Thursday, September 30, 2010

boom, boom, boom, boom, batatas com atum



Ontem aconteceu-me uma coisa tao maravilhosa e inesperada, que ainda nao estou em mim. Envolve a coisa favorita na vidda de um emigráunte claro, visitas. E hoje é a minha penúltima conferência e sei que já nao tem por onde correr mal. E o dia amanheceu com o meu tempo berlinense favorito, que esta cidade é maravilhosa no Verao, mas eu sou do sol de Outono, o frio a correr por entre as árvores douradas. Agora é esperar que o tempo se mantenha assim, que os dias corram assim, que a vida faça assim por aqui fora.

(quando leio frases de cançoes fico sempre a canta-las. No fundo é isso que espero que vos aconteça também e quando me saio com estes títulos imagino sempre que vos estou a passar o meu Ohrwurm, uma palavra alema deliciosa para quando temos uma música no ouvido e nao nos livramos dela nem por nada)

Wednesday, September 29, 2010

tv mais mostra o filho de cristiano ronaldo mas nao mostra o filho de cristiano ronaldo que isso de explorar a imagem das criancinhas nao se faz


Há poucas coisas mais hipócritas, ridículas e tristes do que fazer uma capa a propósito de publicar as primeiras fotografias do filho de Cristiano Ronaldo e depois pixelizar os olhos à criancinha para protecçao da sua imagem. Só pode ser uma piada de mau gosto.

coisas geralmente consideradas irritantes mas dotadas de particular resistência


1) Baratas
2) Energia matinal de Rita Maria

Monday, September 27, 2010

mulher, isto afinal sao todas



Eu e uma amiga andávamos preocupadíssimas porque, quanto menos gostávamos de um blog, mais o líamos. Sem ataques, sem comentários, mas fielmente, como viciadas, prontas a trocar opiniões, uma com a outra, claro, na privacidade do lar. Mais zangadas que trocistas ainda por cima, que o desprezo nao é o nosso forte. O que haveria de errado connosco? Conseguiríamos parar? Seríamos normais?

Entretanto, passeando pela blogosfera estas últimas semanas, cheguei à conclusão de que não somos as únicas. Toda a gente segue com afinco os blogues de que não gosta. Uff. Vês mulher, que isto afinal sao todas?

correspondente da rfi resume situação política, económica e social portuguesa (dos últimos quinze anos?)


A situação é tão explosiva que uma pessoa só se pergunta como é que ainda não explodiu.

Saturday, September 25, 2010

muda de vida se, não queres viver contrafeito


Vejo anúncios de emprego, anúncios de casas, compro vestidos, cortei o cabelo, planeio uma existência alternativa longe daqui, atravesso a cidade para aulas de Latim que afinal também podia ter aaqui ao lado. Mas cortar o cabelo só nos deixa com um cabelo mais bonito e os vestidos novos quase só se fazem sentir na minha conta bancária, reduzida que estou às calças e à tala robocop. O trabalho, o trabalho é que tem culpa, mas as últimas conferências estão a chegar e, embora tenha ainda de dar provas no emprego novo, ele é muito divertido, como acabo de descobrir de novo nestes últimos dia.

A culpa não é do trabalho. E também não é da casa, não, é cá dentro. Sou eu que me perdi um bocadinho quando não estava a prestar atenção.E que sou viciada em mudanças, mas tenho dúvidas em deixar uma vida de que gosto.

Lucca, numa Toscânia longínqua, ou Zehlendorf, aqui ao lado. Não sei o grau da mudança que isto vai levar, não sei quanta mudança é necessária. Até podem ser 360º como dizem os futebolistas. Entretanto imagino levar a Ginger e o vestido novo a passear por novos horizontes e animo-me um bocadinho. Faço uma chávena de chá e planeio ver uma casa ao fim da tarde. Testar a ideia, longe do ecran do computador, perto das árvores, a poucos km da floresta. Decido ir espreitar. E depois logo se vê.

