirinha.
13 Janeiro 2012
É esta a civilização ocidental ?
As imagens de militares americanos filmados a profanarem corpos de inimigos estão a dar a volta ao mundo. Não é a primeira vez que tal acontece; aliás, que me lembre, desde miúdo habituei-me a estes instantâneos que colidem com ideia hollywoodiana do sorridente soldado americano, rural, temente a Deus, mascador de chicletes e distribuidor de chocolatinhos pelas crianças dos povos que vai martelando de bombas e napalm em nome da democracia, da liberdade e do mercado. Guerra é guerra, dizem aqueles que desconhecem que na guerra também há ética, também há princípios, também há leis e convenções, mesmo que o inimigo as não cumpra.
Depois de século e meio de guerras injustas - guerras de agressão, bombardeamento indiscriminado de populações civis - em nome de uma justiça de que o império se diz instrumento, com bombas atómicas no Japão, desfolhantes e "guerras secretas" no Laos e no Camboja, invasões sem justificação (vide Panamá, vide Iraque), chegamos a isto. A América não tem, decididamente, compleição para reinar sobre o orbe. É, não temamos as palavras, uma cultura insignificante, uma sociedade problemática, desestruturada e perigosa fundada na violência, no culto da força e da potência. Estas imagens aterradoras - que eu saiba, nem os SS ou os NKVD se deixaram precipitar em tão profundo abismo de rebaixamento - espelham sem artifício o carácter canalha dos cevados que andam aos tiros a proclamar a salvação dos povos e anunciar a boa-nova da nova ordem mundial. Depois de Dresden, Mai Lai, Abu Ghraib e do prémio Nobel para o chefe de tais libertadores, já pouco há a dizer.
12 Janeiro 2012
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