Sunday, November 30, 2008

para nao dizerem que neste blog nao se aprende nada de útil IX


Berlim está cinzenta, eu estou a trabalhar a um domingo, passei pelo menos uma hora de manha a lavar louça, nao gosto da camisa que tenho vestida e ando um bocado cansada desta história da pobreza chique. Dantes, achava que ser feliz era um estado de alma que se impunha face à ausência de factores contrários. Hoje, sei que é um ser de alma que se está um bocado nas tintas para as adversidades.


Saturday, November 29, 2008

escolher a década certa para emigrar


Posso ouvir a Rádio Valdevez online. A Rádio Barca infelizmente não funcionava, pelo que oos discos pedidos continuarão a aguardar pelo Natal, mas isto é fantástico. Eu sei que já há especialidades de Natal na Caracas e a minha mãe nem faz ideia. Não estão bem a ver (ah, e a Electrodomésticos Lemos deseja a todos os clientes, amigos e fornecedores um Bom Natal e Festas Felizes).

Friday, November 28, 2008

agora é que é


Esta semana que vem, Bruxelas. A que se segue, Budapeste. E o melhor de tudo, na seguinte, Portugal (transformei-me numa mulher de carreira só porque nunca fui de Interrail).

uma nova série


Nao sei se já vos tinha contado, mas o meu cérebro é bastante lento. A grande vantagem disto é que consigo, com o outro bocado do cérebro, observar os caminhos sinousos, por vezes absurdos e mesmo ridículos que os meus raciocínios seguem enquanto saltam alegremente de nenúfar em nenúfar. É muito divertido e sempre sonhei que alguém pudesse também achar-lhe piada. Vou tentar com vocês, já que lá em casa nao é nenhum sucesso retumbante.

Com o que anuncio a partir de hoje a série "os insuspeitos caminhos dos raciocínios de rita maria enquanto saltam de nenúfar em nenúfar" que abriviei em "insuspeitos nenúfares". Fiquem atentos.

Wednesday, November 26, 2008

ontem na filarmonia


Música Judaica do Romântico. Ao órgao: Herr Flick.

Monday, November 24, 2008

que é para verem como a vida é dura


Vou ter de moderar um debate, em público, entre deputados do Parlamento Europeu. Ao que só me ocorre: meu Deus, o que hei-de vestir?

Sunday, November 23, 2008

discos pedidos



Os meus óculos novos são verde relva por fora e cor de laranja por dentro o que, evidentemente, só lá vai com um bocado de lata (e com metade do guarda roupa). Enquanto ando para aqui a fazer listas da rita maria que quero ser e da que sou, mais a calcular as intermitências e a lembrar-me sempre da Agrado, óculos verde relva é um ponto de toque.

aforismos tristes


1. Nao nos levarmos demasiado a sério é uma grande estratégia de vida, o pior é se os outros fazem o mesmo.
2. Se nos sentimos sozinhos, mais vale estarmos sozinhos.
3. Se nao nos ocorre um terceiro aforismo, mais vale escrever poemas. A grande vantagem da tristeza é a de camuflar a barreira do bom gosto que nos impede de escrever poemas.

Friday, November 21, 2008

rita maria e os dardos


A Helena e o Lutz, duas das pessoas mais inteligentes e menos presunçosas dessa blogosfera fora, atribuiram-me o Dardos. Uma semana depois recebi o mesmo prémio outra vez, via o mundo da lua (onde hoje fui descobrir a Mariquinhas). A todos, agradecimentos sinceros e sentidos.

Deixa-me isso obrigada a passar o prémio a 15 outros blogues, o que faço prontamente (e digo prontamente como se isto não tivesse durado três quinze dias), aproveitando para vos dar a conhecer blogues ue eu leio, mas não estão na lista de links. Com o que passo o prémio Dardos, ttentando não me meter com gente demasiado pesada, à dupla personalidade, aos dados curiosos sobre as laranjas, o corpo em excessso de velocidade, o vidro duplo, o quem tem medo do lobo mau, o baile da d.ester (como não me identificar com alguém que come atum de lata com um garfo de peixe?) o com a luz acesa e mais outros 8 de que não me estou a lembrar mas que também me devem ter chegado via lista de links deste último, lista de links aliás que é um achado. Dardos entregues.

Empréstimo


Emprestaram-me uma depressão de Inverno. E isto uma depressão emprestada é como dobrada à moda do Porto, fria. Nao a pedi, não a queria e não é prato que se sirva frio.