Tuesday, September 21, 2010

entretanto, eu e a tala



Quando o meu tio era pequenino doíam-lhe as botas e o cabelo. Comigo dá-se um caso semelhante. Acho que o pé já está curado, mas passo o dia com dores na (da) tala, dores essas que hão-de durar as três semanas que ainda faltam. E a dita cuja ainda por cima tem este bom aspecto, discreto e elegante. Não combina tão bem com tudo?

rita maria ♥ pólo norte

Uma resposta a um dislate novo da Margarida Rebelo Pinto, demasiado bem dada para ser verdade.

novos horizontes


Tenho um soutien que respeita o facto de as minhas mamas serem entidades separadas e um colar que se aproveita dessa situaçao para ganhar protagonismo em terreno tao apropriadamente desbravado, fazendo com que também a camisa se aperceba das tendências separatistas destas minhas províncias. A conjugaçao dos três factores ditou que há bocadinho, no elevador, tenha olhado para baixo e visto os meus pés todos.

Ainda bem que calhou num dia em que deixei os sapatos da tala em casa e trouxe uns bonitos.

(isto é tao completamente irrelevante, eu sei, mas eu estou tao cansada e tenho tantas ideias tontas, esta ainda foi das melhorzinhas, é o que vos digo)

mecânica do tempo


Precisava de que o dia de hoje tivesse muitas mais horas, mas ainda assim que acabasse rápido, que eu nao aguento mais. Dava-me jeito que os próximos três dias fossem na verdade seis, mas também que chegassem rápido. E por último queria gozar em pleno cada minuto até ao fim de semana, mas gostava que o fim de semana tivesse começado ontem à noite.

Sunday, September 19, 2010

insectos

Este fim de semana os insectos desempenharam um papel mais importante do que o desejável na minha vida sob a forma de uma nova praga de moscas da fruta de que já comecei a tratar com a clássica solução "vala comum de vinagre balsâmico com detergente", mas cruzei-me também com coisas maravilhosas.

A primeira foram estes modelos de um senhor chamado Alfred Keller, que vi no museu da ciência aqui em Berlim e que só pecam por ser demasiado informativos:


Uma traça, sempre uma agradável surpresa numa embalagem de farinha ou arroz.


Uma melga vulgar, fêmea, pronta a picar-vos a meio da noite, não sem vos ter chateado o juízo mesmo antes de adormecerem, para que saibam o que vos vai acontecer naquele momento em que já não podem fazer nada.



Uma mosca e por último esta outra pequena delícia, da família das cigarras:



Mas nada bate esta última maravilha, que descobri há bocadinho no blog da Lucy Pepper e que me deixou presa ao ecrã boquiaberta:


Saturday, September 18, 2010



Friday, September 17, 2010

a lei de rita com o rabo de fora (a lei, não a rita)


Sonhei com uma cidade onde se calhar podia ir ser (mais?) feliz e pensei-a linda e pequenina, na mesma dimensão de outra onde fui muito feliz. Acabo de ir à Wikipedia. Uma tem 86000 habitantes, a outra acusa 84.640. Sonhar é grátis, mas também é preciso ter jeito.

Thursday, September 16, 2010

325 razoes pelas quais nao se deve levar trabalho para casa (I)


Pode-se perdê-lo.

one night stand


Gilberto Madaíl quer contratar Mourinho por dois jogos. Eu também gosto de amores ligeiros e inconsequentes, mas prefiro dedicar-me a eles com produtos de importaçao nao comprometidos.

(o que vale é que uma pessoa olha para a federaçao portuguesa de futebol e vê que há ali uma visao, uma estratégia)

Wednesday, September 15, 2010

ainda sobre coisas sérias (e o caso casa pia)


E o que eu gostei desta pequena história da Helena, um Manual do Estado de Direito para todos os dias?

(por outro lado penso se não deveria corrigir para "Manual do Estado de Direito Alemão para todos os dias". Em Portugal nem ninguém reabria o processo para compensar o utente nem o polícia informaria quem apresenta queixa sobre os segredos do Estado de Direito. Se alguém quisesse mesmo aconselhar o queixoso, diria "faz um escândalo desgraçado, quanto pior melhor". E teria razão. Com o que volto à pergunta do costume: os media, os políticos, a sociedade, comportam-se muitas vezes como se o Estado de Direito não existisse. Mas, e se tiverem razão?)

