Showing posts with label Eça forever. Show all posts
Showing posts with label Eça forever. Show all posts

Wednesday, February 17, 2010

mais eça e leis categóricas


Quando tinha uns treze ou catorze anos e queria começar a ler os Maias, a minha mae contou-me logo que era um romance sobre uns senhores que se amavam muito e afinal eram irmaos. E como me visse muito zangada, explicou logo que saber o fim nao fazia diferença nenhuma, que nao era um livro desses. E tinha razao, claro.

Acabo de descobrir uma boa formulaçao dessa lei no Tio Vânia, um rapaz que também anda a oferecer excelente Fassbinder: Um bom teste à qualidade de um livro ou de um filme é ver se se aguenta, conhecendo-se à partida o seu final. É por isto que todos nós amamos as tragédias gregas. Já conhecemos os enredos, mas o texto está sempre tão pleno de fascinantes e variadas complexidades, que a ânsia pelo final nunca tolda o contínuo raciocínio de ninguém; ficamos livres para apreciar.

Posto isto, vou à Wikipedia descobrir como acaba o tempo perdido, que estou curiosa e ainda tenho uns bons anos de leitura (milagrosa!) pela frente.

Lodaçal


Depois da Lei de Godwin (que dita a probabilidade de uma comparaçao ao Nazismo à medida que uma discussao continua) e da lei da Internet do Sascha Lobo (que dita que a probabilidade de, numa discussao sobre Web 2.0, alguém mencionar Obama), é também importante estabelecer que: à medida que uma discussao sobre política portuguesa avança, a probabilidade de uma citaçao de Eça aproxima-se de 1.

Ah, o optimismo português, esta capacidade única para encontrar na desgraça a oportunidade de lembrar o génio (claro que também podíamos ficar deprimidos a pensar no pouco que avançamos desde entao, mas enquanto os Sócrates e os Sol vao e vêm, Eça é eterno, o que nao deixa de ser um consolo. Eça forever, man).

PS: Brilhante acrescento do Daniel: Contudo, no caso de a discussão ser alimentada por políticos profissionais com mais de oitenta jantares de concelhias no currículo, julgo que prevalece uma variante dessa lei, em que a citação de Eça é substituída pelo relato, por parte de um dos intervenientes, do momento em que este «sentiu na rua» uma coisa qualquer. É evidente que a degradação da vida política portuguesa passa também por esta estranha vontade de «sentir na rua» (quantas vezes suja e mal iluminada), quando toda a gente sabe que, no recato do lar, há muito melhores condições para a prática da modalidade.