Monday, October 27, 2008

6 posts sobre Roma


1.Rita Maria e os Romanos

A ideia de entrar no Senado e pisar os mesmos mosaicos que os meus deputados e conspiradores romanos favoritos era suficiente para me fazer suspirar. Ao planear a minha viagem de um dia livre, sabia que, se quisesse ver a cidade, teria de prescindir ou dos Romanos ou da Arte. Com o que descobri que sou muito mais politica do que estética (ou que estarei a aprender a ver museus a dois, o que é melhor não considerar ainda muito provável). No entanto a argentina que conheci na poussada da Juventude tinha razão: o Fórum e o Palatino exigem algum esforço de imaginação. Pelos doze euros que paguei, bem que me podiam ter dado um mapa.

2. Rita Maria e a lei de Rita

Chegada a Sexta Feira, tudo me parecia correr mal. Não quero entrar muito em detalhes, não vão vocês começar uma campanha de solidariedade, mas as coisas não estavam a ir bem para o meu lado e começava a parecer provável que eu não conseguisse nunca chegar a Pisa, ficando antes a morrer à fome numa pousada de juventude decrépita (ou em berlinense:alternativa). De acordo com a velha lei de Rita (formulada num post a que voltaremos todos a ter acesso quando eu acabar de publicar o Boas Intenções primeiro, o que o Blogger assassinou), ou seja, podes sempre ter uma sorte do caraças, tudo correu lindamente, inclusive a minha passagem pela spaguetti party da pousada decrépita.

3. Rita Maria e o Catolicismo

Em jeito de nota muito pessoal e provavelmente algo precipitada, Roma pode ter alterado fundamentalmente a minha relação com a Igreja Católica. Talvez tenham sido as Igrejas, que por todo o lado facilitavam o contacto com a única pessoa de referência disponível, o imparável curso da lei de Rita que, convenhamos, tem o seu quê de suspeito ou, mais provavelmente o orador do jantar da conferência, o Abade Notker Wolf, um senhor muito prá frentex cujas posições não me terão convencido inteiramente, mas cuja cordialidade e presença, junto com a irreverência e abertura, me mostraram um mundo que podia ser de possibilidades e não de espartilhos. No dia seguinte rezei em provavelmente trinta e cinco Igrejas por tudo o que se mexia, descobri imenso sobre o que me move e o quero da vida e, na dúvida, agradeci a lei de Rita. Em jeito de rodapé: aquela parte de eu não saber se Deus existe, evidentemente, torna tudo isto muito precipitado. Talvez não seja a fé que procuro ou que me move, mas o conjunto de pessoas convictas da sua imperfeição e apostadas em ser melhores. Como vos digo, pode ter sido o início de qualquer coisa. Se descobrir, conto-vos.

4. Rita Maria e a Revolução

Com tanta Igreja, cheguei atrasada à Revolução. (que quantidade incrível de pano para analogias!) Queria ter ido participar na manifestação contra o Berlusconi, que ainda por cima era um perfeito walking tour pela Roma política, e acabei por só apanhar o fim. Mas tinha corrido lindamente e os participantes chegavam em magotes de gente com um ar satisfeitíssimo. As manifestações continuam e irão, esperemos, conseguir por termo a uma reforma do ensino apostada em reduzir o número de professores primários a um por turma com turmas maiores. Até a ler um dos jornais do Berlusconi se percebia que aquilo era um escândalo (para não comentar a intervenção da polícia nas universidades em greve, mas o que se pode ainda dizer sobre uma coisa dessas?).

5. Rita Maria e o Fascismo

Roma, Domingo, quatro da manhã, as pessoas vão-se juntando à espera que abra a estação. Incluindo um grupo de cidadãos do sexo masculino com pouco que fazer, muito cheios da sua pessoa e com muitas coisas para dizer, ou poucas coisas em muito palavreado. “Cambada de inúteis”", pensei eu, carregada de malas e só com quatro horas de sono, “não se pode mandá-los todos para algum lado?”. Fantástico. Preconceitos de todos os tipos juntos numa só frase combinados com uma solução fascizóide para um problema que só existia no meu mau humor. Depois de uma hora de sono no comboio, acordei para um dia lindo e o céu azul sobre o Mediterrâneo. Evidentemente, já me tinha deixado de pensamentos de direita.