Tuesday, September 14, 2010

um post sobre coisas sérias: o acórdao do caso casa pia


Achei absolutamente chocante a quantidade de pessoas que achou dever emitir opinioes sobre as decisoes do tribunal no caso da Casa Pia antes de as ter em maos (mentira, nao fiquei chocada com todas estas opinioes, fiquei tao bem impressionada com o equilíbrio desta que li o blog do nosso embaixador em Paris de fio a pavio).

Como entretanto o documento é público e me chegou às maos (suponho que esteja já a ser dissecado por todos os jornais, mas nao tenho tempo de ir ver), sugiro a sua leitura a quem queira formar uma opiniao. Fiz o upload aqui, do documento todo, 1735 páginas.

Ainda nao li tudo, claro (nem sei se lerei), mas aviso desde já que é muito difícil, ler a enumeraçao crua dos crimes de que foram vítimas cada uma daquelas crianças. Extremamente doloroso, mesmo.

(post parêntesis só para quem viu o episódio de mad men desta semana)


O vestido da Peggy era mesmo giro. Outra coisa: nao resisti e comprei um lápis de Joan, que encontrei na Etsy (que recomendo) (a Etsy, nao vocês comprarem agora todos também lápis para usar ao pescoço). E pronto, era isto.

PCTP-MRPP



Acho indecente que chamem síndrome pré-menstrual a uma coisa que continua robusta e de boa saúde quando o período chega e às vezes até quando se vai embora (SPMMPM, portanto). Deve ser para pouparem na sigla, que as siglas compridas dao um ar muito anos setenta.

o universo segundo rita maria



Tenho a dizer-vos que o universo será sempre um lugar fascinante enquanto houver coisas novas para aprender e também que, segundo um boato até agora não desmentido por fontes oficiais, a lista de coisas novas para aprender é infinita. Não há neura que resista.

Monday, September 13, 2010

aqui vou eu, cheio de pica


Hoje é a minha primeira aula de Latim. A minha primeira e a segunda dos resto dos sexagenários, já qque faltei à primeira em virtude de andar a mancar por casa com dores (ainda bem que agora já posso mancar na rua, com dores). Espero que eles nao levem um grande avanço ou que, se levarem, tal se deva a serem afinal um grupo de jovens garbosos com um cérebro Speedy Gonzalez e uma atracçao inexplicavel por mim pela Roma Antiga.

(risquei porque nao me lembrei de nada inexplicável em nao estar atraído por mim) (na verdade, também nao conheço nada inexplicável em adorar a Roma Antiga) (ou a Roma moderna) (quer dizer, a moderna eu percebo) (percebo, mas nao compreendo) (Rita Maria, vai-te embora!)

Sunday, September 12, 2010

coisas que eu sei e vocês não sabem

(e preferem não saber)

Existem uvas farinhentas.

Saturday, September 11, 2010

a sério, estou sozinha?



Sou só eu que acho que todos os filmes da Sofia Coppola, que acabou de ganhar o Leão de Ouro em Veneza, são uma seca desgraçada sem nadinha de novo (enfim, com uma excepção talvez para aquele videoclip simpático com a Maria Antonieta, de que até apreciei a estética de loja de gomas e o humor da banda sonora)? Um indie chic tão aborrecido como tentar descobrir as dez diferenças entre os diferentes estilos alternativos das meninas do Mauerpark? Um retrato tão eficaz do aborrecimento que nos convence realmente de que nada pode ser dito?