PS: Às tantas, vemos histórias de amor só para chorar as lágrimas que nos faltam.

Ah, está a nevar.

Wednesday, November 19, 2008

tatatatatatatatatatatatatatatatatatatata tatatatatatatatatata tatatatatatatatata


Como podem ver estou já a cantarolar a música do McGyver. Isto vai, meus amigos, isto vai.

Tuesday, November 18, 2008

carabunhas


Acordo acabrunhada, venho trabalhar acabrunhada, gasto o dia inteiro a virar o meu humor do avesso e deito-me acabrunhada de novo. Preciso de férias, de luz, de terapia? Em vez disso, comprei finalmente uma luz traseira para a bicicleta. A ver se é desta.

do cinema


Burn after Reading é um filme engraçado que, se nao existisse, também nao fazia mal. O Bond era fantástico mas no fim contaram-me que nao tinha realmente enredo e eu, espantada, reconheci. Caramelo era fofinho, mas nao mais.

Saturday, November 15, 2008

o mio babbino caro


Quando eu tinha catorze anos, a minha mãe gravou-me um "filme muito giro, com homens nús". Voltei da escola em pulgas para ver Quarto com Vista sobre a Cidade e apaixonei-me por muitas coisas: por Florença, pelos campos da Toscana, pela franja do Freddy e, mais a sério, por esta ária e pela grande Maggie Smith.
Ora eu andava a descobrir a música e achei a ária soberba. Nada estava mais à mão que definir a minha ópera favorita, que isto era a idade dos "favoritos" e adicionar uma ópera favorita tinha o seu quê, especialmente para quem, como eu, não tinha paciência para videoclips e perdia portanto a evolução da música ligeira (isto não inclui naturalmente o Made in Portugal, mas isso é outra conversa).

Isto ia no bom caminho. A ópera, Gianni Schicci, uma parte de um tríptico, era desconhecida o suficiente e muito bonita. Anos de O mio bambino caro e de fantasias românticas. E depois, pimbas: ela cantava para o pai, babbino, não o namorado. Ora bolas.

Thursday, November 13, 2008

desculpa de mau vendedor de dívidas


Do Público (via Jugular): No colóquio em que o assunto dominante foi a situação económica do país, a presidente da Comissão Política Nacional do PSD lembrou que "há-de vir o momento" de apresentação das propostas do seu partido, rejeitando torná-las públicas já "porque até às eleições eram todas adoptadas por este Governo socialista".

Se Manuela Ferreira Leite achasse que as suas propostas eram boas para o país e que deviam ser aplicadas para o bem geral, esta atitude era realmente criminosa, para não falar de bastante infantil.
O que vale é que no fundo ela ou não tem ideias nenhumas ou são ideias peregrinas, do género de vender um pacote de dívidas ao Citibank antes de ter a certeza que elas existem mesmo.

Uff. Senão ainda podíamos pensar que o PSD acha que ter soluções para os problemas do país tem como função única ganhar eleições.



agora a sério


Qual é a vossa opiniao sobre coletes?

Wednesday, November 12, 2008

avô aventuras


Toda a minha infância invejei as fantásticas aventuras dos Cinco e da coleccao Mistério e as aventuras que eles viviam. Sonhava que um dia encontraria ladroes escondidos algures e uma vez até liderei uma investigacao na escola primária (isto é, liderei-a até ela se tornar demasiado interessante, altura em que a lideranca foi roubada por uma menina mais popular, evidentemente). E, todos estes anos, o meu avô usava tranquilamente um código secreto incrivelmente original, sossegadinho ao balcao do seu pronto a vestir. Nao é delicioso? Diria mesmo, traquina? Estou absolutamente encantada.

Tuesday, November 11, 2008

penso, penso, penso


Mas nao tenho mesmo nada sobre o que escrever. Tenho uns óculos novos, verde relva. Sao giros mas nao dao um post. Tenho um corte de cabelo curto, feito pelo meu amor, que deu como referência o corte das sebes do jardim. Estou gira, mas nao dá um post. Tenho uma constipaçao, eu e mais quantos? É dia de S.Martinho, mas nao só nao tenho castanhas como nao tenho muito a dizer sobre o assunto. Enfim, um marasmo por aqui.