6. E por último: Rita Maria e Roma

Roma é uma cidade fantástica, maravilhosa, cheia de cores lindas, luz deliciosa, romanos, arquitectura mediaval, renascentista, barrocca e vinte e três mais, italianos, Papas, gelados, Berlusconis e anti-berlusconis. Se fizermos de conta que falamos Italiano, eles acreditam, o que eu acho muito gentil. O ar não é grande coisa e há turistas a mais, mas no geral as pessoas foram sempre muitíssimo simpáticas e prestáveis. Não vi demasiados homens bonitos, mas muitos gatos verdadeiros, ao sol nos monumentos. Mais conto quando lá voltar. Vou tentar descobrir quando é o dia sem carros.

Sunday, October 19, 2008

roma


Na quarta feira, Istambul na quarta que vem. E eu que mais gostava era que Outubro acabasse e que eu tivesse tempo para beber chá na cozinha (para um lado como para o outro, tem cuidado com o que desejas, pode acontecer-te).

Saturday, October 18, 2008

o rabichinho




Em Portugal, o rabichinho chegou em Agosto. De repente, aquelas crianças que chegavam à aldeia e não falavam a nossa língua tinham, se fossem rapazes, um rabichinho atrás, uma caganita de cabelo dependurada que ia por ali fora. Se chegava um emigrante, o filho com rabichinho era quase tão garantido como o Mercedes.
Chegados a Setembro, não demorou muito a perceber que o rabichinho tinha ficado, em parte. Um ou outro dos nossos colegas lá andava de rabichinho. Para o melhor e para o pior a maioria continuou atrasada e nada de rabichinho para ninguém, que era uma foleirada.

Ao chegar à Alemanha, a certa altura lembraram-me do dito. A verdade não se fez esperar: todos os rapazes alemães que conheço e com quem falei do assunto já usaram um rabichinho (sim, inclusive: se alguém me tivesse dito que eu ainda havia de me apaixonar por um portador de rabichinho, o que eu não havia de lhe ter dito). Mas não é so ele, o irmão, o melhor amigo, o vizinho, os colegas da altura. Imagino que o rabichinho terá invadido as escolas como um surto de varicela.

Isto tudo para dizer que hoje tive aulas com um tipo fenomenal, um motard de meia idade cheio de entusiasmo e com experiências interessantíssimas, mais o seu rabichinho. Estava ali, sempre, e eu sempre a pensar, tão fácil de cortar, tão fácil de cortar, agora eu tirava o teu rabichinho e era tão melhor, hem, boa vida que ia ser.

Que incrível poder de atracção, aquele rabichinho.

Friday, October 17, 2008

um post muito sério


Na Alemanha, a blogosfera é razoavelmente fraca, com excepção de alguns nichos (os blogs de cozinha, os sobre blogs e a Web 2.0 e alguns sobre temas muito específicos). O debate sobre a blogosfera é dominado pelos jornalistas e pelos medrosos de entre eles "os bloggers não podem fazer jornalismo de qualidade" (e a malta por acaso queria fazer jornalismo?).
Eu acredito nisto dos blogs. Acho, e este meu não é o caso, que blogs são uma nova possibilidade de acesso a uma esfera e a uma discussão pública que se aproximam bastante do ideal de Habermas, especialmente em países como Portugal. E acreditei que a Alemanha ainda iria chegar lá.

Hoje tive uma aula sobre Direito dos Media. Fiquei a saber do caso de um blog que, durante a noite, recebeu um comentário contrério à Constituição, provavelmente agressivo para minorias. O blogger autor acordou de manhã duas horas depois e apagou o comentário. A coisa acabou em polémica e o rapaz foi a tribunal - e perdeu, por ter tido num site da sua responsabilidade um qualquer comentário racista durante horas em que esteve a dormir (vou à procura de um link e volto).

