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Segunda-feira, 29 de Novembro de 2010

Abram lá uma porta, não custa nada, que diacho

Segunda-feira, 17 de Maio de 2010

Se a ferrovia é prioritária, não deviam cortar isto:

1) melhoria da oferta da rede (com reformulação de horários e redução de transbordos)
2) obras de modernização da linha do Norte (Lisboa-Porto com 1/3 de linha antiga)

Terça-feira, 26 de Janeiro de 2010

Nos carris de Kafka...

Outros posts do Peão sobre política ferroviária: «No país esquecido» e «O descarrilamento do Simplex».

Sexta-feira, 5 de Junho de 2009

O descarrilamento do Simplex

Pois, pois, a desburocratização é uma coisa muito bonita, etc. e tal. Já todos o sabemos. Enfim, exceptuando uns quantos acólitos, também sabemos que o nome de guerra que lhe deram por terras portuguesas, Simplex, nem sempre é tão simples assim.

Vejamos este caso revelado pelo jornalista Carlos Cipriano: a viagem de comboio Lisboa-Madrid é 60% mais cara na CP do que na congénere espanhola Renfe, e, ainda por cima, só esta possibilita a compra via Internet! É de pasmar! A viagem ibérica já de si é cansativa, de tão demorada. Só nos faltava era porem preços tão altos que nem concorrem com o avião. O comboio Talgo Lusitânia Hotel merecia outra atitude. Mas a coisa não se fica por aqui: o apagão internético ocorre também nas restantes viagens da CP para Europa, Sud Express incluído... Eh pá, e que tal ligar a malta lusa a essa rede europeia do Hermes para desbloquear a coisa? Era capaz de não ser má ideia, até porque já foi anunciada há mais dum ano por um exmo. administrador da CP... Sobretudo para quem se diz «nós, europeus», é capaz de não bater a bota com a perdigota...

É caso para dizer: com atitudes destas, quem descarrila é o Simplex. E o dinheirex, ambientex e tempex dos tugas...

Terça-feira, 12 de Junho de 2007

atmosferas

Há cidades incriveis e há maneiras incriveis de representar as cidades. Uma cidade é o espaço, mas também é o tempo. São indestrinçaveis. Ao estar em Barcelona, lembrei-me vezes sem conta do filme Lost in translation (2003) de Sofia Coppola. Não que Barcelona tenha algo que ver com Tóquio, nem que me tivesse sentido em perda, ou que me fosse difícil entender o "outro". Rigorosamente nada disso. Também não senti a leveza das imagens do filme de Sofia Coppola, nem parti para o aeroporto ao som dos The Jesus and Mary Chain. Porque é que, então, os associei? Esta dúvida persistiu uns dias, pois não estava a fazer sentido. Até que hoje, no combóio para Coimbra, entre o embalar da velocidade do Alfa, a leitura que interrompi, e o olhar lá para fora pela janela, fez clique. O primeiro clique foi o óbvio: o facto de eu ir num combóio e ter olhado pela janela, qual Scarlett Johanson (com um ar, todavia, menos melancólico e muito menos estiloso). O segundo clique é que já me convenceu. A forma como as sensações se sobrepõem à narração, ou melhor, como as sensações criam a narração. Sofia Coppola é magistral no modo como representa essas sensações e da forma como as cria. Toda a atmosfera do seu filme (e dos outros também) é intrinsecamente sensorial. As suas imagens autorais possuem essa marca da sensorialidade, e também da sensualidade, embora não seja isso que me interesse neste momento. O clique fez com que me apercebesse que o importante ali era o facto de as sensações terem um poder dominante sobre tudo o resto. O Palau de la música e as casas do Gaudi, no seu expoente modernista, são isso mesmo: quem olha para ele(a)s derrete-se em sensações várias. Ou seja, as formas da arquitectura modernista de uma cidade burguesa que é Barcelona, provocam no espectador (aquele que olha embasbacado) momentos de sensorialidade extrema perante o objecto impossível. (Há uma impossíbilidade intuída na arquitectura modernista, uma vez que aquilo que criaram não parece, de facto, possível. O Palau é exemplo disso)