Não tenho nenhum medo do silêncio e tenho um fraquinho pessoal desde sempre pelos filmes tranquilos. Mas Sofia Coppola consegue uma demonstração tão cabal do vazio que acredito realmente que não tem nada para me dizer, nem imagens novas para me mostrar, nem sequer formas novas de me aborrecer. Não fosse eu uma rapariga do campo, e uma rapariga do campo impaciente, que inventa coisas para pensar se não lhas dão, provavelmente tinha-me atirado da janela entre o primeiro e o segundo (entre Five Suicidal Virgins and One Suicidal Country Girl with Moderate Sexual Experience e o Given Up on Translation, portanto).

Thursday, September 09, 2010

e agora eram mesmo os meus anos e vocês não sabiam o que oferecer

Eu, educada que fui debaixo de grande austeridade orçamental, não sou nada de querer tudo o que vejo, juro, mas isto é demasiado fixe para ser verdade. E na verdade, até me chegava saber onde se compra, que isto desde que me enfiaram nesta tala espacial estou com alguma tendência para a indulgência.

(não é mesmo fixe, a imagem? foi um presente anónimo na caixa de comentários. Quem disse que os anónimos não servem para nada?)

humor de fino recorte intelectual

(um post com saudades)

O caminho para o meu coração passa por piadas brejeiras com base em Fellini. Acho que é porque sou simultaneamente uma snob e uma rapariga do campo.

Wednesday, September 08, 2010

rita maria ♥ eduardo

Alguma constância, por favor.

Tuesday, September 07, 2010

quatro coisinhas muito curtas sobre relatar um parto na blogosfera

(este parto)(enfim, muito curtinhas se lerem sem parêntesis)



1. Quão privado é o blogue de cada um é com cada qual.

(eu não vou nada à bola com a teoria do "ai, o blogue é meu, digo o que quiser, quem não gosta vá-se embora", soa-me muito a "eu sou assim e não mudo, se quiser sou uma miúdinha mimada e ninguém tem nada a ver com isso, quem gostar gosta". Acho que sim, que quem escolhe a praça pública escolhe a crítica pública e se há situação que me enoja é ver como as fãs lincham colectivamente qualquer pessoa que critique a autora de um blogue, quanto mais popular a dita autora mais histérico o linchamento. This much said, se há crítica imbecil é aquela que decide ir aos outros blogues definir onde está a fronteira da privacidade e da exposição. Há blogues de moda, de opinião, blogues-personagem, blogues-atitude e blogues pessoais, alguns dos quais são só blogues-personagem ou blogues-atitude disfarçados. Uns revelam muito, outros revelam menos. Há privados, públicos, anónimos e pseudónimos daqueles que toda a gente conhece. Eu acho que o anonimato deve ser extenuante e tenho mais do que fazer, escolho muito conscientemente que parte de mim partilho e faço dessa uma escolha pessoal. Tão pessoal que mesmo que me desse para a perspinetice, não era bitola que soubesse emprestar ou recomendar a ninguém. É uma boa definição da geração 2.0: não abdicamos da nossa privacidade, gerimo-la criticamente, de forma totalmente consciente)

2. A fronteira do bom gosto e da intimidade é infinitamente discutível.

(Qual é o problema? Ser um acto físico, meter dor, sangue, suor? É ir sair uma criancinha? A criancinha poder ler na internet sobre o seu parto, parece-vos mais privado do que as histórias da infância, as traquinices, os castigos, as historietas que se contam blogosfera fora? Ou é ser uma vagina, sinal de stop à entrada da vulva, a partir daqui só se fala de sexo e só se for muito bom? Logo ficavam igualmente chocados se eu falasse de uma candidíase como falo de torcer pés? Ou o que vos incomoda é que em vez de sofrer calada, especialidade feminina desde tempos imemoriais, ou negar ter medo do parto e da maternidade, que é coisa que não se diz nem a brincar, se tenha posto a blogar como se não tivesse mais que fazer? E então não tinha? E se não tivesse?)