Friday, November 07, 2008

justiça aos americanos da nossa imaginaçao


Leio nos blogs, por exemplo aqui, que a vitória de Obama nos devolve a América que conhecemos. E é mentira, parece-me. Há pelo menos 15 anos que a narrativa oficial sobre a América nos vende uns Estados Unidos em que todos sao gordos, burros e ignorantes, com as devidas brilhantes e raras excepçoes, e há pelo menos 15 anos que nós, uns mais, uns menos, acreditamos nesta narrativa.
O grande sucesso internacional de Obama é este: ressuscitar uma narrativa antiga que a maioria de nós já nao conheceu e torná-la numa self-evidence, ah, a mudança, ah, o sonho americano, ah, a esperança, entao nao, perfeitamente, andaram comigo na escola. E alterar assim a distribuiçao dos americanos da nossa imaginaçao (que os que conhecemos sao quase sempre automaticamente excepçoes) entre regra e excepçao ao longo de um eixo de mitos.

Wednesday, November 05, 2008

eis...a lei de Rita!


Nao só o Obama ganhou as eleiçoes (Tiago, descaí-me) como as minhas calças de hoje indicam que pelo menos terei emagrecido alguma coisa entre as viagens, o stress e a frustraçao. Grande dia.

Tuesday, November 04, 2008

hoje


Este blog faz quatro anos. Ele há coisas!

Monday, November 03, 2008

post único sobre o amor


É tao bom chegar a casa.

Sunday, November 02, 2008

5 impressões sobre Istambul

1.Que magnífica cidade para comprar candeeiros. Ontem, ao perder-me numa tentativa teimosa de mudar de hotel de mochila às costas (da qual acabei por desistir, ajuizadamente) passei, perto da ponte do Atatürk, ainda do lado de Beyoglu, por ruas e ruas cheias de lojas de candeeiros, modernos, antigos e faz-de-conta. Recomendo vivamente.

2.Confirmar preconceitos não faz parte das minhas actividades predilectas, mas estes tipos turcos tornam uma visita à cidade sozinha pouco recomendável. A cada quarto de hora um tipo diferente tenta meter conversa, fazendo de um passeio uma sucessão de momentos “deixa-me em paz” e momentos “nem penses em vir-me com essa do where are you from” pensados com raiva preventiva e dedicados a desgraçados a quem falar comigo não passa pela ideia. Resumindo: vir a Istambul sozinha, enquanto gaja, não me parece perigoso, mas torna-se rapidamente uma seca.

3.Sobre os meios e não as mensagens mas as vivências, um media is the experience: viajar sem máquina fotográfica, já tinha feito esta experiência em Roma, tornou-se estranho. Já tinha tornado com a máquina fotográfica para todos e tornou-se ainda mais estranho depois do triunfo do digital. Vemos as coisas e os detalhes e sentimo-nos como se os estivessemos a ver menos devido à impossibilidade de os registar. Apanhei-me a dizer de mim para comigo “então pronto, vais ter de ver tudo com mais atenção”. Com o que a fotografia digital muda não só a forma como vemos o que vimos, mas como vemos o que vemos.

4.Outros registos: gosto de cidades com cheiro a mar e ruas estreitinhas, gosto de azulejos e de fins de tarde em luzes com cor. Sinto-me mais desconfortável do que gostaria por não falar a língua, apesar de, sejamos justos, ainda não me ter feito falta. Recomendo o Big Apple a toda a gente que esteja à procura de uma pousada ou de um quarto barato e, sem ser grande conhecedora, acho que as três ruas aqui à volta são o melhor que há.

5.Gosto muito de ouvir o chamamento para orações. Como gostava dos sinos. Nesta história do ruído, temos de decidir de outra forma, ainda não sei qual, que barulhos queremos. E eu acho que queremos os ruídos deste nosso ser em sociedade. Menos sirenes, mais chamamentos, sinos, manifs, bocados dos outros a entrarem-nos pela janela adentro. E em nome da esfera privada, vidros duplos. Ou triplos. A rua a quem a reclame.

Saturday, November 01, 2008

o meu bebé


Se investimos muito esforço e criatividade numa coisa que depois corre mal, é muito difícil não a levar a peito. Se estamos numa cidade desconhecida quando levarmos a coisa a peito, não convém estar com gente incapaz de um gesto de amizade e companheirismo. E se tudo isto se junta num dia só, é terrivelmente pouco prático que o telefone decida dar o berro.

Com o que vou então ver Istambul. A lei de Rita deve estar ali ao passar o Bósforo.