O que quer dizer que todos os que acham que vale a pena ter um debate público sobre temas como o racismo e a extrema direita com os que os defendem (como a Helena ou o Lutz com o rapaz da negação do Holocausto, de que eu me terei livrado a tempo) daria aos tribunais o direito de os julgarem. Por discutirem.

A seguir, pergunta a Rita, o que acontece se eu descobrir um site de extrema direita e quiser denunciá-lo. Ainda assim não posso linká-lo? Não, podia estar a ajudar a dar-lhe visibilidade (e Deus sabe que a democracia vive de esconder os seus podres em vez de discuti-los, não é?). E um jornalista que escreve sobre um campo de treino de nazis na Turíngia, ou em Hamburgo, ou em Espanha, onde pparece quue realmente parece que os há? Não os ajudo se estiverem à procura dele?Ah, e tal, sou jornalista, disse o professor. O resto de nós são cidadãos de outro tipo, suponho, com menos deveres para com a democracia?

Com o que o debate volta ao Jornalismo e à blogosfera. Eles têm a obrigação de contribuir para o debate democrático e nós o dever de viver de olhos fechados?

Neste dia estou muita desiludida na Alemanha.

Com o que termino com o Disclaimer: este blog responde ao direito Português e acredita na democracia e no debate de ideias, na esfera pública e na Internet como uma das mais livres e democráticas das suas extensões.

Wednesday, October 15, 2008

luz


Vi a luz ao fundo do túnel. Mas ao semicerrar os olhos para ver melhor descobri que era um néon gigante a dizer "Fim das tuas forças".

Monday, October 13, 2008

para nao dizerem que neste blog nao se aprende nada de útil VIII


regra geral de comportamento na blogosfera, para uso em blogues de dondocas


"Quando entras numa caixa de comentários em que um após outro é um berreiro de concordancia, sem um infimo de discussao, de troca de ideias, devias sair de mansinho e tentar nao assustar as ovelhas. Vai por mim. As ovelhas podem morder."

(pela Gabriela, neste post da Helena. Recomendado também à Cromossoma X, que uma vez ia sendo comida viva num dos mais conceituados blogues da nossa praça, e genericamente a pessoas com convicçoes ou empecilhos análogos)

Saturday, October 11, 2008

lost in translation


Tenho de ter uma conversa com o meu homem sobre as fotografias que me tira e as que se lembra de achar bonitas. Mas está difícil, não sei dizer refego em alemão.

Wednesday, October 08, 2008

desculpe, onde é o balcao de mudança de nacionalidade?


Duas presas em Tires assumiram uma relaçao lésbica, após o que foram separadas, repreendidas e sei mais o quê. Nao sei de que sociedade quero ser menos: da que acha que tirar a liberdade a alguém nos dá o direito de tirar-lhes o direito ao amoe e à felicidade ou da que está convencida que pode haver uma base legal para repreensoes por beijos.

PS: Mas por uma vez nao acho que isto seja homofobia. O Estado repressor estava todo satisfeito por tirar o direito dos presos de amar e ter relaçoes felizes, uma vez que terao sido legalmente condenados a "pena de ausência de relaçao amorosa saudável durante 23 meses", e depois os homosexuais lixaram-no. Depois o Estado tem de os separar. E nem assim. Afinal, o amor está por todo o lado (sou uma esquerdalha sentimental).

Tuesday, October 07, 2008

anúncio de última hora


Portugal, segundo descobri hoje, é minúsculo.

sem fôlego


Que sim, que voltei, que correu tudo muito bem, que o meu namorado estava lindo como de costume e foi fácil reconhece-lo, mas entretanto, uff, uff, tenho demasiado trabalho e nao tenho tempo. Volto para a semana, sim?