3. Quem não tenha pensado "tenho de contar ao blogue" que atire a primeira pedra.

(Às vezes acontecem-me coisas que acho que tenho de contar à minha mãe. Outras a um colega de trabalho, outras ao meu irmão Pechisbeque Felismino, outras ao blogue. Quais são? São aquelas que eu defini como fazendo parte do blogue que escrevo, com o acordo tácito dos meus leitores. E a definição vai mudando, os leitores também, raramente são os mesmos de ano para ano, tal como o blogue e, aliás, eu mesma)

4. Quem são os nossos públicos?

(Se conto durante três meses que trabalho para uma conferência, conto como correu. Se acabo uma relação que foi conhecida de quem lê o blogue, conto também. Conto projectos que só começo, dissabores irrelevantes, historietas tontas, gaffes, vitórias e derrotas. Escolho como conto, defino fronteiras. Mas conto, não tenho um blogue só para ter opiniões (embora tenha imensas opiniões). Podia ter, não havia mal nenhum nisso, mas também não acredito que exista algo de errado no seu contrário. Falando então apenas de pessoas que têm blogues onde contam a sua vida, nalguns casos só a vida-personagem noutros uma versão mais ou menos real (por falar nisso, e isto pede muito mais do que um parêntesis, no meu caso pelo menos o efeito é o reverso, não invento uma Rita para o blogue, mas a Rita do blogue influencia pelas memórias a percepção que tenho da Rita que fui, e portanto da Rita que sou), enfim, falando destas: têm públicos que as acompanham e com o qual escolhem partilhar acontecimentos. Mais ou menos íntimos, de acordo com o blogue e as pessoas. Mas estes públicos tornam-se tanto parte da sua vida como os amigos, os vizinhos, os colegas (escolher de acordo com o grau de intimidade desejado) e isto não tem nada de mau nem nada de estranho: sentimo-nos rapidamente parte das histórias que partilhamos (Serge Halimi contava, a respeito da Princesa Diana, que ao fim de muitos anos a saber todos os detalhes da sua vida pela imprensa, eles não lhe eram irrelevantes - ela era-lhe bem mais próxima que muitos tios e primos). Num blogue muito lido, anónimo e de grande sucesso, alguém que tem vindo a partilhar a sua gravidez partilha também, com o mesmo público, os momentos que antecedem o parto, os receios que provoca. E depois?)

Em resumo: Estão chocados? Eu não. Eu contava o meu parto? Se calhar não, mas não garanto nada, se torcer o pé ao rebentarem as águas e o médico for giro, nunca se sabe. Já ouvi histórias de muitos partos, ricas em detalhes, de pessoas com quem não tenho grande intimidade? Toneladas. Fiquei chocada? Não. Só não fiquei porque não foi na internet? Ah...não. Só não fiquei porque não foi em directo? Ah...não. Se calhar devia chocar-me porque está a dar andar pela internet a fazer de conta que achamos degradante, triste e de mau gosto que se ande pela internet? Desculpem, não dou para esse peditório.

em casa de pé ao alto IV

(ler com piedade, comiseração e um toque de drama, que para desdramatizar já basto eu)

De volta do médico: tenho de usar durante quatro a seis semanas uma tala horrível, que não aperta o tornozelo por aí além e portanto também não diminui a dor, que eu de resto tenho de suportar porque não posso andar de muletas. A justificação é que a tal tala horrível, de acordo com a enfermeira simpática, foi claramente desenhada para funcionar com a ajuda de sapatos apertados no tornozelo.

Com o que, como se não tivesse ainda gasto dinheiro que chegue, tive de ir encontrar uns sapatos com atacadores mais compridos que os ténis de lona cor de rosa, cujos atacadores se recusaram a chegar sequer para o meu tornozelo robocop.

Depois de juntar a compra de uns ténis de pele de atacadores compridos (Boa tarde, tem sapatos de pele com atacadores compridos? Sem detalhes de design alemão?)(desde quando é que eu digo atacadores? humpf, lisboetices) à lista de despesas imprevistas, a senhora garantiu-me ainda que é péssima ideia andar de bicicleta, mesmo sendo essa a única forma de locomoção que quase não me dói. Pelo que juntei à lista de compras imprevistas um mês de passe (e à lista de momentos dolorosos os caminhos para o metro, que demoravam cinco minutos e agora demoram quinze).

E no caminho para casa, enquanto somava tudo, ainda me lembrei de que tenho três eventos nas próximas quatro a seis semanas e de que preciso portanto de um fato de calças, porque só tenho saias e vestidos. Bonito.

No meio disto tudo o seguro paga os problemas, o médico e a tala, mas não cobre nenhuma das soluções. Típico.

em casa de pé ao alto III


Queria tanto ver o terceiro Toy Story, mas só encontro versões ranhosas.

Monday, September 06, 2010

em casa de pé ao alto II


Ainda o mesmo filme aborrecido, a rapariga está na casa onde cresceu o senhor:

- Vou para a cama, ler o meu livro.
- Ah, Morte em Veneza, na verdade o livro é meu.
- Então não me contes o fim.

Foi a seguir a esta parte que eu fui lavar a louça, vendo que nem o senhor a mirou com um ar escarninho nem a coisa se transformou em ficção científica com a rapariga a ser petrificada de imediato (interessante aqui este paralelismo, eu a chamar ficção científica a algo que se alimenta quase exclusivamente do imaginário bíblico, hmmm). Se alguém estivesse a ler o meu Morte em Veneza, fosse a meio e me dissesse para não revelar o fim, eu tirava-lho.

em casa de pé ao alto I


Ela estava a ver um filme tão tonto que introduziu uma pausa para lavar a louça.

Friday, September 03, 2010

back to the roots


David Bowie é excelente, afiança Rita Maria, espantadíssima, como se tivesse descoberto a pólvora e nao redescoberto o cantor favorito da sua infância mais tenra.

aborrecimento


Fui ler um blog de direita a ver se se me remexiam as entranhas. Falhei. Já nem a direita é o que era.

(claro, a esquerda também nao, mas a direita tem mais obrigaçao, porque conservadora. A esquerda reserva genericamente os amanhas que cantam para o futuro, pelo que é menos grave que seja uma espécie de pescada, uma coisa que depois de o ser já nunca o tinha sido).

rita maria de regresso à vida de rapariga solteira


Esticar as costas, tirar as teias de aranha ao blog, considerar a lista de afazeres que espera intacta na secretária, limpar a cozinha, fazer planos para o fim de semana, guardar o número de telefone para o ano que vem. Parece que está fora de moda as pessoas andarem assim a expor-se nos blogues, ainda por cima as que não são anónimas, mas sempre vos digo que esta versão britânica do acasalamento estival condiz comigo.

(e agora isto era um blog vintage e eu recomendava-vos - discretamente- um amante italiano, de preferência generoso, jovem, fresco e com data de validade?) (e agora era antes um blog de conselhos práticos e eu ensinava como mandar às urtigas a culpa e obter o perdão eterno invocando muitas vezes o nome de Deus em vão? Em várias línguas?)

(E mais não conto, que parece que dizer que se está muito feliz é o pecado novo da blogosfera, a ser apanhado neste momento por ter o coração partido, que também está a deixar de ser in para ser piroso. Vou já ali ver qual é o estado de alma recomendado (se não for um estado de alma mas antes uma cor de verniz eu volto com fotografias) (a nao ser que ainda nao tenha passado aquela moda do turquesa)

Thursday, September 02, 2010

como gostar mais de gordon brown em três passos


Clicar aqui. Escolher os outros dois passos a gosto, eu optei por assoar o nariz e abrir a janela.

regresso às aulas


Ah, que inveja. Vou só ali comprar um estojo e já volto.

Wednesday, September 01, 2010

geração internet II


Acabo de passar uns bons minutos à procura da pasta do telefone para onde vão as sms apagadas.

geração internet



Hoje no elevador carreguei por engano no botão do terceiro andar, para além de no do quarto, para onde realmente queria ir. Para não chegar atrasada, voltei a carregar no botão do terceiro andar, convencida de que isso ia apagar a luzinha outra vez.

(ler mais sobre botões num site mesmo muito giro e ficar lá o resto do dia, seguindo para variar os links que eu recomendo)